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| PCManias forum de discusão > Internet > p2p |
| Postado por: 652mga em Terça-feira 04 Abril 2006 à 22h46 |
| Viva, boa tarde. Foram hoje apresentadas as primeiras 28 queixas-crime, na PJ, pelos downloads ilegais de música: http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?section_id=18&id;_news=222385 De que forma é que a PJ pode obter a identidade da(s) pessoa(s) que praticam estes actos? Como é que a AFP teve acesso aos respectivos IP? E durante quanto tempo é guardado, no servidor, os dados relativos ao cliente? Serão estes (servidores) obrigados a divulgá-los? O endereço de IP muda com frequência e então no ADSL muda a cada ligação. Não sei como é que isto se processa, mas não existirá a possibilidade de, em datas distintas, possuir o mesmo número de IP, quer o mesmo indivído quer indivídos diferentes? A AFP teve um grande "galo", a meu ver, pois como é sabido a PJ para além da instabilidade directiva que atravessa, nem dinheiro tem para o papel para as impressoras... não sei se esta matéria será de "primeiro plano" para a PJ. Já agora, e porque não acredito que ninguém faça ou tenha feito downloads de música e é deste tipo que estamos a falar, vamos ter mesmo que deixar de o fazer ou existirá algo que nos oculte? Não tenho nada a esconder no que toca a este assunto por uma razão muito simples: desde que tenho pc e já la vão sete anos, o que saquei não dá para encher dois cd(s)... primeiro porque não ouço qualquer coisa e depois não gosto de deixar o meu pc dias a fio ligado! Não existe dúvida. A AFP tem toda a razão! Agora e como já tive oportunidade de o dizer por aqui, porque é que será que estes senhores não vão "directamente a deus e não aos anjos"? A quantidade de "rapazes pequenos" que estão ligados à rede, a expensas dos papas que "vergam o aço" todos os dias e que nem fazem a miníma ideia de que esta situação existe (quantos não há que nem sequer, por uma vez, tocaram no pc do filho), é enorme e de certeza por aqui os downloads são às "carragadas", como é que é? Se for menor? Quando é que deixa de ser menor nesta situação? Porque é que os pais vão ser chamados "à pedra" se, como disse, nem sabem que isto existe? Logo se verá.... Cumprimentos. |
| Postado por: Nelson Cruz em Quinta-feira 06 Abril 2006 à 02h58 |
| Obter os IPs não é dificil. Basta instalar os programas de partilha de ficheiros, procurar os conteúdos "ilegais" e ver quem os tem partilhados. Na posse do IP é uma questão de obrigar o fornecedor de acesso à internet (vulgo ISP) a revelar a que cliente atribuiu aquele IP em tal dia e hora. Claro que a Associação Fonográfica Portuguesa não o pode fazer sem mais nem menos. Só com um mandato judicial é que os ISPs podem ser obrigados a relevar essas informações. Portanto ou a AFP mete um processo em tribunal contra desconhecidos, ou faz uma queixa-crime à Judiciária, para que esta investigue. A AFP parece q optou por esta segunda hipotese. Afinal, até fica mais barata e tudo. Não têm de gastar tanto com advogados. Sim, os IPs vão rodando. Quem tem ADSL até recebe um IP novo simplesmente desligando e voltando a ligar o modem. Mas os ISPs mantêm registos de quem esteve a usar cada IP, e em que espaço de tempo. Pelo q me disseram guardam isso por 2 anos. Mas quem me disse não tinha certeza. Talvez por isso é que a AFP optou pelas queixas-crime. Metendo um processo, como as coisas rolam em Portugal, se calhar quando o tribunal fosse tentar identificar as pessoas já os registos tinham expirado! Mas agora me ocorreu outra questão. Que eu saiba a PJ só investiga casos em que o queixoso tenha tido demonstradamente prejuizos acima de um certo valor. É assim pelo menos nos casos de "acesso não autorizado a sistemas informáticos". O mesmo principio não se aplica aqui? Se eu me queixar q alguém copiou um artigo da PCManias e o anda a distribuir nos P2P, a PJ vai investigar??? Quanto a serem os filhos, menores por vezes, a fazerem destas coisas, já houve lá fora vários episódios tristes. Desde uma miuda de 12 a ser processada, ao avozinho q mal sabia usar o computador, mas iam os netos lá para casa sacar umas músicas. Mas desengane-se quem julgar q são só os jovens e os "maluquinhos da informática" a usar a partilha de ficheiros. Na Alemanha até já apanharam um Juiz! Quanto a formas de ocultar os IPs, elas existem. Não são é fáceis nem muito práticas. Uma possibilidade consiste em fazer passar a informação por vários utilizadores, aleatóriamente, em vez de ir directo do "fornecedor" ao destinatário. Assim quem se metesse a apanhar os IPs como descrevi em cima, apanhava os IPs dos intermediários inocentes, em vez das fontes verdadeiras. O problema é que isto implica uma redução na largura de banda util da rede. Uma parte do upload de cada utilizador passaria a ser usado para retransmitir informação para outros, informação essa q actualmente vai directa ao destinatário. Mas se a repressão for mesmo em grande escala não tenho dúvidas q rapidamente esses sistemas vão aparecer. E até há formas de os tornar mais eficiêntes. Fazer broadcast simultaneo para vários utilizadores por exemplo. Ou reservar uma parte do disco de cada utilizador para fazer de depósito de conteúdos muito procurados. Pessoalmente não estou muito preocupado com estas queixas crime. Não me interesso muito por música, de modo q saco pouca. Só terei algumas músicas soltas em partilha. É raro sacar albuns completos e ainda menos deixa-los partilhados. O que digo aos amigos q me têm contactado preocupados é para fazerem o mesmo. Eles vão atacar é quem tiver muita coisa partilhada. Quem estiver inclinado a comprar, tem o iTunes e o musica.sapo.pt. Cada música custa 99centimos, mas vem com DRM a restrigir certas coisas (número de computadores em que pode ser reproduzida, número de CDs q podem ser gravados, etc). No iTunes ao menos parece q se pode ter até 5 computadores autorizados, q se podem alterar em qq altura. Já o musica.sapo.pt, usa o DRM da Microsoft, e só permite ouvir as músicas no computador em que foi efectuada a compra! E depois do computador avariar como é??? A salvação é gravar tudo para CD, de onde depois já se pode voltar a passar para o computador livre do DRM. Mas pelo q li no site parece q nem esse "direito" é garantido em todas as músicas. Além disso quem tiver ou quiser um leitor portátil tem de ter isso em conta. As músicas do iTunes vêm em formato AAC protegido e só funcionam nos iPod da Apple. Os do musica.sapo.pt vêm em formato WMA protegido e só funcionam nos leitores portáteis recentes da Creative e algumas outras marcas. Para mim o ideal ainda continua a ser o AllOfMP3.com. É um site russo, onde se pode escolher o formato e compressão de cada música, e paga-se ao megabyte. Em formato MP3 a 192kbps, pode-se comprar um album completo por pouco mais de 1 dólar, e que toca em TODOS os leitores de MP3. E não há qq DRM a limitar o número de cópias, gravações ou computadores onde podem ser ouvidos! O site é controverso pq não está autorizado pelas editoras. Elas nunca concordariam com preços tão baixos nem com ausência de DRM. Mas o site está legal na Russia, apenas precisando de pagar uma taxazinha por cada música. E é perfeitamente legal também qq pessoa de qq país ir lá comprar música. Quem não quiser mesmo pagar, nem usar os P2P... ouçam rádio (online ou clássica). E gravem de lá se quiserem como se fazia nos velhos tempos. |
| Postado por: Mário Armão Ferreira em Quinta-feira 06 Abril 2006 à 04h03 |
| Pessoalmente discordo do termo usado, roubar, pois na realidade nenhum objecto ou bem é retirado, e mesmo o argumento da falta de proveito da venda poderá ser discutível dado que um download ilegal não significa obrigatoriamente uma venda perdida. Para tal acontecer teria de haver a disponibilidade da pessoa para comprar o produto, o que normalmente não acontece, e esta só o obtém ilegalmente exactamente por estar disponível gratuitamente. Haverá que criar um termo adequado para esta situação! No entanto, as editoras poderão ter razão ao argumentar que estão a perder volumes de vendas, e no mínimo moralmente a pirataria não tem desculpa. Mas porque digo que poderão e não que efectivamente estão a perder vendas? A realidade é que a maior parte dos estudos por estas mesmas companhias encomendados no sentido de averiguar as perdas acabaram por mostrar que estas não existiam ou que até havia aumento do volume de vendas. Aqui não é o local ideal para expandir este tema, mas os artigos que tanto eu como o Nelson já aqui colocamos falaram disso várias vezes. Tem havido efectivamente decréscimo nas vendas, mas os estudos parecem indicar que a pirataria não é a causa de tal. Por esse motivo, dada a contra informação, não poderemos efectivamente saber se os prejuízos existem ou não. Afinal a realidade económica mundial e especialmente deste país são o que mais facilmente explica as quebras de vendas. A realidade é que o desemprego é elevadíssimo, não há poder de compra que aliás diminui de ano para ano, as coisas estão caras, etc etc, e há prioridades onde se meter o dinheiro. A pirataria parece ser mais um bode escapatório para se evitar aceitar que efectivamente os produtos possuem preços super elevados e as pessoas não os podem comprar. Quando um Cd virgem custava 8 contos, um CD comercial custava 3 contos. Agora os CD´s virgens custam 5 cêntimos e o comercial custa o mesmo. Para além do mais a produção actualmente é digital, e com um computador e uma boa placa de som digital, só se precisa de uma sala com boa acústica. Os custos actuais são muito inferiores pois não são precisos aparelhos de milhares de contos. Com um simples computador pode-se fazer tudo.. Os produtos vendidos em Medias como CD´s e DVD´s não seguiram as regras que todos os outros produtos seguiram ao se tornarem mais acessíveis conforme os custos de produção desceram. No entanto, a pirataria agora não é diferente do que a que era feita com as cassetes vídeo e as cassetes áudio. Poderá ter outra escala, mas a verdade é que se a industria se adaptou aos outros meios há que fazer o mesmo com a realidade que é a internet, e tentar lucrar com isso. É nossa opinião geral que enquanto os preços forem elevados como são (independentemente do que os vendedores argumentem), e com as limitações que os produtos originais tem (protecções que impedem a leitura, a cópia de segurança, etc etc), a pirataria irá sempre existir. E estas medidas em nada vão impedir isso, pois novos programas mais seguros vão surgir para proteger as identidades dos utilizadores. É só uma questão de tempo! Aliás uma medida que já ouvimos falar à muito tempo passa por fazer os utilizadores dos p2p descarregarem o conteúdo de outro utilizador. Ele fará o download do pedido de um outro utilizador, e fará o upload para essa pessoa. Da mesma forma alguém fará a mesma coisa por ele. Desta forma, ninguém sabe o que está a sacar, e quem saca não está a sacar para si, tornando mais difícil a vida aos agentes fiscalizadores. É a nosso ver uma guerra que não tem fim, e que só pode terminar com uma adaptação à realidade que há na internet, disponibilizando conteúdos a preços bastante mais baratos. Ainda recentemente num artigo falei que a disponibilização para download dos produtos teria como vantagem o corte de percentagens de revendedores e intermediários, bem como das despesas de embalagem entre outras. Mas é isso que vemos? Não!! Pelo contrário! As musicas avulso custam 99 cêntimos cada, o que quer dizer que 10 musicas podem custar tanto como o CD original, e os filmes custam a mesma coisa que os pré gravados à venda na sua embalagem, e com os lucros dos intermediários. Não houve uma tentativa de vender mais barato para ver se diminuem a pirataria, mas sim de ganhar mais, vendendo um produto que não só gasta tempo, largura de banda, trafego e cd´s ou DVD´s a quem o obtém, mas que se calhar ainda vem protegido contra o uso livre em diversos locais. A ideia que parece dar é que não há interesse efectivo em parar a pirataria, mas sim o de meter medo. Aliás os IP´s, que pelo que entendi da reportagem da TV são apanhados em tempo real (basta entrar nos P2P como sendo um utilizador normal, e verificar os IP´s de quem se liga à sua máquina que está a partilhar conteúdo protegido), contactado de seguida os ISP´s no sentido de saber a quem está atribuído. Ora este tipo de medidas não deixa de ser adequado, mas no entanto parece-nos ter mais intenção de assustar os utilizadores do que de efectivamente parar a pirataria. Não vou afirmar que ao haver mais utilizadores a tirar do que piratas a disponibilizar conteúdo (alguém mete lá aquilo pela 1ª vez), estas medidas podem trazer mais dinheiro com processos do que ao atacar directamente o numero milhentas vezes mais inferior de pessoas que disponibilizam o produto, mas não podemos deixar de pensar que esta medida parece efectivamente ser nesse sentido. É que dessa forma poderiam matar 2 coelhos com uma cajadada só, parar a pirataria (de uma forma muito lenta) e ganhar dinheiro com milhentos processos em tribunal que no universo de milhões de utilizadores parece ser um poço sem fundo. Senão vejamos. Os P2P não são ilegais. Mas os conteúdos protegidos são! Seria muito difícil criar legislação no sentido de os possuidores de servidores P2P os terem de registar? Um Servidor P2P não registado poderia assim ser fechado, e a pessoa levada à justiça. Já os registados seriam obrigados a manter registos sobre quem disponibilizou um determinado conteúdo pela primeira vez. Desta forma não se atacava quem saca, mas sim quem disponibiliza, e concerteza acabar-se-ia com a pirataria. Bastaria manter uma fiscalização ligeira e pedir os registos do servidor quando fosse necessário. Afinal, é conhecido por todos que as coisas aparecem mesmo antes de estarem disponíveis oficialmente, o que indicia que quem coloca pela primeira vez está metido em situações de suborno em que o produto é copiado e colocado cá fora antes das datas previstas, bem como na massificação da pirataria e vendas ilegais de cópias. No entanto os Exmos Snrs advogados destas empresas assim não entendem, dando a ideia que se pretende explorar um filão de potencial quase ilimitado ao meter processos contra os utilizadores. A falta de medidas nesse sentido é a meu ver muito má, dado que pelo andar da carruagem os servidores estão em vias de acabar, e os P2P tem tendência a se tornar autónomos, perdendo-se assim futuramente a possibilidade de acabar com o mal pela raiz, o que parece não se querer fazer. Esta ideia é reforçada pela realidade das feiras no nosso país. Há milhares e milhares de DVD´s à venda. Mas infelizmente os nossos prezados agentes da autoridades nada podem fazer contra isso, pois não só não possuem os meios para mais, como também se a policia vigia quem vende, a realidade é que também são vigiados e quando lá chegam o material desapareceu todo. No entanto o IGAC mete pessoas à paisana nas feiras? Não.. Não mete, pelo menos não na frequencia desejável para acabar com as vendas! Há que questionar o porque disso! Que fique bem claro que aqui na PCMANIAS ninguém defende a Pirataria. No entanto também achamos que as medidas que estão a ser tomadas não parecem ter esse real objectivo, talvez devido às primeiras medidas tomadas neste aspecto terem vindo dos Estados Unidos, pais onde os advogados vivem à custa de processos contra terceiros. Há que haver uma adaptação à realidade que é a internet e tornar os produtos atractivos de forma a que as pessoas comprem (como no site russo que o Nelson refere), é tão simples como isso. |
| Postado por: Nelson Cruz em Quinta-feira 06 Abril 2006 à 06h19 | ||
| O Nuno Markl fez no seu blog um post interessante sobre esta questão: http://www.havidaemmarkl.com/2006/04/caa.html Já ontem lá meti um comentário, sem sequer ler o q os outros já tinham dito, mas hoje voltei e estive a ler. Fiz um novo comentário q vou copiar para aqui.
E também são pagos para andar a processar pessoal claro. Esqueci-me dessa. A palestra do Lawrence Lessig mensionada, é esta: http://randomfoo.net/oscon/2002/lessig/free.html Já agora recomendo também o artigo do Lourenço Medeiros, Editor de Novas Tecnologias da SIC: http://sic.sapo.pt/online/noticias/opiniao/20060318+A+quadratura+dos+putos+nao+se+faz+a+pancada.htm |
| Postado por: Mário Armão Ferreira em Quinta-feira 06 Abril 2006 à 15h57 | ||||
Desconhecia a existencia de comentários no Site do Markl... Acrescentei um tb:
Aproveito e faço aqui um quote de um outro post de um utilizador chamado Kelly:
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| Postado por: Nelson Cruz em Quinta-feira 06 Abril 2006 à 23h10 |
| Esse texto, q pelos vistos já anda a circular por email, veio daqui: http://clientes.netvisao.pt/pintosaa/Manifesto.htm Vou deixar aqui outros links para textos q recomendo. Artigo de opinião do Editor de Novas Tecnologias da SIC: http://sic.sapo.pt/online/noticias/opiniao/20060318+A+quadratura+dos+putos+nao+se+faz+a+pancada.htm Uns posts muito engraçados em blogs: http://couveroxa.blogpt.com/2006/04/04/a-pirataria-vista-pela-spa/ http://contraculto.blogspot.com/2006/04/retrete-ii-loucura-do-rei-do-disco.html http://turnodanoite.blogspot.com/2006/03/rip-burn.html http://turnodanoite.blogspot.com/2006/04/rip-burn-em-all.html |