A evolução da Xbox, e a passagem de consola para serviço.

A marca Xbox evoluiu… passou de um conceito de TV, TV, TV, para um conceito de consola. E agora começa a abandonar o conceito de consola para passar a ser um serviço!

Phil Spencer foi entrevistado pelo website Steavivor, e o tema abordado foi a evolução da marca Xbox, especificamente a forma como a marca está a evoluir do conceito de consola para um conceito de serviço.

Apesar de o artigo apenas ter sido publicado no dia 21 de Janeiro, a entrevista ocorreu já durante a X019 em Londres, no ano de 2019, tendo Phil Spencer sido questionado sobre a evolução da marca sob a sua liderança.

Assim a pergunta foi:

Em 2016 estavamos a falar, e vimos que a mudança foi a passagem de uma Xbox virada para TV, TV, TV, para uma experiência de consola. Mas agora acredito que isso já ficou para trás, e que a consola Xbox é vista como um serviço! Isso está correcto, e como avalia a sua performance desde essa altura?



Eis a resposta de Phil Spencer:

A única diferença é que eu não diria que é uma mudança “de, para”. Penso que temos muitos clientes, eu incluído, que adoram jogar numa consola, e quero que essa experiência seja fascinante. Vamos fazer todo o trabalho que pudermos para garantir que temos grandes jogos que são jogáveis lá. O serviço é excelente, e o hardware é de topo e vão ter uma experiência fantástica. Isso é verdade hoje, e será verdade com a XBox Série X para o ano, e algo com que nos preocupamos.

Penso que o que vimos foram jogos que se tornaram globais e persistentes para contigo. Olhas para os grandes jogos do planeta hoje, e é tipo o FortniteMinecraft ou o Roblox. Eles existem em todos os aparecelhos que podem ser comprados. É como ouvir música ou ver vídeo. As pessoas adoram jogos e querem-nos ter consigo onde quer que vão. Daí que, para nós, redefinir como pensamos a Xbox, como dizes, não de “aqui está o aparelho que queres comprar”, mas antes em por o gamer no centro e construir a experiência em torno dele. E se há alguem que quer jogar numa consola, que só quer jogar jogos single player, na consola, que isso seja fantástico.

Daí que eu puxo um bocado para trás o conceito de “de, para”. O projecto Xcloud é “como levamos a experiência Xbox e permitimos que vocês fogem da consola quando não estão perto dela, ou quando escolhem não jogar lá”. Mas não é para diminuir o que há de especial em se jogar numa TV ou em se jogar no PC.

A próxima pergunta é:

Isso é como dizer que, no inicio do dia, – não estão a forçar ninguém numa forma de se jogar. Temos jogos, que são como um serviço, como o Destiny, mas também temos coisas como o Gamepass, que constrói o serviço em torno dele, em vez de ser o contrário.

E a resposta:

É isso. O gamer é que escolhe no final: Eu não sei como é que as pessoas escolhem os jogos – Eu jogo bastante Destiny. Penso que eles não os escolhem necessariamente baseados em “este é um jogo baseado em serviço, ou um jogo de jogador único”. Penso que é mais “Este jogo conecta-se comigo?. É algo que eu quero fazer?”

Estou agora a jogar The Outer Worlds e adoro o facto que não tem um inicio, meio ou fim. É algo porreiro ter isso num jogo. Pessoalmente não quero que o Destiny acabe – adoro fazer os strikes vezes sem conta, por horas, porque é porreiro e posso jogar com os meus amigos. Quero ambas as opções. Quero que a escolha seja minha.

É uma das coisas que o Gamepass oferece. É uma excelente coleção e há genero que zero de fricção quando alguém quer algo novo, porque está disponível na subscrição.

Conclusões

Se leram com atenção, a visão da Microsoft é certamente bonita. Colocar o Gamer no centro de tudo, e permitir-lhe jogar o que quer, quando quer, e onde quer. O jogador deixa de estar preso a um sistema, ficando apenas preso ao que lhe interessa, os jogos.

É uma visão idílica, e certamente muito, mas mesmo muito interessante. É algo que não haverá nenhum jogador que possa dizer que não lhe interessa.

Mas esta visão não é gratuita… há um preço a pagar por ela. E apesar de a elogiarmos e de acharmos que no futuro esta visão deverá vir a ser o standard, questionamos se a Microsoft não está, mais uma vez, a colocar a carroça à frente dos bois, e a adiantar-se àquilo que o mundo pode realmente oferecer.

Porque a realidade é uma… O mercado é finito… E desenvolver para uma consola, é caro… muito caro!

Daí que teremos que nos questionar até que ponto uma empresa desenvolverá um jogo para ser jogado localmente numa consola, ficando limitada ao seu hardware e gastando largos milhões no desenvolvimento e optimização para o hardware, quando pode pura e simplesmente desenvolver sem restrições para um serviço de streaming, e com ele alcançar a totalidade do mercado pela quebra das barreiras da compatibilidade (e sim, as consolas também pode fazer streaming).



Basicamente o que nos quer parecer é que a visão é idílica… mas utópica. Porque os lucros estão na base de tudo. E a partir do momento que o mercado não imponha a necessidade de algo, as empresas irão optar pela solução mais económica. E havendo uma que é de alcance universal e que tem menores custos de desenvolvimento por ser una, e sem limitações de hardware, será uma consequência, mais cedo ou mais tarde, o término do suporte ao hardware local, que nem por isso fica de fora por poder aderir ele mesmo ao streaming.

Ou seja, a visão da Microsoft pode soar a bonita… mas soa-nos apenas a um passo transitório para a implementação a 100% do streaming.

A realidade é que com o Gamer a poder escolher, mesmo este optará pela solução mais económica que lhe ofereça igualmente uma boa experiência de jogo. Ora em streaming, qualquer sistema com uma saída de video 1080p ou 4K, sistema de input, e uma boa ligação à internet pode aceder aos jogos. E isso quer dizer que caso o serviço de streaming tenha qualidade, as pessoas que tenham um sistema capaz em casa, aderem ao mesmo.

Será mais económico, permitirá um sistema com durabilidade e sem investimento inicial. Basicamente a procura pelo hardware decairá. Não só pelo forçar do streaming pelos produtores, mas igualmente pelo facto que os próprios utilizadores o usarão se for mais barato e tiver qualidade.

E isto é um prego no caixão do hardware. Deixaremos de ter a qualidade do jogo local, deixaremos de ter as consolas. Afinal porque investir milhões a desenvolver um sistema personalizado, se para quem tem boa internet, um simples PC caseiro barato com um pedaço de CPU e um GPU capaz de output a altas resoluções, serve?

Naturalmente é um investimento que deixa de fazer sentido.

Resumidamente, a visão da Microsoft acaba por soar a um isco… um isco para o término do hardware, um isco para a implementação do streaming, e a implementação total e completa de jogos como serviço, com pagamento mensais, e entregues por streaming. Aquilo que basicamente é o core business da Microsoft, os serviços e a Cloud!

Um mercado que não impedirá a criação de pequenas boxes (chamem-nas de micro consolas se quiserem) de jogo dedicadas ao streaming que a Microsoft poderá vender, com o CPU e GPU adequado e um controlador. Mas esta é uma visão que só poderá levar aí…

E a realidade é que a Microsoft muda de visão muito rapidamente. Numa única geração mudou do TV, TV, TV para o suporte à consola como consola, e agora a esta visão de serviços que se refere pretender ser ofertada como alternativa, mas que sabemos bem que, pelos grandes interesses económicos instalados, e necessidade de suporte múltiplo, acabará como o standard implementado.

Estas são as questões que coloco à visão da Microsoft. Acho-a idílica, acho-a bonita, e não fossem estas questões, aderiria a este conceito. Aliás acho mesmo que ele é super interessante, mas a questão é que algo a ser implementado assim teria de ser muito bem feito e colocando restrições nos restantes acessos que impedissem que eles se tornassem preferenciais. Só assim seria possível manter as consolas para quem quer as consolas, e não tornar as mesmas em meras caixas de streaming que de real consolas apenas teriam o nome.

E não sabendo que restrições seriam essas, nem tendo conhecimento de qualquer uma… tenho muito receio deste futuro onde se paga para jogar, num mercado que vai ser fragmentado (serão às dezenas as empresas a entrar no negócio do Streaming), e onde a qualidade do que é oferecido pode mesmo vir a decair.



A realidade é que a mudança por três vezes de rumo ao longo de uma só geração mostra que a Microsoft, mesmo que agora saiba para onde vai, não o soube verdadeiramente durante algum tempo. E isso quer dizer que eu dizer que sei para onde eles vão agora é apenas uma crença, uma vez que o que vejo é uma aposta em tudo o que mexe, (Consolas, Streaming, jogos físicos, jogos digitais, e serviço de aluguer), de forma a não perder nada do mercado. Daí que dizer que o Gamer está em primeiro, mas vender uma consola mediante certas expectativas de suporte TV, de Cloud, e outras, e não cumprir com nada, remover o Kinect que era obrigatório e foi pago por milhões, abandona-lo, prometer a Cloud e não entregar nada, deixar o suporte decair para os piores níveis de sempre, e outras situações, não são algo que tenham mostrado a colocação do cliente em primeiro. E nesse aspecto, pelo passado bem recente em que isto aconteceu, torna-se muito, mas mesmo muito difícil ter fé nas promessas de futuro que a Microsoft nos propõem.

Não duvido que o seu modelo possa vir a ser um sucesso, uma vez que o mercado já mostrou por inúmeras vezes que a vertente económica se sobrepõem a tudo, não medindo as consequências. Mas questiono é se tal será realmente o melhor para o Gamer. Ou pelo menos, para o Gamer mais consciente das consequências.

 

 



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bruno
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bruno

Todas as entrevistas a Phil Spencer tem um padrao, nas suas respostas. E o padrao e que para ele “tudo e fantastico, mas … ”

A consola onde podes jogar jogos, e o fazer de jogos para essa consola e que puxe por esse hardware ao maximo e fantastico e a MS adora isso (e claro, nos notamos perfeitamente que eles “adoram” fazer jogos, nao adoram pelos vistos e terminar e entregar jogos, devem viver em constante “adoracao” do processo de fazer jogos)…

(Reparem que ele diz que “vamos fazer todos o esforco que pudermos para garantirmos que vamos ter grandes jogos que sao jogaveis la [no hardware da consola]”, para depois dizer “o hardare e excelente, o servico e de topo e vao ter uma experiencia fantastica” terminando com “isso e verdade hoje, e sera verdade com a Xbox Series X”? Mas o que e que e verdade ? O facto de que estao a trabalhar para no futuro entregarem grandes experiencias? Ou seja uma promessa e verdade para a ONE x e para a Series X? Significa que a constante promessa de que jogos irao chegar num futuro nao definido que marcou esta gercao da ONE sera a realidade da Series X?)

Mas, apesar de hardware de topo em ciaxa fechada ser “fantastico” para a MS, o objectivo e colocar o jogador no centro de tudo.. ou construir a experiencia em torno do jogador…OK, mas isto, na pratica significa o que?

Ele diz logo a seguir… Fortnite, Minecraft… Destiny (como ele mesmo diz, adora jogar sempre a mesma coisa, repetidamente, com o seus amigos online). Ou seja, colocar o jogagor no centro de tudo e garantir que o jogador possa jogar em qualquer dispositivo, atraves do Xcoud e do gamepass… e que jogos? Ora, Fortnite Destiny e semelhantes.

Claro, adora hardware poderoso… e fantastico que as pessoas prefiram jogar os seus jogos singleplayer na caixa fechada e no hardware,… mas ele nao “prefere” isso. Ele joga bastante destiny, com os seus amigos online, adora voltar repetidamente ao mesmo jogo, fazer as mesmas coisas, com os amigos online… e claro o Gamepass esta ai para isso. Para o jogador poder jogar Destiny, ou Fortnite, ou outra coisa qualquer com os seus amigos online… em qualquer dispositivo.

Ou seja, ter a caixa, e o hardware poderoso e haverem pessoas que gostam de jogar singleplayer “e fantastico, mas…” o que a MS quer mesmo e construir o gamepass com jogos com servico sem principio, meio e fim (uma das coisas que mais “adorou” em “The Outer Worlds”) a enquanto saca 10 euros mensais para que as pessoas possam jogar repetidamente o mesmo.

Shin
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Shin

A Microsoft ela apenas quer um pedagio, Gamepass e XCLOUD são eles aumentando o perímetro do pedagio. O pedagio consiste em tirar uma parte em royalties do lucro bruto de cada propriedade intelectual terceira, eles queriam está fazendo isso com Software gerais como Apple e Google mas sua loja Digital no Windows é um fracasso orbital. Então eles precisam encaminhar a loja Digital do Xbox que é um sucesso, para o Windows e preencher essa lacuna. O problema é que nessa deixa, o Windows tem Steam e outras lojas terceiras cobrando seus pedagios, a Microsoft não pode vencer eles, e minar-los pode destruir o comércio, então, o gamepass é um novo modelo de rentabilidade onde o jogador paga antes para ter o conteúdo depois.

O que vocês verão é que o Xbox, diferentemente do PlayStation ou do Nintendo, ele não será mais sobre conteúdo do futuro e sim do passado. A Microsoft deve perder interesse em levar conteúdo dayone para sua plataforma de serviço “isso para conteúdo terceiro”. A razão que nesse momento eles fazem isso como publicidade para atrair clientes, no segundo momento eles relaxam e planificam pois o objetivo é manter o serviço barato, pois barato, afasta concorrentes. Seus jogos internos poderão chegar DayOne, terceiros não pois ela precisa repassar de forma rentável a movimentação que certo jogo irá gerar, é como monetização Youtube nesse ponto.

A questão é que tudo se torna muito automático e eles ganham de maneira progressiva a medida que a audiência aumemta, permitindo expandir investimentos. O console ainda será o dispositivo Dayone para quebrar exclusividades das demais plataformas mas custa muito esforço ir ao Japão com malas de dinheiro pedindo que o próximo grande jogo apareça também no consoles deles, o melhor é planificar isso adjunto ao PC e por isso o Xbox precisa se tornar um PC Windows em seu coração, assim tanto oriente e ocidente adotam a mesma abordagem do maior segmento do mercado. O mesmo para o XCloud que é o Xbox arcade onde eles fornece o hardware virtual para você.

Estão apenas aumentando o perímetro do pedagio para estabelecer o MarketPlace sobre o Windows, onde todos ganham e eles ganham de todos.

bruno
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bruno

Nada disso e novo Shin.

Sony, MS, Google, Apple e ate mesmo o Steam fazem lucros, ou sao plataformas lucrativas, precisamente devido ao “pedagio” – que aqui em Portugal chamamos mais de taxa cobrada sobre o lucro de cada jogo vendido na plataforma (naos usamos muito esse termo). E assim que consolas fazem lucro e sempre foi assim desde que as consolas existem. Alias, uma das principais razoes para o sucesso da primeira PS face aos gigantes que eram a Sega e a Nintendo na altura foi precisamente a reducao desse pegadio pelo baixo custo do CD-ROM… com os cartuchos as empresas de terceiras ganhavam somente 1$ por copia vendida – essa quantidade ficou muito maior gracas ao uso do CD, conform dito pelo Mark Cerny na entrevista da gameinformer devido aos 25 anos da plataforma.

A MS a tentar lucrar de uma loja online no windows nao e novo e na perspetiva de negocio faz todo o sentido. Alias, a empresa ja o tentou no passado com o games with Windows live, que foi um falhanco e depois com o WUP, que foi outro falhanco porque a empresa tentou unir a consola ao PC e impor, primeiro o custo do live (depois removeu) e depois limitou a performance para alguns modos (somente a 30 fps ou resolucoes fixas) quando os jogadores PC estavam habituados a costumizacao completa.

O gamepass no Pc e apenas a ultima estrategia de modo a permitir a empresa finalmente conquistar alguma quota no mercado de jogos PC, ao mesmo tempo que tenta recuperar alguns dos clientes que perdeu com a Xbox ONE. No PC nem e nada de muito novo – iniciativas como hmble bundle, promocoes steam e mesmo o GOG vendem jogos ao desbarato (um dos motivos de teres tantos adeptos no Pc – basta ver que the withcer 3 estava a ser vendido nessas plataformas a 5 euros, enquanto no retalho e para consolas custa 4x mais). Mas isto nao e um problema, o problema e a empresa tornar isto no seu principal foco, tornar isto no centro da sua estrategia e sacrificar tudo o resto, ao mesmo tempo que e incrivelmente agressiva ao tentar vender isto.

Para que o gamepass acontecesse, estudios foram fechados, jogos foram cancelados. O suporte de titulos e software first party para a Xbox ONE foi ridiculo durante anos e reduzidos a titulos como Crackdown 3 (um MMO basico e barato, vendido com a ultima grande coisa). Precisamente devido a esta agressividade de criar um ecossistema de modo a aumentar os sues lucros a empresa participou numa campanha contra os jogos single-player, conjuntamente com outras empresas como a EA que procuravam puxar MMOs precisamente porque os lucros potenciais disso eram muito, muito maiores – conforme visto no mercado mobile e no absurdo que e o sucesso de Fortnite.

Bem, o resto sabemos. Anthem foi um fracasso enorme. SW Battlefront 2 foi dilacerado pelos clientes, a Disney entrou em cena e ameacou em retirar a licenca a EA que com o rabinho entre as pernas entrega o ano passado finalmente a experiencia Star Wars que todos queriamos num jogo singleplayer que esta a vender bem. Cory Barlog, na altura falou a alto e bom som a favor dos singleplayer e entrega o enorme sucesso critico e comercial que foi God of War.

Assim, publicamente, a MS volta a referir a importancia dos singleplayer. lancam gears 5 focado mais numa historia bem desenhada e comeca uma enorme campanha em torno da aquisicao de estudios, sempre a afirmar que “suporte”, “grandes jogos” e “hardware surpotado por grandes jogos” sao essenciais. Mas nas atitudes o que vemos? Feiras e conferencias para vender o Gamepass, lancamentos de titulos dia 1 no gamepass, e a pagamento a thirds de largos milhoes para colocares titulos logo que possivel no Gamepass.

Ora aqui na PC manias, enquanto muitos utilizadores por essa internet fora vendem o gamepass como um “grande servico”, “enorme vantagem para o cliente” e a MS a continuar puxar mais e mais, notamos duas coisas:

– que com o modo como o dinheiro e gerado, titulos de grande orcamento como os que temos agora nao se pagam;

– que com o gamepass a MS esta a desestabilizar o mercado tradicional como sempre o conhecemos e a redefenir, por forca economica, a maneira como jogos sao produzidos, a sua natureza e o tipo de experiencias que sao entregues.

Basicamente que o Gamepass nao esta a dar lucro, mas a empresa investe milhoes para angariar clientela. E que no dia em que este tipo de comercio for padrao, os jogos serao feitos com o intuito de manter assinaturas e pagamentos por largos meses, e por isso, singleplayer games com duracao limitada terao os dias contados, enquanto que MMOs que nunca mais acabam e jogos episodicos por DLC serao a norma.

Claro a MS nega constantemente isto. Afirma que “grandes jogos” e “single player” continuam a ser parte importante de estrategia, que estao a pensar investir nisso – mas eu pessoalmente achei isto uma enorme treta.

E agora esta bela entrevista em que Phil Spencer praticamente vende MMOs, afirmando que sao os seus titulos favoritos afirmando que a aposta nesse formato e colocar o jogador no centro e desenvolver uma estrategia nesse sentido…

Nao e. E apenas criar vicio para vender e manter assinaturas de modo a obter lucro facil.

Ewertom
Visitante
Ewertom

@Bruno pontos muito bem colocados em referência o que ocorreu e o que ocorre,mas uma questão que me intriga e bastante é o aumento da oferta na Ps-Now com jogos mais recentes e o seu valor sendo diminuido a metade.
E o Game Pass que não é mendigopass,mas sim um serviço muito chamativo devido a seu custo beneficio muito alto,mas repito não a preço de banana como pintam alguns.
Aonde quero chegar é que vendo a Sony se mexer tanto na PS-Now,quem nos garante que não teremos no futuro jogos day one ai? e tanto em jogos anunciados para PC,ela não estaria reagindo ao avanço significativo do serviço prestado pela Mic?
É uma coisa que penso,mas não me preocupo,pois como bem falado em seu comentário se colocar-mos o que a Sony entregou e a Mic fica claro onde a balança pesa menos.

bruno
Visitante
bruno

@Ewertom Oficialmente o Gamepass custa 10 euros/mes, o mesmo que o PS Now pelo menos aqui na europa e que a assinatura do Stadia. O que daria 120 euros anuais.

Mas tens de um lado, a Sony a reduzir o preco anual do PS Now para 59 euros, e a MS a oferecer assinaturas por 3 meses a 1 euro e um exploit nao removido na altura que permitiu assinaturas por um ano ou mais a 1 euro ( se isto nao e preco de banana -alias ate e inferior ao preco de um cacho de bananas-nao sei o que e):

https://www.cnet.com/how-to/how-to-get-xbox-game-pass-for-free-for-up-to-three-years-ultimate-deal/

Ora pelo que sei, isto nao e oficial, mas tambem nao foi nada resolvido. Se a MS vier com mais ofertas de 3 meses a 1 euro, as pessoas continuam a conseguir?

Sobre a Sony, e espetacular (mas tristemente nao surpreendente) como muitas discussoes de reduzem a isto: “Estas a criticar a MS por fazer? Ah, mas a Sony tb faz!” e se desconsidera muitas outras coisas. Alias, so para que saibas Ewertom, dizer que a Sony esta a disponibilizar jogos mais recentes e com isso tentar passar a imagem que esta a seguir o mesmo caminho e falso.

Respondendo a tua pergunta, vamos olhar para as atitudes das duas empresas?

Sony – lanca o PS Now em 2014. O servico esteve em beta em TVs e consolas, mas com um preco considerado na altura nao atractivo. Pior, so era streaming. entre 2013 e 2018, o PS Now passou completamente despercebido – o preco continuava a nao ser atrativo e a Sony nao falou dele em conferencia nenhuma! Os jogos a la chegar ate 2016/2017, eram titulos ps3, segundo creio.

https://www.gamespot.com/articles/ps-now-explained-what-you-need-to-know-about-sonys/1100-6471137/

MS – lanca o gamepass em 2017. E em 2017, 2018 e 2019 (especialmente 2019), refere continuamente o servico nas suas conferencias e compromete-se a lancar todos os seus exlcusivos dia 1 no gamepass.

Notas alguma diferenca aqui? Eu noto. E enorme.

Passemos a este ano:

MS- continua a apostar no gamepass, faz a promocao dos 3 meses a 1 euro, e permite que as pessoas que aderem agora consigam ate 3 anos a 1 euro. (e estamosa a falar de uma cesso de ate 3 anos, por apenas 1 euro)!

Sony – em Setembro, reduz o preco da assinatura mensal, trimestal e anual e decide disponibilizar titulos mais recentes, apenas por um periodo limitado de 3 meses. Findo os 3 meses os titulos deixam de estar disponiveis. Mais, esses titulos contudo sao disponbilizados pelo menos um ano ou mais apos terem chegado ao mercado normal.

Agora tu perguntas, literalmente: com esta a atitude, a Sony nao esta a seguir o mesmo caminho?

Nao, nao e nem seguir o mesmo caminho, nem apostar na mesma estrategia, e muito menos seguir a mesma filosofia:

Primeiro – lanca o servico , mas nao apostou tudo nele – deixou adormecido por 4 anos. A MS desde que lancou o Gamepass tem apostado tudo nele e feito dele o centro da sua estrategia.

Segundo – comecou, apos chegarem dois concorrentes com servicos de subscricao ao mercado, a disponibilizar jogos proprios mas apos estes estarem no mercado tradicional pelo menos durante 1 ano ou mais. Isto e uma atitude reactiva – a Sony e uma empresa e tem que se proteger reagindo ao mercado, a prova e que o PS Now esteve em plano secundario durante 3 anos. A Sony nunca se referiu a ele em conferencias ou outros eventos desde 2013 ate agora. O completo oposto da MS.

Terceiro: sobre disponibilizar titulos dia 1, esta e a posicao oficial ate agora:

https://www.gamesindustry.biz/articles/2019-11-07-sonys-jim-ryan-we-had-to-make-changes-to-deliver-our-ps5-dream

‘PlayStation Now is a more compelling offer today, but Sony has resisted putting new games into the service. Microsoft’s does that with its Game Pass subscription offering, with every new Xbox first party game available to subscribers.

“It’s an area that is fast changing and fluid,” notes Ryan. “The nature and scale of some of the first party games that we are making leads us to think that, right now, it’s better to spend energy on making sure that the launch of those games is a massive entertainment event. I would cite God of War and Spider-Man, and The Last of Us 2 next year will fall into that category.

“That’s where we stand right now. But our stance on the inclusion of first party games in PlayStation Now in terms of what we’ve done this month is very different to our stance 12 months ago. I don’t want to say this is what PlayStation Now is going to be like forever. But certainly right now, given how some of our first party IP is incredibly special and valuable, we just want to treat them with amazing care and respect, and have those launches be clean and pure.”

Traduzindo: o lancamento dos nossos jogos sao eventos unicos e especiais significa que nao irao dar os jogos por 1 euro ou menos, vao continuar a trata-los como sempre trataram a vender copias a 60 euros.

Isto significa que a sony nunca ira disponibilizar jogos dia 1? NAO! Como diz em cima, subcricoes estao a surgir e e uma area em mudanca constante – ou seja, pode ser que tenha uma grande adocao ou nao! Se o mercaodo seguir essa via, a empresa tem que o fazer ou entao desaparece! Isto significa que esta a apoiar este tipo de atitude? Pelo contrario, esta a tentar e evitar que as coisas corram assim, mas a preparar-se para o caso de ter que estar presente no mercado!

Shin
Visitante
Shin

A propósito, o que impediria da Sony em adotar o Windows como sistema operacional de seu console? Ou pelo menos parte dele? A razão para os governos e empresas preferiram pagar a Microsoft para obter um sistema operacional e porque eles não precisariam treinar o pessoal para isso. A Sony vai até a AMD porque embora fosse uma empresa de Semicondutor a AMD é uma das dominantes no setor de desenvolvimento de jogos então e mais rentável usar a tecnologia de hardware deles. É o mesmo agora, é mais rentável usar Windows do que FreeBSD dispensando as equipes de segurança e otimizações e passando a se focar apenas na construção dos jogos e na vendas.

Vocês viram a Sony abrindo contrato para pessoas com experiência na arquitetura CUDA da Nvidia, viram Sony destacar o PC como opção. A Sony pode sim usar o Windows em sua plataforma como a Sega usou o Windows CE no passado pois nada mais é diferente do ambiente PC a não ser claro o pedagio.

Desenvolver para PlayStation significa repassar royalties a Sony, não significa desenvolver fora do ambiente. A distinção de ambiente é somente uma barreira burocrática que impõe um nível de diferença extra. Se o desenvolvedor não precisar mudar extensos ou compilação do código para mudar o ambiente de destino do jogo, isso torna o ambiente mais rápido, barato e automático.

Depois do Crossplatform Online poderemos ver Crossgame e se o mesmo jogo comprado no Steam funcionar no PS5 Scarlet e PC pois todos são ambiente Windows e todos estão retirando parte de seu pedagio? Lembrando 3DO. O mercado de jogos fora da Atari e da Nintendo sempre caminhou para um comodato entre empresas de hardware e software, a Sony apareceu e replicou Atari e Nintendo e estabeleceu seu espaço. Para continuar expandido seu espaço a Sony precisa se voltar para o Streaming e PC pois os custos são crescentes mas o mercado de consoles tem um teto.

Eu não vou ficar surpreso de ver uma Sony usando Windows ou parte dele apenas para permitir que desenvolvedores porte seus jogos de maneira automática e também não ficaria surpreso da Sony concordando em colocar suas IPs em outras plataformas para que tenha na sua plataforma as outras IPs, mais IPs mais Royalties. Todos ganham.

bruno
Visitante
bruno

Na realidade… Não é bem assim. Aliás, o uso do Windows CE deu problemas à Sega, se não estou em erro e isso foi na era pré Xbox.

Comecemos sobre o óbvio: nem a MS usa o Windows do PC na consola. Começou a partilhar SO apenas nesta geração, pelo menos ela assim o afirma, mas o que tens na consola é uma versão muito capada do mesmo e feita de propósito para a consola.

Segundo, na ONE o SO deu e da problemas devido à lentidão.

Terceiro a Sony não precisa de ter compatibilidade com o Windows, apenas com o DX. E isso já o tem desde esta geração e da PS3.

Quarto, mesmo sem DX há o Vulkan e a Sony tem internamente um excelente API para a sua consola.

Quinto, porquê evitar o Windows?
Imensas coisas.. tem enormes camadas de abstracção, pode prejudicar performance, não tem controlo sobre o que se passa lá e tem que pagar royalties.

Sexto, porquê manter-se com o FreeBSD… Mais rápido, menos penalisador, enorme controlo sobre o uso do hardware com controlo sobre a performance do sistema e o melhor: nada de royalties.

Basicamente uma consola com o Windows padrão é um PC com todos os problemas associados.

Agora o resto.

O pedágio é o negócio das consolas e desde sempre isso existiu. O pedágio é Tb a forma como a Nintendo ganha dinheiro, com os jogos de thirds que lá mete. Sempre existiu. Falas dele como se fosse de agora e algo mau.. mas nem é mau, nem é de agora. Sempre existiu. Hardware raramente da lucro em consolas.

Partilhar jogos com o PC é mau para as fabricantes de consolas precisamente porque afecta o Pedágio. No dia em que a Nintendo suportar PC oficialmente diz adeus às consolas.

Logo esquece o crossgame. A MS suporta-o porque lhe interessa muito mais o Windows e o DX12 que a consola. À Sony ou Nintendo não.

Sobre a contrataçao de pessoas com experiência em CUDA l, da nVidia… Já te passou pela cabeça que pode estar relacionado com a nova Navi e o RT?

Sobre veres a Sony usar Windows na PS espera sentado.

Brunoab
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Brunoab

windows é tão bom que nem a MS usa ele nos servidores dela.

Fernando Molina
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Fernando Molina

Só o tempo dirá se a Microsoft está certa ou não, porém se os exclusivos continuarem vindo pro Gamepass no day one mantendo a qualidade de um Forza Horizon 4 ou um Gears 5, pra mim tudo bem

Ewertom
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Ewertom

Apesar de não assinar o game pass @Fernando Molina estou no mesmo pensamento que o seu.
Vamos ver o que o futuro reserva.Acho que coisas boas virão tanto da Mic,tanto da Sony.

Brunoab
Visitante
Brunoab

o mesmo de sempre, como a MS não consegue emplacar uma plataforma fechada, quer falar que o futuro é “tudo aberto” para tentar atacar o sucesso da plataforma dos outros.

deu muito certo depois do flop do windows phone, quando ela virou apenas “serviço”, todo mundo aqui usa APP da MS no IOS e Android? uhauhauhuhauh eu itnha o One Drive pq a MS dava 100GB de graça, depois que acabou a promoção e por o APP ser bugado, resolvi desinstalar ele e nunca mais usar.

OFF:

Lançar no Gamepass mudou o design do Bleeding Edge, simplificaram o jogo para ficar acessível, tipo jogo de celular, para todos terem facilidade de jogar.

https://www.vg247.com/2020/01/28/bleeding-edge-design-changes-game-pass-new-player-experience/

Vitor PG
Visitante
Vitor PG

Xbox passando de um zero a esquerda para aquém de medíocre