Google corta serviços Android à Huawei. Intel e Qualcomm anunciam igualmente corte de relações.

Seguindo os princípios do decreto de Donald Trump, a Google cortou relações com a Huawei. Como consequência futuros telefones da Huawei não terão acesso à Play Store ou às aplicações Google. A intel e a Qualcomm seguem a Google.

Nota: O artigo que se segue é de opinião, e baseado nas informações que o autor possui no momento sobre o assunto.

Nota 2: Artigo editado corrigindo um erro que referia a Qualcomm como chinesa.

A Huawei está sob fogo cerrado, particularmente por parte do governo Norte Americano. A empresa é acusada de colaborar com o Governo Chinês, algo que a Huawei nega veementemente, supostamente com a colocação de backdoors nos seus produtos que permitem espiar o uso dos mesmos.

Este tipo de acusações não será certamente feita de ânimo leve. Muito provavelmente há muitas razões para que se pense dessa forma! No entanto, dado que esta é uma atitude que prejudicará milhões de fans da marca em todo o mundo, seria certamente útil que, antes de se acabar com aquela que é a marca preferida de muitos, alguém apresentasse algo mais do que meras acusações, mostrando alguma tipo de provas mais concretas.



A acusação de espionagem e ligações ao governo chinês é aparentemente algo caricato, especialmente nos dias que correm, após situações como o escândalo de privacidade da Cambridge Analitica. Senão vejamos: Haverá empresa que mais dados regista dos seus utilizadores do que a Google?

Eles recolhem dados de utilização do smartphone, sabem o que pesquisamos, sabem onde andamos ao recolher dados do GPS, leem os mails, etc, etc! E perante isto, o mundo não se escandaliza! A Google sabe tudo sobre nós, e todos acham isso normal. Já quando se coloca a hipotese de a Huawey poder fazer algum tipo de espionagem com os seus dados… Calma aí! Os Americanos podem… mas os Chineses… alto lá!

Ora esta resposta pronta a um decreto presidencial que até nem citava empresas e nem referia medidas a tomar, sendo que, segundo o JN, se limitava a referir que as empresas se deveriam abster de realizar operações com empresas na lista negra dos EUA e que pudessem colocar em causa a sua segurança nacional, lista essa que o secretário de estada libertaria no prazo máximo de 5 meses, parece colocar a Google exactamente na posição que acusam a Huawei.

A google não só e espia todos os utilizadores, mas verga-se perante o governo, antecipando medidas sobre uma empresa que não se encontra ainda citada pelo mesmo, actuando de forma unilateral, avança com medidas sobre a Huawei.

Daí que a questão parece premente. Em que se diferencia esta empresa daquilo que parecem ser as acusações sobre a Huawei?

É a recolha de dados sem avisar? A Google tambem o faz! E se avisa em alguns casos é porque foi obrigada a isso pois a recolha de dados foi descoberta.

É o ceder a pressões do Governo? A Huawei nega que esteja obrigada a seja o que for, afirmando que o único que faz é, quando muito, cumprir com a legislação do seu país, e segundo a qual, em caso de situação de segurança nacional, as empresas tem de colaborar com o governo.  E não foi isso mesmo que a Google acabou de fazer!

Parece algo caricato, não?

Seja como for, até vamos aceitar que tudo o que os EUA acusam a Huawei é verdade! E perante o decreto presidencial, colocar uma questão:

O decreto presidencial é do governo Norte Americano, a Google responde porque é Norte Americana, curiosamente os que vão ser afectados… são os utilizadores do resto do mundo e não os Norte Americanos!

É que este corte põem em causa a futura produção de telefones Android da Huawei, mas por incrível que tal soe, a Huawei actualmente não vende os seus smartphones nos EUA!



Ou seja, resumidamente, basicamente, isto torna-se caricato! Resumidamente, perante uma acusação, ainda não comprovada, de suposta espionagem com recolha de dados, por parte da Huawei, e sem que haja ordens concretas do governo para se deixar de negociar com essa empresa, uma outra empresa Norte Americana, curiosamente das que mais recolhe dados privados dos seus utilizadores em todo o mundo, actua por sua livre iniciativa, em prol da segurança nacional com uma medida contra os produtos de uma marca que não vende os mesmos nesse país.

É o típico caso do diz o roto ao nú. A diferença é que aqui o roto é supostamente o bom da fita, ao passo que os restantes… são comunistas!

Ora até se aceitaria que a Google, em defesa dos interesses Norte Americanos, actuasse obre os produtos da Huawei vendidos no Pais. Mas ao agir sobre os smartphones em geral, e a Huawei não vendendo smartphones nos EUA, os afectados não são os americanos mas sim os utilizadores de todo o resto do mundo.

Dai que não deveria essa decisão de boicote que afecta os seus paises ser dos governos do resto do mundo? Há que se questionar: Agiria a Google da mesma forma se estivesse em causa a segurança nacional não dos EUA, mas de um outro país, como por exemplo Portugal?

E já que falamos de Portugal, usemos-lo como exemplo: Como é que um simples cidadão de Portugal com um produto Huawei, afecta a segurança nacional dos EUA? E porque motivo, residindo ele em Portugal, pode ele acabar prejudicado por isso?

Não tem um utilizador, e aqui esteja ele em que parte do mundo esteja, direito a uma indemnização caso o seu produto deixe de ter o suporte que se esperava ter na altura da compra? E se tal acontecer, a quem deve pedir a indemnização? À Google que por sua livre iniciativa cortou o acesso, ou à Huawei?

A Google alega que os atuais telefones não serão prejudicados e terão acesso a tudo o que tem agora, mas a realidade é que fica a dúvida se estes telefones poderão receber futuras versões do Android ou se ficarão nas versões que actualmente possuem. Tal, a acontecer é certamente um rude golpe nas expectativas de quem adquiriu telefones desta marca! Mas caso não aconteça é apenas um rude golpe nos fans da marca que esperavam poder continuar a adquirir produtos da mesma. Esperemos por isso que estejamos apenas perante o segundo caso!

A Huawei é uma empresa chinesa, tal como são por exemplo a Xiaomi Mas esta não está a ser prejudicada!

Para o utilizador menos informado a ideia que surge aqui é que tudo o que se está a passar se prende com o enorme crescimento mundial da Huawei. Actualmente, eles tornaram-se num dos maiores gigantes mundiais das telecomunicações, e ultrapassaram recentemente a Apple no número de telefones vendidos, sendo que em alguns países (Portugal incluído) também já passaram a Samsung.. E esse pode ser o real factor de receio Norte Americano. A chinesa Huawei como líder implicaria terem um domínio de produtos tecnológicos vindos de uma ditadura comunista aplicados no seu país, e isso os EUA não toleram!

Dentro desse mesmo conceito a ideia que fica é igualmente que a Qualcomm, com esta atitude, se aproveita da situação, com a intenção de ganhar espaço no mercado 5G no qual concorre com a Huawei. A Intel também tem uma atitude curiosa, especialmente quando acaba de anunciar que pretende mover a produção dos seus SSDs OPTANE para a china.



Aguardemos para ver o que sai daqui, e se o Governo Chinês não se vai igualmente intrometer com penalizações a empresas Americanas que usam serviços chineses.

 



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Derhel
Visitante
Derhel

Isto não tem nada a haver com espionagem, mas sim com dinheiro, poder e controle as três palavras que o Trump mais gosta.
Quanto à Google eu pessoalmente estou-me a marimbar se eles sabem o que eu pesquiso, por onde ando ou que tipo de papel compro para limpar o rabo e quando quero anonimidade sei o que devo fazer. Mas penso que a maioria das pessoas nem sonha o poder que estas tres empresas (google, facebook e microsoft) têm e não me estou a referir a questões pessoais que também são muito graves mas sim ao controle de massas e não estou a ser paranóico, nem teórico da conspiração, isto é real, senão vejam o brexit e a eleição do trump.
Volto a repetir, dinheiro, poder e controle.

Já agora um aparte.
Penso que a qualcomm não é chinesa mas sim americana.

Hennan
Visitante
Hennan

Exatamente isso. É uma guerra pela hegemonia mundial. Já que as tarifas até então não foram suficientes, os EUA resolveu elevar o patamar da disputa. De toda forma é um problema temporário, cedo ou tarde vão chegar a um acordo.