Retalhistas explicam como a Microsoft lhes disse que funcionarão os usados na Xbox One

A Xbox One irá permitir o uso de jogos usados. Mas a Microsoft quer levar uma fatia na venda. E é ela quem decide o tamanho da fatia. Isto é o que retalhistas que se encontraram já com a Microsoft afirmam.

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De acordo o website The Market for Computer and Video Games,  retalhistas que já se encontraram com representantes da Microsoft, com a Xbox One a empresa de Bill Gates quer assumir o controlo do mercado de usados e com ele gerar receitas para si e para os criadores do software revendido. E no processo teremos utilizadores chateados com jogos usados que lhes serão adquiridos a valor baixíssimos uma vez que a margem de lucro agora vai para três e lojas que muito certamente não se mostrarão muito interessadas em fazer míseros lucros com as vendas.

Segundo a explicação, até ao momento um utilizador que comprasse um jogo, e que se quisesse desfazer dele, apenas teria de ir até uma loja e vender o jogo ao preço que a loja determinava. Este preço basicamente tinha em conta que o jogo seria vendido a um preço mais baixo que o jogo novo, mas oferecendo uma margem de lucro ao retalhista que trataria do processo de venda e que ficaria com o jogo empatado em caso de não o conseguir despachar.

Mas com a Xbox One tudo vai mudar e a Microsoft quer garantir lucros com todas as vendas de usados. E eis como o sistema irá funcionar:



– Se um retalhista quiser vender jogos Xbox One usados, então terão de instalar e usar o sistema de venda de jogos usados Azure da Microsoft.
– O consumidor leva o seu jogo à loja e vendo-o ao retalhista seja por dinheiro ou por crédito para futuras compras na loja.
– O jogo usado, assim que registado no Azure é apagado da Xbox do seu antigo dono e dado como à venda, com o retalhista a decidir o seu preço de venda (mas dentro de certos limites).
– O lucro será repartido entre o retalhista, o criador do jogo e a Microsoft. A divisão de percentagens é decidida pela Microsoft.

Como se pode ver, caso tal se confirme, a Microsoft arranjou um belo sistema. Caso o jogo se revenda leva uma percentagem que ela própria decide qual é. Mas caso o jogo fique nas prateleiras da loja o retalhista é que fica com o prejuízo. Ou seja o teu lucro é parte meu e eu decido a parte que me toca, o teu prejuízo… azar.

Esta situação confirmaria que a Xbox necessita de se ligar à internet regularmente, e apesar de alguns desmentidos as 24 horas anteriormente referidas fazem agora sentido. Só assim se pode confirmar que um jogo vendido é apagado do disco de quem já não o tem. E esta necessidade de ligação “permanente” à internet não é necessariamente uma situação boa.

A segunda má notícia seria que o valor dos jogos usados que descerá tremendamente para quem os vender devido ao retalhista querer manter margens de lucro que mantenham o seu negócio.



Mas mesmo quem vai comprar um usado terá um choque. É que, de acordo com a mesma fonte, a Microsoft quer que um usado custe NO MÍNIMO, 90% do original. Ou seja, num jogo de 60 euros, o usado custará 56 euros.

56 euros por um Blu-ray que pode estar em mau estado? Quem vai comprar isso para poupar 4 euros?

E pior para os retalhistas que necessitam de dar garantia sob o usado.

O motivo porque o mercado de usados funcionava era exactamente devido ao baixo preço dos jogos. Só isso justificava a sua compra. Com uma valor de revenda de 90% que possa garantir lucros a três partes a Microsoft está basicamente a dizer que “Meus amigos… Entre novos e usados não há diferença.” E isto apesar de que quem vende perde bastante dinheiro, e quem compra não leva um produto novo.

Ou seja, a confirmarem-se estes valores, a Microsoft ao dizer que suportará usados está na realidade a tentar matar esse mercado mas de forma a não tentar enfurecer assim tanto aqueles que o usam e que também compram as suas consolas.

No fundo se analisarmos a coisa o retalhista não tem vantagens nenhumas. Perde lucro, fica com os prejuízos, tem de pagar luz, água e salários. Já a Microsoft e os criadores recebem a sua parte sem fazer nenhum. E tudo isto com a revenda de um produto sobre o qual acham ter direitos. Uma situação que não acontece em mais lado nenhum.



Seja como for, caso o mercado de usados da PS4 não se altere a Sony é quem sai, mais uma vez, a ganhar com isto. E o que veremos é lojas de jogos a colocarem de lado a Xbox para dar preferência à PS4. Afinal é com essa consola que poderão efectivamente ganhar dinheiro uma vez que as margens dos usados são bem melhores que as dos novos.

Seja como for só com uma explicação oficial da Microsoft é que poderão existir certezas sobre o método, mas o certo é que somente com jogos usados a 90% do preço do original será possível arranjar-se margens de lucros para três partes. E descer este valor mantendo a margem de lucro dividida por três apenas tornaria o negócio cada vez menos interessante para as lojas. Daí que com 90% do valor ou não, caso haja lugar a dinheiros para a Microsoft e os criadores do software, o mercado de usados vai sofrer.

Aguardemos então por algo mais concreto. Até porque caso esta situação se aplique, ela é, a nosso ver, ilegal. Pelo menos em Portugal.

 Fonte: The Market for Computer and Video Games

NOTA: Uma outra notícia mais recente da mesma fonte corrige a situação relativa ao valor dos preços dos usados ter de ser 90% do original, alegando que o retalhista pode cobrar o valor que bem entender. Nesse cenário, o retalhista apenas reterá 10% do lucro da venda, sendo que o resto seria entregue à Microsoft para distribuir por si e o criador do software.

Ao que nos parece a Microsoft está a tentar encontrar ainda a formula ideal, mas o certo é que seja qual for a formula escolhida as margens dos retalhistas não parecem compensar. E caso queiram que compensem os usados certamente serão caros.



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