Sony PS4 – For the Payers?

Não, não é bug… é que ao que tudo indica a Sony pretende entrar nos mesmos esquemas dos outros.

Explicar o sucesso de vendas da PS4 não é fácil! A consola não só é a que vende mais, como atinge valores de venda históricos igualando ou superando o maior sucesso da Sony, a PS2.

No fundo há uma série de fatores que explicam esse sucesso, mas acreditamos seriamente que um deles se deveu ao facto de a Sony, nesta geração, ter optado pelo uso de políticas mais clássicas e conservadoras.

Passamos a explicar:

Quando as consolas de nova geração foram apresentadas, apareceram duas propostas diferentes.



Sem entrarmos em grandes detalhes, até porque a história foi o que foi, e não vale a pena estarmos sempre a carregar no mesmo, as propostas que foram apresentadas em Novembro de 2013 eram tão diferentes que a Sony, ao ser a mais mantinha o modelo tradicional das consolas, apostou num slogan que ainda hoje usa: “For the players!”.

Este slogan terá sido, entre muitas outras coisas, um dos fatores de sucesso da PS4. Numa altura onde se via a concorrência a apresentar uma consola cheia de limitações e mais virada para o aspecto lucrativo da mesma, a Sony mantinha basicamente intacto o esquema tradicional de sempre, abdicando desse lucro adicional e fácil, mas mantendo a liberdade que os jogadores sempre tiveram.

Como o tempo veio a demonstrar, essa foi uma escolha correcta, pois como sabemos, a situação correu mal para o lado da Microsoft, que acabou por ter de ceder naquilo que pretendia, voltando ao modelo clássico, mas no entanto, e pelo meio, acabando por danificar de forma indelével a imagem da sua consola.

A frase “for the players”, associada ao que sucedeu tinha múltiplos significados. Não só mostrava uma consola criada quase exclusivamente com os jogos em mente como, face à proposta monetarista e monopolista como a concorrência colocava a sua consola, significava que a Sony abdicava de situações idênticas às que os outros propunham no sentido de agradar e cativar aquilo que considerava serem os seus clientes, os jogadores.

Fosse ou não este o objectivo, até porque como sabemos, empresas são empresas, e os seus objectivos são os lucros, sendo que tudo o que dizem não passa de Marketing criado com o intuito de agradar e consequentemente vender, esta imagem passada conseguiu o seu objectivo e entranhou-se.

Mas agora, após 4 anos em que a Sony manteve esse modelo clássico, sem grandes apostas nas vendas digitais, sem grandes esquemas de monetização nos jogos (micro transacções), eis que a Sony veio mostrar que está prestes a se vergar igualmente a essas realidades no sentido de aumentar os seus lucros.

Não é que não haja consciência que as microtransações e a venda de produtos pagos como a PSN+, as vendas na PS Store, ou outros, são fontes de receitas com uma maior percentagem de lucro do que a simples royalty que advém da venda de jogos no retalho. São receitas  enormes e que, dentro daquilo que cada um pode, estão a ser exploradas pela maior parte das empresas no sentido de aumentarem as suas receitas e diminuírem as probabilidades de prejuízo.



No entanto, ver a Sony vir referir que devido às elevadas receitas que está a ter com a sua loja online e com a PSN, a empresa quer aumentar ainda mais as mesmas, recorrendo futuramente ao “uso adequado” de microtransações, e passando a usar como métrica o número de utilizadores activos na rede, em vez de números de vendas de consolas, tal não deixa de ser um golpe para quem se habituou ao que se tem vindo a passar nestes 4 anos.

Numa lógica de coerência, quando a Microsoft deixou de revelar vendas da Xbox One e se vergou a estas métricas e às microtransações, a situação foi criticada por este ser um esquema que  sonega informação ao consumidor, bem como subverte aquilo que as consolas sempre foram. Agora, com a Sony a adoptar abertamente o mesmo, não podemos deixar de achar que é “tudo farinha do mesmo saco”, e criticar igualmente nesta empresa aquilo que pretendem aplicar e que nunca se achou bem nos outros.

Será que este tipo de situações é prejudicial ao mercado? Não, não é forçosamente. Basta que o tal “uso adequado” seja efectivamente bem ponderado, e a Microsoft, a empresa que mais tem recorrido a este tipo de situações, tem demonstrado que efectivamente, com um “uso adequado” a situação é tolerável.

Mas tolerável ou não, isto é mais uma daquelas subversões de um mercado que agradava a miúdos e graúdos e que cada vez mais, em vez de procurar cativar estes, se destina a explorar “consumidores inveterados”, mesmo que isso possa danificar a qualidade do que sempre foi o jogo para os restantes. E como sabemos, isto é o que se passa agora. Mas após isto, a ânsia dos lucros não vai parar, e virá mais alguma coisa, e depois mais alguma coisa, e depois mais alguma coisa coisa. E quando dermos por ela estamos num mercado semelhante ao que vemos nos smartphones, onde a diferença entre o “Gaming” e o “Gambling” (jogo a dinheiro), acabam por se se confundir.

É com bastante tristeza que vemos as empresas a vergarem perante o facilitismo do lucro. Como referido, sabemos que é para isso que elas existem, mas a realidade é que a Sony não se tinha vergado a ela, e que perante esta mudança tão radical, o slogan “for the players” perde o sentido e quase que poderíamos  brincar com ele usando o termo “for the payers”.

Afinal o que a Sony está agora a admitir, é que quer aumentar os lucros, e que com as microtransações os seus clientes lhes paguem mais…



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