Será que a actual geração de consolas durará tanto quanto as anteriores?

A Playstation 4 e a Xbox One possuem um ano de vida. Mas quantos mais terão antes de o seu hardware ficar obsoleto? Aguentarão estas consolas no mercado o mesmo número de anos que as anteriores gerações?

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Playstation 2/Xbox – 2000 a 2006

A Playstation 2 quando foi lançada era um exemplo de hardware. Larguras de banda até então inimagináveis, co-processadores vectoriais, e muitas inovações não existentes em mais lado nenhum, levaram a que a consola se tornasse num sucesso de vendas.

A Xbox, lançada um ano depois, apesar de não possuir um CPU de topo era igualmente modelo de potência. Possuía uma boa placa gráfica bastante alterada e quase uma Geforce 4, que face à Geforce 3 da altura se revelava quase 2x mais potente.  O seu processador era um Celeron, algo que na altura não era exactamente topo, mas que no entanto, sendo bom o suficiente, nunca se revelou um problema.

E a realidade é que dado o custo elevadissimo dos PCs na altura, o hardware da Xbox vendido ao preço que era vendido era pura e simplesmente excelente.

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Apesar de o hardware da consola ter sido igualado cerca de um ano depois, as optimizações e dedicação de programação dadas a uma consola, bem como as suas parecenças com a arquitectura x86, aguentaram-na no resto da sua vida útil. A Playstation 2, apesar de ser algo mais fraca e difícil de programar, tornou-se na consola de mesa de maior sucesso até hoje e o seu API de baixo nível tornou-se uma referência que a Sony nunca mais abandonou.

A Playstation 2 ficou 6 anos no mercado como produto principal da Sony, e a Xbox 4 anos como produto principal da Microsoft

Playstation 3/Xbox 360 – 2005 a 2013

A Playstation 3 e Xbox 360 foram algo diferentes. Na altura do lançamento da Xbox 360 o seu hardware era pouco superior ao existente na altura para o mercado PC. Aliás, um ano depois, a Playstation 3 era lançada com uma potência em tudo semelhante e estava já ultrapassada pelo que o PC oferecia.

No entanto, apesar da diferença face à anterior geração, estas consolas estavam,  para a altura que foram lançadas, a par do que de melhor se fazia na altura.

E nestas consolas, mais uma vez, a dedicação de programação e os APIs de baixo nível permitiram-lhes manter-se a acompanhar, com maior ou menos dificuldade, tudo o que se fez até hoje, mesmo com a Xbox 360 a fazer 8 anos na altura do lançamento da sua sucessora, e a PS3 a fazer 7 anos nessa mesma altura.

Playstation 4/Xbox One – 2013 a ?

Eis que chegamos a 2013, e a Playstation 4 e a Xbox One são lançadas. E apesar de uma expectativa de vida demonstrada pelos fabricantes em tudo semelhante às anteriores gerações, a realidade do seu hardware mostra-se bem diferente.

Pela primeira vez as consolas são lançadas com uma capacidade inferior ao que o mercado PC oferece. O melhor hardware gráfico para PC existente em 2013 revela-se já cerca de 3 vezes mais potente que o hardware oferecido pela mais potente das consolas.

A questão é que, numa altura de grande crise económica mundial, Microsoft e Sony apostaram em criar uma consola acessível. E isso significou uma consola que, apesar de potente, ao contrário do que sempre aconteceu, ficou bastante atrás do que de melhor se fazia na altura do seu lançamento. E elas as consolas são lançadas com desvantagem face ao hardware já existente.

Se só esta situação faria prever uma duração menor da vida útil da geração, o certo é que a programação dedicada e os APIs de baixo nível que tão bem aguentaram as gerações anteriores de consolas, seriam armas a considerar. E a perante uma relação qualidade/preço que se revelava, face a todas as gerações anteriores, como imbatível, a geração tornou-se num imediato sucesso de vendas.

As alterações que por aí vem

Mas infelizmente as coisas mudam! O que é verdade num dia, não é verdade no outro. E no lançamento das consolas a única ameaça ao seu futuro era a menor potência do hardware, as mudanças entretanto conhecidas que se preparam para aparecer no mercado vieram piorar o cenário, ajudando a augurar uma má esperança de vida para esta geração de consolas.

Infelizmente, diariamente fala-se das versões dos jogos consola e das dificuldades dos mesmos, mesmo com APIs de baixo nível (nesta fase ainda mal explorados), em atingirem os 1080p e passarem acima dos 30 fps. Performances que qualquer PC de gama média-alta, mesmo sem qualquer API de baixo nível, atinge e até supera sem problemas, e com um nível de detalhe que se revela até superior.

Há, no entanto, sempre a perspectiva de que as coisas vão melhorar para as consolas com melhor uso do seu API e acima de tudo com o uso do GPGPU. E isso será uma realidade. Mas não só os PCs irão igualmente usar o GPGPU, como as suas potências vão aumentando sem parar a cada mês que passa, com o lançamento de novo hardware. A realidade é que se daqui a 2 anos teremos PCs várias vezes mais potentes que os actuais, as consolas serão exactamente as mesmas! E os PCs de baixo custo serão extremamente atractivos para fazer algo semelhante ao que as consolas fazem.

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Mas as consolas possuem sempre os seus trunfos do software dedicado e APIs de baixo nível.. Ou será que não?

Infelizmente não! Os APIs de baixo nível sempre foram um grande trunfo das consolas. Algo que não estava acessível a outros sistemas e que, quando devidamente explorado, em média obrigava ao dobro da potência para se conseguir performances equivalentes! Mas essa será uma situação que acabará ainda este ano com o lançamento do DirectX 12. E com ele todos os PCs terão subitamente um upgrade de performance idêntico ao que dantes só estava acessível às consolas, e que irá aumentar para algo maior o fosso que já se vê actualmente entre as consolas e PCs de topo. Se com os APIs de baixo nível exclusivos a diferença de 3x da performance entre esse hardware podia ser parcialmente coberta, com ele nos PCs as consolas perdem a alavanca que sempre as ajudou. E com este API, PCs de baixo custo com hardware equivalente aos das consolas passarão a ter igualmente performances equivalentes às destas. Daí que dá o que pensar no que acontecerá com o hardware PC lançado daqui a 2 anos.

Apesar da facilidade de uso entre uma consola e um PC ser diferente, tornando as consolas mais atractivas, a realidade é que a versatilidade dos sistemas também o é, com os PCs a revelarem-se mais capazes no tipo de software que podem correr e no que podem fazer, sendo igualmente capazes de sofrer upgrades, e com os jogos multi plataforma a serem ali melhores… e muito importante: mais baratos!

Resumidamente, com o lançamento do DiretcX 12 as consolas perderão logo dois dos seus trunfos: O API de baixo nível e grande parte da relação qualidade/preço. Restar-lhes-à a programação dedicada e os seus exclusivos, bem como o facto que os seus APIs de baixo nível poderão ir um pouquinho mais longe que o dos PCs.

No entanto com uma disparidade tão grande de performances,  as vantagens acabarão por ser sempre do PC. E daqui a 2 ou 3 anos, com PCs duas a três vezes mais potentes, certamente muitos jogos ainda, por cima impulsionados por um DirectX 12, se revelarão muito mais complicados de serem transpostos sem grandes cortes para o hardware mais fraco das consolas.

Poderá ser um real problema!

Mas mesmo perante este cenário tão negro, as ameaças ao futuro das consolas não acaba aqui!

O que o desenvolvimento do hardware não abrange só o mercado PC. E existe a ameaça dos tablets!

Com a actual evolução dos processadores quer genéricos, quer gráficos, dos dispositivos móveis, dentro de cerca de 3 anos teremos dispositivos capazes de superar as actuais consolas. E pela sua portabilidade, mesmo antes de as igualarem estes começarão a ser concorrentes de peso, até porque os APIs de baixo nível já apareceram igualmente nestes aparelhos, como é o caso do Metal da Apple.

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Em jeito de conclusão, o futuro das consolas está extremamente incerto. Aquilo que pareceram boas opções ainda à um ano, parecem estar a revelar-se opções com um futuro muito mais reduzido do que o espectável. É certo que as consolas ainda tem muito para dar, e irão melhorar muito naquilo que conseguem oferecer. Mas estamos longe da realidade que assistimos nas gerações anteriores. E devido a tudo o que foi exposto, mais depressa do que se pensava, o hardware actual das consolas vai começar a parecer, subitamente, bastante limitado.

Daí que surge a questão. Quanto durará esta geração? Terão a Microsoft e a Sony trunfos para combater a situação? Teremos de aguardar para ver.

Acréscimo

Só para que se perceba melhor a situação, resolvi criar um pequeno gráfico.

Nesse gráfico vemos a potência em Gflops do PC (potência real). Nas consolas vemos no início a potência real, e depois, nos anos seguintes, uma potência que não corresponde à real mas que se equivale ao rendimento que se vai tirando das mesmas devido aos seus APIs de baixo nível. Mesmo que teóricamente, pois este exemplo não pretende ser mais do que isso, considerei que no final da geração teríamos um rendimento duplo face ao inicial graças aos APIs de baixo nível (um valor referido por inúmeros programadores ao longo dos anos). Ou seja, a potência das consolas nos anos seguintes não corresponde à real, mas sim aquela que teoricamente um PC igual com um API de alto nível necessitaria de ter para fazer o mesmo.

No gráfico fiz uma evolução da média de melhorias que o PC tem vindo a ter, comparado com as antigas consolas e com as novas consolas. Coloquei depois a evolução previsível do PC com a introdução do DirectX 12 em 2015.

Para não ser injusto considerei que, tal como nas consolas, demorará 7 anos a explorar toda a potência fornecida pelo API, e dessa forma evitei criar ali um pico de diferença em 2015, que seria o pior dos cenários possíveis.

Note-se que o eixo dos Y representa Glflops x 1000.

Disparidade

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