Amy Hannig: Deus abençoe a Sony por suportar jogos de jogador único AAA

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Atualmente a Sony ainda não é a única que o faz, mas é, incomparavelmente, a que mais vulgarmente o faz.

O mercado cada vez mais e mais aposta no multi jogador. Não porque haja realmente mais procura consciente, mas porque é mais económico de se produzir. E com a massificação desses jogos, aliados a alguma novidade, o mercado vai aderindo. E ao aderir, mais se produz! Mas isso não quer dizer que seja isso que os jogadores realmente querem!

É um ciclo que se auto alimenta, e que pode vir a destruir a criação de jogos AAA de jogador único.

Foi nesse sentido que Amy Henning veio recentemente a público referir:

Deus abençoe a Sony por suportar este tipo de jogos porque eles são assustadores de serem feitos. Eles são muito caros, e não se adaptam ao modelo de se ter mundos abertos maciços com horas e horas de jogabilidade ou a correrem num serviço online, que é aquilo para que todos apontam nos dias que correm

Atualmente o mercado queixa-se dos custos de produção dos jogos, e sabendo que o preço de venda dos mesmos é já bastante elevado, quer arranjar novas formas de monetização extra.



A questão no entanto não passa realmente pelo custo. Um jogo pode ser caro, como um filme pode ser caro. Mas se tiver sucesso, ele paga-se e dá lucro! Infelizmente o que se passa é que atualmente as empresas lançam novos jogos com uma frequência enorme, passando por cima de controlos de qualidade. Basicamente os jogos não são polidos o suficiente pois mais do que a qualidade e o polimento final interessa é que seja lançado rápido pois há que se dedicar recursos a outro jogo para se lançar logo a seguir.

Esta necessidade de lançamentos rápidos, não só corta na qualidade, como satura o mercado, e o resultado desta situação são jogos com elevados orçamentos que não chegam a ser sucessos de vendas. Pelo menos não ao ponto de serem imediatamente lucrativos!

É nesse aspecto que os jogos multi jogador são mais interessantes. Não só os custos de produção são consideravelmente mais baratos, como a facilidade de monetização é bastante superior. E nesse aspecto o risco que se corre de o jogo poder não gerar lucros suficientes para cobrir os custos é incomparavelmente menor. Nesse sentido, esta é a formula que atualmente todos querem usar, e os jogos AAA de jogador único estão a ser cada vez menos.

Aliás, mesmo quem suporta jogos de jogador único, tem tendência a associar os mesmos ao online. A ideia é a criação de situações que possam manter os jogadores mais tempo no jogo, cativando-os assim por mais tempo e aumentando a possibilidade de venda de DLCs e compras ingame. Far Cry 5, ou Assassins Creed Origins, são bons exemplos de jogos de jogador único com características online, tais como actividades semanais.

Atualmente há apenas um publicador que aposta claramente, e mais do que tudo, nos jogos AAA de jogador único. E é o único publicador que consegue que esses jogos gerem vendas suficientes para serem sucessos. Estamos a falar da Sony!

Devido a tal, as palavras de Amy não caem como uma surpresa. Amy Henning é uma das melhores argumentistas da industria dos videojogos, e esteve toda a sua vida ligada a este tipo de jogos. Estranho foi vê-la, na altura em que trabalha para a EA, a dizer que os jogos de jogador único estavam mortos e que o futuro era o Online! Mesmo que o enquadramento que pretendia não fosse esse, a realidade é que tal soou a um vergar ao corporativismo, agradando assim à entidade que a empregava. Mas agora que Amy está novamente livre, sem deixar de reconhecer o rumo economicista que o mercado quer tomar, Amy volta a elogiar os jogos de jogador único, e este elogio à Sony é nesse sentido uma situação meramente lógica.



Recordemos-nos que a industria dos videojogos não nasceu do nada. Cresceu durante 40 anos à base de jogos offline e de jogador único! Retirar agora os pilares que sustentaram esse crescimento não é necessariamente um erro, mas é uma mudança radical da qual nem todos os que atualmente estão no mercado poderão gostar e que certamente mudará radicalmente o panorama dos videojogos tal como o conhecemos.



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