Aparentemente quem cria legislações e mesmo metodologias de combate à pirataria não faz a mínima das mínimas ideias de como as coisas funcionam, e vai daí, apercebem-se agora que o seu sistema tem falhas.
Recentemente demos a conhecer a existência de um sistema de alerta de violação dos direitos de autor que os ISP’s americanos colocaram em vigor.
O sistema que ficou conhecido como o “6 alertas”, como referimos na breve análise que fizemos ao mesmo na notícia, não era infalível. A metodologia, tal como descrita apresentava falhas não na apresentação de resultados válidos, mas na possível apresentação de falsos positivos, e no facto que não se revelava minimamente eficaz com ficheiros alterados em um byte que fosse.
Mas aparentemente quem criou e forçou a implementação do sistema não percebia mesmo nada do que estava a fazer, pelo que o sistema avançou.
Mas agora com o mesmo em funcionamento, apercebem-se que o mesmo tem falhas e que as possibilidades de acusar e mesmo punir inocentes é uma realidade.
Tudo se passou com David Stherland, um utilizador do Media Fire que recebeu em sua casa uma carta acusando-o de possuir vários ficheiros ilegais na sua conta, incluindo show de tv como Downton Abbey, Grimm e The Office. No entanto este utilizador estaria a esconder estes ficheiros todos sob um outro ficheiro de nome “Cantha Cartography Made Easy 2009.tpf.”
Curiosamente, o ficheiro em causa nem tem nada a ver com pirataria. Trata-se de um MOD criado para o popular jogo Guild Wars, mas foi identificado como sendo conteúdo pirata, chegando-se ao pormenor de referir qual.
Ora esta situação não será a primeira nem a última. Hash files idênticas podem existir, e mais rapidamente existirão as alteradas. É que se um Mod pode passar por conteúdo pirateado, mais facilmente conteúdo pirateado pode passar por um Mod. E tudo isto não é mais do que gastar dinheiro numa caça aos gambuzinos com um método completamente ridículo e que só servirá para causar descontentamento aos utilizadores.
Mas o método poderia funcionar. Só que para tal o direito à privacidade de cada um teria de ir às urtigas. E nesse aspecto cremos que mais depressa ia o ISP à falência do que as pessoas abdicariam da sua privacidade.
