Site de legendas criadas por fans sofre raide e apreensões da polícia.

Ao que isto já chegou. Demonstrando que as acções policiais não são feitas em defesa dos titulares dos direitos e autor mas sim em defesa da enorme indústria que orbita em torno destes, a polícia fez um raide e apreendeu material de um website que possuía… legendas criadas por fans.

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O website undertexter.se é um website Sueco onde todos podem obter legendas criadas e submetidas livremente por fans. Apesar de o website não possuir absolutamente nenhum conteúdo protegido por lei, mas apenas traduções de diálogos de filmes para substituição das originais, nem sempre bem conseguidas, o mesmo foi alvo de um raide policial que apreendeu todo o seu conteúdo.

As legendas criadas por fans são uma cultura em crescimento, e normalmente adaptam as legendas de forma mais adequada e sem interpretações rígidas como as dadas pelas legendagens profissionais que por vezes esquecem todo o contexto que rodeia a legenda por falta de conhecimento intrínseco da história e narrativa. Mas mais ainda, estas legendagens estão por vezes disponíveis vários meses antes de as legendas oficiais serem lançadas, o que impede aqueles que adquirem produtos de forma legal, mas não dominam totalmente as linguagens usadas, de usufruir totalmente do produto. Tratam-se apenas de interpretações de diálogos… algo que se crê não ser minimamente ilegal em parte nenhuma deste planeta.

O mais chocante é que tudo o que foi apreendido foi algo criado por fans. Pessoas que gostam e adquirem todo o tipo de material e merchandising relacionado com o produto original, e que estão apenas a usar a sua liberdade criativa para oferecer uma legendagem que consideram mais adequada aos produtos. Tudo isto sem fins lucrativos ou de forma que prejudique minimamente a venda dos filmes originais. Afinal as pessoas compram os filmes pelo filme e não pela qualidade das legendas que até é desconhecida no momento da compra.

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No entanto a Industria do Copyright Sueca acha que as traduções de um diálogo de um filme estão cobertas por direitos de autor, e que as traduções, mesmo gratuitas, realizadas por fans, são violação dos seus direitos justificando o envio das forças policiais. O que se seguirá? Prender as pessoas que cantam determinadas músicas na rua?

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O problema é que na Suécia estas entidades possuem o poder de ordenar raides policiais legais e sem necessidade de consultar outras entidades. Ou seja, o que acontece é que o governo deixou nas mãos de um grupo de iluminados movidos por interesses financeiros a capacidade de determinar que tipo de culturas e conhecimentos ficam acessíveis e a quem.

Por outro lado é triste ver que, pelo menos na Suécia, a polícia age não em cumprimento da lei, mas sim em protecção desta indústria. É triste saber-se que não se investigam roubos ou crimes mais comuns alegando-se falta de meios, mas para fechar um website de legendas pode-se mobilizar grande parte dos recursos das forças policiais.

Mas afinal que tipo de violação alguém está a cometer ao criar uma legendagem para um filme? Não será isto semelhante à criação de uma capa para um smartphone, mas distribuída gratuitamente? Ninguem está a copiar o filme, ninguem está a ceder ou a alterar o filme. Está-se apenas a criar traduções mais adequadas disponibilizadas de forma gratuita e apenas para quem quer. Tal não impede ou altera o volume de vendas dos produtos e, quando muito, pode aumentar as mesmas.

Curiosamente, à uns tempos atrás o Netflix usou em um dos seus filmes as legendas de um website do género chamado DivxFinlad. E isto talvez por achar que a qualidade das mesmas era bem superior às originais. Mas nessa altura, sendo o Netflix parte da industria do copyright, ninguém se queixou, e até acharam muita piada. Ou seja, a industria usou para fins lucrativos aquilo que veio depois fechar e que era cedido gratuitamente. O netflix pode usar esse tipo de legendas sem problemas, mas o uso privado já é encarado como pirataria. Haverá quem entenda esta situação?

Mas há mais casos de abusos do género. O Vodler, um serviço de video-on-demand Sueco é dos que mais defendem intransigentemente a defesa dos direitos de autor e a forma como estes são importantes para toda a civilização. Mas no entanto o seu serviço foi todo montado sobre software GPL e usado para fins comerciais, criando assim eles próprios uma violação tremenda dos direitos de autor. E tal prova a triste realidade: Os direitos de autor, previlégios e monopólios não interessam. Interessa é saber quem os possui. Se for um particular há que o processar, mas se for uma entidade com grandes recursos financeiros, há apenas que lamentar. Mas afinal que lei é esta que protege os ricos e oprime os pobres?

Fonte: Falkvinge

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