Os jogos não dão prejuízo. Os programadores é que ganham demais.

Será que os jogos necessitam de um aumento no seu preço de forma a que as empresas que os produzam não tenham prejuízos?

Recentemente a Square Enix anunciou que os 4 milhões de cópias de Tomb Raider vendidas foram um flop e que o jogo deu prejuizos. Como se explica essa situação? Será que os jogos necessitam de aumentar o seu custo para se tornarem rentáveis. Teria a Microsoft razão quando quis criar um DRM que faz reverter parte do valor das vendas dos usados para os criadores de software?

Para colocarmos a situação em perspectiva, vamos referir uma situação que à uns tempos deu o que falar no Tweeter. Um Tweet de uma filha, ainda menor (nos EUA a carta tira-se aos 16 anos), de um criador de videojogos bastante conhecido, e no qual ela dizia que o dia estava a correr mal pois tinha galgado um passeio e danificado uma roda da sua viatura de 70 mil dólares.

Ora com a Square Enix a referir que 4 milhões de vendas se revelam um prejuízo e com a Microsoft a pretender implementar DRMs abusivos como os da Xbox One, que seriam destinados a permitir a uma industria de videojogos, que actualmente não apresenta grandes lucros, pudessem melhorar as suas receitas, a realidade parece ser bem diferente. Neste universo os programadores parecem não só ganhar muito bem para si, mas igualmente para poderem dar carros de 70 mil euros aos seus filhos. Ou seja, não é uma questão de lucro, é uma questão de salários elevadíssimos.



É certo que os programadores de um video jogo merecem receber bem. Se o jogo é bom e esteve vários anos em desenvolvimento, então deverá ressarcir quem trabalhou nele. E quanto maior o sucesso, maior o lucro. Mas será que a sua profissão justifica ganhar estes valores? Será que um programador deve ganhar mais do que um Polícia que arrisca a vida todos os dias, ou do que um Engenheiro que terá de responder criminalmente se uma estrutura colapsar por erro de cálculo?

A questão é que os jogos são lucro. Apenas não os lucros suficientes para se pagar os salários que os programadores se habituaram a receber. E isso explica as razões pelas quais as micro transações, compras online, e outras situações a preços abusivos existem. Há que pagar aos programadores de forma a estes poderem ter vidas luxuosas e poderem dar carros de 70 mil dólares aos filhos.

Um dos defensores do DRM da Xbox One era Cliff Bleszinski ex-director de design da Epic Games e que trabalhou em Gears of War. E este referia: “Não é possível ter lucros com o custo de produção dos jogos e do seu marketing a correrem em paralelo com um mercado de jogos usados e de aluguer“.

A questão é que de acordo com uma edição da revista Game Developer de 2011, nessa altura o salário médio anual de um programador nos EUA era de $81,192 (cerca de 6800 euros mês), um valor que deverá ter subido bastante entretanto. Ora quando um professor americano (isto para uma melhor comparação), de acordo com o website www.teacherportal.com pode ganhar apenas $39,850 por ano, a conclusão a que se chega é que ser programador de videojogos compensa e bem. Aliás, de acordo com outro website, o www.simplyhired.com um posto dentro da CIA apenas paga $70,000 ano.



Como se percebe, o problema com as receitas dos videojogos não são as vendas que como Tomb Raider mostrou foram bastante elevadas e seria pouco coerente esperarem-se valores superiores. O problema são os elevados salários pagos!

Mas não julguem que esse é o valor efectivo que um programador recebe. É que em termos gerais a este salário acrescentam-se bónus anuais, royalties nas vendas dos jogos onde trabalharam, cobertura médica e mesmo planos de reforma. E de acordo com esta fonte esses benefícios acrescentam uma média de $17,689 anuais ao seu salário. Ou seja, o salário global passa facilmente os 100 mil dólares anuais.

Estas pessoas não são médicos? Não! São polícias? Não! Possuem responsabilidades! Não!

Basicamente o que eles fazem acaba por ser criar diversão e naquilo que se considera um ambiente igualmente de diversão. Actualmente ser programador não é algo que se faça porque se quer criar grandes jogos, mas porque se quer enriquecer. Aquilo que era inicialmente visto como algo destinado a um sector “geek” tornou-se numa industria de milhões… E quer ganhar mais e mais, sem se importar como.

A realidade é que estes programadores, a nível de salário são uma elite. Trabalham para enriquecerem e criarem mega empresas que acumulam milhões, e habituaram-se a um nível de vida do qual não querem descer.

Assim, situações como a da Valve, que anunciou lucros de 10 milhões de dólares a vender chapéus virtuais para personagens virtuais, comprovam que essas vendas não são uma forma de melhorar fracos lucros, mas sim uma forma de pagar carros de 70 mil euros aos filhos dos programadores.

Talvez agora tenham percebido mais um dos muitos motivos que levaram à nossa revolta relativamente ao DRM da Xbox One.

 Fonte: The Examiner

 



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