Será que MGS: Ground Zeroes cruza a linha do aceitável num videojogo?

Kojima referiu que não quer que Metal Gear Solid tenha tabus, mas dado que independentemente de tudo estamos perante um videojogo, abusos físicos, psicológicos e uma violação numa história totalmente secundária poderá ser esticar um pouco a corda.

MGSGZ-PS3

Metal Gear Solid: Ground Zeroes possui uma grande envolvente que terá de ser explorada com a recolha de cassettes espalhadas pela instalação militar situada em Cuba. Esta foi uma das formas que Kojima encontrou para cortar as cutscenes excessivas de que os jogadores se queixavam, pelo que estas estão agora disponíveis em longas sessões audio que apenas ouvirá quem quiser.

Mas as cassettes relacionadas com Chico, uma criança soldado que trabalha para a Big Boss, e Paz, uma jovem espia, possuem relatos de actos de tortura e de abusos sexuais que são simultâneamente chocantes e perturbantes, especialmente para um mero videojogo.

Naturalmente o jogador casual poderá não estar interessado em estar a ouvir todas estas cassettes, mas quem o fizer testemunhará actos de horror do vilão de face desfigurada, Skull Face que torturará ambas as personagens.

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Retomando o nosso artigo

E nestes relatos ouvimos Skull Face a abrir o estômago de Paz para lhe colocar uma bomba, chegando mesmo a remover órgãos para a bomba caber e que lhe deixam pouco mais de 24 horas de vida. O relato ainda fala de uma segunda bomba em um local onde ninguém irá procurar, dando a entender que se trata das suas partes privadas.

E há ainda um acto sexual forçado entre Chico e a Paz.

Infelizmente a história conhece relatos semelhantes e verdadeiros, mas aqui há algo distinto. Não só as cenas, apesar de apenas audio, são explicitas e não implícitas, mas estamos a falar de um jogo normalmente jogado e distribuído a crianças, e que mesmo com uma indicação de maiores de 18 acabará por ser vendido sem restrições.

A questão aqui é questionar o que este tipo de situações realmente trás de realmente interessante ao jogo. O que se relata ali que não pudesse ser relatado de outra forma. Que Chico e Paz eram torturados já se sabe, é uma realidade da guerra que quem joga terá consciência. E que Paz pudesse ter sido violada é outra realidade. Mas era necessário colocar esses relatos de forma explicita em audio?

Sinceramente não pretendo aqui criticar os opções de Kojima, mas acho que há certas situações que, pelo menos nos videojogos, não deveriam passar do implícito, e nunca ser explicitas. E este jogo leva esse tipo de situações a um novo patamar mais elevado.

O relato audio da violação de Paz encontra-se no video que se segue, alertando-se que o mesmo contêm violência, abusos físicos, psicológicos e sexuais e deve ser visto com precaução:


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