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| PCManias forum de discusão > Chacha > Eleições Europeias |
| Postado por: Nelson Cruz em Segunda-feira 08 Junho 2009 à 18h02 |
| Parece que poucos em Portugal sabem no que estão a votar nas eleições europeias. E nem a campanha dos partidos ajuda. Os partidos da oposição fazem sempre destas eleições um referendo ao governo, tentando-se aproveitar do descontentamento habitual (e inevitável ao fim de alguns anos). E nem o PS, a quem provavelmente interessava mais enquadrar a eleição de outra forma, contrariou essa tendência. Nos últimos anos houve várias directivas controversas em discussão no Parlamento Europeu, nomeadamente no que concerne à internet. No famoso Pacote Telecom estão na balança muitas coisas que damos por garantidas na internet actualmente, como a possibilidade de usarmos qualquer aplicação ou site sem que o ISP ou outra entidade qualquer se possa opor ou "filtrar". Houve quem quisesse obrigar os ISPs a bloquearem "conteúdos ilegais" e promoverem os "legais". Também o Sr. Sarkozy da França quis usar esta directiva para alargar a toda a europa o seu plano de criar uma entidade administrativa que mande desligar a ligação à internet aos utilizadores que forem acusados 3 vezes de partilhar ficheiros violando direitos de autor. Felizmente saiu-lhe furado. O Parlamento introduziu e voltou a introduzir à segunda passagem, por larga maioria, uma emenda que obriga a que seja uma entidade judicial a decretar o corte da ligação. Se o Concelho Europeu (governos) concordarem com esta versão, a directiva será finalmente aprovada, e até a lei francesa passará a violar a legislação comunitária. Pessoalmente antes das eleições andei a ver as votações dos nossos eurodeputados nas directivas como o Pacote Telecom, patentes de software, e outras sobre direitos de autor e afins. Há compilações das votações, por exemplo o "Political Memory" do laquadrature.net. Os deputados da CDU e BE são aqueles cujas votações batem mais certo com as recomendações dos activistas que lutam pela liberdade na internet. Depois vem o PS, seguido pelo PSD, e finalmente o CDS que vota quase sempre ao agrado dos grandes "lobbies". No "relatório Lambrinidis", 6 deputados do CDS e PSD até votaram a favor de que a expressão de crenças politicas controversas através da internet fosse sujeita a sanções criminais! Acabei por votar na CDU, mas andei indeciso até estar com o boletim de voto na mão. CDU ou BE tanto me fazia. Daí que me agrade q o BE tenha ficado com 2 deputados, e ainda possa conseguir um 3º. Talvez o voto no BE tivesse sido mais "útil"... A confirmar-se CDU+BE passam de 3 para 5 deputados (numa altura em que a representação portuguesa foi reduzida em 2 eurodeputados). Foi pena o CDS manter os 2 que tinha. A campanha em si foi uma palhaçada. Falaram do governo, do BPN, de tudo e mais alguma coisa que nada tinha a ver com o parlamento europeu. Até o debate sobre a continuação ou não do Durão Barroso na Presidência da Comissão foi rapidamente esquecido. Transformaram estas eleições, mais uma vez, num referendo ao governo. Quanto a discutir o trabalho dos deputados em Bruxelas, as directivas aprovadas, o que eles votaram a favor ou contra, etc, nem uma palavra ouvi! E a imprensa deixou andar! Nem o PS, que podia ter desviado a atenção de si trazendo à discussão outros temas, foi por esse caminho. Por muito má que seja a imprensa nos EUA, ao menos lá ainda chamam alguma atenção para o "voting record" dos legisladores. Qualquer dia está tudo aí a queixar-se de uma directiva europeia qq, e nem se lembram que acabaram de votar mais uma vez nos mesmos q aprovaram essas aberrações! E quem não votou, perdeu a oportunidade de os tirar de lá! Por exemplo, já se começa a discutir a ratificação da directiva de retenção de dados, que vai obrigar os ISP a guardar registos por exemplo de quem envia e recebe cada email, e disponibilizar essa informação às autoridades. Em vez de se vigiar quem é suspeito de qualquer coisa, vigia-se toda a gente. Passamos a ser todos suspeitos! Portugal é obrigado a ratificar esta legislação, e a Assembleia da República apenas tem alguma pouca margem de manobra sobre as condições concretas da sua implementação. Quem aprovou isto está lá em Bruxelas, e este domingo cabia-nos a nós eleitores mantê-los no cargo ou mostrar-lhes o cartão vermelho! Lá por fora há países a prestar bem mais atenção a estes assuntos. Veja-se a Suécia cujo "Partido Pirata", que luta pela privacidade na internet e pela legalização da partilha de ficheiros, acabou de arrecadar mais de 7% dos votos e vai mandar para Bruxelas pelo menos 1 deputado. O congénere alemão criado à pouco tempo também conseguiu 1%. Mas que interessa isto aos Portugueses? Votaram "contra o Socrates" ou em quem os cumprimentou na rua, ou lhes deu beijinhos nas feiras... é o q interessa! |
| Postado por: 652mga em Terça-feira 09 Junho 2009 à 07h32 |
| Viva. Infelizmente é verdade o que dizes, Nelson... no que concerne aos partidos de "topo" assistimos a uma autentica "lavagem de roupa" durante a campanha. Quantos aos eleitores (portugueses) é algo que reflecte o estado de embrutecimento mental... o portuga gosta é de aparências: um carro novo a gásoleo, uns cds da moda, roupa da moda, telemóvel topo de gama, marcar o "ponto" na igreja em ocasiões precisas como o casamento ou o baptizado enfim, tudo o que pode "brilhar"! O portuga não se permite a uma auto cultura, procura de questões, adquiri tudo por consumado... os n/ meios de comunicação mais proeminentes estão ao sabor da sociedade de consumo imediato, pelo que centram as suas actividades em tudo menos numa divulgação de informação/cultura pelos cidadãos. Aqui há dias, numa formação que estou a frequentar, o tipo que se encontrava ao meu lado, que ainda não deve ter 30 anos, dizia que o PC não é importante bem como uma ligação à internet, e que dá muito mais importância ao telemóvel que o PC. Possui um bom telemóvel com o qual se diverte com toques e msg próprias de putos... foi em vão que lhe fiz ver que o PC também pode ser um telemóvel mas que o contrário nunca... mas, infelizmente, também a grande maioria dos utilizadores de PC são-o para actividades perfeitamente acriançadas.... Eu votei num daqueles partidos sem expressão relevante... daqueles que todos juntos não elegeriam um deputado. Depois de toda a Assembleia da República, à excepção de um deputado julgo eu do PS, ter aprovado o aumento em 55% do financiamento às campanhas por dadores anónimos, não posso de forma alguma pactuar com este tipo de promiscuidade que só pode existir, neste caso, uma vez que quem recebe estas doações ficará refém de contrapartidas. Para ser justo não é necessário pertencer a um qualquer partido como, em minha opinião, um politico também. Um politico deve ser alguém que se preocupe com o seu país, que não ceda a lobbies, que não procure o aproveitamento próprio, que não seja mais um na sua bancada enfim, algo que parece não existir. Mas temos o que merecemos! Cumprimentos. |
| Postado por: Nelson Cruz em Sexta-feira 12 Junho 2009 à 03h00 |
| 652mga, os chamados "smartphones" como o iPhone demonstram que os telemóveis cada vez se aproximam mais dos PCs, tanto a nível de capacidades, como a nível do tipo de utilização e da importância no dia-a-dia de muita gente. E até neste sector que algumas medidas do "Pacote Telecom" ganham já especial relevo. Enquanto que nos acessos à internet "domésticos" os ISPs raramente ousam interferir, limitar ou proibir seja o que for, as operadoras de redes de telemóvel têm uma actuação mt diferente. Estão habituadas a controlar os dispositivos e todas as coisas que estes fazem através das suas redes de modo a facturar tudo. Acontece que agora temos telemóveis com acesso à internet (tráfego de dados e não apenas voz e mensagens curtas de texto), capazes de correrem uma infinidade de aplicações feitas para mil e uma funções. E o que se vê é tentativas de controlar tudo. Há aplicações proibidas logo à partida pela Apple, e há outras cuja utilização é impedida pela operadora. É o caso do Skype e outros programas VoIP, para não perderem dinheiro em chamadas. E nos EUA a AT&T bloqueou também uma aplicação que permitia ver TV no iPhone, com a desculpa que gerava demasiado tráfego na sua rede (e claro q competia com um serviço da própria AT&T). Ou seja, as operadoras de telemóveis estão a vender uma ligação de dados (sem limites em alguns países como nos EUA), mas ao contrário do tradicional estão a discriminar o que os utilizadores podem fazer com esses dados. O "Pacote Telecom" poderá tornar explicitamente legal estas práticas, mas ao menos exige em contrapartida que a operadora explicite as limitações no contracto. O receio é que os ISPs de ligações "fixas" comecem também a adoptar práticas idênticas e bloqueiem por exemplo serviços concorrentes aos seus (ou concorrentes das empresas que pagaram ao ISP para terem um estatuto privilegiado na sua rede). Quanto à lei francesa (HADOPI) que previa desligar a ligação à internet aos utilizadores que forem acusados 3 vezes de partilhar ficheiros violando direitos de autor, há boas notícias. O Concelho Constitucional francês pronunciou-se na na 4ª feira e considerou inconstitucional o corte da ligação à internet decretado por uma autoridade administrativa, e sem o respeito ao direito à defesa e à presunção da inocência. O envio de avisos ameaçadores por carta ou email, não foi censurado e pode entrar em vigor rapidamente, mas serão ameaças vazias. A ministra da cultura já prometeu "completar" a lei, permitindo à autoridade HADOPI recorrer aos tribunais para pedir os cortes das ligações. Tal não deverá passar no entanto de uma tentativa de restaurar algum peso às ameaças, pois havendo o direito de defesa e estando o ónus da prova colocado do lado da acusação (o que pressupõe trabalho de investigação), será mt difícil a HADOPI desligar alguém, especialmente se as "provas" forem apenas um IP. A ideia de fazer a coisa em massa e de forma automatizada caiu por terra. Quanto muito haverá talvez uns poucos internautas processados e condenados para servirem de exemplo. Os opositores da lei andaram desde o inicio a apontar estas inconstitucionalidades na lei. Cá em Portugal também o ministro da cultura foi duramente atacado por certas associações por se opor à lei francesa com justificações semelhantes. Agora o Concelho Constitucional deu-lhes razão. Mais informação e discussão aqui: http://remixtures.com/2009/06/resposta-gradual-conselho-constitucional-frances-diz-nao-ao-corte-da-internet/ http://ktreta.blogspot.com/2009/06/hadopi-inconstitucional.html |
| Postado por: 652mga em Sexta-feira 12 Junho 2009 à 09h09 |
| Viva. A minha alusão ao telemóvel no post era meramente comparativa... um tipo diz que prefere o telemóvel ao PC (neste caso) e, uma das razões pelo que julgo, é a de poder se fazer acompanhar e mostrar a existência deste aos outros... é que uma grande parte das pessoas dá muito valor as estes detalhes! É "moda" possuir um bom tijolo, grande e o mais perto possível do topo de gama mesmo que nem se tenha € 1 para fazer chamadas ou utilizar outras funcionalidades! Eu conheço pessoas que gastam "rios" de dinheiro em telemóveis e/ou outros equipamentos e não possuem uma ligação de internet! Bom, muitos possuem internet para sacar "músicas", filmes e para trocas de mails que irão do mais ignóbil à ridicularidade, entre outras coisas menos próprias... De uma forma geral, em minha opinião, somos uma sociedade inculta. A falta de cultura é um dos motores da probreza, acreditem ou não. Desde ontem que a abertura dos telejornais é feita com a notícia da aberrante situação que foi a contratação do Ronaldo pelo R. Madrid! Já agora, o Snr. Presidente da República vetou a lei do financiamento dos partidos a que faço referência no post anterior. Mas a lei passará pois o Parlamento aprovará novamente o diploma e o PR terá que a promulgar. Eu nunca poderia ser o PR... eu viria para as televisões denúnciar esta matéria, chamar-lhes tudo e mais alguma coisa, debater, fazer ver ao Zé Povinho que os partidos são uma corja de oportunistas... enfim virava tudo de "pernas para o ar"! Mas o PR tem um partido no qual acredita e não coloca o que é realmente justo acima do seu partido... para se praticar justiça não é necessário possuir ou ser filiado num partido. Mas para ser eleito já é necessário... Assim vai este lindo rectângulo denominado Portugal, com uma "democracia" que já leva mais de 30 anos.... Cumprimentos. |