Dados da Microsoft confirmam o pouco uso da retrocompatibilidade na Xbox

Apesar da Microsoft tentar pintar os números como impressionantes, bastam umas pequenas contas para deitar por terra essa ideia.

A Microsoft anunciou bem recentemente que o número de horas usado pelos utilizadores das suas consolas Xbox com jogos jogados por retrocompatibilidade se aproxima do Bilião. Sim, um Bilião de horas… isto, claro na unidade Norte Americana, o que quer dizer que na unidade Europeia estamos a falar de mil milhões de horas usadas a jogar jogos por retro compatibilidade.

Ora falando-se em mil milhões de horas, estamos a falar de muita coisa. É um número gigante… um número que impressiona! Certo?

Na realidade… não impressiona assim tanto. Na realidade, feitas algumas contas, o que vemos é que o número não só não impressiona, como na realidade é até decepcionante. Bastante decepcionante mesmo!

Porque dizemos isso, e em que é que nos apoiamos para tal?



Bem, apoiamos em vários dados, sendo que alguns deles são mesmo da Microsoft e fornecidos de forma oficial! Vamos vê-los!

A Xbox One foi lançada a 22 de Novembro de 2013… e arrancou muito bem, com números de vendas que foram sendo anunciados de forma oficial. Um exemplo foi o anuncio oficial de 2 milhões de consolas vendidas em 18 dias!

Infelizmente, a Microsoft, logo no primeiro ano de vida da consola percebeu que a sua consola estava a ficar para trás em vendas para a rival PS4, e nesse sentido apenas voltou opor uma única vez a referir números de vendas efectivos, e isso foi em Janeiro de 2014. Após essa data, para aproximar os números, a Microsoft passou a referir consolas despachadas em vez de consolas vendidas, ou seja, consolas colocadas nas lojas e não consolas vendidas efectivamente ao público!

Mas mesmo assim, a PS4 distanciava-se e rapidamente nem os valores de consolas despachadas acompanhavam as vendas efectivas da PS4 que passou a proporção a nível mundial de 2:1, o que levou em 12 de Novembro de 2014 a Microsoft a anunciar pela última vez o número de consolas despachadas. Desde essa data a Microsoft não voltou a referir números de consolas, fossem elas despachadas ou vendidas.

E o número referido nessa data foi de 10 milhões de consolas despachadas! É um número oficial!
Pegando em dados de vendedores, a estimativa de consolas vendidas, até porque os stocks nessa altura estavam no seu pico devido à proximidade do Natal, era para essa data, na ordem dos 7 milhões de consolas efectivamente entregues nas mãos de consumidores. E na falta de dados melhores, será esse o valor que vamos tomar como referência para uma contas que se seguirão (se quiserem podem repetir as contas usando 10 milhões, mas como perceberão, tal não altera em quase nada os resultados finais).

É que a Microsoft parando de falar em consolas despachadas ou vendidas, a primeira métrica que usou como substituição foi exactamente o número de horas jogadas na consola. E então, de forma igualmente oficial, a Microsoft referiu que no primeiro ano, os utilizadores Xbox One tinha jogado 2 Biliões de horas, o que na nossa unidade europeia perfaz, 2 mil milhões de horas jogadas.

Ora mesmo sem fazermos contas percebemos já a discrepância dos números. Em um ano, e com um número efectivo de consolas entregues aos consumidores que não passava os 7 milhões, a Xbox atingiu 2 mil milhões de horas jogadas.

Actualmente, tendo a retro compatibilidade já 3 anos, e com o número de consolas entregues nas mãos dos clientes estimado em algo perto dos 35 milhões (mais uma vez temos de usar estimativas pois não há dados correctos, e neste caso apontamos para o valor maior uma vez que certas análises, como as da EA apontam para 30 milhões de Xbox)… a Microsoft anuncia que as horas jogadas em retrocompatiblidade se aproximam dos mil milhões.

São 5 vezes mais utilizadores, 3 vezes mais tempo, e mesmo assim, apenas metade das horas!



Mas para percebermos isto melhor, nada como reduzir estes número para algo mais palpável… o número de horas jogadas por semana por consola!

Em 2014, 7 milhões de utilizadores activos jogaram 2 mil milhões de horas, o que perfaz, dividindo 2 mil milhões por 7 milhões, 285,71 horas em média a cada consola no primeiro ano ou, dividindo isto por 365 dias, 0,783 horas por dia, o que perfaz algo perto dos 46 minutos/dia ou 328 minutos por semana de 7 dias, algo que se traduz em 5,48 horas por semana!

Este é um número que apresenta algum erro pelo facto que considera a população constante nos 7 milhões ao longo do ano, algo que não é uma realidade. Mas dado que não é possível suprimir esse erro, e o vamos cometer igualmente quando fizermos as contas para a população actual da Xbox, o valor final, mesmo erróneo, serve sempre como comparativo, apesar de não ser exacto.
Mas mesmo não sendo correcto, que coerência tem este número? Bem, eis os resultados de um estudo sobre o número de horas perdidos por semana a jogar nas várias faixas etárias e em diversos países, efectuado pelo website Limelight no presente ano.

Naturalmente que não é fácil quantificar o número de horas exacto que se gasta a jogar quer em países, quer em anos. O que temos são estudos baseados em amostras pequenas e susceptíveis de possuírem grandes erros. Mas a média geral aponta para as 5.96 horas, algo que se enquadra perfeitamente dentro do valor de cima, tornando-o assim credível e aceitável.

Mas e no que toca então ao tempo perdido com a retrocompatibilidade?

Bem mil milhões de horas em 35 milhões de consolas significa que cada uma delas jogou em média 28,57 horas! Mas isto não é em um ano, mas sim em 3! O que quer dizer que por ano, cada consola jogou apenas 9,52 horas.

Há contudo que proceder-se aqui a uma correcção. A Microsoft refere que a Retro compatibilidade não alcança todos os utilizadores da Xbox One, mas apenas 50%, e isso quer dizer que este número pode aumentar, passando então para o dobro ou 19,04 horas por consola, por ano (equivalente a dividir por apenas 17,5 milhões de consolas e não 35 milhões)!

Mesmo assim, 19,04 horas por consola num ano mostra já que a atenção dada é pouca! Algo que comprovamos quando vemos que esse valor corresponde a 0,052 horas por dia, o que multiplicando por 60 minutos (os presentes numa hora), nos revela algo como 3,13 minutos por dia ou 21,9 minutos por semana!

Daí que a realidade é só uma… Mesmo considerando que este valor está errado, ao existir o mesmo erro nos dois lados percebemos que o uso da retro compatibilidade é esporádico. E mesmo que fossemos simpáticos e multiplicássemos por 2 ou por 3 ou por 4 (algo que não possui qualquer coerência, mas sejamos simpáticos), o uso da retro compatibilidade continuava a ser esporádico (87 minutos por semana no melhor dos casos)!

Ou seja, quanto à retro compatibilidade, não só apenas metade dos utilizadores a usa, como os que a usam, em média usaram-na ao longo destes 3 anos em que existe, algo como 22 minutos por semana ou 3.13 minutos por dia.



Muito… muito pouco para algo que é publicitado como sendo um dos atuais porta estandartes da Xbox.



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Rocha
Visitante
Rocha

Bom dia.
Porque a retro é decepcionante?
E jogos que vendem 5% para base é um sucesso?
Mario as vezes nao entendo porque a matematica e a diminuiçao de valores vale apenas para Microsoft.
Falar que a retro é decepcionante seria o mesmo quue dizer que 5% de jogos vendidos é decepcionante…
A retro é um serviço para agregar valor , assim como os jogos exclusivos…

Carlos Zidane
Visitante
Carlos Zidane

Até entendo a irritação do Rocha, pois realmente são notícias recorrentes de coisas não tão gloriosas da Microsoft, enquanto que mostrando as escorregadas da Sony, são bem mais raras. Também já percebi isso. Mas também há de ver que o Mário não está mentindo. E a Mic está dando muito mais o que falar do meu ponto de vista. Basicamente se tornou uma grande “operação tapa buraco” a divisão do Phil…
Também acho que as vendas de God of War são pequenas perto do número de consoles, mas, também acho 70 milhões vendidos pouco pelo aparelho que é…
E tem ainda a questão de não se gostar de algum produto como eu não suporto esse GT Sport, mas sei que está sendo um sucesso na ótica de muita gente.
Tem a questão de que muita gente vai jogar GoW e vender pra quem não tem pressa pra pegar os usados, eu mesmo fiz isso várias vezes.
E também não consigo ver muita vantagem em jogar jogos que já joguei antes na nova geração porquê só uns 2 ou 3 valem a pena jogar de novo, joguei muito X360 e jogos como o segundo e terceiro Hallo foram ótimos no seu tempo, mas agora já passou, quero jogar e viver novas aventuras.
Estou torcendo como poucos pra MS melhorar suas diretrizes inclusive na próxima E3 pra justificar a compra de outro One, que está barato até, mas que só tem Forza 7 até agora a favor. Ah, mais um: estive jogando PubG com um amigão velho de guerra aqui, e realmente aquilo lá é muito divertido, não sei porquê mas é bem mais legal que CoD. Não conto tanto como motivação pra um One pois ele pode vir a sair no PS4 qualquer hora pelo que eu sei, e até baixei a versão mobile pra ver como era e estou digamos, viciado.

marcos
Visitante
marcos

Eu quando entro aqui já venho com o pensamento:
“vamos ver o mario falar mau de toda plataforma não sony”
principalmente se for Microsoft.
É melhor pagar o valor integral novamente do que ter retro. Mas mão se preocupe pois quando sair o PS5 com retro para PS4 toda a mídia vai aclamar e falar que é a melhor coisa do mundo.

jairopicanco
Visitante
jairopicanco

Matéria totalmente enviesada, partindo de um falso pressuposto que a retrocompatibilidade é uma perda de tempo ou decepcionante, (inclusive escrito com essas palavras na matéria). Eu não poderia discordar mais. Fazia tempo que não frequentava aqui, e quando volto, me deparo com uma matéria bem ruim em sua essência, porque manipula os números apenas para sustentar um viés.

Existe muito mais além dos números a respeito da retrocompatibilidade, Mario. Se trata da disponibilidade de uma biblioteca de valor, seja para o cliente usar o disco que manteve pra si, seja para adquirir digitalmente um jogo inédito pra ele. Por efeito, foi um público ali que consumiu esses jogos, e de alguma forma aproveitou, de acordo com sua própria disponibilidade de tempo.

Tão insano quanto seria eu fazer uma comparação direta das centenas de horas jogadas de um Fortnite com uma Campanha AAA de 10h, e colocar o AAA de 10h de forma pejorativa (dizer que é decepcionante, por exemplo?!) apenas levando em conta horas jogadas, sem levar em consideração as diferentes nuances e naturezas das propostas. E sempre lembrando que os jogos retrocompatíveis não concorrem com os de Xbox One, mas agregam a toda a biblioteca. Se você até agora não conseguiu compreender a proposta e suas nuances… difícil, pois recai nos mesmos vícios de sempre.

Enfim, matéria bem ruim mesmo, pela premissa. O que é uma pena, um desperdício de oportunidade.

Vitor Calado
Visitante
Vitor Calado

A retrocompatibilidade para mim não serve para repetir os jogos que já joguei, para mim isso não faz sentido, mas serve para jogar de forma gratuíta os jogos oferecidos na LIVE que são 2 por mês, há meses que não jogo nenhum há meses em que jogo 1 e há meses em que jogo os dois…eu pago o LIVE para puder jogar online esses jogos para mim são um bonus, as médias valem o que valem, joguei mais de 20 jogos que nunca tinha jogado e alguns até gostei bastante, se isso dá uma média de 5 minutos por dia, então como tenho 58 anos, devo ter uma média de diversão a assistir a filmes no cinema de 2,4 segundos por dia…isso não invalida que que não me tenha divertido bastante…

Antonio Lucas
Visitante
Antonio Lucas

Mario, tenho um xbox one x, voce acha que vale a pena comprar um ps4 pro pra jogar os exclusivos? Vale a pena comprae um console novo só pra jogar alguns jogos?