E3 em risco? Confiança da imprensa e youtubers na feira foi abalada.

A organização da feira não acautelou dados privados de jornalistas e youtubers que agora estão a receber ameaças de morte. As consequências desta situação podem ter como consequência o fim da E3.

Parece incrível, mas é verdade! A E3 sofreu um revés que pode por o interesse dos media e influenciadores em causa. E o motivo foi que dados privados destas pessoas foram expostos por falha da organização.

Tal como na maior parte das feiras, os visitantes da E3 podem solicitar à organização os identificadores de imprensa. Para os obter é necessário dar à organização o nome da organização que representam, nome, número de telefone,. morada e outros dados. Isto tem acontecido desde à alguns anos, e tornou-se parte do procedimento normal na E3.

Estes dados são colocados numa folha de excel que é depois distribuída por diversas empresas presentes na E3. Isto é um dado informado às pessoas, pois estes dados servem para posteriores convites para eventos de imprensa que ocorram durante a E3 e mesmo apresentações.

E até aqui, nada demais.



A questão é que até à alguns dias atrás, essa lista, com toda a informação de todos os membros da imprensa e influenciadores que solicitaram os identificadores de imprensa, estavam acessíveis a qualquer um. Bastava um click num botão no site da Entertainment Software Association (a organização por detrás da E3). Isto foi detetado por uma Youtuber de nome Sophia Narwitz!

Após o alerta, a ESA removeu a folha com os dados, mas não antes que outras pessoas lhe tivesse acedido e mesmo descarregado. Desconhece-se quantos downloads foram feitos ou quantas pessoas acederam a esses dados.

Infelizmente as consequências dessa exposição já são claras. Segundo uma fonte do Twitter, alguns jornalistas começaram já a receber ameaças de morte, e tudo devido ao acesso aos seus dados pessoais.

A ESA reagiu ao sucedido lançando um comunicado:

A ESA teve conhecimento de uma vulnerabilidade no website que levou a listas de contactos de jornalistas registados que estiveram na E3, que se tornaram públicas. Uma vez notificados, imediatamente tomamos medidas para proteger os dados e encerrar o site, que já não está disponível. Lamentamos esta ocorrência e tomamos medidas que garantem que tal não acontecerá de novo.



Apesar de a ESA apenas referir jornalistas, tal não é verdade. Youtubers e mesmo analistas de firmas de Wal Street como a Wedbush, a Goldman Sachs e a Tencent tambem tinha os seus dados ali.

A questão principal aqui é que a presença das empresas na E3 é paga. E um dos motivos pelos quais o custo de admissão é relevante é a obtenção destas listas de influenciadores. Mas perante esta fuga de dados, criada de uma forma ridícula, certamente no futuro ninguém estará interessado em fornecer dados à ESA.

Repare-se que não se tratou de uma falha de segurança na página, não se tratou de um hack, não se tratou de qualquer violação ou infiltração. Tratava-se de um mero link, que forçosamente alguém ali colocou, e que dava acesso aos dados, sem qualquer protecção. Clara negligencia, e uma falha na protecção que, por lei, a ESA era obrigada a garantir existir.

De acordo com a legislação Europeia, qualquer empresa que queira obter dados dos seus clientes tem a obrigação de garantir que os mesmos estão completamente seguros, sendo responsabilizada se tal não acontecer. A ideia não é tornar difícil a obtenção dos dados, mas sim garantir que, sendo eles privados, eles se mantêm privados. Quem não tem condições para garantir essa segurança e não cria toda a estrutura para que os dados sejam seguros, se mantenham seguros e sejam regularmente verificados que estão seguros, não pode colectar esses dados, sob pena de elevadas multas.

E dado que na lista estavam vários jornalistas, youtubers e outros cidadãos Europeus, com o seu website a ser acessível igualmente na Europa, a ESA estava obrigada a seguir essa legislação para recolha e protecção dos seus dados.

A multa máxima prevista pela União Europeira por violação ao RGPD (Regulamento Geral de Protecção de Dados) é de 20 milhões de euros, uma multa que aqui a ESA se arrisca a apanhar por clara negligência na forma como os dados foram armazenados e estavam acessíveis, e por a fuga estar agora a resultar em ameaças de morte.
Basicamente poderemos estar perante potenciais situações que ameaçam o futuro da E3. Quer pela multa que pode colocar a ESA em maus lençois, quer pelo facto que os jornalistas dificilmente votarão a fornecer dados à organização.


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