Intenções de compra de consolas não colocam as consolas de meio de geração em destaque.

A empresa de sondagens Nielsen realizou um estudo bastante curioso sobre a intenção de compra de consolas. E os resultados são de certa forma surpreendentes!

 

O U.S. GAMES 360 REPORT é um estudo feito pela empresa Nielsen e que já conta com 8 anos, e que no estudo deste ano revela dados extremamente interessantes.

Vamos analisar os resultados apresentados. Note-se que o estudo se debruçou numa população com mais de 13 anos, e dividiu o estudo em duas grandes secções, a daqueles que se intitulam gamers, e o mercado genérico.



A Playstation 4 original é a consola que mais Norte Americanos possuem intenção de comprar. Da população que se define Gamer, 21% dos entrevistados pretendem adquirir a consola. Já no que toca aos restantes, a população geral, 15% mostrou igualmente dar a sua preferência a esta consola.

A Xbox One aparece em segundo lugar, com 17% da população gamer a pretender adquirir uma, sendo que já no que toca ao mercado geral, o valor é de 12%.

Em terceiro lugar, e basicamente colada à Xbox One aparece a Switch. A consola pretende ser uma aquisição de 16% da população definida como Gamer, e de 12% da população geral que pretende adquirir consolas.

Na quarta posição aparece a Playstation 4 Pro , igualmente com valores muito semelhantes aos da Switch e mesmo da Xbox One. 15% da população definida como Gamer pretende adquirir a consola, o que acontece igualmente com 11% da população geral interessada em aquisições.

Finalmente, na última posição, aparece a Scorpio. 13% da população definida como Gamer pretende adquirir uma, sendo que o valor fica-se pelos 9% quando falamos da população geral.

Isto quer dizer que no Global a PS4 possui 18% das intenções de compra, a Xbox One possui 14,5%, a Switch 14%, A PS4 Pro 13% e a Scorpio 11%.

Vendo por marcas, a Sony fica então com um total de 31% das intenções de compra, a Microsoft com 25.5%,  e a Nintendo com os seus 14%. O resto dos inquiridos não mostrou intenção de compra.

Apesar de os valores por marcas serem claramente definidores de um menor interesse na consola da Nintendo, os seus valores não deixam de ser relevantes e mesmo uma surpresa quando compradas com as percentagens da Xbox One.

O questionário mostra ainda mais dados de relevo que vamos ver de seguida:

Quando questionada a população geral, 69% está familiarizado com a Playstation 4, 61% conhece a Xbox One, 22% a Nintendo Switch, 21% a PS4 Pro, e 11% a Scorpio. 18% dos entrevistados nunca ouviu falar de nenhuma das consolas.

Os valores para a população Gamer são diferentes, com 77% a já estar familiarizado com a PS4, 72% a Xbox One, 29% a Switch, 27% a PS4 Pro, 14% com a Scorpio, e 9% a não conhecer verdadeiramente nenhuma.

Esta parte do estudo foi ainda mais longe ao separar da população geral aquela que se define claramente como não sendo Gamer (jogador casual), e aqui 52% já ouviu falar da PS4, 41% da Xbox One, 9% da PS4 Pro, 7% da Switch, 3% da Scorpio, e 37% a não ter ouvido falar de nenhuma destas consolas.

Estes são dados bem curiosos, revelam-se difíceis de interpretar, mas fornecem informações muito, mas mesmo muito relevantes.

Na parte dos Gamers, as percentagens relativas ao conhecimento do hardware existente, deveriam, na teoria, ser 100% em todos os campos, o que revela uma realidade que já sabíamos, a de que que há Gamers… e Gamers. Porque no fundo um Gamer é todo aquele que joga regularmente e que aprecia jogar, fazendo disso uma das suas ocupações principais. Mas dentro dos Gamers há depois vários níveis de utilização, desde os que apenas despendem algumas horas, aos fanáticos dos Gamerscores e troféus que não fazem outra coisa senão jogar. Há ainda o gamer de PC que não procura as consolas, o gamer de consolas que não procura as portáteis ou o Pc, o fanboy que não procura outras marcas, etc, etc. E naturalmente a necessidade de pesquisa de informação varia dependendo de onde nos situamos nestes diversos segmentos de mercado.



A realidade é que o mercado é constituído por uma diversidade de pessoas com gostos e necessidades muito grandes e diferentes, e daí a relevância que já referimos várias vezes de as livrarias das consolas terem a necessidade de serem o mais diversificadas possíveis, passando pelos AAA, os Indies, os jogos Online, offline, e os mais diversos estilos. Esse é um dos fatores de sucesso da PS4, e disso não tenham dúvidas, pois atualmente essa é a consola que melhor equilibra toda essa oferta.

O estudo mostra ainda que o argumento de alguns de que a performance é que vendeu a PS4 face à Xbox é, como sempre dissemos, errado. Não só a história já o provara ao nunca ter sido a consola mais poderosa a vender mais, como este questionário demonstra isso mesmo. As pessoas conhecem em maior percentagem as consolas onde os jogos estão, mas as versões mais potentes não são de forma alguma as mais pretendidas ou sequer aquelas sobre as quais as pessoas se informam mais.

A performance é naturalmente, um fator essencial na separação e distinção da qualidade das consolas, mas é o ter-se o maior número de jogos, a maior diversidade, o maior número de estilos, o maior suporte de terceiros, e o maior número de jogos de qualidade que só podem ser jogados no seu hardware (exclusivos) que acabam por ser decisivos. Depois é que aparece o suporte específico, e a performance do hardware.

Isto sempre foi assim… desde que apareceram as consolas, até hoje! E esta geração não alterou isso, sendo que aqui a única diferença face às anteriores é que pela primeira vez a consola que mais vendeu devido ao seu maior suporte de jogos, variedade, suporte e exclusivos, coincidiu com a consola mais potente. Não só por mérito próprio, mas igualmente com ajuda das políticas e atitudes da concorrência. Nada mais do que isso!

Essa é a explicação que encontramos para esta baixa percepção global das consolas de meio de geração. São mais caras e só oferecem performance, mas não jogos novos ou diferentes uma vez que a geração não é a sua, mas sim a das consolas base. Daí a falta de interesse nas mesmas.



Esse é igualmente o motivo pelo qual a Switch, uma consola cara para o que oferece, com um futuro ainda incerto e com uma performance extremamente limitada face às restantes da lista, mesmo ficando bastante atrás da PS4 e Xbox One nas intenções de compra, bate claramente as consolas de maior performance, a PS4 Pro e a Scorpio, mostrando a realidade simples das coisas. Os jogos são quem vende as consolas… não a performance!

De referir ainda que no que toca à Scorpio o interesse pode ser, pelo menos parcialmente, artificial uma vez que o seu preço não foi ainda divulgado, sendo que o mesmo, ao ser certamente mais elevado que as restantes consolas, que até devem descer de preço, pode afastar ou fazer mudar de ideias/consola, alguns dos que aqui mostraram interesse na mesma.

Note-se ainda que o estudo pode conter respostas de pessoas que na realidade até poderiam querer uma consola mais potente, mas que não estão dispostas a pagar mais por isso uma vez que para tirarem real partido das consolas precisariam de um investimento considerável com uma nova TV, algo que se revela algo superfluo. Daí que nos parece relevante tocar na questão custo/benefício.

Parece relevante igualmente perceber que, se formos pelos valores revelados por este estudo, o panorama geral da coisa não aparenta que se alterará muito com o lançamento da Scorpio.

De notar ainda que este é um estudo exclusivamente Norte Americano, o maior mercado da Xbox One, e basicamente o único onde a consola da Microsoft acompanha as vendas da Playstation, motivo pelo qual os valores de cima não devem ser encarados como os que se obterão globalmente.

Tome-se ainda em conta que este é apenas um estudo. Pode ser representativo da realidade Norte Americana, mas dependendo da qualidade da amostra usada (2000 inquéritos com 50/50 na distribuição homens e mulheres), também pode não o ser. Note-se ainda que a E3 pode mudar alguma percepção das coisas, dependendo do mostrado.

A questão da E3 é super relevante no fato que, independentemente da performance de um hardware, ninguém compra uma consola para olhar para ela, mas sim para jogar. Nesse campo o suporte first party da Xbox em 2017 é o pior da história da consola, sendo que do outro lado a Sony está a apresentar o maior suporte first party de sempre da história da sua consola. São actualmente basicamente extremos absolutos.



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