Exclusivos vendem consolas… e não se pode negar isso!

Os exclusivos vendem ou não consolas? Essa é uma discussão na qual alguns fans para justificarem o menor suporte da marca adoptada, pegaram recentemente. E é essa questão que vamos analisar!

Na vida real, qualquer produto que compremos, seja ele comestível, seja de consumo, seja electrónico, seja do que for, de forma natural e consciente, no acto de compra, escolhemos aquele que melhor nos satisfaz. Não há ninguém que possa dizer que comprou, de forma consciente e ponderada, um produto que não era o que melhor o satisfazia. Mas se eventualmente o fez, o simples facto de reconhecer isso, é igualmente um reconhecer de que fez a compra errada!

Os factores pelos quais o produto nos satisfaz podem ser diversos, mas acima de tudo eles interessam por serem bons naquilo que se propõem fazer. Um hamburger é suposto ser saboroso, uma televisão é suposto dar imagem com qualidade, uma consola é suposto correr muitos e bons jogos.

Naturalmente que isso não quer dizer que não haja quem vá comprar um hamburger que sabe ser menos bom, uma TV com menor qualidade de imagem, ou uma consola que tem menos jogos.

Há outros factores em causa aqui, como por exemplo o preço. Um hamburger pode ser melhor que outro, mas se for mais caro, pode não ser o escolhido. E o mesmo se passa com a TV ou com a consola!



Mas depois há outros casos particulares. Por exemplo, pode haver quem goste mais de carne de porco do que de vaca e esse seja o seu factor de escolha! Da mesma forma, numa consola há algo que as distingue e pode ser um factor de escolha: O conteúdo exclusivo!

É o tipo de situação que cria nas consolas um mercado menos comum, e onde as escolhas dos utilizadores acaba por pesar muitas vezes pelos tipo e quantidade de jogos exclusivos que ela pode vir a ter!

Naturalmente que só por aqui já dá para perceber-se a resposta à pergunta em causa neste artigo: SIM, os exclusivos vendem consolas!

No entanto não vamos ficar por aqui… vamos tentar analisar a coisa de forma um pouco mais profunda.

Imaginemos dois operadores cabo. Ambos operam na mesma zona com qualidade de serviço semelhante, sendo que um deles possui mais canais do que o outro na sua grelha. Os preços até podem ser mais vantajosos no operador que oferece menos, tentando assim equilibrar a escolha, mas o certo é que para os fans de TV, aqueles que adoram ver tudo e mais alguma coisa, o operador que possui mais canais revela-se mais interessante. E tirando questões de preço, dado que os serviços possuem uma qualidade semelhante, os canais serão o factor decisivo!

Perante esta evidência, torna-se difícil que haja quem tenha dificuldade em perceber o mesmo nas consolas para os amantes de videojogos.

Perante duas consolas, com qualidades de serviços semelhantes, e com uma com mais jogos que a outra, a consola com mais jogos de qualidade naturalmente torna-se a preferencial. A outra pode tentar competir com outras situações como o preço ou serviços, mas para o amante dos videojogos, aquele que quer a maior variedade possivel de escolha, a consola com mais jogos é certamente a sua primeira escolha. Pode depois, de forma clara, aparecer o factor “Ah, mas eu não aprecio tanto esses jogos”, algo que acontece particularmente com os jogos Nintendo que possuem características especiais. E ok, há aí uma justificação válida para uma escolha diferente!

Mas de forma geral, e em circunstâncias semelhantes, não há que se tentar dar a volta aqui à situação. Mais do que tudo as consolas são feitas para se jogar… jogos! E os jogos são o que importa nelas. O resto também é importante, mas quando ambas oferecem qualidade semelhante, torna-se menos relevante. Note-se que falamos em semelhante e não em igual, pois até pode não ser igual, mas o importante é se é tão diferente ao ponto de assumir uma relevância tão importante como a das diferenças na disponibilidade dos jogos!

Historicamente houveram jogos exclusivos que foram grandes sucessos. Venderam largos e largos milhões! Mas essa é uma situação cada vez menos comum num mercado onde a oferta é maior que nunca! Com jogos que oferecem diversão a preços acessíveis, os jogos full price podem não se revelar a primeira escolha de muitos, e com certos franchisings a repetir-se regularmente, a compra a preços acessíveis da versão do ano anterior oferece igual satisfação, impedindo as vendas das novas versões de atingir valores elevados.



Mas a realidade é que nos dias que correm os novos IPs AAA são um risco. Os jogos AAA são investimentos elevadíssimos e que requerem vendas para cobrir os custos! As receitas são depois directas e indirectas como com as associadas aos franchisings e a venda de consolas em bundles com o jogo. Todas essas receitas são contabilizadas para o jogo, e este pode-se pagar… ou não!

Fazer um jogo que venda 20 milhões de unidades não é algo que alguém acorde um dia e diga: Vou fazer um desses! Na realidade os resultados das vendas são imprevisíveis, e com excepção de jogos que são franchisings de longa data e que vendem pelo nome, os novos competidores nesses campos possuem grande dificuldade em ter sucesso. Aliás, alguns franchisings de grande sucesso no passado, agora não vendem eles próprios uma quantidade de cópias a esse nível, comportando-se ao nível de um jogo de sucesso médio.

Onde queremos chegar é que um exclusivo em si pode não vender consolas, pode vender uma, pode vender 1000, pode vender 1 milhão. No fundo é irrelevante pois só o facto de se colocar estas hipóteses mostram a realidade: Um exclusivo por si não vende forçosamente consolas! É acima de tudo o conjunto deles que as vende! O facto que todos juntos criam uma livraria extensa de alternativas que gradam a um conjunto alargado de pessoas pelas variedade de temas de jogo abordados.

Nesse sentido um exclusivo apenas interessa que venda o suficiente para se pagar. De resto ele ficará na lista de exclusivos como factor de venda. Como catálogo alargado! É como qualquer jogo mais antigo, um jogo menos interessante, mas mesmo assim um jogo no catálogo. E quando o catálogo se distingue entre as consolas apenas por estes jogos exclusivos, uma vez que os multiplataformas existem em todas, naturalmente que eles fazem a diferença.

Aliás, que motivo pode levar uma pessoa a ter simultâneamente mais do que uma consola se estas possuírem a mesma base de jogos comuns? Apenas os exclusivos, e nada mais do que os exclusivos! Mais um caso onde a consola vendeu… pelos exclusivos!

O simples motivo pelo qual as empresas continuam a gastar milhões e milhões na criação de novos jogos exclusivos, tendo mesmo equipas dedicadas para tal, é exactamente a criação de uma lista de exclusivos que ajude a vender a sua consola. Negar isto seria negar realidades analisadas constantemente, seria mesmo chamar estúpidos aos gestores destas empresas, e negar uma outra realidade: que as vendas actuais das consolas mostram as que mais exclusivos de topo (AAA) estão a apresentar, a vender mais.

Aliás a exclusividade não se fica pelos jogos na sua totalidade de vida. Há a compra de exclusivos por períodos temporários. Estes jogos nem sequer são exclusivos verdadeiros, mas o simples facto de estarem temporariamente apenas em uma consola é um factor de escolha da mesma. E os fabricantes de consolas sabem-no! Daí que vale a pena o investimento!

Num caso mais flagrante ainda temos os acordos de Marketing, e que podem soar a algo muito estúpido pois na realidade não trazem sequer um dia de exclusividade, mas apenas o direito de a consola associada à marca que adquire estes direitos aparecer apenas ela associada ao jogo nos painéis publicitários.

Se este tipo de imagem associada a a painéis publicitários ajuda as vendas ao ponto de se revelar compensador o pagamento de largos milhões, a real exclusividade claramente compensa muito, mas mesmo muito mais.

Basicamente o argumento de que os exclusivos não vendem consolas é uma falácia de todo o tamanho. Ainda mais quando a referência se associa ao facto de a maior parte dos exclusivos vendem apenas para uma pequena percentagem da base instalada. E??

Os exclusivos valem pelo facto de serem exclusivos. Atraiam 10 novas vendas por mês ou 100 vendas por mês, eles atraem… e pelo simples facto de o modelo de negócio continuar a ser usado, verificando-se a associação clara de maiores vendas às marcas que mais os suportam, é porque claramente compensa! E negar essa realidade soa a uma atitude muito pouco inteligente.