Gears 5 é maior o lançamento de um jogo dos estúdios Xbox, nesta geração. Mas em contraposição, as vendas físicas são decepcionantes.

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Segundo os padrões de medição de sucesso actual da Microsoft, Gears 5 é o maior lançamento de um jogo dos estúdios Xbox, nesta geração. Mas a realidade é que a nível de vendas o jogo está bem abaixo das expectativas, sendo que a maior adesão foi por intermédio do Gamepass. E infelizmente, a métrica da Microsoft pode ser muito boa a nível de números, mas aparenta falhar em gerar aquilo que interessa: A receita!

Gears 5 é um grande, grande jogo, e como tal, merece sucesso. Nesse campo ele tem-no, pois a Microsoft refere que Gears 5 é o maior lançamento de um jogo dos estúdios Xbox, na presente geração. Mas ao contrário do habitual, a métrica de medição desse sucesso não se baseia em vendas e receita, mas no facto de 3 milhões de utilizadores terem jogado o jogo na primeira semana de lançamento do jogo.

Ainda segundo a Microsoft, esta performance duplicou os valores da primeira semana de Gears 4, tornando o jogo no mais jogados desde o Halo 4 de 2012.

O grande problema desta métrica, é que, tal como a Microsoft deixa escapar, esta primeira semana inclui os 4 dias de acesso antecipado que se iniciou a 6 de Setembro, e que foi exclusivo do Xbox Game Pass.

Isto quer dizer que o período referido incluiu apenas 3 dias fora do Gamepass, sendo que mesmo nesse período, a continuidade da adesão do Gamepass continuou a ser contabilizada.



E isto leva-nos novamente à velha questão. Com este tipo de jogos disponíveis no Gamepass, eles conseguem ser rentáveis?

Ora se a contabilidade de rentabilização do Gamepass já se torna difícil com 10 euros por mês, se tivermos em conta que o Gamepass esteve, e ainda está a ser oferecido a 1 euro por mês, tendo mesmo existido milhares de pessoas que, usando uma bug autorizada pela Microsoft, conseguiram assinar esse serviço por 3 anos, a esse valor mensal, existindo ainda a possibilidade de partilha de contas Gamepass entre utilizadores, tal leva a questionar, o que estarão a ser as receitas da Microsoft no meio de todo este conjunto de adesões.

Para termos uma noção da rentabilização do jogo precisamos de uma ideia sobre o que, destes 3 milhões, foram jogadores provenientes de vendas full price, e o que foram utilizadores do Gamepass. E aí tudo piora quando vemos os primeiros resultados de vendas de Gears 5. E eles vem do Reino Unido, onde o jogo atingiu o segundo lugar de vendas na semana de lançamento!

Ora se um segundo posto parece bom, os números associados a ele mostram outra realidade. De acordo com a Eurogamer, Gears 5, apesar da posição alcançada, vendeu mal. O jogo ficou atrás das vendas de Gears 4 e Gears 3… e por valores alarmantemente grandes. Gears 3 vendeu 20x mais que Gears 5, e Gears 4 vendeu 4,5x mais que Gears 5 no mesmo período.

Ora Gears 4, mesmo tendo vendido 4.5x mais, não foi assinalado como sendo o maior lançamento de um jogo dos estúdios XBox! Daí que as métricas de jogadores activos Microsoft começam a ser mais claras sobre a sua proveniência. São jogadores maioritáriamente do Gamepass.

E se jogadores activos é algo de bom, a realidade é que os jogos necessitam de dar lucro uma vez que eles custam largos milhões a serem produzidos, e nesse aspecto, como facilmente se torna claro, não é com assinaturas a 10 euros por mês que se consegue manter um mercado de videojogos de qualidade AAA de lançamentos regulares, activo. E muito menos quando as vendas físicas decaem a estes níveis!



A Eurogamer estima que Gears 5, vendeu no Reino Unido, o segundo maior mercado do mundo, um total de apenas 16 500 cópias. Segundo estes números Gears 4 vendeu assim 74 250 cópias, e Gears 3 terá vendido 330 mil cópias. Valores tremendamente longe dos obtidos por lançamentos de grande sucesso.

O artigo não refere números exactos para vendas digitais, mas no entanto refere que mesmo essas foram inferiores às de Gears 4! Os dados apresentados para comprovar isso, vem da loja XBox!

Segundo a Eurogamer, Gears 5 é o 117º jogo Xbox mais vendido na Xbox Store no Brasil, um valor que sobe para 105º em Portugal. Mesmo tendo em conta o pouco período de vida do jogo, há que se ter em conta que o grande boom de vendas ocorre no período de lançamento, pelo que estes valores acabam por ser tremendamente decepcionantes!

Nos Estados Unidos a coisa é algo diferente e Gears entrou para o 9º lugar dos 10 jogos mais vendidos, com a versão Ultimate a ficar em 26º.

No reino Unido o jogo ficou em 16º, com a versão ultimate em 68º, e no México, onde a série é ultra popular, Gears 5 ficou em 6º, com a Edição Ultimate a ficar em 16º.



O Steam lançou também algumas estatísticas, e elas são pálidas face aos valores da Microsoft. Onde a Microsoft anuncia mais de 3 milhões de jogadores, o Steam refere que o número de jogadores que contabilizou foi de apenas 10 mil, o que não o consegue colocar sequer no top 30 dos jogos mais jogados.

Conclusões

Os números de vendas não parecem deixar dúvida que os três milhões de jogadores anunciados vem maioritariamente do Gamepass, e não de versões adquiridas. Tal mostra claramente uma larga adesão ao Gamepass, e mostra acima de tudo que a franquia Gears está para ficar.

Mas o ecossistema Microsoft é mais complexo que o da Sony ou Nintendo, e estes números não mostram tudo. Os restantes dados que existem mostram que apesar do sucesso, este jogo gera uma situação preocupante a nível de receitas para a Microsoft. As quebras nas vendas digitais e físicas são enormes devido ao Gamepass, o que levanta a questão da sustentabilidade deste nível de jogos, especialmente com continuidade da ofertas do serviço a 2 euros por 2 meses, que se traduz em 1 euro por mês, e a partilha de contas Gamepass entre jogadores, que podem descer essa valor para os 50 centimos por pessoa por mês.

Naturalmente que se torna inegável a aposta da Microsoft no Gamepass. Aqui eventuais perdas são consideradas um claro investimento! Mas também se torna inegável que a situação aparenta ser insustentável, e que o sistema terá de ser remodelado mais cedo ou mais tarde. Afinal perante a qualidade de Gears 5, parece quase consensual que ninguém quer perder este tipo de jogos! Mas para que eles não desapareçam, há que garantir que eles dão receita… e isso parece ser o real problema.

São números que mostram como o actual sistema Microsoft contrasta claramente com casos da Sony ou Nintendo. Por exemplo God of War teve também 3 milhões de utilizadores, e num periodo até menor (3 dias). Mas nesse caso foram 3 milhões de vendas, o que equivale a uma receita imediata de 210 milhões. Algo que o Gamepass com 3 milhões de utilizadores a 10 euros mês não consegue gerar nem em meio ano (e isto ignorando as adesões a a 1 euro)!



Daí que para que não hajam confusões, houve quem achasse por bem lembrar isso a Aaron da Microsoft! Afinal por esta métrica podemos apenas dizer que há um sucesso na adesão, mas que esta não pode ser comparada aos números de vendas, onde com valores várias vezes menores se garante receitas iguais

Esta problemática da sustentabilidade deste nível de jogos com o seu lançamento imediato no Gamepass tem vindo a ser abordada aqui na PCManias por várias vezes. Mas pelos vistos ainda há quem não tenha real consciência dessa realidade, vendo-se nos fóruns que ainda há quem insista na ideia que, aceitando um pagamento normal de 10 euros por mês, algo que poucos farão dadas as constantes promoções a 1 euro por mês, quem comprava o jogo a 60 euros, dá esse dinheiro à Microsoft ao aderir 6 meses ao Gamepass… Mas este é um raciocínio super deturpado. Não só esquece que o serviço Gamepass tem custos, como esquece que a receita gerada é para dividir por todos os jogos todos que lá estão a ser jogados e que há novas entradas regulares de outros jogos que querem igualmente receita.

Aliás, pensando apenas num bom suporte First Party, com 4 ou mais lançamentos AAA por ano (e nesta geração tivemos anos com muito mais do que isso), os 120 euros anuais revelam-se claramente em deficit. Aplique-se esta lógica de uma forma expandida, percebendo-se que há 200 jogos no serviço, vê-se claramente que não é fácil perceber-se como este serviço, a estes preços, pode aguentar a inclusão de lançamentos AAA no dia de lançamento (para quem ainda não percebeu, não está em causa o serviço em si, mas sim a disponibilização dos jogos first party no dia um)

Numa outra nota final, dada a escolha desta métrica pela Microsoft, e tendo em conta que este número engloba vendas e maioritáriamente acessos pelo Gamepass que, como já referido, tem vindo a ter ofertas a 1 euro, o número 3 milhões parece surpreendentemente baixo. Com uma base de consolas instalada de 45 milhões, e com o Gamepass a um euro, estranha-se que menos de 7% dos utilizadores Xbox tenham acedido ao jogo. Afinal uma coisa é pagar-se 70 euros para se aceder a um jogo cujo estilo até pode nem ser o preferencial. Mas outra é aceder a um jogo que está incluido num serviço já pago, que se oferece a 1 euro, e que está à mera distancia de um click. E sendo assim, apesar da Microsoft usar estes números no sentido de engrandecer o lançamento, a realidade dele parece bem menos sorridente do que aparenta, mostrando que o Gamepass não estará a atrair tantas pessoas como se desejaria, e pior do que isso, tal como previamos inicialmente, está acima de tudo a atrair aqueles que gastavam mais dinheiro e que veem nisto uma poupança, mais do que novos clientes para a consola (como o se percebe pela queda de vendas)





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