Tal como muitos usuários alteram as suas
playstations com chips de modo a poderem tirar maior partido da mesma, e poderem
correr software que nunca foi suportado oficialmente e desenvolvido por
terceiros, na Nintendo DS existem também métodos que permitem executar software
de terceiros, os chamados HOMEBREWS.
A cena dos homebrews na DS está particularmente
activa, com pessoas a desenvolverem e a lançarem diariamente software gratuito
do mais variado, tais como leitores de Mp3, leitores de video, organizers,
software de correio electrónico, browsers internet, software de streaming audio,
softwares compativeis MSN Messenger,IRC, voip e acima de tudo centenas de jogos.
Tudo isto dentro da maior legalidade uma vez que são os próprios autores que
criaram e desenvolveram os softwares que os cedem gratuitamente.
No entanto, tal como com qualquer consola
actualmente vendida, a Nintendo DS é um sistema fechado, e que apenas permite
que lá seja executado software vendido quer em cartuchos GBA, quer em cartuchos
slot-1 para a Nintendo DS.
O que aqui apresentamos, os produtos M3,
tratam-se de uma mistura de software e hardware, vendida comercialmente, que
acrescenta à Nintendo DS a capacidade de ler filmes e ouvir Mp3, entre outras
coisas. Permite também executar software caseiro, ou seja, os homebrews.
Actualmente no mercado podemos encontrar várias
alternativas aos produtos da M3, no entanto, após exaustiva pesquisa, chegamos à
conclusão que os produtos da M3, são provavelmente a melhor aposta. Apesar de
não serem os mais baratos, e de possuírem alguns problemas de compatibilidade
entre as diferentes versões, que tem vindo a ser resolvidos com o lançamento de
novas drivers de gestão da fat dos cartões, a realidade é que são reconhecidos
como os mais compatíveis e menos problemáticos do mercado.
Garantindo uma compatibilidade perfeita com
Gameboy Mono, Sega Master System, Sega Game
Gear, Nintendo (NES), Turbografx16 e Game boy Advanced, a principal peça de
hardware usa a slot GBA que a Nintendo DS também possui (note-se que para
executar jogos de algumas das consolas atrás referidas, estes tem de ser
convertidos, uma vez que os seus cartuchos não podem ser usados directamente).
Ora para a Nintendo DS, se tal não é
problemático no que toca a software GBA que pode ser executado directamente, já
o software desenvolvido especificamente para esta consola terá de ser executado
obrigatoriamente da outra slot. Para resolver esta situação, a M3 vende
igualmente um outro produto que redirecciona os pedidos feitos à SLOT-1 para a
slot GBA.
Vamos então analisar este produto, começando
exactamente pela peça de redirecionamento, o PASSCARD.
M3 Passcard
O passcard, frente e costas
O passcard é essencial para
quem pretende usar o leitor de video da M3 de forma a poder executar software
especifico para esta consola. Como foi referido este cartão é introduzido na
slot especifica da Nintendo DS, a slot-1 e redirecciona os pedidos para aqui
feitos pelo sistema para a slot GBA.
Actualmente há sistemas, muito
recentes e com compatibilidade e qualidade ainda por confirmar, que não
necessitam de mais nada na slot GBA. No entanto, a compatibilidade com esse
sistema perde-se, e dadas as centenas de peças de software de elevada qualidade,
desenvolvidas para este sistema ao longo dos já vários anos da sua existência,
achamos preferível o uso deste conjunto.
Existem actualmente à venda
duas versões do Passcard, sendo que uma delas, mais antiga e em fins de stock,
faz o boot directo da consola para o software da M3. Já a nova versão passa pelo
menu de arranque da consola permitindo escolher o que fazer. No entanto, dado
que o passcard só é mesmo necessário para aceder ao M3, parte-se
obrigatóriamente do principio que este estará inserido na slot GBA, não deixando
muito interesse ao facto de no arranque se passar pelo menu da consola, que no
fundo cria um tempo de paragem obrigatório e que em 99% das vezes será
dispensável.
Existe contudo um 1% de vezes
que o novo passcard poderá mostrar alguma vantagem face ao anterior, e que é
quando precisamos de mudar a luminosidade do ecrã da consola, o que só pode ser
feito no menu de arranque da consola. No entanto, o numero de vezes que se faz
tal é de tal forma reduzido que não justifica a paragem. Aliás os possuidores do
cartão antigo, podem aceder igualmente ao menu da consola, bastando para isso
remover o cartão da slot. Pelos motivos expostos, questiona-se se a novidade
introduzida é efectivamente bem vinda ou não. O boot directo é porém uma opção,
e com certeza vai ser algo que todos vão utilizar.
O boot directo para o menu do M3
GBA movie Player, e a paragem do novo sistema no menu da consola.
M3 GBA Movie Player
O GBA movie player é uma peça
que se insere na slot GBA, e que para álem de possuir uma memória interna de 32
megas usada para fins diversos, como savegames e maior velocidade nas
transferências de dados, é basicamente um leitor de cartões de memória.
Actualmente poderemos encontrar
no mercado versão para Compact Flash, SD, Mini SD e Micro SD. As versões CF são,
por via das necessidades, dando o tamanho do cartão, extremamente volumosas,
saindo em demasia da consola, especialmente nas versões lite, como as duas
consolas da foto. Para além do mais, o cartão entra lateralmente, o que obriga a
remover o cartucho sempre que se necessita de aceder ao mesmo para alterar o seu
conteúdo. Os compact flash são contudo os cartões que maior capacidade
apresentam, se bem que tal se torna irrelevante dado o pequeno tamanho do
software da Nintendo DS, onde 1 GB oferece já um mundo de hipoteses.
A versão SD é mais compacta,
mas mesmo assim volumosa. Da mesma forma o cartão entra lateralmente obrigando a
remover. É um cartão mais rápido que o CF e igualmente mais suportado podendo
ser usado em praticamente todo o tipo de sistemas actuais.
Os mini sd e os micro sd
possuem todas as vantagens dos SD, uma vez que trazem um adaptador para este.
São contudo bastante mais pequenos, o que lhes permite outro tipo de
versatilidade.
As diferenças de dimensões entre
cartões e os respectivos adaptadores SD
Dada a facilidade de conversão
dos formatos mini e micro em SD, estes tornam-se sempre mais vantajosos que os
SD normais. para além do mais, pelo seu tamanho reduzido as versões do M3 GBA
para estes cartões tornam-se mais atractivas, e as duas versões preferenciais.
Aqui vamos exactamente analisar a versão M3 Perfect Mini SD e a versão M3
perfect lite que usa Micro Sd.
Note-se que poderão existir
ainda em alguns sitios à venda a versão M3 Pro mini. Esta versão que usa
igualmente mini sd, é contudo maior em termos de dimensões do que a M3 Perfect
Midi SD. As suas características são idênticas, e a compatibilidade com os
sistemas Sd é ligeiramente maior (não requer software compilado com as drivers
mais recentes de gestão da fat para funcionar), mas as suas dimensões tornam-no
pouco atraente, destoando bastante na consola.
A nivel de software interno
todas as versões usam o mesmo software, que pode explorar a memória arrancando
programas, ler Mp3 ou videos, e mesmo consultar ficheiros de texto.
O explorador da m3. O seu
aspecto é completamente costumizavel.
M3 Perfect Mini SD
O M3 Perfect Mini SD é a
segunda versão do M3 Pro Mini, e é tambem conhecido como M3 Mini v2, pode ser
encontrado em duas versões, uma prateada e uma semi-transparente. Trata-se de
uma questão de escolha pessoal e de gosto, mas é nossa opinião que a versão
prateada se adapta melhor à consola branca e a semi-transparente à preta.
As duas versões do M3 Perfect
mini SD, vendidas em separado.
Esta versão do m3 é talvez a
mais problemática, uma vez que não é 100% compativel com as anteriores. Isto
obriga a que o software homebrew desenvolvido seja compilado usando as ultimas
drivers da FAT (versão 16 ou a recentemente lançada versão 17). O software
homebrew compilado com versões anteriores não funiona aqui, mas diga-se que todo
o software que vale realmente a pena, e que é reconhecido como possuindo alguma
qualidade, foi recompilado ou está em vias de ser recompilado com estas drivers
e está já disponível para esta versão. O mais certo é mesmo que apenas quem
possuiu o cartão nesta fase de transição se aperceba desse problema, uma vez que
tudo o que está a sair agora prevê já este cartão.
A realidade é que apesar de a
DS estar já no mercado à algum tempo, apenas agora os programadores caseiros
começam a possuir os conhecimentos necessários para começarem a lançar software
de qualidade. Diga-se aliás que o grande boom do homebrew surgiu com o
lançamento da DS lite. Por esse motivo a questão da compatibilidade deste cartão
é um problema menor, dado que as drivers já existem, e o software está a tomar o
cartucho em conta. Note-se que este problema só existe em software que use mais
do que 1 ficheiro (cerca de 5% do total), pois a incompatibilidade só se
manifesta quando o software tem de aceder ao cartão.
As DS com ambas as versões do M3
mini.
Apesar de sair ligeiramente da
consola, este cartucho possui uma grande vantagem sobre todas as outras versões.
A entrada do cartão é frontal, e tal permite remover o mesmo sem ser necessário
a remoção do cartucho. Esta opção revela-se interessante por diversos motivos,
mas especialmente no que toca à preservação do bom encaixe da slot, e à
facilidade de troca de conteúdo para aqueles que possuem 2 cartões ou mais. E
diga-se que a actualização ou mesmo correcção de opções de instalação obriga a
remover o cartão e a inserir o mesmo num pc, o ocorre com bastante frequência.
Este é o ponto forte desta versão do cartucho, e que com certeza influenciará a
compra de muita gente. A dimensão do cartucho é idêntica à dos jogos GBA
oficiais, e como tal não é algo que destoe completamente uma vez que a slot foi
concebida propositadamente para eles.
M3 Perfect Lite
A versão Lite é a mais recente
versão do M3. Apresenta como pontos fortes uma suposta compatibilidade com as
versões originais do cartão, bem como o facto de o cartão ficar 100% inserido na
slot GBA sem qualquer saliência indesejada. A embalagem traz um circuito
electrónico com um leitor de mini sd e a memória interna, bem como três caixas
de cores diferentes para este ser inserido.
As duas versões do M3 mini e as
três caixas para o circuito do m3 Lite
Os dois lados do circuito do m3
lite.
A colocação na consola revela o
efeito desejado. O cartucho fica realmente inserido totalmente no interior da
slot. Note-se contudo que infelizmente a M3 não optou pela entrada frontal do
cartão como na versão mini, mas sim pela entrada lateral. Tal cria novamente o
problema de se ter de remover e recolocar o cartucho a cada vez que se altera o
conteúdo do cartão, e como foi dito, tal é algo que acontece com bastante
frequência.
Para além do mais, a qualidade
dos plásticos usados nesta versão não se compara aos plásticos da consola. E se
é verdade que esteticamente o cartucho deixa de chamar a atenção pelo facto de
ser ligeiramente saliente, aqui não deixa de destoar pela diferença na cor e no
acabamento dos plásticos.
Os m3 lite inseridos Devido à
fraca luminosidade na altura da foto, a versão negra aparenta ser igual à
consola, mas na realidade a diferença é tão visível como na versão branca.
No entanto, apesar dos
inconvenientes da colocação do cartão na posição lateral, acredita-se que a
equipa M3 pensou no que fazia. A comprova-lo está o facto de a tampa original da
consola poder ser separada em duas peças, e a tampa superior, com o revestimento
brilhante poder substituir o plástico de pior qualidade das tampas fornecidas.
Há que referir também que esta
solução é provavelmente a mais cara de todas, dado o custo mais elevado dos
Micro SD.
Já quanto à referida
compatibilidade melhorada, os nossos testes, apesar de poucos e simples,
revelaram que efectivamente a mesma está melhorada, mas no entanto também
tivemos problemas com o seu uso. Apesar de outras reviews dizerem o contrário
não conseguimos executar o DSDOOM nem o NITRO TRACKER com sucesso. O primeiro
bloqueia exactamente no mesmo sitio onde bloqueia o DSDOOM, mas no entanto o
segundo permite navegar no cartão com sucesso, apesar de bloquear pouco depois.
Estes dois programas executaram perfeitamente no M3 Pro Mini que não está a ser
analisado aqui.
Conclusão
O pack passcard + M3 GBA movie
player é um produto extremamente interessante e que abre um mundo de novas
possibilidades à consola. As versões M3 Lite e M3 Mini são provavelmente as mais
interessantes do conjunto. Sendo o M3 mini do mesmíssimo tamanho de um cartucho
de jogos GBA, não se pode considerar como inconveniente aquilo que este sai
relativamente à consola, uma vez que ela foi pensada e concebida para correr
jogos nessas mesmas circunstâncias. A escolha depende de cada um.
| |
M3 Mini |
M3 lite |
| Compatibilidade c/
homebrews de execução directa |
9/10 |
10/10 |
| Aspecto estético |
9/10 |
10/10 |
| Facilidade de uso |
10/10 |
9/10 |
| Custo |
10/10 |
9/10 |