Utilizadores de Windows 10 queixam-se da falta de transparência e gestão de privacidade.

Windows_10

Apesar de, à data de escrita deste artigo, ainda não ter sido brindado com a actualização para o Windows 10 em nenhum dos meus computadores, e como tal não ter avaliado por mim mesmo, o novo sistema operativo da Microsoft está sob ataque pelas definições base relativas à privacidade, com queixas de que a mesma não é minimamente respeitada.

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Há já incontáveis queixas sobre os parâmetros por defeito no que toca à privacidade no Windows 10. Relatos de informação pessoal enviada à Microsoft, uso de largura de banda não autorizada para envio da actualização para outros computadores que estejam em fila para instalar o mesmo sistema operativo, partilha de passwords Wi-FI com amigos online e a falta de opções para recusarem as actualizações de segurança são as queixas principais.

De forma muito resumida, o vosso PC passa agora a ser tratado como o são actualmente os dispositivos móveis, com recolha de informação da mais diversa para aquilo que a Microsoft considera ser o bom funcionamento do OS e dos seus serviços, bem como da publicidade que por lá aparece.

A questão que a Microsoft já pareceu esquecer com o Metro e a remoção do botão Start no Windows 8 é que um PC não é um dispositivo móvel. Não só aqui a quantidade de informação é muito superior, como estas são ferramentas de trabalho por excelência, com informação confidencial e privada depositada nos mesmos e à qual a Microsoft não tem nada que aceder (e a Microsoft afirma que alguns serviços acedem ao conteúdo de mensagens, e-mails, localização, usos de aplicações pelo utilizador, etc).

A Microsoft chega mesmo ao cumulo de, no Solitário, um jogo gratuito desde o Windows 3.0, o mesmo estar impregnado de publicidade video que não se pode passar.

Naturalmente a Microsoft, à força da Lei, dá opções para se optar por não se recolher essa informação. Mas como já alguém referiu, uma política com 45 páginas que pela dimensão ninguém lê, e opções para se optar pela privacidade divididas por 13 ecrãs de configurações, bem como um website externo, não constituiu qualquer tipo de verdadeira transparência.

Mais ainda, os termos de serviço referem que ao serem aceites a Microsoft pode partilhar os dados do utilizador baseando-se apenas em “boa fé”.

Curiosamente uns termos muito semelhantes aos que a empresa usava em 2014. Mas quando a empresa foi apanhada a ler o conteúdo da conta de hotmail de um blogger suspeito de ter estado envolvido numa fuga de uma versão do Windows 10, a empresa prometeu apertar a sua política de privacidade, revendo-a seriamente para que tal não voltasse a acontecer. Algo que os novos termos parecem esquecer completamente.

Entretanto a Organização Europeia para os direitos Digitais, a EDRi já comentou as 45 páginas com os termos e condições da Microsoft, referindo:

A Microsoft basicamente oferece a si mesma uma séria de largos direitos para colectar tudo o que o utilizador faz, diz ou escreve com os seus aparelhos de modo a vender mais publicidade dirigida, ou a vender os dados a terceiros.

Como já foi referido, isto não é muito diferente do que os aparelhos móveis já fazem, mas com a grande diferença que um PC não é um aparelho móvel, não tem o mesmo tipo de uso, e sendo uma ferramenta de produtividade e trabalho bem diferente de um tablet ou smartphone deve ser tratado como tal. Daí que se espera que a União Europeia possa vir a pronunciar-se sobre o novo Windows e estas questões da privacidade, podendo obrigar a empresa a fazer sérias alterações ao mesmo (pelo menos nas versões de secretária), ou a pagar altas multas.

A imagem que se segue mostra bem as políticas autoritárias de privacidade da Microsoft impostas no Windows 10 e que nos fazem lembrar a altura em que a Xbox One foi lançada. (Abram-na numa nova janela para a resolução total).

Pessoalmente, caso ainda me seja dada a opção, irei adiar a atualização até à situação ter mais desenvolvimentos. Os meus dados e conteúdos pessoais, são pessoais e pretendo que continuem a ser pessoais sem que terceiros, mesmo que em boa fé, se mantenham afastados dos mesmos! Até porque uma vez o Windows 10 instalado a Microsoft só dá 30 dias para se anular a operação! E mais ainda, a Microsoft não tem nada que usar a minha largura de banda para mandar updates para outros utilizadores sem o meu expresso consentimento (basta o simples facto de ela ser minha e não da Microsoft, pelo que não possuem o direito de a usar sem a minha autorização).

A União Europeia vai ter um dia em cheio com estes senhores… ai se vai!


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