Star Trek: Bridge Crew – Primeiras impressões

É um jogo para Playstation e PC que requer um dispositivo de realidade virtual. E é o primeiro título que realmente torna a realidade virtual em algo de interesse elevado.

A realidade virtual sempre se revelou interessante pela envolvência que nos trás. O entrar e sentir que se está efectivamente no interior de um mundo à parte é algo de super interessante, e tal é elevado ao extremo pelo uso dos Playstation Move que nos garantem a possibilidade de interagir dentro desse universo virtual.

A realidade virtual já teve diversos títulos interessantes, alguns deles extraordinários  como a missão jackal de Call of Duty onde pilotamos um caça futuristico no espaço ou a missão X-Wing de Star Wars Battlefront, London Heist no Playstation VR Worlds ou Batman Arkham VR.

Infelizmente, estas situações mais interessantes são apenas meras missões ou, no caso do London Heist ou Batman, de duração muito limitada. Faltava ao VR um título mais atractivo, um título que fizesse as pessoas quererem mesmo aderir a um VR.

E eis que surge Star Trek: Bridge Crew. O jogo transporta-nos para o universo Star Trek, mais especificamente para a ponte da USS AEGIS, uma nave recente do universo Star Trek, dando ainda a possibilidade de usarmos igualmente a Enterprise original, com os seus comandos e sistemas de informação arcaicos.



Acima de tudo Star Trek Bridge Crew surpreende pela qualidade gráfica. É um jogo VR bem conseguido e onde não houve a necessidade de cortes na qualidade do grafismo periférico para se atingir as performances. Não estamos a falar de um grafismo foto realista, mas estamos a falar de um bom grafismo mais do que adequado para a situação em causa.

O jogo possui componentes online e offline, dependendo apenas de queremos jogar com uma tripulação completamente controlada pela Inteligência Artificial ou com alguns companheiros humanos.

Na componente offline a ponte possui um conjunto de elementos da tripulação que nos vão fornecendo dados importantes, sendo que existem quatro posições mais relevantes que são as que podem ser ocupadas pelo jogador: Comandante, Timoneiro, Artilheiro e Engenheiro.

Na posição de Comandante temos informação diversa sobre a nave à nossa disposição, sendo que seremos nós a fornecer as ordens aos restantes três elementos da tripulação que não atuarão sem o nosso comando.

O Timoneiro terá a nave sob seu comando, escolhendo a direcção, velocidade, uso de impulso ou warp, o artilheiro poderá analisar as naves inimigas, analisar os subsistemas e apontar aos mesmos de forma individual (algo não disponível na Enterprise original), usando os Phasers e os Torpedos de Fotões, e o Engenheiro que ficará encarregue de distribuir pelos diversos sistemas a energia da nave, pela atribuição de equipas de reparação aos diversos sistemas e pelo teletransporte de pessoas de outras naves.



Basicamente o comandante assume um local de relevo no offline, e apesar de este poder saltar para as diversas posições controlando-as, as suas ordens são fundamentais uma vez que a IA não fará nada sem ordens.

No online o jogo ganha outra vida. Não há comandos usando os controladores, mas tudo é feito verbalmente, sendo que os diversos tripulantes podem agir sem ordens. No entanto, ao bom estilo Star Trek, tal não acontece e na pouca experiência que tive, as diversas posições questionam o comandante sobre o que fazer. É ao comandante que cabe tomar decisões, e o universo Star Trek é por si baseado em hierarquias às quais se obedece, um espírito que se mantêm no jogo. É ao comandante que cabe decidir se os escudos são subidos e se ataca os inimigos, ou se estes ficam em baixo e se transporta sobreviventes de outras naves, é este que decide se a nave entra em alerta vermelho e combate os inimigos, ou se mantém os escudos em baixo e a velocidade reduzida tentando passar despercebida aos sensores inimigos, e é este que decido os locais para onde ir, e a ordem pelos quais os visitar.

Apesar do interesse do offline, o online é o maior atractivo do jogo. Usando crossplay com o PC, o que quer dizer que poderemos encontrar pessoas usando o PSVR, HTC Vive, Oculus Rift, ou outros aparelhos VR, a escolha do online leva-nos para uma sala ao estilo da sala do Comandante Picard na Enterprise, onde junto a uma série de modelos de naves penduradas nas paredes teremos uma mesa com quatro lados onde as pessoas que vão chegando se sentam e discutem quais as posições que vão ocupar.

O jogo online acaba assim por ser uma experiência social no universo Star Trek, e de extrema relevancia. É algo de completamente imersivo, apesar de o jogo parecer sofrer um pouco na variedade daquilo que se pode fazer. Mas o certo é que até ao momento experimentou-se ainda muito pouco para se poder fazer um juízo total sobre a qualidade do jogo, e as análises que tem aparecido tem sido generosas nesse aspecto.

Do pouco experimentado, Star Trek: Bridge Crew parece destacar-se o suficiente para ser uma joia no universo VR. É um daqueles jogos que vai definir o VR e ditar o que será o seu futuro. E neste caso, tudo aponta num sentido de que será efectivamente um futuro muito, muito interessante.



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