Será a pirataria a causa das fracas vendas do software?

A notícia da ACAPOR trouxe a pirataria de novo para a ordem do dia. Já dissemos nessa altura que era nossa opinião que o problema dos clubes de vídeo era o modelo de negócio que se encontra totalmente ultrapassado. O cliente quer o produto mas quer cada vez menos restrições. Apanhar chuva para ir buscar um filme que até pode nem estar disponível, num DVD riscado e que pode nem ler, e que tem de devolver dois dias depois não são o que o cliente quer.

Mas mesmo a solução de video clube ZON (aquele que eu conheço) também não são a resposta. Filmes ao mesmo custo dos clubes de vídeo, e isto apesar de toda a logística envolvida ser notoriamente inferior (não há armazenamento, arrumação e empregados 24h por dia), são uma notória falta de respeito pelo cliente que acaba por pagar quase 20% do custo do filme total apenas para o poder ver uma vez e num período de tempo que, apesar de controlado remotamente e sem possibilidade de burla pelo cliente, continua a ser ridiculamente pequeno.

E isto claro, apenas disponível nas televisões com ZON BOX que só por sí já requer mensalidades.



A verdadeira resposta são serviços como o Google TV e o NETFLIX. Isso sim, reais serviços que funcionam em qualquer televisor pois graças às maravilhas do DLNA, media centers e WI-FI presentes na maioria das casas portuguesas, o cliente pode assim desfrutar do filme quando quer e onde quer, e a um custo acessível, dando assim uso a toda a panóplia de equipamento que adquiriu e sentindo-se realizado tecnológicamente.

Mas curiosamente, apanhei na internet um artigo colocado no TECHSPOTLIGHT, e que, na perspectiva dos videojogos aborda o mesmo problema, a tentativa de impingir ao cliente o que as empresas pretendem e não aquilo que ele verdadeiramente quer, tratando-os a todos como piratas e como burlões, quando na realidade quem burla o cliente que paga são os próprios produtores ao criarem limitações incompreensíveis nos produtos.

Eis aqui o artigo que vou traduzir livremente, podendo não ser 100% fiel à mensagem original, mantendo o seu espírito:

Parece que o jogo Splinter Cell: Conviction para PC e da autoria da UBISOFT faz parte de uma “suja” venda promocional de natal que permite que o STEAM o venda por 15 dolares e o Amazon por 12,99 dolares. Por um preço deste, com uma produção de tão elevada qualidade na campanha de um jogador e multi-jogador isto deverá ser um negócio da china.



Mas não é.

Como muitos jogadores PC estão conscientes, o jogo vem com o sistema, já deveras criticado, de DRM proprietário da Ubisoft e que requer que os jogadores estejam ligados aos servidores da UBISOFT sempre que querem jogar o jogo, mesmo no modo de um único jogador. Muito já foi dito sobre isto no passado e como tal vou poupar no sermão sobre como é estúpido e cruel punir os legítimos compradores como algo assim, mas acho que é hora de fazer ver algo mais importante.

Os editores implementam várias formas de DRM em jogos de PC para impedir a pirataria. Quando um jogo vende menos do que um volume espectacular numa plataforma, é sempre a mesma desculpa que aparece: A PIRATARIA. Como um potencial cliente; e tendo um grande interesse na série Splinter Cell desde o seu primeiro jogo, sinto que é a hora de fazer com que todos percebam o porque que estes jogos vendem pouco.

O negócio em causa é definitivamente interessante… Eu próprio compraria certamente o jogo pelo STEAM dado o seu baixo preço, tal como faria outro amigo meu; que por acaso é membro de uma comunidade de jogos com centenas de jogadores PC, e onde as suas recomendações teriam feito uma bola de neve nas vendas com toda a certeza.

Cara Ubisoft, a única razão porque não compro este jogo agora é pelo facto que a versão crackada deste jogo oferece uma melhor experiência do que a do jogo do STEAM. Estive recentemente a comparar pontuações do modo survival em ZOMBIE DRIVER e BEAT HAZARD com os meus amigos. Estive a jogar um bom bocado de Battlefield: Bad Company 2 online para subir o meu ranking. Estes jogos premeiam o comprador por ter comprado a versão original e não usar as versões piratas (que normalmente nem sequer funcionam nos modos online). Mas o vosso jogo não traz mais nada do que uma real dor de cu por 15 dolares caso o compre agora e por qualquer motivo fique sem internet amanhã; ou se os vossos servidores tão fiáveis não crasharem mais uma vez, como aparentemente é apanágio, ou até fecharem de vez.

O jogo estando à venda a este preço levará certamente a um pico de vendas. Há sempre aqueles que nem ligam muito a essas coisas do DRM ou o preço não lhes parece elevado para uma experiência amputada. Há mesmo aqueles que podem ser completamente ignorantes acerca do DRM (e convenhamos, apesar do ultraje de meses há muitas pessoas que desconhecem o cancro que este jogo contem). Por isso, sim, muitos comprarão o jogo agora. Até poderá acabar no top de vendas do Steam por um dia… Mas não se iludam o jogo teria vendido muito mais se o DRM não estivesse lá.

Pelo menos duas cópias…

Que vos parece? Tem esta pessoa razão ou não? Vocês tem noção dos DRM dos jogos quando os compram ou nem se informam sobre isso? Deixe-nos o seu comentário.



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