Xbox One bateu a PS4 em Novembro. Mas a que custo?

Curiosamente estive a ver alguns artigos sobre os prejuízos da Microsoft relativos às promoções efectuadas em Novembro. E ao contrário de outros websites, a nossa opinião é bem diferente: Os prejuízos face às vendas, parecem compensatórios. Bem compensatórios!

xbox branca

Não é segredo para ninguém que a Microsoft efectuou grandes promoções em Novembro, chegando a vender a consola a menos de metade do preço de lançamento. O resultado foi um aumento enorme das vendas que lhe permitiu bater a PS4 nos EUA e Reino Unido.

Naturalmente este tipo de perdas terá de ser pontual, e os descontos não podem manter-se uma vez que a eles estão associados prejuízos, e a Microsoft já anunciou que as promoções terminarão no final do ano. No entanto, feitas algumas contas, para uma campanha temporária que vendeu tantas consolas, a ideia que se nos passa é que os prejuízos compensam. Curiosamente a ideia contrária que os websites que passaram a notícia deram a entender.

É certo e sabido, as empresas estão no mercado para ganhar e não para perder dinheiro.

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Mas também é certo e sabido que no que toca a consolas, vender as mesmas com prejuízo é uma realidade que já não é nova. Desde que haja um suporte continuado e que as vendas de software se mantenham em alta, as consolas, a longo prazo, recuperam os prejuízos acumulados com as vendas do hardware abaixo do preço de custo. Daí que a prática, apesar de não ser a ideal, e se possível evitável, seja relativamente comum.

Ora segundo o que tenho lido em algumas análises, a Xbox One está actualmente a custar 400 dólares a ser produzida, ou seja, é vendida a preço de custo. A PS4 custa actualmente 381 dólares, existindo já um pequeno lucro por consola vendida (a culpa da diferença é do CPU que possui os 32 MB de eSRAM embutidos, e requer produção especial).

Ora o que se viu nas promoções de Novembro foram consolas a serem vendidas com preços entre os 250 dólares e os 500 dólares (preços a que fica a consola após retirado o valor dos bundles).

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Ora face às vendas, a estimativa de perdas, numas contas muito simplificadas, o que quer dizer que o valor pode ser superior ou inferior, em média ronda os 63,24 milhões de prejuízo.

Ora 63,24 milhões de prejuízo pode parecer um valor assustador, mas a nosso ver, não é! Muito pelo contrário!

A questão é que esse valor, ou pelo menos algo perto disso, a Microsoft gastaria-o caso comprasse um exclusivo AAA a um terceiro. E nesse caso ficaria dependente das vendas do jogo que pelo motivo A ou B, até poderia nem vender assim tão bem. Mas pior que isso, certamente não arrastara consigo a venda de tantas consolas como a promoção arrastou.

Ora a venda de consolas abaixo do preço de custo é efectivamente um prejuizo. Mas de certa forma bem mais “apetecível” que a compra de um exclusivo. Em ambos os casos o prejuízo só se recupera caso as consolas vendidas gerem futuras vendas de jogos, havendo assim uma diluição no tempo do valor investido, até que a partir de certa altura, passa-se a ter lucro. Ou seja, o sucesso do investimento é medido pelas vendas, algo que neste caso, foi um sucesso.

Ou seja, é nossa opinião que face a estes valores de prejuízo, olhar apenas para eles no presente é algo bastante redutor da realidade. E nesta perspectiva, a jogada da Microsoft parece-nos ter sido a melhor possível. Vendeu consolas, retirou potencial mercado à concorrente, e mesmo absorvendo prejuízo nesta fase (algo a que a Microsoft se pode dar ao luxo), abre as perspectivas a longo prazo para maiores lucros. E esta visão de negócio é uma realidade que não pode, nem deve, ser descurada.

Resumidamente, há mais uma vez motivos para se tirar o chapéu a Phil Spencer. Ele é o homem ideal para estar ao leme da Xbox One, e com ele o futuro promete. Aliás basta ver o que tem sido feito em tono da consola desde que ele entrou para o comando da divisão, e torna-se fácil perceber que actualmente a Xbox One se tornou um produto bem mais apetecível, capaz e direccionado do que aquele produto confuso, dividido e caro que foi apresentado no lançamento.

 

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