Tecnologia Ray Tracing da Nvidia. Será que temos o futuro hoje?

A realidade é que a tecnologia de Ray Tracing da Nvidia é fantástica, mas os resultados com a mesma deixam muito a desejar a nível de performances.

Se até hoje o futuro dos GPUs passou pelo aumento das suas performances brutas, o futuro passa por algo um pouco diferente.

As novas Touring da Nvidia apostaram nas duas vertentes pelas quais o futuro dos GPUs passa, a Inteligência Artificial, e o Ray Tracing. No primeiro caso os resultados são aquilo que seria de se esperar, mas o Ray Tracing, para todos os efeitos, está a revelar-se uma característica algo duvidoso.

Vamos ver os benchmarks oficiais da Nvidia sobre estes GPUs.



O gráfico de cima não avalia as performances dos novos GPUs com Ray Tracing, avaliando-os porém de duas formas:

Na linha indicada como 1 temos as performances em vários jogos obtidas com uma GTX 1080. Basicamente estes valores referem-se, em termos comparativos a 100% das performances que antes eram obtidas.

A verde escuro temos as performances das novas Touring nos mesmos jogos, sem qualquer bónus extra. Ou seja, aqui vemos o que estas placas debitam a mais do que as anteriores, sem contarmos com as novidades introduzidas com a IA e o Ray Tracing.

Os valores desses ganhos variam entre os 40% e os 60%. Basicamente podemos afirmar que em média, nestes jogos testados, e de acordo com a Nvidia,  a Touring 2080 é, em média, 50% mais rápida que uma GTX 1080!

Temos porém de referir que estes são benchmarks da marca, o que, como é habitual, nos tem de deixar de pé atrás pois, provavelmente, mostram uma seleção bem escolhida de benchmarks onde as diferenças são mais acentuadas.

Mas continuado:

Os gráficos a verde claro são acréscimos que só verificamos em alguns jogos que passaram a suportar as metodologias de reconstrução de imagem e Anti Aliasing, trazidas pela IA, algo que a Nvidia denomina de DLSS, e nestes casos os ganhos podem ir dos 80 aos 120% Basicamente uma técnica que, por hardware, permite aumentar performances ao permitir ao sistema trabalhar com previsões de resultados, reconstruindo depois a imagem final (ver exemplo).

Esta é uma metodologia muito interessante e que certamente será muito usada daqui para a frente. Aliás torna-se mesmo incomportável, a nível de custo de performances, continuar a acompanhar os crescimentos de resolução com a totalidade do processamento a ser feito de forma nativa, pelo que esta metodologia criada por inteligência artificial, se revela com uma qualidade extremamente elevada e compensadora face aos ganhos de performances que tal pode trazer para uma nova geração.

No fundo estes ganhos são super interessantes. Se é certo que os ganhos de 50% podem parecer baixos dada a quase duplicação do custo  de um a 1080 para uma 2080, quando vemos o que o futuro nos trará com o DLSS, uma tecnologia que se tornará standard daqui para a frente, a placa mostra-se super interessante.

Mas quando o Ray Tracing é metido à mistura, apesar de resultados muito impressionantes, a realidade actual a nível de performances dá o que pensar!

Infelizmente as atuais implementações do Ray Tracing não parecem conseguir ir acima dos 1080p. Battlefield 5 é 1080p 60 fps, Metro Exodus tem como objectivo alcançar os 1080p 60 fps, e o novo Tomb Raider tem tambem esse objectivo, apesar que atualmente anda entre os 32 e os 48 fps.



Esta situação é algo que necessita de clarificação da Nvidia e de forma rápida. Será que se torna possível utilizar a tecnologia de Ray Tracing a 4K ou qualquer implementação que esta faça terá de se ficar pelos 1080p.? Será possível misturar-se processamento 4K mas com o ray tracing a 1080p?

A questão é que com o advento de uma nova geração é de se esperar um aumento de resoluções, tornando os 4K o standard, bem como um aumento da complexidade gráfica. E nesse sentido, ver jogos actuais e da corrente geração a ficarem-se pelos 1080p com o uso do Ray Tracing levanta a questão do real interesse do mesmo.

Sim, é certo que os efeitos visuais são mais bonitos, e sim é certo que sem este auxiliar a Nvidia mostrou que necessitaria de 4 Titans X para fazer o mesmo. Mas mesmo assim, apesar de toda esta capacidade de cálculo, 1080p numa altura onde o 4K se torna standard parece retirar muito interesse à tecnologia.

É mesmo só isso que este auxiliar pode fazer? Será este o sacrifício a pagar-se pelo Ray Tracing? Ou será que poderemos ver isto implementado, mesmo mantendo o ray tracing a 1080p obtendo resultados de menos precisão, em jogos com resoluções a 4K? Essa é a questão mais premente neste momento.



Na pior das hipoteses, a confirmar-se que esta tecnologia irá limitar as resoluções, a solução da Nvidia será mais uma prova de conceito do que realmente algo que interesse verdadeiramente nesta fase. Talvez a nível profissional, para rendering de imagem possa ser interessante, mas nos jogos, 1080p 60 fps é algo ultrapassado. O certo é que essa é uma resolução que não se espera ver na geração que aí vem!

E se boa programação até poderá conseguir algo hibrido, fica a dúvida se tal será possível pois o certo é que há documentos da Nvidia que apontam no sentido de este tecnologia ter sido desenvolvida tendo os 1080p em mente. Eis um deles:

Coffee Break Series: Ray Tracing in Games with NVIDIA RTX

Segundo este documento, a Nvidia reconhece que a tecnologia ainda está muito no inicio e que apenas pode obter uma ou duas amostragens, tendo o resto de ser obtido por um removedor de ruído, fazendo a referência aos 1080p como a resolução alvo.

  • O bufdget realista é de 1-2 amostras por pixel (o que é insuficiente para se ter algo fiável) com render em tempo real. A remoção de ruido pode fazer a diferença, e permitir Ray tracing em tempo real com resultados de alta qualidade, mesmo com este orçamento limitado.

….

  • O objectivo é obter um orçamento na remoção do ruído de 1ms ou menos para uma resolução alvo de 1080p em GPUs da classe dos de jogos.

A confirmar-se esta situação, este Ray Tracing deverá ser apenas mais uma coisa interessante do que realmente um standard. Entre reflexos mais bonitos a 1080p ou uma evolução gráfica genérica obtida a 4K com o uso de modelos mais complexos que no seu global permitam melhorar todas as componentes do grafismo e não apenas a luz, a segunda opção parece mais interessante.

E nesse sentido a questão tem de ficar no ar… Será que iremos ver este Ray Tracing a ser aplicado em resoluções 4K??? Será que isso pode ser feito usando o API DirectX genérico da Microsoft? Será que requer o API específico da Nvidia? Será isto mais uma característica Gameworks e única da Nvidia?

São muitas as questões.



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Edson Romagna
Visitante
Edson Romagna

Será que estará nos consoles da próxima geração de alguma maneira, msm tímida???

Raphael
Visitante
Raphael

eu acho que ray tracing só daqui a 10 anos

Fernando
Visitante
Fernando

A pouco houve uma declaração vindo de dento da Sony de que um PS5 está a pelo menos 3 anos de distância. Provavelmente, em 4 anos a tecnologia tera evoluído e será possivel por em consoles.
Fico aliviado pelo fato da nova geração nao iniciar no ano que vem. O salto seria decepcionante e muito difícil de justificar a aquisição de um novo console.

Edson Romagna
Visitante
Edson Romagna

Caixista sendo caixista! Jogo exclusivo nada vale, os exclusivos da Sony não são bons o bastante e… Mas o ” melhor console” se tiver 30 milhões de console já se dê por satisfeito, porém a culpa das baixas vendas da caixa é da mídia global sonysta.

Ewertom
Visitante
Ewertom

Eu não sei se esta palavra “caixista”esta bem colocada Edson,pois na minha percepção e entendimento do coment do user Fernando o que é visível ali é um claro fato do que ocorreu com o PS3,não foi somente um valor ali agregado de $100 dólares a mais e sim a falta de otimização de hardware devido a sua estrutura de programação.
Onde tivemos nos primeiros acho eu 2 anos a falta de exclusivos de peso (não estou falando que não teve ok)onde no 360 havia uma biblioteca maior e fora os jogos first que sempre havia superioridade de performance assim com ocorreu nesta gen.

O que ele referiu foi que assim como ocorreu um êxodo dos clientes do PS2 para a Mic e assim inverso nesta gen com o One e tal situação poderia se repetir para o lado da Mic novamente.Exclusivos vendem consolas,mas o cliente fica onde se diverte mais e um catalogo de ofertas melhor.
É isto que eu entendi.

Edson Romagna
Visitante
Edson Romagna

Ewerton, Fernando é um cara muito inteligente, mas comete erros quando deixa a paixão levá-lo. Dizer que exclusivos não contam é faltar com a verdade, ainda mais quando olha para o ps3 e vê que o console decolou depois da vinda dos grandes exclusivos e obviamente da diminuição de preço. Fernando parece desconsiderar que um console não vende por ter o melhor hardware, e sim por apresentar uma biblioteca mais interessante para os consumidores. Quando olha para a Nintendo e Sony enxerga não só mais exclusivos como uma mera soma mínima de uma maioria da vasta biblioteca de games third p,( da Nintendo com a composição de muitos indies e menos triplo as) mas jogos com excelência rivalizando com os melhores do mercado ou bem acima do que está no mercado. Olha para o Xbox e o que vê? Dele há algo do msm nível, algo próximo de uncharted, Zelda, Mário, Metroid, Bayonetta, The last of us, Spiderman, Horizon zero dawn ou God of war? Não! Sim, há coisas boas no Xbox, porém além de serem poucas as ofertas exclusivas, além de não estarem a altura dos concorrentes, esses jogos estão no PC, sendo que alguns já estão na Steam. Dou risada quando vejo a turma dos caixistas no YouTube atacando o PlayStation 4, o Nintendo switch, porém fazendo vídeos doa jogos exclusivos de ambos, será pq? Em uma plataforma de jogos o que conta é… A oferta de jogos e nesse caso não adiantam virem com blá blá blá de rede online melhor, serviços, etc… Sendo que na verdade as ofertas das concorrentes estão acima, bem acima e as vendas faz parte desse reflexo.

Ewertom
Visitante
Ewertom

Entendi seu raciocínio Edson e visão,mas não concordo plenamente com ela.Mas uma coisa eu te digo como deixar de jogar uma sequência de jogos como God of War,The last of Us(que provavelmente terá uma sequencia desta franquia e um colosso que será o Ghost of Tsushima e sua provável continuação no PS5)Ao meu ver a Sony construiu uma imagem excelente nesta gen e a Mic tera que responder rapidamente este volume de jogos muito bons.

Ela sabe disto e seu futuro nos games depende deste fator.Penso eu,pois apesar de adorar jogos da série forza Horizon e a série Halo(épica)estes jogos não dão conta sozinhos e é sempre preciso renovar e isto eu espero da Mic na next gen.

bruno
Visitante
bruno

Mais uma vez falas como se as coisas nao tivessem sido escritas. Uma ajudinha:

A Sony ja cometeu uma vez o erro de achar que todos os consumidores do mercado estão loucos para jogar seus exclusivos. Este é o momento que a empresa tem de não repetir o erro do PS3 que de uma base de 160 milhoes de clientes do PS2 praticamente dividiu o mercado com o Xbox 360.

Postado por Fernando, ha 3 dias atras.

Qual e a tua intrepretacao disto, Ewertom? Que tudo nao passou de imaginacao das pessoas que lhe responderam?

Porque eu nao entendo como alguem le o que o Fernando escreveu em cima e depois diz isto:

Onde tivemos nos primeiros acho eu 2 anos a falta de exclusivos de peso (não estou falando que não teve ok)onde no 360 havia uma biblioteca maior e fora os jogos first que sempre havia superioridade de performance assim com ocorreu nesta gen.

O que ele referiu foi que assim como ocorreu um êxodo dos clientes do PS2 para a Mic e assim inverso nesta gen com o One e tal situação poderia se repetir para o lado da Mic novamente.Exclusivos vendem consolas,mas o cliente fica onde se diverte mais e um catalogo de ofertas melhor.

Porque o tu dizes e precisamente o oposto do que ele escreveu, neste paragrafo.

Livio
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Livio

[OFF] Mário sempre quando há artigos sobre serviço de aluguel de jogos, no caso o Xbox Game Pass(XGP), você questiona sobre a partilha dos valores. XGP, Netflix e Spotify são serviços semelhantes em que ao pagar uma assinatura o usuário tem direito a uma vasta biblioteca. Dias atrás a banda brasileira Skank(que acho que deve ser conhecida em Portugal) em uma entrevista em uma emissora de rádio afirma que o valor pago pelo Spotify a cada acesso é muito pouco, segundo o vocalista o valor é abaixo de R$0,01(Não sei se na versão gratuita ele recebe também):

https://youtu.be/2rxcAZ2OjKI

No Brasil a assinatura mensal do Spotify é R$16,90, Netflix(pacote FHD)R$27,90 e Xbox Game Pass R$29,00. Não digo que no XGP o desenvolvedor irá receber R$0,01 a cada jogo baixado, mas também não deva ser um valor tão distante.

PS: Na entrevista chegaram a afirma que a Sony é quem controla o Spotify, se é verdade não sei.

Edson Romagna
Visitante