Estão utilizadores na PCManias
 

PCManias - As Últimas Novidades do PC
- e muito mais

PCManias
Newsletter
Data: 2007-12-03
                 
Menu
 
Fóruns

Últimos Tópicos


Últimas Notícias

Pesquisa

Drivers

Links

 

Áreas
 


Notícias

Hardware

Software

Tecnologia

Jogos

Dicas

Opiniao

Sony PS2

Blog

Imprensa

Nintendo

 

Patrocinios
 
 

 

[Consultar arquivo de notícias?]
Autor: Mário Armão Ferreira
Data: 10/03/2006
  Piratas, produtores de conteúdos e vitimas inocentes.
 
Todos sabemos que nos dias que correm, a pirataria é uma realidade. Filmes, músicas e jogos são copiados e vendidos ou acessíveis gratuitamente através da Internet. Mas será que realmente as empresas produtoras deste tipo de conteúdos estão a ser prejudicadas por isso?...

Antes de iniciar este artigo propriamente dito, convêm ressaltar que com ele não defendemos ou deixamos de defender a pirataria. Não se pretende aqui tomar nenhuma posição contra ou a favor de alguém, mas sim, e apenas, informar sobre a actualidade nesta questão. Não é nossa intenção defender ou atacar qualquer das partes, mas sim apenas relatar factos do conhecimento público levantando aqui as questões que outros autores já levantaram.

A resposta a esta questão é complexa, e nunca poderá ser exacta. Haverá com certeza casos em que sim, e outros casos em que não. No entanto um grande exemplo de NÃO salta logo à vista:
Todos com certeza ouviram falar da Microsoft, a empresa mais rica e mais poderosa do mundo, e cujo líder é inclusive o homem mais rico do planeta. De uma forma simplista podemos dizer que esta empresa basicamente limita-se a produzir o sistema operativo Windows, bem como o pacote empresarial Office. Ora este software é nada mais, nada menos, do que o software mais copiado e pirateado em todo o mundo, e no entanto tal não impede a Microsoft e o seu líder de serem respectivamente a empresa e o homem mais ricos do mundo. Como se explica então isto?

A realidade é que a Microsoft no fundo beneficia com a Pirataria. Imaginemos um mundo ideal onde a cópia não existia. Neste mundo perfeito o utilizador teria de comprar a sua cópia do Windows, bem como do pacote Office. Para tal teria de despender cerca de 100 euros na versão mais económica do Windows, a Home Edition, mais pelo menos 210 euros na versão básica do Microsoft Office, que contém apenas o Word, o Excel e o Outlook.
Resumindo, este utilizador gastaria 310 euros para colocar apenas este software na sua máquina. Naturalmente a questão surge: “Mas porque gastar isso se o Linux e o Open Office oferecem a mesma coisa de graça?”

Por aqui podemos ver que a maior parte dos utilizadores, não podendo ou não querendo gastar esse dinheiro (e 62 contos é muito dinheiro), optaria por instalar o Linux. E que consequências iria isso trazer?

Naturalmente uma vez indo trabalhar para uma empresa, no seu currículo constaria a experiência em Linux e Open Office. E seria esse o software que iria requerer ao seu patrão para trabalhar. Ora as empresas apesar de não estarem sempre 100% legais, tem por hábito adquirir algumas licenças de forma a manter uma cara lavada. E é aqui que a Microsoft ganha o seu dinheiro, em milhões de licenças que são adquiridas graças à experiência dos utilizadores adquirida na sua juventude e em sua casa graças às cópias piratas do Windows e do Office. Caso a situação fosse diferente o mais certo era as empresas e pessoas aderirem ao software livre.



Bill Gates – O homem mais rico do mundo e dono da Microsoft com uma fortuna avaliada em 46 biliões de dolares



No entanto, como referi, este software é algo particular. Não podemos referir as mesmas condições para músicas, filmes ou jogos.

Mas mesmo aqui há que analisar, por outro prisma, a situação. As companhias analisando estatísticas do número de cópias vendidas e retiradas da Internet tendem a fazer as contas mais simples: X cópias * Y lucro = Z prejuízo. E tal não podia ser mais errado!

Na realidade este raciocínio é deturpado pelo facto de as empresas acreditarem que toda a gente que arranjou uma cópia iria adquirir o original. E tal não podia ser mais falso, pois os custos dos originais pesam nas carteiras das pessoas e nem sempre estas podem pagar por eles. Haverá aqueles que nunca comprariam o original se essa fosse a única maneira de obter aquele produto. Um bom exemplo são as SCUTS neste país. Quando são gratuitas toda a gente adere, mas mal há que pagar o volume de tráfego diminui violentamente. Lembra-me inclusive da fase experimental do metro na cidade do porto, onde os metros, de graça, vinham cheios ao ponto de não caber mais ninguém lá dentro. Mal se tornaram a pagar as carruagens ficaram vazias como se emanassem um odor repugnante. E aqui estamos a falar de valores baixos.

Na realidade de todos aqueles que arranjam conteúdos pirateados há que distinguir, a nosso ver, três tipos de pessoas:

- Aqueles que os obtêm podendo comprar originais, mas não o fazem porque arranjam de borla.
- Aqueles que obtêm apenas os que não podem comprar, comprando na mesma os que podem.
- Aqueles que obtêm apenas para poderem fazer uma cópia uma vez que os originais são protegidos, ou para avaliar de forma coerente o jogo de forma a saber se o vão comprar ou não.

Vamos analisar mais profundamente cada um destes tipos de atitudes:

No primeiro caso, temos, o típico Português, o Chico esperto que alega que só os parvos é que pagam por isso, e que podendo arranjar de borla porque raio havia de o comprar? Este é o tipo de pessoa completamente irresponsável, que não se apercebe minimamente das consequências dos seus actos. No fundo um pequeno parasita da sociedade, que provavelmente ainda pensa em vender as cópias que arranja, vivendo assim à custa do trabalho dos outros. Estes são os utilizadores que mais prejuízo dão às empresas, uma vez que não só não compram, como o mais certo é ainda ganharem dinheiro à custa delas vendendo em feiras e outros locais.

No segundo caso temos aqueles, que adquirem os seus originais, e tem uma boa quantidade deles em casa, comprando aqueles que o seu orçamento permite. No entanto, devido a ser um fanático resolve adquirir os restantes por outros meios. No fundo, acredita que não estará a dar real prejuízo a ninguém, uma vez que o seu orçamento não permite comprar mais, e os produtos originais são caros (20 a 30 euros por um CD de música, 25 a 40 euros por um filme e 60 a 80 euros por um jogo).

O terceiro caso é uma outra realidade. Actualmente os filmes, os CD’s de música e os jogos tem por vezes qualidade inferior. A nível de cinema, os bons filmes a sair actualmente são em número reduzido. Os próprios cinemas queixam-se dos baixos níveis de utilização, e se tal também se deve ao exagerado preço dos bilhetes, a realidade é que tal conjuga-se com a baixa qualidade de 90% dos filmes que lá passam.
No que toca aos CD´s de música é igualmente comum um autor ter uma ou duas músicas conhecidas que se desejam, mas dado não ser possível adquirir as mesmas em separado somos forçados a comprar um CD com as restantes músicas que não interessam e pagar os preços exorbitantes que se pedem por eles. Este é o motivo porque serviços como o iTunes estão a fazer grande sucesso, pois ai podemos adquirir as músicas em avulso.
Nos jogos a situação é bem pior. Actualmente os jogos saem cheios de bugs, com qualidade execrável, e mesmo as publicidades na TV são enganadores com cenas dos vídeos pré-rendidos e não do jogo em si. Aliás nos estados unidos muitas software houses foram recentemente processadas pela publicidade de TV que mostravam apenas imagens pré-rendidas e nada do jogo em si, o que é nitidamente publicidade enganosa.

No entanto, nenhuma destas atitudes está correcta. A utilização de software sem compra é ilegal. Mas comparemos a situação a colocar um pão em frente a uma pessoa cheia de fome e colocar-lhe em cima um papel a dizer “PROIBIDO COMER”. Quantos acabam por resistir? Enquanto o conteúdo for disponibilizado na Internet, as cópias ilegais vão continuar a existir, e isso é uma realidade, e não é a processar umas dezenas de utilizadores entre milhões que as coisas vão parar.



Aqui na PCMANIAS já defendemos várias vezes que a pirataria deveria ser legalizada de forma às empresas lucrarem com isso. Sites oficiais colocariam os produtos disponíveis para download gratuito, com adesão e com um valor dependente da quantidade de conteúdo que se pretende adquirir (por exemplo, 40 euros por 10 produtos). Assim cada utilizador de Internet que pretendesse acesso a estes produtos pagaria uma tarifa que seriam distribuídos pelas empresas produtoras de conteúdo consoante o número de downloads efectuados.

Naturalmente que para isto funcionar algumas regras extras teriam de ser colocadas:

- A contagem do download dentro destes sites não poderia ser contabilizada.
- Criação de um sistema de quotas. Nem todos os jogos custam o mesmo, e como tal na distribuição monetária um jogo que tenha mais downloads mas que custa muito pouco terás de receber de acordo com o numero de cópias efectuadas, mas também com o seu preço. As quotas basicamente seriam um valor de 0 a 1 que definiriam o custo do produto (0=gratuito, 1=custo máximo)
- Obrigatoriedade de todos os conteúdos obtidos por este meio apenas funcionarem ligados à Internet através da validação por um número de série. Nos filmes e CD´s teriam de ser lançados aparelhos para controle por este mesmo método, com acessos à Internet por wireless ou cabo.
- Criação de limites de download de conteúdos protegidos em número. Neste caso 40 euros davam acesso a 10 produtos, e para mais downloads haveria de comprar mais licenças. Os produtos, eram indiferenciados, fossem eles filmes, CD´s, ou jogos. Alguns produtos mais caros poderiam gastar mais do que uma licença.

Aqui estão apresentadas as ideias base de um conceito que poderia funcionar, e que não invalida a tradicional venda para aqueles que não possuem Internet (apesar de se ter de ponderar os preços). Todos ficavam contentes e no fundo era uma adaptação da sociedade à nova realidade da Internet. Escusava de haver este pânico generalizado que a história já nos recorda aquando do aparecimento da rádio (as editoras discográficas entraram em pânico), ou da TV (Hollywood entrou em pânico), mas no entanto hoje são realidade com as quais convivem e sem as quais não seriam capazes de passar. Esta ideia teria de ser pesada e analisada por especialistas de forma a ponderar bem os limites de download em número.

Apesar de o valor pago mensalmente ser relativamente baixo face ao que se pode obter, a realidade é que os custos dos produtores também desceriam. Nada de CD´s, de caixas, de manuais impressos, intermediários, editoras, etc. As empresas teriam igualmente de ponderar nos seus lucros e despesas, mas em compensação não gastariam dinheiro no combate à pirataria, intermediários, embalagem, publicidade, etc, e fidelizavam os clientes. No entanto, se 4 euros por produto parece muito pouco há que considerar que a este preço as adesões seriam enormes. Ganhava-se menos, mas vendia-se mais e sem custos excepto os da produção. Simples economia de mercado que actualmente parece ter sido esquecida em detrimento do ganhar muito, depressa e bem.

Aliás, se bem que é uma realidade que os custos de produção de um filme ou jogo são actualmente muito elevados, também há que ver que há custos que não se aceitam serem dessas importâncias. Vejamos o caso de um filme: Se o custo de produção do filme ronda os 30 milhões de euros, muitas vezes o orçamento dobra porque se pretende meter o Arnold Schwarzenegger ao barulho. Como se pode entender que alguém com três ou quatro semanas de trabalho receba o suficiente para enriquecer? É um dos males actuais deste sistema. Trabalha-se no mundo do cinema, música ou videojogos não para se receber um salário, mas sim para se enriquecer.



O actor Arnold Schwarzenegger ao assinar qualquer contrato recebe à cabeça 29.25 milhões de dolares, quer o filme seja feito ou não.



Repare-se no exemplo do John Romero, que quando resolveu produzir o Daikatana, um dos maiores flops da história dos videojogos gastou parte da fortuna que tinha adquirido com o DOOM (ele e o Carmak ficaram milionários só com a venda desses jogo) numa penthouse de várias centenas de metros quadrados, no último andar, com solário, piscinas, chãos em mármore, monitores de 21 polegadas e outras comodidades, onde a equipa dele produzia o jogo. Naturalmente ao investir assim o seu objectivo era ganhar outro tanto ou mais do que no DOOM.
Aliás quem compra um motor de um Unreal Tournament, e paga o balúrdio que ele custa, naturalmente pretende ver re-embolsado esse dinheiro, mas não pretende apenas pagar os custos e ganhar uns tostões. Se assim fosse optava por um motor gratuito ou mais barato e ganhava mais. Quem investe num motor como o do UT pretende fazer fortuna com o lançamento do seu jogo, mesmo que este tenha uma qualidade inferior. Naturalmente que depois, as culpas de um insucesso com um motor tão acreditado vão ser da pirataria!
Mas aliás basta consultar uma revista de software imparcial, como é o caso da francesa Joystick. Uma análise ao último ano mostra que 60% dos jogos lançados foram corridos com notas abaixo de 4 (numa escala de 10), sendo mesmo comum encontra-se notas como 2, 1 ou mesmo 0 (ZERO). E estamos a falar de jogos comerciais que custam entre 40 a 80 euros. Causas de tal? Má jogabilidade e bugs incontáveis.



Splinter Cell... Apesar de um grande jogo, após inúmeros patches as bugs com as sombras ainda persistem.



Mas mesmo sem olhar a isso, qual a justiça de empresas, programadores, actores e cantores que enriquecem à custa de um único produto virem queixar-se de prejuízos?
É certo que prejuízo é prejuízo, mas há que ser coerente e descer os custos dos produtos, afinal todos nós trabalhamos uma vida inteira e não enriquecemos.
Ainda recentemente vi um programa na MTV que falava da vida excêntrica das celebridades da música. E as mais conhecidas, e naturalmente que mais vendem e sofrem com as cópias, tem vidas efectivamente excêntricas. O cantor TUPAC por exemplo tem uma frota de carros de luxo que substitui todos os anos por outros iguais mas de cor diferente. Não estou a ver que esteja verdadeiramente prejudicado com as cópias, até porque a percentagem do valor total de um CD que chega ás mãos do cantor é muito pequena.
Claro que depois há o outro lado da medalha. Os pequenos cantores, dada a facilidade da cópia acabam por não ganhar quase nada. E esses sim, sofrem! Mas será bem assim? Na realidade estudos revelaram que os pequenos até beneficiam com isto, pois a taxa de pirataria dos seus produtos é muito baixa, e no fundo a distribuição dos seus produtos até lhes serve de publicidade.

No entanto, independentemente do prisma por que se veja, um consenso entre os produtores e os utilizadores com pagamentos justos pelos produtos adquirido será a solução a nosso ver mais justa.

Aliás os argumentos apresentados acima são exactamente os usados quer pelas editoras quer pelos piratas. As editoras queixam-se que a pirataria lhes tira os lucros, e os piratas argumentam que só o fazem porque as empresas pretendem lucros desmedidos, vendem os produtos muito caros, sem qualidade, sem separação do que se pretende e do que não se quer (como foi o já referido caso do CD onde apenas duas músicas interessam, mas que não se conseguem arranjar separadas), do software cheio de bugs e sem qualidade, das publicidades enganosas da TV que tentam vender um produto por aquilo que não é (as cenas pré-rendidas dos jogos), etc.

As empresas defendem-se utilizando sistemas anti-cópia que só servem para encarecer mais os produtos, e em última análise prejudicar aqueles que lhes são clientes.
Mas infelizmente essa é, actualmente, uma política comum destas empresas. Elas já não vêem o cliente como alguém a agradar com o produto que se lança, mas sim como um potencial pirata que lhes vai dar prejuízo. Esta perspectiva é a meu ver das coisas mais lamentáveis que surgiram recentemente em todo este processo.
Uma história bastante conhecida é a de uma mãe que comprou um DVD de uns desenhos animados para os seus filhos. No entanto, dado que o DVD não fora barato, e os miúdos dariam cabo dele num instante, a mãe, com os seus conhecimentos limitados, fez aquilo que qualquer pessoa de bom senso faria. Resolveu fazer uma cópia! Neste caso até nem optou por aquele que seria o método mais fácil de copiar, a ripagem para outro DVD, pois os seus conhecimentos não permitiam isso. Sendo uma pessoa simples, optou pelo método simples: Uma cópia para uma cassete VHS que os filhos usariam até desgastar. Assim, dado que o seu televisor só tinha uma tomada SCART, e o DVD estava por defeito ligado ao vídeo, nada mais simples: Play no DVD e REC no vídeo.
Para sua surpresa, quando terminou, a cópia que tinha na cassete estava impossível de ser visualizada. Uma protecção denominada de Macrovision acabara de tornar impossível a cópia. Ora assim sendo, e com um simples instalar de um programa, esta mãe optou pela alternativa mais simples, ir buscar uma cópia já feita à Internet. E futuramente vai pensar duas vezes nas vantagens de comprar o original, pois afinal ele traz-lhe problemas que a cópia não traz.

Posso confessar aqui que durante vários anos foi minha política a devolução ou troca de filmes no clube de vídeo quando ele não reproduzia em casa. Nesta época, pré DVD, possuía um vídeo da Sanyo muito bom, mas que tinha problemas com o Macrovision, não conseguindo reproduzir. Sempre que não conseguia visualizar o filme ia trocar, pois afinal pagara para ver algo que não estava a conseguir. No entanto, mais tarde, acabei por comprar um outro leitor de vídeo para o meu quarto que não possuía esse problema. Posso contudo afirmar que ia lá trocar o filme na mesma. Afinal sentia-me defraudado por não o poder ver na sala, e ninguém é obrigado a ter dois vídeos. Eles alugavam um filme na norma VHS que podia ser reproduzido num leitor da mesma norma. O meu vídeo obedecia a esses parâmetros mas não reproduzia, logo o produto que me venderam era defeituoso. Assim sendo ia troca-lo.

Actualmente o mesmo se passa com os filmes em DVD e as cópias para VHS. No que toca às cópias de DVD para DVD e de CD para CD, apareceram mais recentemente sistemas de protecção (o primeiro caso conhecido foi com a SONY e o CD “Right with the Man” dos Van Zant), em que um software é instalado no computador quando o cd é inserido (e isto quer seja para um uso legítimo (reprodução) ou ilegítimo (cópia)). Esse software, denominado de um rootkit é algo que se instala ao mais profundo nível no sistema, e com prioridades ao nível do núcleo do sistema operativo. É quase impossível de detectar sem software especializado e elevados conhecimentos de informática, e fica residente a gastar recursos e criando mesmo incompatibilidades e instabilidades no sistema, monitorizando o utilizador e reportando tudo o que este faz de volta ao criador.
Ora todos já ouvimos falar de coisas assim, a que chamamos de vírus. Mas aqui o problema ainda é pior, pois o seu nível de prioridade é superior aos dos vírus, e é instalado por software PAGO, e não por pirataria.
Naturalmente isto deu uma grande bronca, e a Sony foi processada por aqueles que detectaram o software instalado no seu sistema, pois se os utilizadores tem de cumprir a lei, a Sony também tem, e a intrusão de computadores alheios sem autorização é um crime, e naturalmente ninguém iria autorizar um software que monitoriza o utilizador. O mais engraçado desta história é que o EULA, ou política de utilização que acompanhava este CD tinha trechos do género (os trechos não se encontram reproduzidos textualmente, mas apenas na ideia que continham): “Se a sua casa for assaltada e lhe levarem os CDs, terá de apagar todas as musicas que possuir no seu computador” – A EULA afirma que o direito de possuir cópias termina quando não se possui o original, “Não pode manter as suas músicas no computador de trabalho” – A Eula apenas permite a cópia para um computador que se possua, “Caso se desloque para fora do país tem de apagar todas as músicas” - E a EULA impede a “exportação” para fora do país de residência, “A Sony-BMG pode instalar e usar backdoors na protecção anti cópia ou media player para ‘proteger os seus direitos’ contra si, a qualquer altura, e sem aviso” – Isto foi efectivamente o que foi feito, e a EULA descarta todas as responsabilidades deste sistema crashar ou expor um computador a riscos de segurança, “Em qualquer dos casos de reclamação a Sony-BMG nunca pagará mais do que $5.00” – Aconteça o que acontecer, nem sequer há direito a receber de volta o dinheiro do CD, “Caso declare falência terá de apagar todas as músicas do seu computador” – Esta está mesmo assim, “Você não pode transferir musicas para o computador mesmo possuindo o cd original” – idem aspas o caso anterior.

Estes rootkits foram mais recentemente descobertos num filme de DVD (Mr and Ms Smith).

Este tipo de protecções são perfeitamente inaceitáveis. E se a pirataria não usa jogo legal e limpo para com eles, as editoras tem de usar jogo legal e limpo para com os seus clientes (cliente =/= pirata). Afinal, esta protecção não impede a cópia de forma alguma, mas apenas instala o software malicioso que monitoriza o cliente. Ora naturalmente a versão pirata tem a pista de dados removida, e mais uma vez torna-se mais vantajosa que a original.

As companhias estão a afastar cada vez mais os seus clientes por não os tratarem com o devido respeito. E se antes havia o receio de serem instalados programas não desejados no nosso sistema no software pirata, esse receio está agora a surgir é com os originais pagos. O cliente honesto que paga é aquele que se tem vindo a lixar.

A nível de software, ou mais especificamente jogos, está a acontecer algo semelhante. Actualmente um dos sistemas de protecção mais eficazes existentes, o Starforce está a ser implementado em larga escala. Este sistema efectivamente protege os jogos contra a cópia, e o sucesso dos piratas em conseguir dar a volta a este sistema tem sido muito diminuto. No entanto este sistema não é livre de problemas, e levou mesmo os compradores de jogos a iniciarem um boicote aos produtos protegidos desta forma!
A realidade é que sem consentimento do utilizador ou qualquer tipo de aviso, este sistema de protecção instala uma driver no sistema que serve para verificação e protecção dos conteúdos fornecidos no DVD.
Com excepção da intrusão não autorizada no sistema, nada mais seria de assinalar se a coisa ficasse por ai. No entanto esta driver tem vindo a ser apontada por diversos utilizadores como fonte de instabilidade e problemas. Dado que nada é indicado sobre a instalação da driver, e esta fica escondida, o utilizador não informado tem imensos problemas em determinar a causa do seu problema e em resolve-lo.
Um dos problemas mais comuns criado por esta driver tem a ver com o facto que com ela instalada, o Windows XP ao ler discos ópticos (CD´s e DVD´s) perde por vezes pacotes. Ora isto é interpretado pelo sistema operativo como um erro que diminui a velocidade do IDE para compensar. Eventualmente o sistema operativo abranda tanto que acaba por reverter as drivers para o modo de compatibilidade 16 bits, tornando-as praticamente inúteis. Isto é notório quando os programas de gravação começam a apontar como velocidade máxima velocidades inferiores às efectivamente suportadas. Há quem diga que nas drives multiformatos, com leitura e gravação de CD´s e DVD´s, podem mesmo acontecer problemas físicos com o hardware devido aos abrandamentos forçados, podendo a drive deixar mesmo de ser reconhecida a longo prazo.



Star Force ou Star Farce?



Para além disso, a driver instalada pela Starforce fornece autorizações ring 0 (a nível do sistema) a código que corra com autorização ring 3 (nível de utilizador). Isto quer dizer que acrescenta aqui uma falha grave de segurança pois código malicioso pode aproveitar esta falha para tomar controle do sistema. A Microsoft desde o Windows 2000 que por questões de segurança criou esta separação de níveis.
Na realidade outros programas como o DAEMON TOOLS fazem o mesmo ao instalar as suas drivers próprias, mas a realidade é que o DAEMON TOOLS é gratuito e instala quem o quer, e os jogos que possuem os Starforce são pagos e bem caros, não dando alternativa a quem quer usufruir daquilo que adquiriu. Para além do mais a desculpa “Ah os outros também fazem” não invalida o facto que uma falha grave de segurança é introduzida aqui.

A conclusão disto tudo é que nem o software original actualmente é seguro. Mais do que o pirata que introduz Vírus e Spywares, mas que é controlável com firewalls e anti-virus, o software original está a instalar lixo nas nossas máquinas que nos pretendem controlar e que causam abrandamentos e instabilidades que não é detectado por programa nenhum. A realidade é que estas protecções actualmente encontram-se mesmo em demonstrações dos programas (demos) vindas de revistas, pois uma das formas de os piratas darem a volta às protecções usadas era exactamente comparar o código da demo não protegida com o do produto final protegido.

Mais chocante é o controle que se pretende com o AACS para 2010 com a introdução em larga escala da TV de alta definição, e que levou ao boicote do conteúdo HDTV anunciado na nossa página. O hardware que se pretende começar a lançar a partir de 2006, vai gradualmente ser mais rigido, e não só vai prender o conteúdo que possuímos à maquina (ou máquinas no caso de ser permitido o uso em 2 ou mais aparelhos) onde ele é inserido pela primeira vez, não podendo depois ser reproduzido em outros locais, como também as cópias efectuadas para Media Centers têm de ser efectuadas com uma ligação à Internet de forma a que tudo possa ser controlado remotamente. E finalmente chegamos ao ponto onde ao comprarmos um determinado conteúdo (neste caso em alta definição), não temos a garantia que poderemos usufruir do mesmo, pois caso este seja reproduzido num aparelho que não seja compatível HDCP iremos ver o filme na resolução actual dos DVD’s, mesmo tendo-se pago por alta definição.
A estas pretensões associa-se ainda o facto de muito hardware vendido como HDTV compatível se revelar agora completamente inútil por não suportar esta norma. Os primeiros a aderir a esta tecnologia, que pagaram os seus produtos como se de ouro puro se tratasse são agora excluídos pelas empresas deste conteúdo (que no fundo mordem a mão que as alimenta). O mesmo se passa com as actuais placas gráficas topo de gama que apesar de caras (650 ou mais euros) e se afirmarem compatíveis HDTV não possuem as chaves HDCP incluídas no seu hardware, e como tal vão-se revelar completamente inúteis quando este conteúdo aparecer comercialmente.

Toda esta situação mostra-se ridícula. Compreende-se a posição das empresas, mas não se compreende que estas optem por sistemas de controle idiotas aos quais ninguém possuidor de uma mente sã irá aderir, um tratamento dos clientes não como compradores, mas como possíveis ladrões, entre outras atitudes lamentáveis, em vez de se tentar usar a internet de outra forma para vender. Esperta no meio disto tudo foi a Apple com o iTunes que ganha milhões de euros aproveitando a internet da forma que devia em vez de se queixar junto com os outros (talvez ainda não a use da forma ideal, mas anda lá perto). Aliás, dado o elevado conteúdo de séries TV na Internet, o próprio iTunes vende, a 2 euros, cópias legais de séries. E a aderência não tem sido pouca.

No entanto estas medidas não chegam. As musicas do iTunes e as séries também se copiam. Há que colocar a coisa de outra forma, com um sistema do género do que aqui propomos em que o conteúdo adquirido na net necessita de validação na própria internet para funcionar.

Quando questionados sobre o direito dos utilizadores de fazerem uma cópia de segurança a resposta actual é “Quem quiser uma cópia de segurança que compre outro original”. Isto é ridículo, e as empresas defendem-se dizendo que apenas nos vendem os direitos de usar o produto e não o produto em si. O produto esse é pertença da empresa!
A meu ver esse argumento poderá ser justificado quando for possível devolver o produto mas manter os direitos de o usar, mas a verdade é que devolvendo os DVD´s deixamos de os poder usar, portanto parece-me que no fundo nos vendem o produto na sua globalidade, independentemente do que argumentem.

Aliás tenho um caso pessoal onde uma cópia de segurança estaria no meu direito. Comprei há vários anos o original do Wing Commander 4, que me custou cerca de 100 euros (na altura 20 contos). Os 4 CD´s que constituem o jogo vieram mal prensados, e actualmente estão ilegíveis. No entanto eu possuo-os aqui, e tenho o direito de usar o jogo, só que ele não funciona. Não terei eu direito a uma cópia funcional dado que paguei por ele (seja pelo conteúdo total ou pelo direito de o usar)?

O futuro ainda nos reserva muitas surpresas, mas o caminho que se está a seguir não é do agrado de ninguém, e a falta de adaptação das empresas à realidade da Internet é a grande causadora de tudo isto. Os tempos mudam, mas a mentalidade destas empresas não.
O advento dos telemóveis e das oportunidades de negócios com os toques polifónicos mostra onde pretendem chegar. Ao proibir de copiar total ou parcialmente os conteúdos adquiridos, pretendem vender-nos vezes sem conta a mesma coisa. Uma vez para o leitor de mp3, outra para a aparelhagem, outra para o telemóvel, outra para cópia de segurança, etc etc. Nos jogos igual, uma para adquirir o jogo, e uma mensalidade para jogar online, e nos filmes uma em vhs, outra em SVCD, outra em DVD, outra em HD.



Esta é a verdadeira razão porque a pirataria os incomoda. Não é que o copiar de um CD não lhes dê prejuízo, mas quando nos querem vender a mesma música dezenas de vezes, e o utilizador pode a partir do CD criar o conteúdo para os outros formatos, as empresas ficam podres. A pirataria não é justa, mas se-lo-à o vender a mesma coisa vezes sem conta, quando as pessoas não precisam efectivamente dela? Não serão todas estas medidas no fundo uma forma de nos impingir aquilo que não precisamos porque já temos? Afinal ao adquirir o produto estamos a pagar para vê-lo, ouvi-lo ou joga-lo, e deveríamos ter o direito de o fazer, onde, quando e como nos apetecesse.
[voltar]
 
 

Nº vezes Lida: 2818

Comentários: -
 
Enviar comentário
Nome
Email:
Código de Protecção - Inserção obrigatória:
Carregue em F5 se não conseguir ler
Comentário
Versão de Impressão

 

Reservamos todos os direitos dos textos/notícias aqui publicados e não assumimos responsabilidade por danos causados pelo seu mau uso e/ou interpretação. Este site contém referências a marcas, bens e serviços que são copyright dos seus respectivos titulares/autores.
Críticas,
sugestões e spam :) para:
pcmanias@gmail.com


O nosso site é melhor visto numa resolução mínima de 800x600x 16 bits.
Recomenda-se um browser versão 5.5 ou superior

© 2000 - 2006 PCManias.