Xbox série X não ter exclusivos durante dois anos é uma pena… Mas tal não será o que ditará falta de qualidade nos jogos da consola!

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Este artigo tornou-se necessário por ver a reacção das pessoas nos comentários a notícias aqui publicadas sobre a falta de exclusivos na consola nos dois primeiros anos. E daí que se torna necessário deixar claro que ao contrário do que se tenta pintar, a Microsoft e a Xbox estão aí para as curvas, e preparam uma grande geração.

Esquecendo todo o ramo da especulação, especialmente o relativo à performance das consolas, cujos valores são apenas rumores e nada confirmado, vamos entrar apenas no domínio daquilo que se sabe ser realidade.

E nesse aspecto tivemos uma entrevista de Matt Booty, o responsável pelos estúdios Xbox, que deu a conhecer que a Xbox série X não deverá ver nenhum exclusivo para o seu hardware num prazo que medeia entre um a dois anos.

Naturalmente este é um dado extremamente relevante de ser conhecido. Havendo um suporte Cross-Gen com os jogos a saírem suportando a Xbox One, Xbox One X e Xbox série X, não haverá grande necessidade de as pessoas irem a correr para um upgrade.

Esse é aliás o grande objectivo da Microsoft. Manter a base de utilizadores activa de forma a que a passagem seja mais gradual, não tendo assim quebras de receita pelo que poderia ser um investimento numa nova geração com uma base de utilizadores ainda baixo.



Ora isto contrasta tremendamente com a ideologia standard do mercado das consolas e que será seguida pela Sony. A existência de um salto geracional, com o abandono gradual do hardware anterior! E nesse aspecto a empresa planeia dar o total suporte à sua PS5, com jogos que necessitarão forçosamente das suas especificações técnicas para poderem ser executados. Tal poderá implicar uma quebra dos números de vendas dos jogos, mas será um aplicar dos motivos pelos quais as equipas first party existem… O criar jogos capazes de promover e vender consolas.

Naturalmente que ambas as ideologias acabam por dar no mesmo… e ambas acabarão numa transição. A diferença está no tempo em que isso ocorrerá, e acima de tudo no que as pessoas que vão aderir à nova consola, irão tirar partido dela.

E aqui não haja dúvidas que a Microsoft se prende a uma geração anterior. Todo o conceito de design e concepção de jogos ficará preso às limitações do hardware mínimo em que o jogo tem de correr. E tal é uma desvantagem clara!

Os jogos Cross-Gen podem e devem até existir durante a janela de lançamento de uma nova consola, mas não durante dois anos. E muito menos quando uma consola dura no máximo 7 anos, o que quer dizer que tal implica deitar fora 30% da vida útil da consola, e no caso de uma consola de meio de geração, um investimento que poderia ser adiado para uma consola melhor, ao mesmo preço,  que realmente tirará partido a 100% da geração.

É uma decisão polémica, mas que não deixa de ter a sua lógica monetária.

Eis algumas declarações de programadores no início da geração passa que demonstram como o Cross-Gen é limitativo, uma vez que o nuclear do jogo tem de ser mantido:



Comecemos por Marcin Iwinski, CEO da CD Project Red, sobre The Witcher 3 não ir para as consolas da geração anterior.

Teríamos de colocar um par de anos no desenvolvimento dessas versões… e o resultado seria apenas assim assim. Não faremos isso.

E Abbie Heppe, director de comunidade da Respawn sobre Titan Fall na Xbox 360 e Xbox One:

Não é fácil. Há tanto que se passa que é realmente difícil passar de uma consola para a outra. Quando estás a criar um jogo a cobrir a actual geração, nunca é fácil cobrir o mesmo para uma consola uma geração atrás.

O director de desenvolvimento da Techland, Pawel Zawodny disse o seguinte relativamente a Dying Light:

O problema começa quando o desenvolvimento de um jogo chega a um ponto onde cada nova ideia fica impossibilitada nas capacidades dos novos sistemas.

Ficas impaciente ao querer implementar ideias brilhantes que irão revolucionar a industria. Quão injusto é isso? A certa altura não podes avançar se não cortares algo das gerações passadas. Pelo que o grande desafio não passa por fazer gráficos igualmente bonitos no hardware mais antigo. É fazer com que a nova geração seja mais rica, sem comprometeres o que podes meter na anterior.

Nicoll Hunt da I Fight Bears, refere:

Tendo trabalhado com equipas que despacharam jogos para a nova e a antiga geração ao mesmo tempo, sinto-me mal por eles quando vejo as reações online sobre como a versão de nova geração, não é nova geração o suficiente.

A grande questão é que, se tudo isto é verdade, e se há realmente motivos para que se discuta e debata esta situação e suas possíveis implicações, não é possível prever-se até que ponto a mesma limitará a nova consola da Microsoft. Se é que limitará de todo!



Sim, é certo que as experiências de nova geração ficarão de fora… mas se isso é uma realidade, a consola não vai deixar de ter exclusivos. Exclusivos que vão correr na Xbox One e Xbox One X, mas mesmo assim exclusivos.

E o que é relevante perceber-se é que, se as inovações que uma nova geração pode trazer são muitas, não são elas que vão definir os grandes jogos.

Se isso fosse assim, a Switch estaria relegada para um plano terciário. É ultrapassada e limitada face à Xbox One e PS4. Mas na realidade ela tem grandes, grandes jogos, mesmo que com grafismos com artes gráficas diferentes.

Que precisa de ficar claro é que o que se pretende discutir aqui no website é apenas possíveis consequências de uma decisão. Mas não vamos extrapolar e presumir que tal é um factor que vai afastar a Microsoft, ou sequer a tornar menos competitiva.

As consolas, são e sempre foram interessantes por um motivo… pelos jogos que possuem. E será a qualidade do apresentado que vai definir o futuro. Entre um Crackdown 3 desenhado a pensar na Xbox One, ou um GTA V desenhado a pensar na Xbox 360, o último atrairá muitos, mas mesmo muitos mais clientes, e será sempre mais atractivo que o primeiro.



Não nos vamos por isso iludir com performances (que aqui nem vem ao caso), ou sequer com políticas temporárias (e não definitivas). As mesmas podem ter consequências, terão certamente consequências mas, como sempre, serão de menor importância face à qualidade dos jogos apresentados.

E basta que a Microsoft os apresente, e que eles tenham o selo de apetecíveis, que tudo o resto se torna secundário.

 

 

 





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