EA: “Subscrições são a melhor forma de sem atritos se aceder aos videojogos”.

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Diz a mesma empresa que é repetidamente considerada a pior da América, nos vende jogos inacabados, que fecha estúdios quando os jogos não vendem, e que é a que mais microtransações e lootboxes implementa nos jogos, mesmo após a polémica de Star Wars e de alguns países as terem considerado ilegais. Daí que, mais uma vez, a questão não é se o que eles dizem é verdade, mas para quem é que realmente isso é bom… se para eles, ou se para o consumidor.

Durante a conferência financeira onde se discutiram os resultados do quarto quarto fo ano fiscal de 2018, o Chefe Executivo da EA, Andrew Wilson e o Chefe Financeiro Blake Jorgensen falaram dos planos da empresa para serviços de subscrição.

A novidade mais relevante é que a EA, que já possui o EA Access e o Origin Access para a Xbox One e PC respectivamente, planeia introduzir “uma nova oferta” em um dos seus programas de subscrição que fornecerá “acesso e valor sem precedentes”.

Wilson tambem referiu que a EA acredita que o Cloud Gaming (basicamente streaming pela internet) irá contribuir “significativamente” na forma como os jogadores interagem com os jogadores. As pessoas não ficarão preses à performance dos seus aparelhos, dado que estes estarão na cloud e serão acessíveis em todas as plataformas.

Algo que pode soar a interessante à EA, mas que não soará interessante a todos os jogadores uma vez que um ecrã tactil ou um gamepad não possuem a mesma capacidade de precisão de um teclado e rato, o que criará desequilibro nos jogos. Mas essa parte não é, para a EA, relevante!



Nesse sentido, a EA irá trabalhar com parceiros, bem como desenvolver eles próprios tecnologia.

De acordo com Wilson, a EA está a ver um grande movimento na direcção das subscrições, que considera “a melhor forma de sem atritos se aceder aos jogos”.


Resumindo o referido em cima, a EA vai introduzir uma forma de conseguir obter mais receitas de um dos seus serviços!

Não deixa de ser interessante a forma de pensar da EA. Pensar em criar jogos acessíveis a diversas plataformas independentemente da performance pode soar a algo de muito bom, e terá enormes virtudes. Mas infelizmente não será bom em todos os aspectos, e nem para todos.

Infelizmente, ao deixarmos de ter os jogos limitados pela performance e pela compatibilidade do hardware e sistemas de interacção não eliminamos todas as barreiras. Nestas situações os jogos irão ficar limitados pela ligação internet. Ou seja, pessoas que antes podiam aceder aos jogos porque tinham máquinas potentes, poderão agora ficar afastados por não possuírem ligações internet capazes.

Basicamente, onde antes a opção de ter uma máquina capaz era uma escolha que, com maior ou menos sacrifício, era do cliente, tal poderá alterar-se. E caso não este não tenha disponível ligações adequadas na zona onde habita, não terá como fugir a ter de ficar de lado ou sofrer com isso.



Convêm também não esquecer que o tráfego, apesar de “ilimitado” na maior parte dos ISPs, traz custos ao mesmo bem como pode sobrecarregar a rede, diminuindo a qualidade da mesma, e daí a existência, norlamente desconhecida do utilizador, de políticas de utilização aceitável, ou PUA que no fundo criam um limite elevado mas que impede abusos e que, caso ultrapassado, limita a ligação até ao final desse mês.

Apesar de tais limites não serem normalmente atingidos, a introdução destes serviços por largos milhares de utilizadores que poderão passar a descarregar muitos GB adicionais, poderá alterar isso, ao trazer uma sobrecarga de tráfego muito maior nos servidores dos ISPs e que certamente irão ponderar ressarcir-se de tal situação. Numa altura em que a Neutralidade da Internet foi abolida, é estranho não ver ninguem a abordar esta temática, e a falar como se nada se tivesse alterado. Mas se calhar o custo para o cliente é irrelevante para a EA desde que os lucros possam aumentar!

Mas mais ainda, se o acesso de diversos sistemas diferentes a um mesmo jogo, eliminando-se a questão das performances e mesmo da compatibilidade é algo extremamente interessante, ele é-o mais à EA, que alarga o alcançe dos seus jogos, sem se preocupar com a criação de várias versões por questões de compatibilidade. Já na parte do cliente, ele tem tambem vantagens, mas o interesse de tal não será o mesmo para todos pois jogadores com um ecrã tactil certamente terão desvantagens face àqueles com um gamepad que por sua vez terão desvantagem face aos que jogarem com a precisão de um teclado e rato. Tal criará um desequilibro tremendo na qualidade de acesso aos jogos e a jogabilidade irá sofrer devido às diferentes capacidades de interacção. Mas essa parte não parece ser, para a EA, relevante ao ponto de a abordar e explicar como pretende contornar a situação.

Acima de tudo a EA é uma empresa que, históricamente, só vê lucros à frente, e que actualmente, a nível de serviços atua no mercado PC, onde o online e o digital são standard, e na Xbox, onde a predominância da substituição do mercado tradicional pelo de serviços está a entrar em força.

Daí que quando esta refere o aumento da adesão aos seus serviços, não podemos colocar de lado estas realidades, e teremos de levantar a questão sobre a adequação destes modelos a outros formatos que não são afectados por essas realidades, nomeadamente o ecosistema Playstation, questionando acima de tudo, o interesse que a Sony possa vir a ter em ter estes serviços na sua plataforma.





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