UNCHARTED 2 A análise

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Em 2007 a Naughty Dog surpreendeu o mundo com a o lançamento do seu novo título de alta qualidade e em exclusivo para a Sony PS3 – o seu nome Uncharted – Drakes Fortune.

O jogo introduziu a personagem de Natham Drake, um jovem e intrépido caçador de tesouros que procurava o tesouro de El Dorado.

Uncharted foi um sucesso imediato, e um dos best sellers da PS3, primando por uma qualidade gráfica e de produção bastante acima do normal.



Quando foi anunciado que este jogo apenas utilizava 30% da capacidade da PS3 e que um novo jogo da série estaria para surgir utilizando a consola na sua totalidade, os jogadores ansiaram de expectativa.

Uncharted 2 está ai, e o que podemos esperar dele face ao primeiro?

Há muitos factores que são importantes para se poder definir a qualidade de um jogo, mas Uncharted 2 é excelente em todos. A capacidade de prender o jogador à cadeira e de o manter absorvido na história e na acção está muito acima de tudo o que já foi feito até hoje a nível de videojogos, e isso é perceptível desde o primeiro segundo em que se agarra o comando. Diga-se aliás que o nível de entrada deixa logo o jogador sem fôlego, antevendo-se assim um bom desenvolvimento do jogo.

Tudo é acompanhado por uma jogabilidade extrema, onde o jogador tem pleno controlo sobre as acções da personagem, sem queixas de respostas tardias ou de movimentos não pretendidos e altíssima variedade na forma de jogar e interagir: passando por secções furtivas, luta corpo a corpo, tiro na terceira pessoa com um sistema de cobertura semelhante a Gears of War, secções de exploração, puzzles, etc.

O mais interessante é que a implementação destas diferentes interacções estão ao nível ou mesmo acima de tudo o que já havia sido feito anteriormente no género em jogos mais específicos nesse tipo de jogabilidade, com sequências de combate contra helicópteros e tanques que são verdadeiramente épicas e ficarão na história dos videojogos.

Mas Uncharted 2 não fica por aqui, e tudo isto é aliado a um grafismo de uma qualidade extrema a um nível que nunca se julgaria possível numa PS3, com localizações variadas espalhadas pelo mundo, passando por Istambul, Nepal e Tibete, e com cenários sumptuosamente desenhados e implementados.

Muitos desses cenários não são estáticos: Existem sequencias que se passam em locais em movimento como é o caso de comboios, camiões e mesmo o interior de prédios que se vão desfazendo e caindo devido ao fogo de helicópteros inimigos.



Mas é a forma como tudo foi implementado que se torna épica. Nos comboios por exemplo, os inimigos não são a nossa única preocupação. Os obstáculos também são problemáticos, tais como a sinalização sobre a linha e postes de electricidade laterais.

Já nos carros (e Drake muda entre vários durante o combate) vêm à ideia alguma semelhança com cenas da série Indiana Jones… Sem dúvida do melhor alguma vez feito em videojogos.

As cut scenes existentes (e são muitas) são feitas em tempo real usando o motor do jogo, e são usadas para esconder o carregamento das secções seguintes, dado que o jogo segue ininterruptamente sem qualquer pausa. São de excelente qualidade, com bons ângulos de câmara e servem não só para introduzir novos dados na história como também para transmitir ao jogador os sentimentos e sensações da personagem.

A banda sonora é, como tudo o resto, de altíssima qualidade, e o trabalho de vozes é excelente.

Mas o mais impressionante de Uncharted 2 é a vertente técnica. Conseguir os gráficos que o jogo possui com um “framerate” constante e sem abrandamentos, com sequências de acção explosivas, com objectos dos mais variados a voar no ecrã (desde pedras a carros e mesmo comboios), é uma proeza fabulosa. Muitos jogos concebidos para PCs com hardware bem superior lutam para conseguir uma animação fluida sem quebras n “framerate” e sem nunca conseguirem o que Uncharted 2 parece fazer com uma perna às costas. Os programadores afirmam ter conseguido puxar 1.2 milhões de triangulos texturados por frame da placa gráfica da consola utilizado os SPU’s do Cell como auxiliares, aliados a efeitos de (e desculpem os termos técnicos) high resolution normal mapping, HDR, depth of field (fabulosamente implementado), motion blur, anti aliased shadow, ambient occlusion, paralax mapped textures, etc, que demonstram que efectivamente Uncharted 2 é uma proeza e um jogo que dificilmente poderia ser realizado noutras consolas dada a ausência destes auxílios.

Uncharted 2 não é perfeito, mas os seus pontos fortes superam em muito os seus pontos eventualmente mais fracos, e atrever-me-ia mesmo a dizer que é um dos melhores jogos de sempre.

Acrescente-se a este fabuloso single player vários modos online que passam pelo Cooperativo, Deathmatch, Elimination, King of the hill, etc, e temos um produto completo a todos os níveis e com uma qualidade que, em minha opinião, nenhum outro alguma vez apresentou.

O único defeito perceptível é que, apesar da qualidade cinematográfica do produto, com as duas mãos no comando é extremamente difícil comer pipocas.



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