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Autor:
Nelson Cruz |
Data: 03/02/2004
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Microsoft contra MikeRoweSoft.com Intel ameaça intelrecon.com
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Estas duas empresas parecem ter feito uma aposta em qual consegue iniciar o processo em tribunal mais ridículo, relacionado com violação das suas marcas registadas.
O alvo da Microsoft é um adolescente canadiano de 17 anos chamado Mike Rowe que resolveu dedicar-se ao Web design. Fundou para isso uma empresa chamada MikeRoweSoft e registou o respectivo domínio .com. A Microsoft não achou piada de nenhuma. Mike Rowe recebeu uma carta dos advogados da empresa a acusa-lo de infringir os seus direitos de autor (CopyRight) e a exigir a transferência imediata do domínio para a Microsoft. Rowe respondeu pedindo uma compensação, visto que já tinha tido despesas relacionadas com a criação da empresa, registo do domínio, impressão de cartões de visita, etc. Foi-lhe oferecido 10dólares. Zangado com a mísera oferta, pediu 10 mil dólares. A resposta foi uma carta de 25 páginas a acusa-lo de tentar obrigar a Microsoft a pagar uma quantia elevada. O caso já teve honras de reportagem na CNN. A referida carta foi colocada a leilão no eBay, onde já esteve cotada a 22.700dólares, tendo no entanto algumas licitações sido retiradas.
Lido em inglês MikeRoweSoft e Microsoft são de difícil distinção, e o rapaz canadiano podia ter escolhido outra coisa que não Soft, mas Mike Rowe é o nome dele! Além disso trata-se de uma empresa de Web desing, actividade que a Microsoft não desenvolve, e empresas de actividades diferentes até podem ter o mesmo nome. Os advogados da Microsoft justificam-se dizendo que a empresa tem um produto, o Frontpage, que é usado para desenvolver páginas Web, e que isto aliado à semelhança fonética dos dois nomes pode levar a que as pessoas confundam os dois sites e as duas empresas.
Por seu lado, a Intel caiu em cima do intelrecon.com, um pequeno site dedicado ao jogo America's Army. Este jogo é uma simulação militar, e nos círculos militares "intel" é usado como diminutivo de "intelligence" (que neste contexto significa informação sobre o inimigo), tal como "recon" é o diminutivo de "reconnaissance" (reconhecimento). A Intel pode ser dona dessa marca e de muitas outras baseadas na palavra "Intel", que datam desde 1968, mas será que isso lhe dá o direito de proibir o seu uso? Já agora por que não processar os militares? Pois é... esses já usavam o termo muito antes de 1968! E é precisamente no mesmo contexto e com o mesmo significado que o intelrecon.com o usa. Além disso o site não finge ter qualquer afiliação com a Intel, nem tão pouco oferece produtos ou serviços remotamente semelhantes! Não vende qualquer produto ou serviço, ponto final. O intelrecon.com não respondeu ao primeiro email do advogado da Intel, que já enviou um segundo ameaçando com acção legal, caso não responda até 17 de Fevereiro. No site já existe um mecanismo para se fazer donativos para o fundo de defesa.
O Inquirer pergunta-se senão será falta de "intelligence" (inteligência) atacar um site de gamers quando a Intel tem produtos como o Pentium4 Extreme Edition que tenta vender por quase mil dólares cada (!) aos mesmos gamers. Nós perguntamo-nos também se, o facto de a Microsoft e Intel acharem que os consumidores podem confundir estes sites com os seus ou pensar que existe alguma afinidade, não será um insulto à inteligência desses mesmos consumidores?
Aí se a Intel sabe que em Portugal há uma empresa, de equipamentos de telecomunicações, chamada Intelprima... Vimos o stand desta empresa na Infopor2003 e já na altura se comentou, meio a brincar, "aí se a Intel descobre"!
É obvio que qualquer empresa tem o direito a defender as suas marcas, mas não será isto esticar a coisa longe demais? Parecem mesmo coisas de advogados que não têm nada que fazer e/ou querem justificar o seu salário ou cobrar uns honorários extra... [voltar]
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