Primeiras revelações da Sony sobre a PS5, são uma mão cheia… de pouca coisa!

Mark Cerny falou sobre a PS5, e apesar de ter finalmente confirmado muito do que era especulado, o que ele revelou não era no fundo nada que os leitores deste website já não soubessem, sendo que muito pouco foi acrescentado ao que já era dado como esperado.

Mark Cerny colocou os pontos nos is em muitas questões sobre a PS4. No entanto tudo o que ele referiu foi apenas a confirmação de dados que já sabíamos que seriam realidades, sendo que já tínhamos abordado estas situação aqui. Vamos então ver o que ele referiu e analisar esses dados:

CPU

Zen 2 com 8 núcleos.

Este dado era mais do que assente desde à muito tempo. Todas as patentes relacionadas com a Sony no capítulo da retro-compatibilidade passam pelo corte da velocidade de relógio. Uma situação que já tínhamos visto na PS4 Pro. Nesse sentido os 8 núcleos seriam absolutamente necessários para a retro-compatibilidade: por esse motivo e por outros, faz já mais de um ano que todos, mas absolutamente todos os rumores que foram aparecendo, não colocavam outra hipótese que não fosse o facto de o CPU ser 8 núcleos.

Mas agora, está confirmado.



O facto de o CPu ser um Zen 2 era tambem algo mais do que expectável. O Zen e o Zen+ não eram 7nm, o que implicaria que usar os mesmos forçaria a usar as actualmente limitadas linhas de montagem de 7nm e estas ficarem presas à criação de tecnologia obsoleta.

O Zen 2 era por isso uma realidade mais do que expectável, que agora foi confirmada.

Ficou por saber a velocidade de relógio e se o mesmo traz o SMT (o equivalente ao Hyperthread) activo ou não.

GPU

Uma variante da familia Navi.

Mais uma vez tal não é uma surpresa. Desde à muito tempo que se sabe que o GPU da PS5 seria Navi. Aliás foi conhecido que a Sony trabalhou muito próximo da AMD para a criação do Navi, tendo Rada Koduri deslocado a maior parte da equipa de desenvolvimento para este chip, prejudicando assim o Vega. Sabemos também que parte da equipa do Ryzen, a parte responsável pelos baixos consumos deste CPU, também esteve envolvida neste GPU.

O Navi está agora confirmado oficialmente, mas não é uma surpresa.

Fica por saber a velocidade de relógio, e os Tflops do GPU.

SSD

O SSD era esperado, mas apesar de tudo não estava excluída a possibilidade de uma solução mista ou híbrida. Seja como for, que algo do género teria de existir, isso já se sabia. Com os jogos a atingirem os várias centenas de GB de dimensão, e com as necessidades de dados por segundo dos sistemas a aumentarem, necessitando de texturas 4K e mais geometria, a necessidade de um disco mais rápido tornava-se imperativa.

A novidade acrescentada aqui é que o SSD não é tudo. Como Cerny refere, mesmo colocando um SSD do mesmo preço da PS4 numa consola PS4, os resultados não são nada de assombrosos. E Cerny mostrou que no caso da PS5 os ganhos serão um corte nos tempos de leitura de até 19 vezes. Tal deve-se não só à velocidade do disco, mas igualmente ao mecanismo usado de Input-output (do qual estou curioso por saber mais dados), e ao software de gestão de disco usado.

Temos então o SSD confirmado, mas acima de tudo, que o mesmo trará ganhos bem acima do que um mero SSD numa das actuais consolas poderia trazer. Há websites que afirmam que Cerny terá mesmo dito que as performances dos SSD baterão as dos usados em PCs.

Capacidades

Ray tracing

Por muito que isto possa soar a surpresa, não o é. O Ray tracing está presente desde à vários anos nas consolas. A PS4 já o possui, a Xbox One já o possui. Trata-se de uma versão simplificada do raytracing, o Voxel Cone Tracing , que pode ser efectuada no GPGPU com resultados excelentes.

A AMD nos últimos anos tem trabalhado numa extensão completa de raytracing que pode ser executada por software, o Radeon Rays que pode ser aplicada aos seus GPUs, inclusive os actuais, mas que ganhará um novo significado com GPUs mais capazes e com mais poder de processamento.



Sabíamos também que a equipa de Gran Turismo estava a trabalhar num motor de Ray Tracing.

Nesse sentido, Mark Cerny apenas confirmou o expectável, sendo que não acreditamos que haja mais do que isso, com a presença de hardware dedicado, apesar de ser quase certo que os pipelines da Navi deverão ser bastante mais optimizados para este tipo de cálculo.

Audio 3D

Este foi o único elemento novo que Mark Cerny introduziu. Que a PS5 terá uma unidade costumizada para audio 3D que será revolucionária.

Apesar da novidade, muito provavelmente este Chip audio 3D fará parte integrante do Navi, tal como o atual faz parte do Sea Islands da PS4, sendo que a versão da PS5 será apenas uma versão mais refinada.

Leitor de BD

A PS5 não será uma máquina 100% digital. Aqui não há absolutamente novidade nenhuma pois não vemos qualquer vantagem no corte de algo que custa apenas uma dezenas de euros, mas que limita as capacidades da máquina.

Retro-compatibilidade

Fica confirmada parcialmente. A PS5 poderá correr todos os jogos PS4, mas nada é referido quanto às consolas anteriores.

Perante as patentes da Sony conhecidas e relativas a retro compatibilidade, a surpresa seria se isso não acontecesse, especialmente quando a arquitectura se mantêm x86. Eventualmente poderão vir a existir mais novidades sobre este assunto.

8K

Sem novidades aqui. Qualquer GPU atual suporta estas resoluções. Se as mesmas serão suportadas em jogos AAA é outra questão, sendo que tal dificilmente acontecerá sem reconstrução de imagem.

O que acaba por ser novidade aqui, apesar de expectável é que as consolas trabalham com HDMI, e os actuais HDMIs não atingem s 8K a não ser que usem compressão de cor, algo certamente não desejável, sendo que para ultrapassar esse problema os GPUs que o alcançam usam outro tipo de conexão. Daí que ter esse suporte numa consola implica a já esperada presença do HDMI 2.1.

Conclusões

Apesar de pouco de novo ter sido adiantado, as confirmações feitas deixaram-nos curiosos e não podemos deixar de comparar o que está confirmado com um dos primeiros rumores da PS5 que vamos relembrar aqui:



Este rumor, espalhado com um grafismo claramente falso e baseado na apresentação interna da PS4, na altura foi dado como pouco provável por três motivos. A performance do GPU, a RAM e o SSD.

A performance do GPU tem vindo a ser uma das questões que temos abordado ultimamente, e pelo que temos visto, tudo aponta que os 14.2 Tflops, apesar de não confirmados, poderão não ser a utopia que inicialmente se imaginava.

A memória de 32 GB GDDR 6 não está ainda confirmada, mas recordemos que este rumor diz respeito a especificações preliminares, e sujeitos a possíveis mudança.

O SSD de 1 TB era uma aparente utopia, mas agora está confirmado.

A compatibilidade com a PS4/Pro era referida, e tal como no caso de Cerny, nada é referido sobre as consolas anteriores.

Este rumor acertou 3 em 5, apesar de não referir muitos dados sobre o modelo do Zen usado. Será que ele tem mais fundamento do que o que se lhe deu na altura, ou será apenas coincidência?

É o que esperamos para saber…

A realidade é que apesar de tudo isto na altura parecer improvável, a lógica sempre apontou no sentido de um hardware com caracteristicas próximas das de cima, pelo que uma pessoa informada poderia perfeitamente apontar naquele sentido.



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Carlos Zidane
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Carlos Zidane

Fico contente que a Sony/Cerny se manifeste oficialmente sobre o próximo PlayStation.

Principal feature que espero do PS5; 60fps.
Considero 60fps como algo crucial. Se não for me será extremamente decepcionante.
Esperança que arquitetura Zen (e decisões da empresa) possa(m) me dar essa satisfação.

Fernando Molina
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Fernando Molina

Espero que com essas especificações, não tenha necessidade de um Pro, e espero também que o preço não passe dos 500 dólares, fora isso será uma máquina fantastica pelo jeito

Fernando
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Fernando

Acho que a conversa sobre tflops não vai ser interessante nessa geração. Alguns rumores dizem que a Navi é uma GPU estilo Nvidia, mais focada no que realmente faz sentido para a renderização de jogos e menos em tarefas de computação. No suposto benchmark vazado, uma navi de pouco mais de 4 tflops esta vencendo uma Polaris de 6 tflops nos jogos mas perdendo em algumas tarefas de computação. Tipo o que a GTX1060 faz o tempo todo com a Rx580. De repente, 10 tflops Navi é o bastante para bater 14 tflops Vega nos games, igual a RTX2080 ja faz hoje, mas do ponto de vista do marketing, não vai parecer bom se o consumidor normal ouvir que um console de nova geração não vai ter nem 2x a potencia do Xbox One X ou que talvez tenha menos tflops que o serviço de streaming do Google.
Veja nos artigos e materias sobre a Nvidia, geralmente não há comparação de tflops com a AMD, mas o consumidor tem a noção de que a NVidia apresenta melhor desempenho.
Provavelmente mostrar os jogos rodando e esconder numeros de especificações seja a ideia aqui. Se o PS5 tem menos tflops que o Scarlet mas isso nunca for divulgado e os jogos parecerem bons o bastante para usuarios leigos não notarem diferença, pode haver aquele marketing baseado em suposição e nos tradicionais folclores de molhos secretos sonystas, tipo controlar o missil, GPGPU em nivel nunca antes visto etc…

bruno
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bruno

Fernando, recentemente surgiu uma noticia de um titulo portado para Vulkan que de repente, teve uma grande melhoria de performance nas placas AMD.

O problema da performance na AMD ja se sabe ha muito tempo e ja se entende – a nVidia representa o grosso do mercado PC e tem pago para optimizacao especializada. Ja foi coberto aqui exemplos de taticas para lixar a performance da AMD que foram adoptadas ao longo dos anos.

Agora o curioso e que de todas as benchmarks, nao ha nenhuma que refira valores de performances em Tflops. Apenas o nome do processador e algumas assumpcoes de performance com base no n. de CUs e velocidade de relogio, algo que, como ja foi visto antes, depende inteiramente do que e uma Compute Unit na Navi. E com base nas patentes ja registadas, a compute unit vai sofrer grandes alteracoes.

Sobre os molhos secretos – nao ha folclore. O hardware tem caracteristicas que podem ser utilizadas para melhor performance – na realidade, basicamente, basta usar o hardware e saber criar codigo para o usar de forma eficiente – e isto o molho secreto. O uso do GPGPU, que e uma caracteristica real do hardare das duas consolas atuais, com grandes ganhos foi reportado por varios developers, incluindo estudios internos da MS como e o caso da Turn 10 e da Playground.

E a Sony fartou-se tambem de referir o mesmo sendo ate que horizon ZD o utilizou na construcao do mundo de modo procedural. E os ganhos estiveram a vista. Vir com a conversa que isso e folclore nao faz sentido.

Fernando
Visitante
Fernando

@Bruno

Os ganhos vieram em casos muito específicos. A AMD no inicio da geração mostrou slides com ganhos acima de 200%. A Ubisoft lançou um estudo onde dizia que o PS4 poderia animar um monte de NPCs em jogos por causa do GPGPU. Fizeram muita propaganda das 8 ACEs e as múltiplas filas de computação que eram novidade na época. Hoje muitos anos depois tem citações aleatórias sobre algumas melhorias reais, mas ficaram muito distantes da revolução esperada.
Hoje ninguém faz idéia de quantas ACEs tem o PS4 Pro ou o Xbox One X. A própria AMD parou de falar sobre isso quando lançou a Polaris, onde ela reduziu de 8 para 4 ACEs.
A única citação que eu tenho conhecimento de um estúdio sobre as ACEs veio da Id Software quando entrevistada sobre a sua solução proprietária de Anti Aliasing. Ela foi questionada sobre o quanto isso faria diferença entre PS4 com 8 ACEs e o Xbox One que tem 2, e eles responderam que nenhuma.
Hoje a Nvidia tem ganhado no desempenho até em jogos claramente programados para Vulkan e Directx 12. Lado a lado, uma GPU Nvidia de 10 tflops faz muito mais que uma GPU AMD de 10 tflops, seja em jogo directx 11, directx 12 ou vulkan, e isso ficou pior depois das GPUs da série Pascal. A vantagem da AMD foi apenas em cima da Maxwell e isso já faz anos. A Nvidia se sai melhor até em jogos como Gears of War 4 e FH4, que foram feitos com um GPU AMD em mente.
É bobagem achar que tudo se trata da NVidia pagando por otimizações. Eles são melhores, e também são mais caros. Eu espero que a AMD tenha atingido o mesmo nível agora, e depois dos CPUs Zen, eu penso que isso é possível, mas está demorando. Radeon VII foi uma brincadeira de mal gosto ridícula, bom preço, mas a solução é basicamente colocar um potencia absurda com um TDP ridículo para igualar uma GPU que nem é o topo de linha do concorrente.

Ah propósito, sobre a potencia da NAVI, estou supondo, e provavelmente estarei certo, que o numero de 500MHz seja um erro de digitação. Já é conhecido que a primeira NAVI tem 20 CUs. Eu não acredito que haverão mais nucleos por CU, acho que serão os mesmos 64 de sempre, na verdade a AMD não precisa melhorar seus números de Tflops, ela precisa apenas fazer com que eles tragam mais desempenho. Mais Tflops significa mais consumo de energia, e isso não é interessante quando seu rival está entregando o mesmo ou melhor com menos tflops e menor TDP.
Voltando, na arquitetura de 7nm, as GPUs podem ter clocks tão altos quanto 1800MHz. 20 CUs a 1800MHz são iguais à 4,6Tflops.

Por isso ei tenho dito, eu não acho que nenhuma empresa irá divulgar números de tflops. Esse foi o marketing dessa geração, mas o consumidor leigo não vai entender que mudanças de arquitetura podem trazer ganhos de desempenho real sem grande aumento nos números.
Pense no mercado automotivo, o quão difícil é para um leigo entender que um motor de baixa cilindrada com algumas tecnologias pode render melhor que um motor antigo de alta cilindrada?
Pelo menos aqui no Brasil, os carros mais recentes não vem com a cilindrada facilmente identificável. Eles vem com inscrições como “Turbo”, “TSI”, “Ecoboost”, 200NM, mas não vem falando 1.0, 1.4, 1.5…

Imagino que quando forem perguntados sobre desempenho especificações, o maximo que vão falar é que é baseado na nova arquitetura Navi e que tem suporte ao Ray Tracing e 8K.
Hoje a Nvidia não fala sobre Tflops por exemplo.