Jogos de nova geração que foram injustiçados pela crítica: Ryse: Son of Rome

As queixas dos Gamers contra os sites de análises são cada vez maiores. As suas opiniões não batem certo com as críticas! Mas sendo as críticas as medidas de avaliação dos videojogos, muitos compradores são influenciadas pelas mesmas. E dessa forma alguns jogos foram injustiçados.

 

Ryse-caras

Nota Introdutória

Na minha revista favorita, e que infelizmente já não existe pois era dedicada ao Zx Spectrum, a Britânica Crash, os jogos eram avaliados segundo vários parâmetros que pesavam em média para a nota final. Todos os factores eram pesados por igual, tendo em conta que há quem seja atraído para um jogo pelos mais diversos motivos.



Acima de tudo não havia referências a outros jogos durante a análise, e nunca se avaliava um jogo pelo que ele não era, mas sim pelo que ele era.

Com o final da era Crash, a minha revista de eleição foi a francesa Joystick. Aqui a equipa seguia princípios em tudo idênticos, com a diferença que na avaliação referia algumas alternativas ao jogo, indicando as avaliações das mesmas. No entanto na análise seguia-se os mesmos princípios que sempre conheci da Crash.

A Joystick possuía uma nota introdutória que explicava a forma como a qualificação era enquadrada, e que, de cabeça, vou tentar reconstruir (de notar que os patches não eram uma realidade na altura, pelo que a avaliação não tinha em conta o suporte):

0 a 9 – um produto que não funciona, com problemas sérios, e num estado verdadeiramente lastimoso.
10 a 19 – um produto com sérios defeitos e que dificultam a sua funcionalidade, e que não consegue apresentar qualquer grau de diversão.
20 a 29 – um produto com problemas sérios, onde a frustração acaba por ser bastante superior à diversão.
30 a 39 – um produto com fraca qualidade. Possui bugs, problemas e outras situações que o impedem de ser divertido.
40 a 49 – um produto que falha em atingir os níveis mínimos. Poderia ser um jogo com alguma qualidade, mas falha em lá chegar.

50 a 59 – um jogo de qualidade mediana. Não possui grandes problemas e até é divertido, mas não se destaca.
60 a 69 – um produto com alguma qualidade mas que falha em se distinguir.
70 a 79 – um produto com qualidade e que merece ser jogado
80 a 89 – um produto que se destaca. Qualidade acima da média e um título a não perder.
90 a 100 – um produto de total excelência. Imperdível.

Infelizmente esta tabela de enquadramento dos valores de avaliação parece ter-se perdido com a era das avaliações online.

Ryse: Son of Rome será o primeiro jogo que vamos abordar e que achamos ter sido injustiçado. Ele foi avaliado com notas entre entre os 40 e 50, e 50 e 60, revelando-se assim um produto que falha em atingir os níveis mínimos, ou um produto apenas mediano. A sua actual média no Metacritics é 60!

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Porque foi cometida uma injustiça com este jogo

Sendo o feliz possuidor de uma Xbox One, tive o prazer de poder jogar aquele que eu considero um dos jogos mais memoráveis actualmente disponíveis para as consolas de nova geração!

E sim, falo de Ryse: Son of Rome (nesta altura era previsível, certo 😉 ).

Sinceramente, como terão percebido pela introdução, a minha maneira de avaliar um jogo é um pouco diferente da que a crítica actual usa, onde as notas parecem ser um pouco… aleatórias e sem justificação. Para começar sou da opinião que um jogo tem de ser avaliado por aquilo que é, e não por aquilo que não é, e isso parece algo raro nos dias de hoje onde se lê mais sobre o que o jogo não tem do que aquilo que ele faz bem.

Hoje em dia liga-se muito ao conteúdo e variedade… E eu digo que sem tirar relevância a esses critérios, na avaliação de um produto isso é algo que não pode ser o critério fundamental! Um jogo de rally que só tenha duas ou três viaturas não é necessáriamente pior que um jogo onde temos 500 carros diferentes? ou é?

Sou da opinião que podemos, e devemos, avaliar a diversidade. Ela é fundamental em tentar fornecer uma maior longevidade a um jogo, mas convenhamos, quantos jogos vocês possuem e que andam a jogar à vários anos?

Essa não é a realidade actual dos jogos! Eles são feitos para que se desfrute deles de forma intensa por um largo número de horas, e daí para a frente só se mantém nele quem o quiser dominar, ou descobrir os seus mais obscuros segredos.

Não se sabendo nunca quem poderá ser cativado ou quem acabará por se encher do jogo, independentemente da quantidade de conteúdo, parece-me mais importante perceber se um jogo cativa aquele jogador que o joga ao ponto de este voltar a ter vontade de o jogar novamente, do que realmente saber se ele tem a diversidade que pode, teoricamente, prender as pessoas por mais algum tempo.

E isto é uma realidade que encaro inclusive para os jogos 100% online. Nesses a vertente do jogo é mais cooperativa ou competitiva, mas não é por esse factor que uma pessoa se mantêm mais ou menos num jogo. Tal como todos os outros, eles acaba por cansar, e só mesmo os fans mais aguerridos se mantêm no jogo por períodos mais extensos.

A realidade é que um jogo só mantém largas bases de utilizadores se tiver qualidade e não se tiver quantidade. A quantidade é naturalmente importante, mas sozinha não faz nada! Qualidade com quantidade sim, mas quantidade sem qualidade não, e avaliar-se a qualidade pela presença ou ausência de quantidade é algo, a meu ver, errado.

Ryse Son of Rome foi criticado pelo seu jogo repetitivo. Basicamente é um “hack and slash”, onde esmagamos as teclas um pouco sempre da mesma forma. E nem sequer temos verdadeiramente de acertar nos combos para que o mesmo seja efectuado com sucesso.



Mas convenhamos, e God of War, tão bem recebido pela crítica, não é, na sua essência, basicamente o mesmo?

Não vamos aqui comparar a qualidade destes dois jogos. Esse é outro erro das críticas! Ryse é um jogo da Xbox One, God of War é da Playstation 3. São consolas diferentes e não entendo o conceito de se comparar jogos só porque são de consola! Se é assim, porque não comparar com jogos PC também? O que leva a que o PC seja excluído dessa lista? Quanto querem apostar que há mais utilizadores com uma consola e um PC do que há utilizadores com duas consolas diferentes e concorrentes?

O esmagar de teclas nunca foi uma coisa má. É algo que a crítica não tem de deitar para baixo porque não está tão bem conseguido como em God Of War. Isso está bom para eles que recebem os jogos de todas as consolas para testes, e nem sequer pagam por eles. Mas quem tem uma Xbox One não tem de ter uma PS4 (ou neste caso PS3). E mesmo que tenha, deverá deixar de comprar Ryse porque God Of War é mais divertido a esmagar os botões?

Não me parece! Níveis de diversão diferentes é algo que existe em todos os jogos, e não só nos que oferecem o mesmo estilo de jogo! Critique-se o jogo se ele não prestar, mas não porque outro faz algo de forma melhor! Para isso dá-se melhor nota ao outro, mas não se vai atirar o jogo para valores abaixo só por causa disso.



Depois, Ryse é um assombro a nível gráfico. É nova geração. É dos jogos mais belos que tive oportunidade de ver! E sim, é da Xbox One, e é exclusivo na consola.

Mais ainda, a sua história é constante, é bem esplendorosamente contada, e a qualidade da mesma poderia inclusive dar um filme.

Aqui, ao contrário de God of War onde vamos procurar a vingança, ou outro objectivo presente e consciente desde o início do jogo, e onde as histórias secundárias são meros patamares para encher chouriços, Ryse não tem um objectivo principal definido desde o início do jogo. Cada parcela do jogo é no fundo o objectivo principal, e eles vão-se acumulando construindo a história principal que só faz a totalidade do sentido já perto do final do jogo. É uma forma de encadeamento da acção magistralmente conseguida, e que poucos jogos se podem orgulhar de conseguir.

Isto acrescido de elevados valores de produção, com cenários, grafismos, animações e tudo o resto ao mais alto nível tornam-no num daqueles jogos que transmite onde sensação onde custa a acreditar que o que vemos é algo calculado por uma mera consola. Mas é!

A jogabilidade é um pouco repetitiva? É! Mas o que dizer da série Assassins Creed que já teve mais jogos do que eu tenho dedos nas mãos, e onde todos eram exactamente iguais? (Ok, vamos excluir Black Flag da lista, pois esse foi uma lufada de ar fresco). Deixaram de vender? Alguém lhes deu notas baixas comparando os jogos uns com os outros e alegando que o novo não presta porque é mais do mesmo? Então porque comparar com jogos de consolas diferentes? E que alternativas melhores existem dentro da mesma consola?

A originalidade num jogo é algo que actualmente é quase impossível de ser obtido. Todos os jogos são semelhantes a outros! Ryse pode não conseguir a diversão de God of War, mas é um estilo semelhante, com um grafismo muito superior, e uma história extraordinária.

Ryse

No global, eu não consigo perceber como um jogo destes obtém notas de 40 em 100. Algo aqui não bate certo! Falta de discernimento? Colocação das preferências pessoais à frente da análise real à qualidade do produto? Não se aprecia o estilo (voltamos à preferência pessoal)? Comparação pouco coerente com produtos de plataformas diferentes? Ou avaliação do jogo por aquilo que ele não tem, em vez daquilo que ele efectivamente tem?

Sinceramente há muito que poderia dizer para justificar os motivos pelos quais acho que Ryse foi injustiçado com uma nota negativa. E por isso deixo aqui estas linhas de apreciação ao jogo. Joguei-o na Xbox One, troquei agora pela versão PC, e estou a jogar de novo, fazendo tensões de acabar. E pouco são os jogos que me cativam para o jogar de início a fim por duas vezes.

Estou com este artigo a dar uma opinião pessoal? Sim, estou! Mas isto não é uma análise, é isso mesmo, um artigo de opinião, e numa análise há que haver critérios objectivos. Qualidade de Som, Qualidade gráfica, Jogabilidade, Longevidade, Diversão, etc. E se Ryse pode não ser o melhor em nenhum destes componentes, ele não é certamente igualmente mau em nenhum deles. Daí que avaliações negativas não são compreensíveis. Não se afirma que Ryse é um jogo de 90%, mas 40% e uma avaliação média no Metacritics de 60? Convenhamos!

Nota: Ryse foi um jogo analisado tecnicamente aqui na PCManias e onde foram apontadas críticas à “Build” existente na altura. Ora Ryse na sua versão final corrigiu muitos dos defeitos apontados, e os que não foram eliminados continuam a ser situações criticáveis. Mas o facto é que ambas as realidades não são incompatíveis. O que é criticável é criticável e continua a ser criticável, nunca ninguém disse que Ryse era perfeito. Onde se pretende chegar é ao facto que o jogo recebou notas de 40%, e isso dá o que pensar pois este está longe de ser de forma consensual um jogo abaixo da média ou de qualidade mediocre. Porque na realidade não o é! E como tal, na nossa perspeciva, foi bastane injustiçado nas avaliações.

 
Mas claro, todos são livres de discordar, e este é, como referi, um artigo de opinião.



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