Rumores sobre a futura Xbox streaming apontam para uma quebra geracional.

Basicamente, caso se confirma o uso deste hardware, o tão apregoado fim de gerações anunciado pela Microsoft não acontecerá e a nova geração separar-se-à, como habitualmente, da anterior.

Quando a Microsoft falou de um serviço Cloud para streaming de jogos que arrancará em breve, todos pensaram que as actuais consolas Microsoft poderiam vir a ser suportadas pelo serviço.

E tal pode muito bem vir a ser, mas de acordo com os últimos rumores, o tipo de suporte, a existir, será o clássico, com os problemas habituais de latência. Para uma experiência “Next Gen” com sensação de jogo local, será preciso uma das novas Xbox a serem lançadas, seja ela a versão mais económica de stream, ou a versão mais cara onde o jogo será verdadeiramente local.

O que nos leva a referir isto são os rumores sobre o hardware que equiparão a futura Xbox Stream, cujo nome de código, mais uma vez de acordo com rumores, é “Lockhart”. O nome de código para a versão que executará os jogos localmente, é supostamente “Anaconda”.

Conforme já noticiamos, a Microsoft pretende avançar com o seu projecto XCloud de streaming de jogos, já para 2019. Este projecto irá permitir jogar jogos por Streaming em todas as actuais consolas Microsoft, e mesmo em hardware de terceiros que possam aderir ao serviço.



Ora o grande problema do Streaming é a latência, um problema que aumenta com o aumento da resolução e fotogramas do transmitido pois requer mais largura de banda fixa constante, e este é um problema que a Microsoft se propôs, em 2014, combater, usando uma tecnologia inovadora que mistura processamento local com dados recebidos pela internet. Esta foi uma tecnologia que continuou em desenvolvimento, sendo que mais recentemente abordamos a forma como a mesma funciona, e as suas vantagens.

Para esta tecnologia funcionar, a Microsoft precisa de um sistema local capaz, um sistema que necessita de características muito próprias e que, caso se confirme o rumor da Wccftech, as actuais consolas não possuem.

O APU Picasso standard que é referido como o escolhido para ser a base da futura Xbox Streaming, não possui as características desejadas necessárias a nível de GPU, sendo que a versão mais completa apenas possui 8 CU, ou 512 Shader pipelines. A ideia da Microsoft é que a versão Stream da futura Xbox tenha características de GPU e memória em tudo semelhantes à da Xbox One X, o que implica que o GPU terá de ser substancialmente melhorado.

Agora a questão é: Será que realmente o Picasso é uma necessidade? Uma análise ao seu hardware parece mostrar que sim!

Para começar o Picasso vem equipado com um CPU Zen da série 3000. Mesmo sendo de 4 núcleos e 8 Threads, este é um CPU substancialmente mais capaz do que o Jaguar que equipa as actuais Xbox, mesmo tendo este 8 núcleos. Estes Ryzen são baseados no Zen 2, tecnologia de 2018, ao passo que o Jaguar já em 2013 era tecnologia algo ultrapassada.

Como comparação, podem ver esta página que mostra como um CPU como o A8 6410, baseado em núcleos Puma +, uma versão bem mais avançada do Jaguar, se comporta face a um Ryzen 3 2200U, um Ryzen inferior aos da série 3000 que será usado e baseado em núcleos Zen de primeira geração (entretanto apareceram os Zen+ e os Zen 2). De ressaltar que a comparação é entre um CPU de 4 núcleos baseado no Puma+, e um CPU  de 2 núcleos baseado em núcleos Zen,  sendo que o visualizado é por norma o Ryzen a obter o dobro dos valores do PUMA +, e em alguns casos até mais rápido. Esta situação valida uma comparação entre 4 e 8 núcleos, bem como mostra que a diferença será ainda mais acentuada dado estarmos perante um Zen 2>Zen e um Jaguar<Puma+.



Mas a questão aqui nem passa apenas pela melhor performance do CPU. Há outra tecnologias no Picasso que se mostram relevantes para o projecto da Microsoft.

A primeira é que o GPU ali presente é VEGA, com suporte a FP16, FP32 e FP64, bem como Int4 e Int8. Esta situação permite o uso do GPU para situações de deep learning em IA, que podem ajudar a máquina local a prever as movimentações do jogador, e desta forma diminuir a latência solicitando antecipadamente dados da zona para onde o jogador se vai movimentar. Tecnologias que a serem usadas invalidam o uso das consolas atuais para o mesmo fim, dado não possuírem estas tecnologias.

Mais ainda, o Picasso possui suporte 4k@ 60fps HEVC video encode/decode em H.265, algo que apenas a Xbox One X suporta, sendo que no entanto o Picasso possui suporte VCN Dynamic Power Gating, que permite ao hardware desactivar as partes que não estão em uso, tornando o sistema mais eficiente ao nível do uso de energia, e da dissipação térmica.

Apesar de gerações antigas de hardware AMD suportarem, mesmo que não tão avançados, “gatling” de energia dinâmicos, o Picasso estende-a ao bloco VCN (Video Core Next), a unidade de codificação/descodificação video, e que terá certamente uma relevância extrema numa consola Streaming.

Este APU está debaixo de olho pela Microsoft para a sua linha Surface, e desta forma, a escolha sob o mesmo para a Xbox Stream parece apenas lógica. Desta forma a Microsoft poderá descer preços e criar um PC surface com as mesmas capacidades de streaming da consola, promovendo-o como a escolha ideal para o seu serviço.