A Google vai entrar no mercado dos videojogos com um projecto de Stream, e adianta-se à Microsoft iniciando desde já os testes do seu serviço, de forma gratuita.
A Google anunciou o seu “Project Stream”, um serviço de streaming de jogos que entra agora em testes técnicos com o intuito de resolver os problemas que normalmente existem nestes serviços interactivos de streaming video.
A sua parceira é a Ubisoft, que cedeu para o teste o jogo Assassin’s Creed Odyssey que poderá ser jogado no browser Chrome num portátil ou desktop, sendo que a ideia final será o stream para aparelhos similares ao Chromecast mas com bluetooh para ligação directa do controlador. A ideia base deste teste é analisar situações como a degradação gráfica e o “buffering”, problemas comuns neste tipo de straming, algo onde um jogo pesado como este se mostra mais do que adequado.
Os requisitos infelizmente excluem os leitores PCManias, pois necessitam de viver nos EUA. De resto necessitam de ter pelo menos 17 anos e no mínimo 25 Mbps de internet.
Numa nota paralela, esta situação levanta uma questão face aos rumores que dizem que a Microsoft lançará a versão Streaming da Scarlett em 2019. É que se tal tiver algum fundo de verdade, onde estão os testes juntos dos utilizadores? Esperemos que a Microsoft não esteja a pensar em vender a consola sem testar o serviço antes.

Tal como está, a solução do Google exclui um boa parte do mundo e parece viável apenas à grandes cidades.
Sobre a Microsoft, a tecnologia deles é voltada justamente à menores larguras de banda e ao meu ver parece bem mais avançada que a solução do google.
De qualquer forma, eu acho que aquela história de Scarlet versão streaming não é verdade, e se for, deve ser um Appliance de midia que custa menos de 199 dólares, quem sabe 99… Tudo que o Appliance precisa é de suporte para h.265 e o Xbox One S e X já receberam esse update.
Apesar de eu achar que o Xbox One X vai mais uns 4 anos pela frente como o produto de entrada 1080p-1440p 30fps, talvez ele oferece a opção de executar o streaming também, que provavelmente executará o game com a fidelidade gráfica do Scarlet.
Duas coisas em que eu acredito que o streaming ainda não está pronto para substituir o físico, a latência inevitável vai tornar os games 60fps inadequados para a tecnologia, a qualidade de imagem, por mais que os codecs e algoritmos de compressão tenham evoluído, ainda não será igual.
Agora tem uma forma da Microsoft melhorar a latência, mas seria extremamente caro para eles. Em todas as regiões do mundo onde existe datacenter do Azure, a Microsoft disponibiliza para contratação o Express Route. A tecnologia que promete ligar os clientes diretamente aos recursos do Azure sem passar pelos saltos da Internet.
Eu trabalho com Cloud, Azure e Amazon WS, posso dizer que o Express Route funciona como a Microsoft diz mas tem poréns que tornam a contratação inviável para um usuário doméstico e viável apenas para empresas.
No mundo todo, a Microsoft tem interconexões de alta velocidade ligando seus mais de 50 datacenters. Para tornar o Express Route possível, a Microsoft tem parceiros em todas essas regiões. Os parceiros são operadoras de serviços de telecomunicação, como a Level 3 por exemplo. Esses parceiros estão diretamente interligados ao Backbone da Microsoft, e sim a latência beira o 1ms a partir dos parceiros. Quando um cliente contrata o Express Route, ele tem a latência baixa garantida a partir do parceiro, mas ele precisa de uma conexão para ir de seu local até o data center do parceiro da Microsoft. Ou seja, à casos e casos.
Darei o Exemplo aqui do Brasil, o Azure, como quase todas as empresas de tecnologia que estão aqui, fica em São Paulo, e os parceiros de Express Route também. Meus clientes de São Paulo quando contratam o Express Route conseguem latência de 1 a 5ms. Mas eu tenho um cliente que está no Amazonas, e o Brasil é grande, Manaus no Amazonas está a 4000km de São Paulo. Para ele, o Express Route tem latência de 60ms por que ele precisa de alguns saltos para atingir a rede do parceiro de ER que ele contratou em São Paulo. Eu diria até que de Manaus, a latência para atingir os data centers do Sul dos Estados Unidos devem ser praticamente iguais.
A Microsoft poderia utilizar o express route para seu serviço de streaming, mas através do parceiro. O Serviço se conecta nos provedores parceiros que estão mais perto do seu local, e de lá ocorre o roteamento para o Azure, que é instantâneo. Isso faz até com que não importe o datacenter que vai executar seu jogo, todos terão ótima resposta. Porém, ocorrerão casos em que não existem pontos de conexão por perto, como eu descrevi, e assim o streaming não será tão satisfatório. Além disso, utilizar toda essa infra estrutura faria com que a assinatura não fosse barata ao ponto de ser embutida no Game Pass no primeiro momento.
Os teus clientes são pessoas individuais ou empresas com linhas T1 ou superiores?
É que parece que esqueces a saturação das caixas de distribuição e que criam congestionamentos nas redes localmente. Numa mesma cidade, servidos pelo mesmo ISP, podes ter zonas com bons acessos, e outras com maus. Depende do número de pessoas a aceder aos nodos de distribuição. Parece-me que reduzir a velocidade da internet à qualidade dos servidores é reduzir e simplificar um bocado aquilo que é a realidade das coisas. Até porque o número de hops pode variar de zona para zona e de ISP para ISP.
Seja como for, estejas onde estiveres na Europa tens garantidamente mais perto servidores Azure do que ai no Brasil (apesar que aí algumas zonas tem-no mesmo ao lado)… e tambem quantidade deles! Podes ver isso aqui
Não sei quanto a ti, mas eu pessoalmente, testando a minha latência neles, com uma internet de 200 Megas, o melhor que consigo é 120 ms nos EUA, e 52 ms na Europa, o que mesmo assim é considerado elevado para um streaming standard de qualidade. Testa aqui.
Quanto à Google, tambem não está mal servida de servidores, como podes ver aqui.
Infelizmente a Google não me oferece uma ferramente de teste de latência igual à da Microsoft, pelo que não posso testar. Posso porém dizer que um ping ao Google.com tem uma média de 22ms, o mesmo à Microsoft dá-me “request timed out”.
Fazendo um trace route, tenho 9 hops para a Google, para a Microsoft tenho 39.
Sem querer presumir muito, parece-me que apesar de tudo, pelo menos aqui em Portugal, a Google poderá ter melhores resultados. Mas diz-me os teus resultados para comparar, até porque tal seria relevante saber-se (convinha saber a tua localização tambem).
Quanto à possivel Scarlett streaming, não sei nada sobre a sua veracidade, mas fala-se dela. E aqui, na tecnologia que supostamente ela traz, não terás apenas streaming, mas processamento local a ocorrer em simultâneo e que melhora o grafismo e/ou processa a geometria localmente para reduzir latências.
A questão é que isso requer mais do simples h.265. Requer a capacidade de descodificar h.265 e processar o jogo em simultâneo. Ora o h.265, apesar de suportado na Xbox parece-me que poderá ser consumidor de elevados recursos. O h.265 requer descodificação hardware dedicada que o Jaguar não tem, e a descodificação por software gasta elevados recursos (e olha que elevados é favor…).
Ora salvo algum suporte que se desconhece, o que parece estranho pois a acontecer a Xbox teria suporte total ao codec, mas na realidade só HVEC 10 bits e em containers “MKV”, “WMV” e “MP4”, isso leva-me a crer que poderá existir dificuldade em que as atuais consolas possam fazer o mesmo que essa caixa, a não ser que abdiquem do HDR e se fiquem pelo h.264.
Eu tenho 40ms de latencia do Azure Brazil South. Claro em uma internet doméstica de 120mb, onde certamente meu ISP faz mais Hops do que ele precisaria, pois eu estou muito perto dessa regiao do Azure.
Meus clientes, obviamente são empresas com boas conexoes dedicadas que estão se interligando diretamente. É por isso que eu disse que um streaming de qualidade ainda vai pecar e que a MS poderia resolver com uma abordagem semelhante ao Express Route com os parceiros de interconexões, ou mesmo criando outros pontos de interconexao, mas eu acredito que isso é bem caro e não vale a pena na maior parte das regioes do mundo, e eu creio que não deve ser de interesse da Microsoft limitar o serviço à America do Norte e outros pequenos pontos.
Sobre a questão do console de streaming misturar processamento local com o proprio streaming, não sei se isso irá além do rumor nesse momento. Apesar que, a Microsoft ja falava sobre isso no lançamento do Xbox One. Eu queria muito saber o que não deu certo ainda pois fora o CPU, a Microsoft colocou chips auxiliares para video encode e decode no soc do Xbox One e evoluiu isso no Scorpion Engine.
Isso pode ser verificado pesquisando o diagrama de arquitetura do soc dos dois consoles.
Seria um baita estratégia se esses consoles ja estivessem prontos ou pelo menos com algum suporte mínimo para rodar a nova geração via streaming.
De qualquer forma, eu acredito em uma próxima geração com foco em hardware local ainda, com o Xbox Scarlet custando algo entre 500-600 dólares mas buscando algo do tipo 3x o poder do Xbox One X, e uma versao slim do X repensado para uma litografia menor fazendo o papel que hoje faz o Xbox One S.
Eu ainda acredito que a Microsoft não falou sobre o fim de gerações apenas por falar.
E sinceramente, eu não vejo o CPU como um grande entrave ainda e se o RDR2 fizer tudo que a Rockstar disse que vai fazer em termos de simulação e rodar com frame rate liso nos consoles mid gen, eu vou ter certeza que o CPU deles da conta por mais uns 3 ou 4 anos.
Obrigada pelos dados Fernando.
40 ms é um bocadinho para streaming clássico pois ainda tens de adicionais latencias de resposta do hardware, mas não é mau. Agora com a tecnologia que a Microsoft apresentou isso poderia ser optimo.
E é verdade que ela falou dela na altura da One, mas nessa altura era algo pioneiro, algo que agora poderá estar bem mais maduro. Aliás os ultimos rumores são do serviço streaming em 2019.
Quanto ao encode/decode da One desconheço dados exactos, e admiro o facto de o h.265 funcionar lá, mas creio que não será um suporte completo dadas as limitações que se sabem existir.
Quanto a uma nova geração a IA pode trazer milagres na recostrução de imagem, permitindo que a potência disponível renda muito mais.