Análise: Gears 5

Gears 5 foi uma espécie de re-invenção da série… para melhor… muito melhor!

Apesar que God of War continua como líder no capítulo da re-invenção de um jogo, Gears of War 5 é sem dúvida uma correcção dramática a um rumo de monotonia para o qual a série se dirigia.

Gears 5 surge-nos agora como algo muito mais refinado e, acima de tudo, muito mais maduro.

O jogo não perdeu minimamente a sua identidade. A historia continua a rodar em torno de uma equipa de soldados com armaduras pesadas que usam armas diversas e moto serras para matar homens lagartos, mas claramente quem trabalhou neste jogo soube dar-lhe aquilo que lhe estava a faltar, alma e interesse, criando uma história super rica e renovada, num Gears que parecia estar a repetir-se e sem mais nada para contar.

O jogo continua centrado em acções básicas, andar, esconder e disparar. Mas apesar de básicas, estas acções seguem a formula que tornou a série popular! Nesse aspecto Gears não perde nada, e pelo contrário, é revigorado por uma nova história de qualidade.



Gears 5 é a prova que uma história de qualidade faz a diferença! A determinada altura confesso que a monotonia estava já a instalar-se e o jogo começava a soar a mais um Gears basico. Mas eis que no final do segundo acto a história abre, e aquilo que é revelado dá uma tremenda vontade de jogar para se conhecer mais.

E isso torna Gears 5 um dos melhores jogos da Xbox nesta geração. É um jogo com uma qualidade tremenda, e segue uma formula que se tem revelado de sucesso nesta geração, especialmente do lado da Sony, o ter um bom jogo, apoiado numa boa historia.

Curiosamente a história de Gears 5 não se centra nem em Marcus Fenix ou em J.D. Fenix, mas sim em Kait Diaz, personificada pela voz de Laura Bailey, que consegue dar à personagem uma excelente profundidade e personalidade.

A história leva-nos numa busca pelo que são questões sobre o seu passado e da sua família, que Kait necessita de ver respondidas e que ficaram no ar desde o final de Gears 4. Kait é um soldado que acima de tudo sofre claramente de stress pós traumático, e que procura saber algumas verdades sobre o passado das guerras que se tem vindo a travar. A história leva-nos assim a conhecer, de forma soberba, e revelada de forma clara e super interessante, um passado de atrocidades militares, abusos de poder, violações das convenções de Genebra, de confianças quebras, de de traições.

Gears 5 introduz-nos como novidade pedaços de mundo que, apesar de continuarem a ser lineares como sempre, dão a sensação de um pequeno mundo aberto. É um pouco como Uncharted: The Lost Legacy, com a diferença que aqui o que é aberto é totalmente opcional.

Onde Gears 5 consegue um excelente equilíbrio e na pesagem da qualidade contra a qualidade. Aqui ambos estão muito bem equilibrados, e o jogo não satura tanto como alguns outros quando fazemos as missões secundárias, que nos são expostas com um sentido de necessidade que levam a que tenhamos interesse em as fazer.

A jogabilidade está igualmente gratificante, apesar de algumas secções mais complexas que nos podem levar ao desespero. Mas nada que uma paragem não resolva, atacando-se depois novamente o nível com a cabeça fresca.

Infelizmente, como todas as rosas, o jogo tem espinhos. E os que mais picam aqui prendem-se com a enorme quantidade de bugs que fui encontrando ao longo do jogo.

Situações como zonas de interacção que não são activadas foram comuns, mas outras como inimigos que saltam para fora do ecrã, e que impedem a progressão, perdas de armas que estavam no Skiff (um meio de transporte), e outras como Jack (o robot que nos auxilia) ficar preso  no ecrã, foram situações com que me deparei.



Confesso que nunca encontrei tantas bugs num jogo como aqui, mas a realidade é que nem isso me retirou o interesse do mesmo, até porque me apercebi de vários patches que foram aparecendo e destinados a ir eliminado essas bugs, o que mostra que a equipa está activa.

Tecnologicamente falando, Gears 5 é um colosso. Mas no entanto fica longe daquilo que é o melhor que já vi. Há ainda muita textura deslavada, e muito cenário básico, mas o certo é que mesmo assim o jogo impressiona, e tendo em conta aquilo que são as capacidades da One base, não hesitaria em dizer que, comparativamente, e tendo em conta o hardware em que corre, o que a The Coalition conseguiu aqui, está a um mesmo nível de utilização das capacidades da máquina do que foi conseguido nos melhores jogos Sony.



A XBox One base sofre muito no Boot Camp a nível de resolução, e diga-se que a reconstrução temporal deixa uma espécie de motion blur que pessoalmente não me agrada. Mas estando a jogar num ecrã de 65 polegadas, o que posso dizer é que fora do Boot Camp, a Xbox One base porta-se muito bem, e que a campanha corre maioritariamente a 30 fps 1080p, o que é um extra adicional a este jogo.

Análise: Gears 5
Gráficoswww.dyerware.comwww.dyerware.comwww.dyerware.comwww.dyerware.comwww.dyerware.com
Atrever-me-ia a dizer que dos melhores que já vi na Xbox esta geração. Tecnicamente o jogo explora todas técnicas gráficas actuais que existem nos jogos de topo, e a reconstrução de resolução, apesar de não ser a mais perfeita que já vi devido ao motion blur da reconstrução temporal, é excelente no sentido que mantêm a resolução fixa. Infelizmente, mesmo assim, as quebras de resolução para os 720 notam-se na consola base, mas esse compromisso torna-se necessário para o patamar de qualidade que se estabeleceu.
Somwww.dyerware.comwww.dyerware.comwww.dyerware.comwww.dyerware.comwww.dyerware.com
A banda sonora foi integrada com o jogo, aumentando de ritmo com a presença de inimigos, e amenizando com a sua eliminação. Todo o ambiente está bem conseguido, e o som está ao nivel desejado
Jogabilidadewww.dyerware.comwww.dyerware.comwww.dyerware.comwww.dyerware.comwww.dyerware.com
É gears e isso basta para definir o que é a jogabilidade. Mas aqui a coisa é levada ao extremo com uma história super conseguida. Os modos online são ainda um ponto forte para manter os jogadores ocupados por muito tempo
Atracçãowww.dyerware.comwww.dyerware.comwww.dyerware.comwww.dyerware.comwww.dyerware.com
Muitas missões paralelas, e uma história que cativa. O jogo é uma referência na série Gears, e talvez dos melhores, se não mesmo o melhor da série.
Overallwww.dyerware.comwww.dyerware.comwww.dyerware.comwww.dyerware.comwww.dyerware.com
Apesar de um conjunto e bugs ainda presente, o jogo não pode ser penalizado por isso, até porque muitas delas terão já sido resolvidas com os patches mais recentes. Gears 5 é, na nossa opinião, o melhor jogo já lançado para a Xbox One, daí que a sua nota, apesar de poder parecer injusta face à comparação com outras análises que fizemos de outros jogos que foram grandes sucessos, tem de reflectir o enquadramento na realidade da consola.

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Sephirot
Visitante
Sephirot

Ótima análise Mário, sou fã da série Gears desde os primeiros e confesso que o Gears 4 me deixou um pouco desanimado com os rumos da franquia e com a falta total de carisma do filho do Marcus Fenix, a Kait é infinitamente uma personagem mais interessante. Esse é o tipo de game que vou comprar a preço cheio na Steam por que é algo que vale a pena, e me sinto na obrigação de “incetivar” esse tipo de produção, porque afinal de contas somos nós que guiamos a industria, o que apoiamos(compramos) segue em frente, o que não apoiamos simplesmente desaparece mais cedo ou mais tarde, me corta o coração ver pessoas jogando essa obra de arte ao preço de 1 real(ou 1 euro) por que parece óbvio que a Microsoft não vai ter o retorno financeiro investido, sinto que caso a Microsoft não consiga esse retorno financeiro esperado com essas superproduções no GamePass ela irá cada vez mais abrir mão de de fazer games grandiosos e passará cada vez mais a fazer titulos medianos apenas para acumular jogos na biblioteca do Gamepass, posso estar totaltmente enganado, mas esse parece ser o rumo disso, na verdade já temos uma pequena amostra disso que é a Netflix, que passou a fazer seus próprios conteúdos muitos deles de qualidade questionavel apenas para “entulhar” a biblioteca.

Abraços.

Ennio Rafael
Visitante
Ennio Rafael

Bom dia Sr. Mário. Excelente análise, uma das melhores que li, talvez a melhor. Outra questão qual a TV que compraste?

nETTo
Visitante
nETTo

Encerrei a campanha no Domingo e concordo que Gears 5 é o melhor e mais bonito do Xbox One nesta geração quanto ao conteudo firts party, ainda sim os bugs do jogo realmente são muitos e acredito que foi passado pano nas análises pelo peso da franquia, poderia aqui também referir os inumeros problemas nos modos multiplayer que o jogo teve pra quem começou no dia 06/09 com o gamepass ultimate (meu caso). Dito isso a história é realmente muito boa, o gameplay melhorou bastante com a adição do Jack em suporte, os gráficos são os melhores do Xbox One, a duração também é algo a citar como algo positivo, aqui eu levei 14:30h pra fechar explorando bem os cantos e quase pegando todas as habilidades do jack, e eu falo isso porque eu terminei Gears of War 4 em apenas 6:40h na mesma dificuldade (experiente), o que pra mim e pra um jogo deste porte é algo muito curto.

Se fosse um analista Geas 5 teria um sólido 9 na minha opinião e considerando os problemas.

Fernando
Visitante
Fernando

Não foi passado nenhum pano nas análises. O jogo tem 85 no metacritic, mesmo sendo melhor ou do mesmo nível que vários jogos com notas maiores nessa geração. Por exemplo, você acha que Devil May Cry 5 é um game que deve ter notas maiores que Gears 5? Eu adoro DMC, mas convenhamos, se DMC 5 é 88, gears 5 seria qualquer coisa acima de 90 fácil.
É quase um consenso que o Gears 5 é o melhor exclusivo do Xbox nessa geração, mas ele tem média inferior a todos praticamente todos os Forza Horizon. Bem, tudo bem, muitas vezes percebe-se uma tendência em dar boas notas a games que não necessitam de qualquer habilidade de quem está jogando, mas hoje em dia, as coisas desandaram bastante.
De qualquer forma, tbm acho que 10 ou 9,5 são um pouco exagerados, 9 está bom para esse gears, talvez 9,2 o ideal.

Marcos
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Marcos

Complicado ver sites dando nota 6 para o game.