A evolução da Xbox, e a passagem de consola para serviço.

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A marca Xbox evoluiu… passou de um conceito de TV, TV, TV, para um conceito de consola. E agora começa a abandonar o conceito de consola para passar a ser um serviço!

Phil Spencer foi entrevistado pelo website Steavivor, e o tema abordado foi a evolução da marca Xbox, especificamente a forma como a marca está a evoluir do conceito de consola para um conceito de serviço.

Apesar de o artigo apenas ter sido publicado no dia 21 de Janeiro, a entrevista ocorreu já durante a X019 em Londres, no ano de 2019, tendo Phil Spencer sido questionado sobre a evolução da marca sob a sua liderança.

Assim a pergunta foi:

Em 2016 estavamos a falar, e vimos que a mudança foi a passagem de uma Xbox virada para TV, TV, TV, para uma experiência de consola. Mas agora acredito que isso já ficou para trás, e que a consola Xbox é vista como um serviço! Isso está correcto, e como avalia a sua performance desde essa altura?

Eis a resposta de Phil Spencer:



A única diferença é que eu não diria que é uma mudança “de, para”. Penso que temos muitos clientes, eu incluído, que adoram jogar numa consola, e quero que essa experiência seja fascinante. Vamos fazer todo o trabalho que pudermos para garantir que temos grandes jogos que são jogáveis lá. O serviço é excelente, e o hardware é de topo e vão ter uma experiência fantástica. Isso é verdade hoje, e será verdade com a XBox Série X para o ano, e algo com que nos preocupamos.

Penso que o que vimos foram jogos que se tornaram globais e persistentes para contigo. Olhas para os grandes jogos do planeta hoje, e é tipo o FortniteMinecraft ou o Roblox. Eles existem em todos os aparecelhos que podem ser comprados. É como ouvir música ou ver vídeo. As pessoas adoram jogos e querem-nos ter consigo onde quer que vão. Daí que, para nós, redefinir como pensamos a Xbox, como dizes, não de “aqui está o aparelho que queres comprar”, mas antes em por o gamer no centro e construir a experiência em torno dele. E se há alguem que quer jogar numa consola, que só quer jogar jogos single player, na consola, que isso seja fantástico.

Daí que eu puxo um bocado para trás o conceito de “de, para”. O projecto Xcloud é “como levamos a experiência Xbox e permitimos que vocês fogem da consola quando não estão perto dela, ou quando escolhem não jogar lá”. Mas não é para diminuir o que há de especial em se jogar numa TV ou em se jogar no PC.

A próxima pergunta é:

Isso é como dizer que, no inicio do dia, – não estão a forçar ninguém numa forma de se jogar. Temos jogos, que são como um serviço, como o Destiny, mas também temos coisas como o Gamepass, que constrói o serviço em torno dele, em vez de ser o contrário.

E a resposta:

É isso. O gamer é que escolhe no final: Eu não sei como é que as pessoas escolhem os jogos – Eu jogo bastante Destiny. Penso que eles não os escolhem necessariamente baseados em “este é um jogo baseado em serviço, ou um jogo de jogador único”. Penso que é mais “Este jogo conecta-se comigo?. É algo que eu quero fazer?”

Estou agora a jogar The Outer Worlds e adoro o facto que não tem um inicio, meio ou fim. É algo porreiro ter isso num jogo. Pessoalmente não quero que o Destiny acabe – adoro fazer os strikes vezes sem conta, por horas, porque é porreiro e posso jogar com os meus amigos. Quero ambas as opções. Quero que a escolha seja minha.

É uma das coisas que o Gamepass oferece. É uma excelente coleção e há genero que zero de fricção quando alguém quer algo novo, porque está disponível na subscrição.

Conclusões

Se leram com atenção, a visão da Microsoft é certamente bonita. Colocar o Gamer no centro de tudo, e permitir-lhe jogar o que quer, quando quer, e onde quer. O jogador deixa de estar preso a um sistema, ficando apenas preso ao que lhe interessa, os jogos.

É uma visão idílica, e certamente muito, mas mesmo muito interessante. É algo que não haverá nenhum jogador que possa dizer que não lhe interessa.

Mas esta visão não é gratuita… há um preço a pagar por ela. E apesar de a elogiarmos e de acharmos que no futuro esta visão deverá vir a ser o standard, questionamos se a Microsoft não está, mais uma vez, a colocar a carroça à frente dos bois, e a adiantar-se àquilo que o mundo pode realmente oferecer.



Porque a realidade é uma… O mercado é finito… E desenvolver para uma consola, é caro… muito caro!

Daí que teremos que nos questionar até que ponto uma empresa desenvolverá um jogo para ser jogado localmente numa consola, ficando limitada ao seu hardware e gastando largos milhões no desenvolvimento e optimização para o hardware, quando pode pura e simplesmente desenvolver sem restrições para um serviço de streaming, e com ele alcançar a totalidade do mercado pela quebra das barreiras da compatibilidade (e sim, as consolas também pode fazer streaming).

Basicamente o que nos quer parecer é que a visão é idílica… mas utópica. Porque os lucros estão na base de tudo. E a partir do momento que o mercado não imponha a necessidade de algo, as empresas irão optar pela solução mais económica. E havendo uma que é de alcance universal e que tem menores custos de desenvolvimento por ser una, e sem limitações de hardware, será uma consequência, mais cedo ou mais tarde, o término do suporte ao hardware local, que nem por isso fica de fora por poder aderir ele mesmo ao streaming.

Ou seja, a visão da Microsoft pode soar a bonita… mas soa-nos apenas a um passo transitório para a implementação a 100% do streaming.

A realidade é que com o Gamer a poder escolher, mesmo este optará pela solução mais económica que lhe ofereça igualmente uma boa experiência de jogo. Ora em streaming, qualquer sistema com uma saída de video 1080p ou 4K, sistema de input, e uma boa ligação à internet pode aceder aos jogos. E isso quer dizer que caso o serviço de streaming tenha qualidade, as pessoas que tenham um sistema capaz em casa, aderem ao mesmo.



Será mais económico, permitirá um sistema com durabilidade e sem investimento inicial. Basicamente a procura pelo hardware decairá. Não só pelo forçar do streaming pelos produtores, mas igualmente pelo facto que os próprios utilizadores o usarão se for mais barato e tiver qualidade.

E isto é um prego no caixão do hardware. Deixaremos de ter a qualidade do jogo local, deixaremos de ter as consolas. Afinal porque investir milhões a desenvolver um sistema personalizado, se para quem tem boa internet, um simples PC caseiro barato com um pedaço de CPU e um GPU capaz de output a altas resoluções, serve?

Naturalmente é um investimento que deixa de fazer sentido.

Resumidamente, a visão da Microsoft acaba por soar a um isco… um isco para o término do hardware, um isco para a implementação do streaming, e a implementação total e completa de jogos como serviço, com pagamento mensais, e entregues por streaming. Aquilo que basicamente é o core business da Microsoft, os serviços e a Cloud!

Um mercado que não impedirá a criação de pequenas boxes (chamem-nas de micro consolas se quiserem) de jogo dedicadas ao streaming que a Microsoft poderá vender, com o CPU e GPU adequado e um controlador. Mas esta é uma visão que só poderá levar aí…



E a realidade é que a Microsoft muda de visão muito rapidamente. Numa única geração mudou do TV, TV, TV para o suporte à consola como consola, e agora a esta visão de serviços que se refere pretender ser ofertada como alternativa, mas que sabemos bem que, pelos grandes interesses económicos instalados, e necessidade de suporte múltiplo, acabará como o standard implementado.

Estas são as questões que coloco à visão da Microsoft. Acho-a idílica, acho-a bonita, e não fossem estas questões, aderiria a este conceito. Aliás acho mesmo que ele é super interessante, mas a questão é que algo a ser implementado assim teria de ser muito bem feito e colocando restrições nos restantes acessos que impedissem que eles se tornassem preferenciais. Só assim seria possível manter as consolas para quem quer as consolas, e não tornar as mesmas em meras caixas de streaming que de real consolas apenas teriam o nome.

E não sabendo que restrições seriam essas, nem tendo conhecimento de qualquer uma… tenho muito receio deste futuro onde se paga para jogar, num mercado que vai ser fragmentado (serão às dezenas as empresas a entrar no negócio do Streaming), e onde a qualidade do que é oferecido pode mesmo vir a decair.

A realidade é que a mudança por três vezes de rumo ao longo de uma só geração mostra que a Microsoft, mesmo que agora saiba para onde vai, não o soube verdadeiramente durante algum tempo. E isso quer dizer que eu dizer que sei para onde eles vão agora é apenas uma crença, uma vez que o que vejo é uma aposta em tudo o que mexe, (Consolas, Streaming, jogos físicos, jogos digitais, e serviço de aluguer), de forma a não perder nada do mercado. Daí que dizer que o Gamer está em primeiro, mas vender uma consola mediante certas expectativas de suporte TV, de Cloud, e outras, e não cumprir com nada, remover o Kinect que era obrigatório e foi pago por milhões, abandona-lo, prometer a Cloud e não entregar nada, deixar o suporte decair para os piores níveis de sempre, e outras situações, não são algo que tenham mostrado a colocação do cliente em primeiro. E nesse aspecto, pelo passado bem recente em que isto aconteceu, torna-se muito, mas mesmo muito difícil ter fé nas promessas de futuro que a Microsoft nos propõem.

Não duvido que o seu modelo possa vir a ser um sucesso, uma vez que o mercado já mostrou por inúmeras vezes que a vertente económica se sobrepõem a tudo, não medindo as consequências. Mas questiono é se tal será realmente o melhor para o Gamer. Ou pelo menos, para o Gamer mais consciente das consequências.



 

 



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