As diferenças entre Boost Clocks e Continuous Boost, e para que serve o Smartshift

Quando a PS5 foi anunciada, a confusão foi imediata. O termo Continuous Boost usado por Cerny foi imediatamente confundido com os Boost Clocks do PC, e eis que surge a ideia que a PS5 não conseguiria sustentar por muito tempo as suas performances. Tal não é o caso pois as duas coisas são diferentes, e vamos explicar em quê! E pelo caminho falaremos do smartshift.

Nota: As explicações que se seguem são relativamente simplificadas no sentido de tornar a explicação acessível a todos.

Os Boost Clocks

Uma caracteristica que foi anunciada para Processadores e que se tornou um standard no PC foram os boost clocks. Tanto usados nos CPUs como nos GPUs esta metodologia basicamente permite que um processador entre num modo de overclock sustentado acima da sua velocidade base normal.

Mas esse overclock, apesar de sustentado não pode ser mantido por muito tempo. Basicamente este overclock serve para que se regularize performances em situações de maior uso do processador(es), não criando quebras de performance, mas não é verdadeiramente uma performance que seja tomada de forma permanente em conta pelo GPU que continua a adaptar-se aos jogos baseado naquilo que é a sua velocidade de relógio base.

Basicamente os boost clocks apareceram para trazer os overclocks para as massas. Sendo este um processo que envolve o aumento das velocidades de relógio, e eventuais ajustes à voltagem para manter o Processador estável, esta é uma operação perigosa para quem não sabe o que está a fazer. Os Boost clocks basicamente fazem-no de forma automática e segura.



A questão é que o utilizador não escolhe a velocidade de boost. A única velocidade que tem garantida é a base! De resto, quando o sistema se apercebe que poderia ganhar com mais ciclos, ele vai fazer uma verificação da temperatura do chip. E caso a térmica esteja dentro dos valores pré definidos, ou seja, se houver margem térmica para o overclock, ele eleva-se a uma das velocidades de Boost. Pode ser a máxima, pode ser outra qualquer. Tudo vai depender da margem térmica e inclusive da temperatura ambiente!

O tempo em que está em Boost tambem vai depender de dois factores. Da necessidade do boost, e da margem térmica. Se um deles não estiver disponível, o processador regressa à sua velocidade base.

Como percebem, esta situação tem depois outras implicações. Dado que a térmica é directamente proporcional aos consumos de energia, e estes dependem da conjugação da velocidade com a ocupação do processador , estas situações de boost podem acontecer por tempos indeterminados quando a carga do processador é baixa, ou por curtos espaços de tempo quando ela é alta. Por exemplo, se um jogo apenas utilizar um dos núcleos do CPU, o boost provavelmente pode ser mantido sempre. Mas quantos mais usar, ou seja, quanta mais ocupação se der ao hardware do processador, maiores são as probabilidades de ele poder actuar por pouco tempo.

Basicamente, como se percebe, esta situação implica que os relógios do processador não estejam bloqueados, pois somente dessa forma ele pode alterar a sua velocidade.

E assim funcionam os Boost Clocks.



O Continuous Boost

O termo Boost surge de uma associação ao caso anterior… As velocidades de relógio serem variáveis.

A diferença aqui é que, como o nome indica, o Boost é contínuo. Ou seja, não vai variar conforme a margem de temperatura.

Isso acontece pelo facto que a PS5 usa um sistema em que os consumos energéticos são bloqueados. E isso quer dizer que a temperatura máxima que os processadores podem atingir fica fixa.

Desta forma a velocidade de relógio base, aquela a que o processador vai funcionar garantidamente bem, passa a ser a mesma que a velocidade máxima de boost. E isto garante que o Boost é continuo!

Mas se é assim, porque se usa o termo Boost? Isto não é basicamente bloquear as velocidades num valor mais alto?



Na realidade não! O boost continua a existir, mas apenas funciona ao contrário!

Se no caso dos Boost Clocks o processador sobe a velocidade de relógio quando precisa de mais, descendo-a quando não precisa de mais do que o normal, aqui a coisa funciona de forma diferente.

Aqui o processador não sobe a velocidade quando precisa de mais, uma vez que ela tem a sua base no máximo. O que acontece é que ele desce a sua velocidade quando não precisa, voltando-a a colocar nos valores base quando volta a precisar.

Pode parecer uma questão de semântica, mas não é. E não o é porque ao contrário do caso anterior, aqui há a margem térmica para se manter as velocidades continuamente no máximo, sendo que as velocidades só descem se não forem mesmo precisas (peço desculpa pela colocação da seta na imagem de baixo não ser exactamente debaixo da barra, mas ao desenhar a imagem não deixei margem para isso).



E isso porque ao se bloquear os consumos energéticos, bloqueia-se a térmica.

Mas para se usar este esquema, que até permite alcançar velocidades de relógio maiores uma vez que não há margens de segurança para cima no caso de o sistema aquecer, dado que aqui o processador garantidamente não aquece devido consumos bloqueados, perde-se a margem em caso de um aquecimento causado por um factor inesperado ou incontrolado.

E é aqui que entram as frases de Cerny relativamente ao downclock que tanto confundiram tanta gente. Porque se um sistema que se limite a estar bloqueado na velocidade, ao não esticar as velocidades de relógio ao limite tem margem para sobreaquecer, este sistema de Continuous Boost, ao esticar as velocidades de relógio ao máximo não o pode fazer. E caso aconteça uma situação não prevista, situações raras na vida das consolas, mas que podem eventualmente acontecer pontualmente, e que num caso de velocidades bloqueadas levariam o sistema a sobreaquecer, aqui neste caso o sistema tem de reagir de outra forma… fazendo um downclock.

No entanto, dado que o aumento de consumo energético sobe exponencialmente com a velocidade, basta uma descida de um par de pontos percentuais na velocidade para se consumir poupar 10% no consumo de energia, e como tal descer as temperaturas para valores normais. Isto significa que, em caso de descontrolo, uma mera redução de 50 Mhz colocará o sistema de novo nos eixos.

E assim funciona o Continuous Boost.



O que é o Smartshift?

Com um sistema como o de cima, com velocidades variáveis, e controlo de consumos energéticos, ficam reunidas as condições para poder entrar em jogo o sistema Smartshift da AMD.

Basicamente para percebermos como este sistema funciona há que ter em conta que temos de estar perante um APU, ou seja um chip único onde os consumos e a térmica, são avaliadas pelo silício todo, e não pelas partes constituintes.

Isso quer dizer que a gestão de energia e térmica é feita pela globalidade do APU e não pelo CPU e GPU como partes separadas.

Ora num sistema normal, como acontece com a nova Xbox, a nível de energia, o que temos é o seguinte:



Basicamente há uma energia dedicada do CPU e uma energia dedicada ao GPU. Cada um opera de acordo com a energia que tem disponível!

Passar esse consumo de energia, seja num ou noutro componente, levará o APU a sobreaquecer. De notar porém que por norma o CPU nunca é o problema, sendo que este está sempre no GPU uma vez que os seus consumos são muito mais elevados.

Mas no caso da PS5, isso não acontece assim!

Primeiro porque já vimos que a PS5 não pode sobreaquecer. Se alguma vez ela passar o limite num daqueles casos que acontecem um par de vezes ao longo de uma geração (e como já referido, por norma o GPU é quem o pode fazer), a PS5 poderá ter de fazer um downclock para manter os consumos dentro do estimado e a térmica sob controlo.

Mas aqui entra em jogo a tecnologia Smartshift da AMD. Para evitar ao máximo que esse downclock aconteça.



Imaginemos então que o GPU entraria numa dessas raras situações e passaria o seu limite de energia.

Por norma ele faria downclock, mas com o Smartshift isso não funciona assim!

Antes de fazer downclock o sistema vai analisar o que o CPU está a fazer, e verificar se ele está a usar a sua quota de energia.

Se isso acontecer, o GPU não tem outra alternativa senão efectuar o downclock.

Mas e se o CPU não estiver a usar a sua energia toda?



Bem, basicamente o Smartshift o que faz é passar a energia não usada do CPU para o GPU, permitindo que este calcule a sobrecarga não estimada sem que o APU como um todo passe a sua quota energética e térmica.

Ora como podemos ver no gráfico, o GPU fica com a energia do CPU. E dessa forma pode calcular a carga de trabalho extra.

Basicamente com esta metodologia, ajustada ao milésimo de segundo, é possível não só evitar-se o passar-se as energias previstas, como ainda obter-se uma ganhos de performance face a um sistema igual (mesma velocidade de relógio e Tflops), com velocidades de relógios fixos. O exemplo da AMD é de cerca de 10%. A Nvidia, com a sua tecnologia equivalente Max-Q refere valores de ganho máximos da mesma ordem.



Naturalmente que esta situação vai criar confusão a alguns… mas se a PS5 tem um limite de 10.28 Tflops, como é que ela pode processar mais 10%? E se processa mais é porque antes não estava nos 10.28 Tflops!

A dúvida é compreensível… mas lá está… Tflops é uma medida teórica de performance. E passo a dar um exemplo para que se perceba.

Imaginemos um sistema com velocidades de relógio fixas. Pode ser a Xbox série X!

A sua performance é calculada multiplicando o número de CU por duas instruções por ciclo, pela velocidade de relógio por 64 stream shaders em cada CU!



Assim temos: 52*2*1825*64? = 12 147 200 ou 12,15  Tflops!

Mas olhando para a formula, o que é que lá está que depende da carga de trabalho que o GPU está a realizar?

Nada! Zero! E isto mostra como os Tflops enganam!

Se arrancarem a consola e a puserem nos menus sem arrancar ou fazer nada: Quantos Tflops tem? 12,15. Quantos estão a usar? Basicamente 0 (Zero)

Agora arrancam um pequeno jogo Indie: Quantos Tflops tem? 12,15. Quantos estão a usar? Um par deles!



Basicamente como veem, o fixar a velocidade de relógio apenas nos indica a máxima performance teórica do GPU. Mas não o rendimento que tiram desses Tflops, algo que depende da ocupação do GPU. Os 12.15 Tflops Xbos One, ou os 10.28 da PS5, são o valor que o GPU, com a velocidade no máximo e ocupação no máximo, poderiam alcançar!

Mas nunca nada, mas mesmo nada usa um GPU ao máximo! Isso é uma medida teórica! Isso implicaria que todas as unidades de cálculo do GPU estivessem a ser usadas a 100%, e com a velocidade no máximo. E isso nunca acontece!
E foi exactamente por não acontecer que surgiu o GPGPU, a capacidade de processamento genérico dos GPUs. Basicamente uma unidade paralela que usa as unidades de processamento do GPU quando elas estão sem fazer nada.

Com o GPGPU foi possível tirar-se muito mais partido das unidades de cálculo, elevando a capacidade real de saída para algo bem mais perto da capacidade máxima teórica do GPU. E isto porque com os mesmos Tflops passou-se a calcular muito mais, dado que o GPGPU permitiu melhorar o uso máximo desse valor teórico.

Mas permitiu leva-lo ao máximo? Não! Não permitiu! Mesmo com o GPGPU há sempre momentos em que os processadores estão sem calcular. E as performances máximas teóricas continuam a ser isso mesmo… teóricas.

Ora como explicamos, essa parte “morta” do GPU, chamemos-lhe assim, varia com a intensidade do uso. E o que esta tecnologia permite é tirar um pouco mais de partido da capacidade máxima teórica do GPU ao permitir um uso adicional que aproxima a saída real do GPU 10% mais dos Tflops máximos teóricos disponíveis.

E isto é o que faz o smartshift.

 



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Nuno Sousa
Nuno Sousa
5 meses atrás

Bom dia
Isso quer dizer que a xs nao consegue atingir a sua capacidade maxima teorica de processamento de 12,15 T, ou seja a dif dos 17%, so por isto, sera apenas valida para processamentos +\- entre 10,28 T, ou um bocado menos, e ate aos 10,93 T, pois a partir dos 10,93 nem a xs na realidade consegue atingir. Se considerarmos apenas isto, eliminando outros fatores, estivemos entao sempre a falar de uma dif de 0,7 T este tempo todo e apenas neste intervalo. Sera isto correto

Nuno Sousa
Nuno Sousa
Responder a  Nuno Sousa
5 meses atrás

queria acrescentar que na realidade nesse intervalo passaria a dif para 7%, abaixo dele era inexistente pois as 2 consolas processavam e acima nem os dev produziriam pela incapacidade das consolas. A xs nao tem forma a nivel de software de substituir o smartshift e resolver a questao
obrigado

Rui
Rui
Responder a  Mário Armão Ferreira
5 meses atrás

Sendo a smart shift uma tecnologia amd porque a X nao a tem?

Mesmo que isto seja tudo uma realidade é o best case scenario e ainda assim fica abaixo da X..

AlexandreR
AlexandreR
Responder a  Mário Armão Ferreira
5 meses atrás

O CPU da Xbox SX poderá fazer a diferença comparativamente ao da PS5?
Pois a mesma pode usar SMT, algo que a Ps5 não tem, e a mesma tem um clock mais elevado!

nETTo
nETTo
Responder a  Mário Armão Ferreira
5 meses atrás

segundo o próprio Cerny na apresentação da GDC e via slides em STM

Syegrayn
Syegrayn
5 meses atrás

Mário, segue um link contendo um vídeo da Microsoft enaltecendo o funcionamento e impacto do SSD na nova geração:
https://twitter.com/i/status/1249324265792471042
Feliz Páscoa a você e a todos os participantes do site!

Antonio Lucas
Antonio Lucas
5 meses atrás

Mário, pelo amor de Deus.. para com o controle de dano, SIM, o ssd do ps5 é bem mais rápido do que o do Xbox, mas vc não tá comparando um ssd com um HD, o ssd do Xbox series x também é muito rapido, as vantagens do ps5 só seria em perfomance se o ssd do Xbox fosse ruim, o que não é. O ssd só vai proporcionar pro ps5 loadings mais rápidos. O Xbox series x tem uma gpu com um clock FIXO sempre com 12.1 tflops, então a diferença de gpu pro ps5 vai ser no mínimo 17%, quando o ps5 estiver rodando na frequência máxima, e essa diferença pode aumentar ainda mais devido aos clocks variáveis do ps5. A memória do Xbox tem vantagem porque é um bus mais largo, 320 proporcionando mais largura de banda, dos 13.5 usados, 10 serão numa velocidade incrível, enquanto os outros 3.5 serão pra coisas que não precisa de uma largura de banda muito alta, entao o Xbox também tem vantagem na RAM. Como os membros da digital foundry falaram, a Microsoft mostrou muito mais funções e recursos da gpu do que a Sony, como 9 variable rate shading que até agora a Sony não mostrou e que o ps5 só tera provavelmente por software enquanto o Xbox tem hardware dedicado pra isso. O Xbox tem machine learning que a Sony não tem, o Xbox tem um hardware de ray tracing muito muito superior ao da Sony tanto que o Mark Cerny mal falou na apresentação. O cpu do xbox é melhor, que é 3.6ghz com smt fixos, já o ps5 é no máximo 3.5ghz, e vai rodar quase sempre bem abaixo disso Porque os devs vão priorizar o gpu do xbox. O Xbox é o console mais poderoso e com melhores perfomance, o ps5 vai sim ter vantagem em uma coisa que é o loading dos jogos. Mario eu te acho incrível, o pcmanias é meu site preferido de jogos mas você precisa parar de fazer controle de danos e tentar favorecer a sony, o ps5 é um console muito bom mas o Xbox é melhor. Eu lembro que você dizia que o ps4 teria uma vantagem enorme no gpgpu pois o Xbox tinha 2 ACE e o ps4 tinha 8, e anos depois um dev da id tech veio dizer que 8 era muito exagerado e desnecessário e a própria amd nas suas placas
seguintes diminuiu o número de ACE. Resumindo, o Xbox é o console mais poderoso e até no ssd de certa forma o xboc tem uma vantagem que é o tamanho superior (1tb vs 820gb) o ps5 foi um console construído provavelmente pra alcançar os U$399 novamente e agora você tá dizendo que o xsx não vai alcançar os 12.1 tflops enquanto a própria Microsoft disse pro digital goundry diversas vezes que esse valor é FIXO, o console sempre vai estar rodando com 12.1 tflops

By-mission
By-mission
Responder a  Antonio Lucas
5 meses atrás

@Antonio Lucas

../ controle de danos \..

Horas se a Xbox Series X e tão mais poderoso porque perde tempo com esse testamento???

Aponte aqui um artigo em que o Mário afirma que a PS5 é mais poderoso que a Series X.. Mostre lá!

Agora se não e capaz de ver que a Sony também tem coisas boas.. Aí já é contigo.

Antonio Lucas
Antonio Lucas
Responder a  Mário Armão Ferreira
5 meses atrás

Mário: Quando me perguntam se a ps5 é mais poderosa que a X a resposta é: “há duas ofertas diferentes”

Mário, se um console tem gpu superior, cpu superior, ram superior, variable rate shading com hardware dedicado enquanto o outro console não tem, hardware ray tracing extremamente superior, hardware dedicado a machine learning (coisa que o ps5 também não tem) mesh shader, etc como pode a sua resposta a pergunta ser “há duas ofertas diferentes”? Se alguém te pergunta se o ps5 é mais poderosa que a X, a única resposta é “Não”, porque o ps5 não é mais poderoso que o x, o ps5 é mais fraco.

E como consequência do poder superior o Xbox será mais caro. Ou se a Microsoft estiver a perder bastante dinheiro colocará o mesmo preço do ps5 pra rivalizar

Antonio Lucas
Antonio Lucas
Responder a  Antonio Lucas
5 meses atrás

Mário eu te admiro demais, como eu já disse antes o pcmanias é o meu site preferido de games mas você não consegue esconder sua preferência que é o ps5/Sony. Mas não é porque o Xbox é mais poderoso que significa que o ps5 é ruim, o ps5 é um console incrível, só que em questão de poder/perfomance o Xbox é superior.

Antonio Lucas
Antonio Lucas
Responder a  Mário Armão Ferreira
5 meses atrás

Sim Mário, eu sei que são duas ofertas diferentes mas eu tava falando No sentido de poder, que você estava antes negando. Eu sei que na oferta de jogos/serviços a MS e Sony são totalmente diferentes, mas em questão de poder a Microsoft/Xbox é superior

Antonio Lucas
Antonio Lucas
Responder a  Mário Armão Ferreira
5 meses atrás

Apenas respondendo o seu primeiro ponto Mário, não estou a me guiar usando apenas tflops, mas também a potência do cpu, tecnologias como mesh shader e variable rate shading, hardware para machine learning, hardware para ray tracing superior, memoria mais rápida..

Shin
Shin
5 meses atrás

Eu cheguei a conclusão que ambos os consoles estão em boostclock e ambos os consoles tem Smartshift.

O clockbase de RDNA (Navi10) é 1605MHz, todo o clock RDNA ele usa como multiplicador o clock de 32 bytes ciclo do Infinite Fabric que está ligado ao clock de comunicação com as memórias. Ou seja 1605MHz corresponde a velocidade mínima de chips GDDR6 12Gbps, enquanto a velocidade gaming ela é uma velocidade correspondente a chips 14Gbps. Ou seja, acima de 1920MHz o hardware começa a dar retornos decrescentes, por isso a AMD segura sua GPU boost a 1905MHz.

Nos consoles as empresas podem configurar o chip como queira. A Microsoft configurou a 1825MHz pois essa é a velocidade máxima que as 52 CU consegue saturar L2, enquanto a Sony pode continuar elevando até o máximo de estado dos chips, por isso a MS anuncia que tem um clock fixo enquanto a Sony anuncia que tem um clock variável.

O Smartshift está da mesma forma trabalhando nos 2 consoles, quando a CPU está no seu tempo de renderização a GPU diminui, e quando a GPU entra em ação a CPU diminui seu consumo.

Em 16ms
5MS inicial CPU boost GPU idle
11MS finais CPU idle GPU boost

O boost XSX não tem retornos então o clock permanece quase estático.
O PS5 recebe mais retornos então ele tem que equilibrar seu clock de acordo com a velocidade de memória.

Shin
Shin
Responder a  Shin
5 meses atrás

A propósito isso vale para a CPU também. Os 3,5GHz tem relação direta aos 1750MHz da memória, os 3,6GHz, indica que a MS pensou em um OC de 1800MHz ou simplesmente já sabia da CFG da Sony e resolveu jogar este número para o papel apenas para parecer mais rápido. Ambos tem clock variável na CPU mas o estado 0 é o anunciado pela Sony 3,5GHz.

Shin
Shin
Responder a  Mário Armão Ferreira
5 meses atrás

Com o sem SMT o Renoir alcança 4.2GHz, podemos supor que é uma margem segura para não gerar estrangulamento. Ao longo da geração as empresas podem abandonar isso, como exemplo temos a Nintendo que restringiu 1,03Ghz mas liberou 1,75GHz por meio de pulsos para melhorar o tempo de loading.

A Microsoft desliga SMT para entrar no modo de compatibilidade com Xbox One. Aí vira 8 núcleos no dobro de velocidade do One X. Isso permite a eles emular o One X com 200% de velocidade transformando games 30fps em 60fps, 60fps em 120fps.

Veja essa citação de Cerny…

“Se a CPU não usar seu orçamento de energia – por exemplo, se estiver limitada a 3,5 GHz -, a parte não utilizada do orçamento será direcionada à GPU. É o que a AMD chama de SmartShift. Há energia suficiente para que a CPU e a GPU possam potencialmente executado em seus limites de 3,5 GHz e 2,23 GHz, não é o caso que o desenvolvedor tenha que optar por executar um deles mais lentamente. ”
https://www.eurogamer.net/articles/digitalfoundry-2020-playstation-5-the-mark-cerny-tech-deep-dive

3,5GHz é um teto restrito pela própria Sony, o PS5 pode ir mais se eles quiserem.

nETTo
nETTo
Responder a  Shin
5 meses atrás

confesso que quando li está parte final ai pensei da mesma forma que vc, que se nestes limites ainda sim tiver orçamento de energia o sistema pode ir além

Antonio Lucas
Antonio Lucas
Responder a  Shin
5 meses atrás

Microsoft, empresa que criou o Xbox series X diz: Nossos clocks são totalmente fixos, não estamos usando nenhuma forma de clock variáveis nem pro cpu ou pro gpu.

Usuário aleatório de um site de jogos: Eu acho que o Xbox series x usa clocks variáveis

Edson
Edson
Responder a  Antonio Lucas
5 meses atrás

Antônio, em situações normais eu confiaria na MS, mas a MS foi a msm empresa que disse do tal poder da nuvem que faria o xbox one ter um poder ultra adicional. Infelizmente, a MS por um bom tempo, só conta mentiras estapafúrdias e só caem nelas, aqueles que estão em completa cegueira. Foram anos de mentiras sobre hardware, jogos, E3 que seriam épicas, etc etc etc… Phil Spencer mentindo compulsivamente, FUD descoberto com envolvimento dos pseudo insiders, fora outras tantas coisas. Engraçado que fala em confiança, desmerecendo o comentário do user, mas não credibiliza os tantos elogios que o hadware do ps5 vem recebendo dos devs, onde estranhamente não se houve elogios ao Series X com frequência ou alguém dizer que o series X é revolucionário, além é óbvio, da idônea Microsoft. O que conta para ti são as falácias da MS, eles que dizem a verdade???

Antonio Lucas
Antonio Lucas
Responder a  Edson
5 meses atrás

Se os clocks fossem variáveis, a Microsoft diria que o series x tem 14 tflops, apenas pra marketing, mesmo que quase nunca alcançasse esse valor. E o digital foundry que visitou a MS disse que eles nao querem que nada no console seja variavel, querem que todo parâmetro de perfomance seja fixo. Falei de 14 tflips porque teoricamente o valor seria bem superior a 1800

Deto
Deto
Responder a  Antonio Lucas
5 meses atrás

a MS não tem clocks variáveis pq não conseguiu botar isso no SX.

para isso funcionar em video game, tem que ser uma abordagem diferente da de PC, celular, notebook, o clock não pode variar pela temperatura.

a sony veio com a ideia de variar de acordo com o consumo.

do mesmo jeito que fabricante de placa de video, notebook, celular não faz isso e somente a Sony faz, a MS tb não faz isso.

usar clocks fixos é burrice, simples assim. O PS5 vai consumir muito menos carga em jogos leves que o SX.

quero ver quando sair os comparativos de consumo do PS5, ai a MS vai dizer o que?

“consumir mais para não entregar nada é melhor para a conta de eletricidade dos jogadores”?

Curioso que isso parece até com seus fãs, a MS não está preocupada em fazer o melhor video game, e sim em ter como falar mal do Playstation na internet.

ai foi la a foto do joystick do PS5 com mais publicidade que a revelação inteira do xbox sx.

Antonio Lucas
Antonio Lucas
Responder a  Deto
5 meses atrás

Você acha mesmo que o XSX não tem clocks variáveis porque a Microsoft não conseguiu botar? A mesma empresa que tem o console mais poderoso do mundo? A Microsoft não botou clock variável porque já tem 12 tflops, não precisa de clock variável, a Sony só botou no ps5 pois não queria um console de 9.2tflops

Shin
Shin
Responder a  Deto
5 meses atrás

Ela não tem porque traria mais problemas que benefícios, você teria uma GPU mais rápida mas uma memória que não acompanha. Isso meio que acontece na RTX2080TI, ela tem muitos núcleos mas um barramento de memória extrangulado, a Nvidia apelou para OC nas memórias mais o aumento de desempenho não é 1:1.

Esse tbm é o motivo de 36CU no PS5, Sony quis manter 256 bits para não extrapolar custo e ao invés de mais GDDR6 investe em mais Flash. Se a Sony fizesse 40CU já teria um gargalo pois faltaria espaço para os demais clientes se comunicar no datafabric então eles usam 36CU mas de forma muito mais acelerada, buscando se aproveitar do também crescente cache L1 que em RDNA é o principal cache de raster devido a Renderização em Bloco.

Shin
Shin
Responder a  Mário Armão Ferreira
5 meses atrás

A Microsoft ela não tem a presença então a campanha usa os FUD para criar presença na internet com a ajuda do marketing pessoal. Não deve confundir a estratégia de marketing com a engenharia. A Microsoft sempre teve a melhor engenharia que a Sony que tropeça desde o PS3, e ela acha necessário ter o melhor ambiente de desenvolvimento para que aqueles desenvolvedores que não estão na folha de pagamento não retire seus jogos. Então tudo faz parte de um contexto de estratégia de implantação da plataforma. É como a política.

João Silva
João Silva
Responder a  Antonio Lucas
5 meses atrás

Realmente Antonio Lucas é complicado eu percebo isso tiram conclusões em cima de dados que nunca foram revelados pra tentar menosprezar o console.

Aí que eu digo isso é passar pano gente tá muito na cara vamos deixar disso pra lá PS5 vai ser incrível terá jogos incríveis mas sempre vai ser inferior em Hardware que o XS e ponto final chega de molho secreto poder segredo SSDGPU todo dia é uma passada de pano diferente sei que não é fácil mas vamos ter que engolir.

Sony mandou mal !

Deto
Deto
Responder a  João Silva
5 meses atrás

vc que quer entender quando se fala do SSD que é molho secreto

onde esta o molho secreto com todo mundo sabendo que é?

o problema que vc não aceitar é que o SSD do PS5 vai fazer mais diferença que 10% a mais de resolução do SX.

que um SSD com possibilidades diferentes de gameplay, sem necessidade de loading escondido é muito mais interessante que “+ 160p” de resolução.

e pior vai ser quando os jogos saírem, principalmente quando se comparar os exclusivos… com a MS tendo que lançar para PC e xbox caixão e a Sony com jogo a mais de 2 anos no forno sendo pensando para o SSD com 5.5GB/s de leitura.

E eu nem vou dizer o que eu imagino que vai acontecer quando começar a sair os exclusivos do PS5 e forem comparados com os EXclusivos do xbox que vão ter que rodar até no xbox caixão…

Shin
Shin
Responder a  João Silva
5 meses atrás

O PS5 não é menos capaz que o XSX, uma coisa que as pessoas não leva em conta que os 12,1TF vem de mais unidades de execução e não superiores unidades de execução, um tem 52 unidades computacionais outro 36 unidades, ambos tem o mesmo tipo de arquitetura embora possua certas diferenças no suporte matemático que nunca foram reveladas. A questão é que não tem mais cache no XSX, não tem menos ciclos por instrução, ter mais unidades significa que os agendadores passam mais tempo registrando pilhas de código tentando saturar todas elas, então quando você olha 12,1TF ou 10,28TF você assume um cenário perfeito onde nenhum gargalo, nenhum problema de execução, nenhuma diferença no bitcode existe. Ou seja 12,1TF ou 10,28TF são as situações mais superficiais e teóricas possível. O XSX nunca irá alcançar desempenho 12,1TF, o PS5 nunca irá alcançar desempenho de 10,28TF. A única certeza é que são melhores que a geração atual, tanto que emulam ela.

Shin
Shin
Responder a  Antonio Lucas
5 meses atrás

Se houvesse benéficios para aumentar clock eles teriam feito. A idéia é que você forneça ambiente estável para devs não terem que entrar em conflito com o hardware. Se eles sabem que o console já fornece potencial o bastante eles não teria porque tentar extrapolar isso.

As empresas sempre buscarão o ambiente mais estável de desenvolvimento.

Lambertucci F.
Lambertucci F.
5 meses atrás

Eu nem li ainda o artigo. Sou brasileiro e essa é a única página sobre tecnologia em geral e de consoles em particular que tenho curiosidade e interesse de ler.
Sou leigo no assunto, apesar de ler com alguma assiduidade sobre o desenvolvimento tecnológico em diversas áreas, isso ocorre porque sou economista.
De toda forma gostaria de reverenciar seu esforço Mario. Não costumo comentar, apesar de já seguir as discussões na páginas há uns 8 meses, acho.
Mas os textos são sempre excelentes, bem escritos, elucidativos e alicerçados factualmente. Isso para o leitor médio é fundamental e quanto mais cristalino melhor.
Já aprendi bastante aqui sobre funcionamento de Hardware, ainda que o blog não se dedique a isso especificamente.
Espero que o PCmanias dure um bom tempo.

Abraços.

Rodrigo
Rodrigo
5 meses atrás

Ótima explicação. Esse artigo deveria ser repassado para vários sites conhecidos que estão comparando de maneira equivocada o hardware do PS5 com o funcionamento dos PCs. A Sony fez uma abordagem diferente. Como foi bem explicado, em vez de a PS5 rodar em frequência constante e permitir que a energia varie com base na carga de trabalho, o hardware trabalha com energia essencialmente constante e com isso permite que a frequência varie com base na carga de trabalho. Essa é uma abordagem diferente do que vemos nos PCs. E ainda tem o Smartshift que promete trazer um ganho extra. O novo Xbox tem uma GPU mais poderosa, mas parece que o sistema de reforço do PS5 pode realmente oferecer um desempenho consistente no geral. Claro, é difícil fazer comparações até que os jogadores vejam a jogabilidade real dos consoles para comparar. Essa nova geração realmente promete ser impressionante.

Felipe Leite
Felipe Leite
5 meses atrás

Há alguns dias que não comento, estava a esfriar a cabeça!
Eu acompanho o Pcmanias desde 2013, todos os dias junto com as noticias do dia, vejo o artigo que o Mário nos entrega.
Estive para comprar guerra com alguns utilizadores que nos últimos dias resolveram acusar o Mário de ser sonysta, de querer fazer controlo de danos para a Sony, de (pasmem) dar falsas informações!
Eu não conheço o Mário pessoalmente, mas sou parte da “família” Pcmanias, já vi o Mário explicar em detalhes e com toda a paciência todas as vezes que algum leitor pede.
Já vi o Mário mudar de opinião e assumir erros. Ele é humano e faz o Pcmanias por gosto! Não vive do site.
Mas acusar de ser sonysta, ou de passar falta de informação é pura e simples estupidez.
Gostava que as pessoas lessem absorvessem o que está nos artigos e seguissem em frente!
Dar os parabéns, ou discordar é completamente diferente dos argumentos que tem sido utilizados!

Mário, deixo aqui o meu agradecimento pelo Pcmanias e os meus parabéns PELA IMPARCIALIDADE.

Andrio
Andrio
5 meses atrás

Impressionante como alguns Users vem aqui e falam coisas sem sentido e até tentam desmerecer o trabalho do Mário. Acredito que alguns não chegam a ler o artigo para tentar entender. Pior que muitos chegam sem argumentos e só reproduzem o que escutam por ai, daí a pessoa é questionada e pronto, volta 2 casas e repete outra falácia.
A PcManias vem cobrindo varios artigos sobre a nova geração e eu nunca vi o mario falar que o PS5 é mais podesoso que o Xbox SX. Eu vejo ele mostrando as difenças entre as 2 maquinas e que o ps5 optou por uma forma n tradicional e com isso precisa ser vista com um olhar difente.

Trevisan
Trevisan
5 meses atrás

O que ainda não entrou na minha mente é o porque de anunciarem como variável. Ora o Uncharted que é pesado pode vir a consumir todo o recurso do aparelho em si, chegando aos teus teóricos 10,28 TF. Então o clock baixa então para a retrocompatibilidade ? Não creio que na nova geração tirando alguns índies que se o recurso estiver todo disponível eles não irão usar. E claro, existem games pesados no CPU e no GPU utilizando o método que o Mario explicou do consumo de energia. Será que é isso ? Desculpe minha ignorância. kkkkk

Antonio Lucas
Antonio Lucas
5 meses atrás

Vantagens do Xbox:
1 – Gpu mais poderosa (12.1 tflops SEMPRE vs 10.2 ps5 (no máximo, clocks variáveis)
2 – Cpu mais poderosa (3.6ghz com smt e 3.8 Sem smt vs 3.5 do ps5 (clocks variáveis, então 3.5 é no máximo)
3 – Hardware para ray tracing muito superior ( cerca de 45% mais CU, 52 xbox vs 36 ps5)
4 – Hardware dedicado para machine learning (ps5 não tem)
5 – Hardware dedicado para Variable Rate Shading (ps5 não tem)
6 – Ram mais rápida

Vantagens ps5:

1 – SSD muito mais rápido.

Fãs de PlayStation: o SSD do ps5 vai fazer acabar as diferenças entre o Xbox e vai até dar performances superiores.

Trevisan
Trevisan
Responder a  Antonio Lucas
5 meses atrás

O que seria este machine learning ?

Deto
Deto
Responder a  Antonio Lucas
5 meses atrás

acho engraçado que basta eu seguir dois perfis no twitter que eu sei tudo que um fã do xbox vai falar 2 ou 3 dias depois.

essa listinha já tá obsoleta faz uns três dias.

pior ainda é esses fã do playstation imaginario que vcs inventam que só existe na cabeça de vcs.

Lambertucci F.
Lambertucci F.
Responder a  Antonio Lucas
5 meses atrás

Eu não consigo entender esse seu comentário a não ser se te imagino como um fanboy chato.
Isso porque aqui mesmo no PCmanias já foi levantada a discussão sobre.
1. Clock variável só significa que o uso da GPU vai se adequar as necessidades objetivas do sistema a cada momento. E como Cerny disse e Mario já explicou de forma mais simples, a velocidade do PS5 opera nos 10.28 como um Boost contínuo, isto porque é a quantidade enérgica e térmica máxima que ta travada, o que permite a manutenção das velocidades de clock. Aí entra a questão já explicada do Smart cadenciando potência do CPU e GPU no mesmo máximo da carga enérgica.
2. CPU mais potente, sim e? Quem disse o contrário?
3. Isso pelo que já foi estabelecido pode até ser verdadeiro nessa dimensão. Mas se não estou enganado, aqui mesmo no PCManias, já foi dito que isso não ocorre exatamente dessa forma. Isso não lembro de ter virado artigo, acho que foi em algum lugar na discussão de outro tópico.
4. Isso é especulação tua.
5. Qual Hardware dedicado ao VRS? Não me recordo.
6. Olha, nesse específico é mais uma questão nada que ver. Primeiro porque você tá analisando dois sistemas montados de forma distinta, funcionando de forma distinta. O que existe é apenas diferença de largura de banda e não apenas aqui, mas tu acha tópicos no Neogaf e etc discutindo o mesmo problema que a Xbox pode sofrer por causa da escolha que eles fizeram para a RAM.
Aliás, tem um artigo do Mario dedicado a isso.

João Magalhães
João Magalhães
5 meses atrás

É um sistema inteligente de controle térmico…

A todo momento nos jogos CPU/GPU tem vários picos de performance.

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