Uma análise à E3 2018 da Sony

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A conferência da Sony deste ano não foi muito diferente do habitual, mas foi prejudicada acima de tudo pelo formato usado na apresentação.

A conferência na E3 2018 da Sony não foi muito diferente do que já fez em outros anos. O foco foi num número bem mais limitado de jogos do que a Microsoft tinha feito, com mostra de jogabilidade de dois dos grandes exclusivos da Sony, o The Last of Us e o Ghost of Tsushima, uma situação que, só por si, não tem de ser considerada nem boa, nem má uma vez que tudo depende da forma como o tempo foi dedicado a cada jogo.

Agora a realidade é que a conferência foi feito num formato bem diferente da da Microsoft, e acima de tudo com um look bem menos tecnológico, algo que agrada aos gamers. E o que posso dizer sobre o que vi?

No global, após ter visto uma boa série de conferências nesta E3, e não discutindo que a Sony apresentou qualidade de topo no que mostrou, a realidade é que o formato da conferência da Sony foi das mais pobres de todas. Pessoalmente, achei-a mesmo a pior de todas as que vi e isso acabou por prejudicar o que foi mostrado ao não criar o ambiente adequado.

– Cortes na montagem impediam a reação do público.



– Demasiadas situações sem qualquer interesse (performances de guitarra, flauta, etc).

– Demasiada conversa na apresentação.

– Apresentações sem indicações de exclusividade.

– Apresentações sem datas de lançamento.

– Cenários caracterizados de forma pouco interessante para o público em geral, dando ideia de ambientes pequenos e caseiros.

– Exclusivos como Days Gone e Dreams mal abordados.



– Ausencia de informação sobre apostas futuras da Sony.

– Apresentação sem ritmo e desinteressante.

– etc.

A minha reacção perante o que vi foi de tal forma que resolvi tentar procurar por algo que me desse indicação do que as pessoas acharam da conferência e perceber se tinha sido apenas eu que achava o formato usado terrível… e encontrei esta sondagem feita na própria E3. E curiosamente, os resultados logo após a conferência que ali encontrei batem certo com a minha opinião pessoal e mostram que efectivamente a Sony esteve muito abaixo dos seus standards.



Verificamos ainda se esta ideia estava em mais algum local, sendo que encontramos na Neogaf um questionário sobre o assunto, e eis o que achavam os elementos que tinham votado à hora de escrita deste artigo (16:30 de dia 12) sobre cada uma das conferências:

Os votantes consideram que numa avaliação de A a F (sistema de avaliação Norte Americano onde A=Excelente, B=Bom, C= Satisfatório, D=Fraco, F=Insuficiente), a Microsoft foi maioritáriamente um B (Bom), sendo que o A (Excelente) é a segunda opção mais votada. No Global, estas duas opções mais votadas obtem 68,3% dos votos!

Já no que toca à Sony, a maioria foi um C=Satisfatório, com a segunda opção a ser o B (Bom). No entanto, o satisfatório e notas inferiores obtiveram 63,8% das votações. Apenas 36.2% votaram em A e B. Uma inversão total face à votação da Microsoft.



Mais uma vez refiro que na nossa avaliação o que está em causa não foi a qualidade do apresentado (havia conteúdo extraordinário e com níveis de qualidade absurdamente elevados)… foi o contexto e o ambiente em que foi apresentado e a capacidade de empolgar, ou falta dela, que se gerou devido a tal. A conferência perdeu muito com o formato de apresentação escolhido, feita a um ritmo lento e onde os jogos apresentados acabaram por encaixar mal. Acima de tudo a mudança de cenários e a montagem video a isso associado cortava as reacções do público após a apresentação dos jogos e dessa forma tudo soava mal, soava a falso, a montado, e parecia mostrar fraca aceitação do público. A piorar a coisa havia distrações acessórias a mais, tanto que ao fim de 23 minutos, apenas se tinha visto The Last of Us 2 que teve direito a 12 minutos de video. Ou seja, nessa altura tínhamos tido basicamente o tempo distribuido com 50% com um jogo, e os restantes 50% com musica e paleio em tom de conversa dos apresentadores. E convenhamos que nesta conferênciaas pessoas não estavam lá exactamente para ouvir esse paleio ou ver pessoas a tocar viola.

Mas como disse, isso em nada afecta a qualidade do que foi apresentado e onde a mestria das equipas que trabalham em exclusivos Sony ficou bem demonstrada.

Em tom de resumo, no global a apresentação não foi claramente das melhores conseguidas da Sony, tendo decepcionado especialmente pelo formato adoptado que, como referido, prejudicou, em muito, o excelente conteúdo ali presente. No entanto a realidade é que o que se viu aqui foi uma aposta na promoção de conteúdo existirá apenas nas consolas Sony. Já o que vimos na conferência da Microsoft foi, maioritariamente, conteúdo multi-plataforma e isso pode dar a vantagem em termos de jogos para a Sony. Mas certamente não foi a conferência que mais apaixonou e cativou, sendo que no global, a nível do empolgamento gerado, considero que a Sony ficou bem atrás da Microsoft este ano.



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