Mai 252012
 

Se as siglas de cima não te dizem nada é melhor começarmos por explicar o que significam:

HDD é um acrónimo para Hard Disk Drive, e trata-se do disco rígido tradicional que equipa a maioria dos computadores. Trata-se de um sistema de armazenamento de alta capacidade constituído por pratos metálicos que rodam a alta velocidade e que possuem uma cobertura magnética. Com o uso de uma cabeça de leitura, ela igualmente móvel, os dados guardados são acedidos. Mas naturalmente todo este sistema está normalmente invisível ao utilizador uma vez que o disco é fornecido no interior de uma caixa metálica fechada (e que se torna necessária pois um simples grão de pó poderia criar problema ao sistema).

SDD é o acrónimo para Solid State Drive. Trata-se de um sistema cujo método de funcionamento, na parte que toca ao utilizador, é exactamente idêntico ao do HDD, mas já no que toca ao seu interior todo o sistema de pratos rotativos e cabeças de leitura é substituído por chips de memória flash, ao estilo da usada nas Pen drives (as vulgares pens). Esta memória consegue manter os dados armazenados mesmo sem a presença de energia, tal como a das pen drives. A grande diferença aqui está na qualidade, velocidade e fiabilidade destas memórias que em nada se comparam à usada nas pens, e que tornam estes sistemas muito mais caros. E tal como nos discos rígidos, estes SSD’s são fornecidos em caixas metálicas com formatos semelhantes aos do HDD, quanto mais não sejam porque fisicamente são colocados nas caixas nos mesmos locais dos discos rígidos tradicionais.

Quais então as diferenças entre estes dois sistemas e as vantagens e desvantagens de cada um?

Preço:

Se leram com atenção os parágrafos anteriores verificam que já referimos aqui uma diferença entre os dois sistemas, o preço. É que um disco SSD é bastante mais caro que um HDD tradicional, mas essa é uma situação compensada por outras que abordaremos de seguida, e que tornam os SSD atractivos.

Mas sendo claro, os SSD são francamente caros. Se um HDD normal de 1TB custará em média cerca de 100  a 120 euros no formato de 2 polegadas e meia (2,5″), já para um SSD um disco de 1 TB deverá possuir um preço a rondar os 1000 euros. É um preço de 10 centimos por Megabyte num disco HDD e cerca de 1 Euro por Megabyte num SSD. Francamente mais!

No entanto os discos SSD de 1 TB não são comuns, e dificilmente veremos à venda algo com mais de 500 GB. Aliás o mais normal é mesmo drives de 128 GB ou 250 GB. E claro que com discos desta dimensão se torna impensável montar actualmente um computador dependendo só deste tipo de discos.

Sendo assim para que queremos um SSD? A resposta é a diferença que se segue:

Velocidade:

A velocidade é o motivo porque os SSD existem. Diga-se que um sistema equipado com um SSD pode arrancar um PC em meros segundos uma vez que não há os constrangimentos dos tradicionais HDD. Os pratos não necessitam de acelerar, não existe diferenças de velocidade entre as pistas externas e internas do prato (a velocidade angular é constante mas dado que a densidade de gravação é constante, as pistas exteriores percorrem mais espaço no mesmo tempo), e acima de tudo a fragmentação do disco.

É que devido à forma como os dicos funcionam a informação é colocada sequencialmente em forma de blocos. Quando alguns blocos são apagados, os espaços vazios são posteriormente preenchidos com nova informação, e quando os blocos necessários são superiores aos disponíveis o ficheiro fragmenta-se em partes espalhadas pelo disco, o que leva a maior tempo de pesquisa e leitura.

Os SSD possuem o mesmo problema, mas dado que não há a necessidade de pesquisa física na superfície do disco pelas partes e os tempos de acesso à memória são, comparativamente, infinitamente menores, o problema assume menores proporções.

Mas a grande diferença entre os sistemas não é só essa, e há outro factor que os distingue de forma notória.

Durabilidade:

No que toca à fiabilidade dos dados em caso de queda ou choque violento, os SSD’s revelam-se superiores ao não possuírem partes moveis. Aliás um simples toque no prato da cabeça do HDD poderá ser desastroso, e convêm nao esquecer que ela trabalha a meros microns de distância da camada magnética. É por esse motivo que os discos rígidos recolhem a cabeça de leitura quando são desactivados.

Mas os SSD não são só vantagens. Dependendo do tipo de memórias usadas os SSD podem ser mais susceptíveis a avarias em casos de perdas súbitas de energia, e em termos gerais são muito mais limitados a nível de ciclos de escrita.

Dependendo da tecnologia usada ser  SLC  (single level cell), ou MLC (multi level cell) a sua durabilidade a nível de ciclos de escrita pode variar tremendamente. Um disco MLC pode começar a apresentar problemas de escrita entre os mil e os 10 mil ciclos e escrita (sim, 1000 ciclos… é pouco é), sendo que os SLC sobem esse valor para perto dos 100 mil.

Seja como for, em qualquer dos casos o número de ciclos é muito limitado e tal impede que os SSD sejam usados da mesma forma que um disco tradicional. Há que os usar para armazenamento de conteúdo destinado a leituras constantes, mas não para situações que envolvam escritas. Por exemplo, os ficheiros temporários do Windows deverão ser afastados completamente deste tipo de discos. È certo que há já discos SSD que usam tecnologias que sobem estes ciclos para 100 mil, mas essa não é tecnologia usada vulgarmente.

Diga-se aliás que apesar da sua grande velocidade de leitura que pode chegar a ser dupla da de um HDD, as velocidades de gravação são bastante inferiores. E dado que os blocos usados são bastante maiores do que os usados pelos HDD a possibilidade de fragmentação é igualmente maior, podendo anular as vantagens da sua velocidade de acesso.

Torna-se assim notório que os SSD não são os discos ideais para gravações.

Ruido:

Uma última linha para se falar de uma vantagem notória dos SSD, a total ausência de ruído. É que dado não existirem peças móveis e a temperatura de funcionamento ser baixa o suficiente para uma dissipação passiva ser eficaz, o ruído gerado é zero.

Conclusão:

Os SSD substituem os HDD? Não, nem sonhar. Mas certamente complementam-nos muito bem!

Um sistema equipado com um disco SSD onde se guarda o sistema operativo e os programas de maior utilização e que faça uso de um HDD para ficheiros temporários e armazenamento de outros ficheiros. Por outras palavras o SSD deverá ser usado para optimizar as leituras e o HDD em todos os outros casos.

Desta forma a colocação de um SSD e um HDD parecem ser o complemento ideal. O HDD fornecerá a capacidade de armazenamento e escrita que o SSD não é capaz, e o SSD fornecerá as velocidades de leitura nos ficheiros críticos do sistema, acelerando assim a performance do mesmo.

E neste sentido pode-se optar por dois discos rígidos ou um disco híbrido inteligente e que sabe optimizar a utilização das suas duas partes componentes. Esta é a a solução ideal, mas revela-se mais cara do que a compra das partes em separado, sendo contudo que a optimização de performances e de uso se podem revelar interessantes pelo preço a pagar.

Actualização a 10/02/2014

O artigo acima reflecte uma realidade existente a 25 de Maio de 2012 e que se alterou radicalmente. Actualmente os SSDs revelam-se bastante mais capazes a nível de capacidade de ciclos de escrita, e o Windows 7 e Windows 8 acrescentaram a detecção automática de SSDs bem como comandos de escrita dedicados para este tipo de discos (TRIM) e que diminuem em muito o desgaste destes discos em utilização normal.

Esta situação permite actualmente um uso de um SSD sem grandes preocupações com as as restrições acima descritas.

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