Christopher Judge: Após ler o guião de God of War julgava que era para um filme.

Os videojogos não são apenas sobre jogabilidade, mas tambem locais onde se podem contar grandes histórias.

Segundo Christopher Judge,o conhecido actor de StarGate SG-1 e que faz a voz de Kratos no último God of War,  a postura dos actores face aos videojogos mudou. Quando antigamente os actores só pensavam em fazer vozes para videojogos se a sua carreira no cinema estivesse terminada, a realidade é que esse conceito está a mudar, e agora todos os actores não se importariam de dobrar uma personagem icónica dos videojogos.

Tal deve-se a uma mudança de postura dos grandes videojogos, uma vez que os mesmos deixaram de ser meros locais onde se aposta na jogabilidade, sendo a história algo secundário, mas sim locais onde se contam grandes histórias, e com um nível de profundidade que o cinema e as reduzidas dimensões de tempo dos filmes (comparativamente), não permitem explorar da mesma forma.

God of War marcou exactamente nesse campço. É uma história de como um pai e um filho estabelecem uma relação que não existia antes, e é uma viagem emocional de elevada qualidade! Associada a isso o facto de a personagem ser Kratos, uma das personagem icónicas dos videojogos, e uma máquina de guerra que perdeu o seu lado humano, a situação atinge uma profundidade emocional e uma complexidade extrema. Aliás, a reacção de Christopher Judge perante a leitura do guião foi de surpresa: A profundidade da história não dava para perceber que se tratava de um videojogo.

Tenho a certeza que os meus agentes não me disseram de propósito que se tratava de um jogo porque eu no passado era claramente contra trabalhar neles



Trabalhar nos videojogos como actor foi sempre uma forma especializada de arta até bem recentemente, e como tal era um domínio não ocupado pelos actores do cinema e da televisão. Curiosamente Christopher conta que ao contrário do que acontece com trabalhos de Tv e Cinema, onde os actores são escolhidos pelos seus trabalhos passados, aqui ele teve de fazer uma audição e actuar. E esta situação foi o primeiro contacto que ele teve com o facto que o que iria fazer não seria algo para o cinema nem para a tv.



Apesar de surpreendido pelo facto, e de actores consagrados não gostarem muito de serem submetidos a audições, Christopher refere:

O material era tão bom que não quis saber, e após uma chamada em que soube que era para um jogo, eu não me importei pois o que estava escrito não estava escrito como se de um jogo normal se tratasse.

Curiosamente Christopher revela que o cuidado na escolha dos actores não passou apenas pelos actores em si, mas igualmente pela quimica conseguida pelo par.

Depois fui chamado para fazer um teste de “quimica” com Sunny Suljic, que faz o papel de Atreus no jogo, pelo que liguei novamente ao meu agente e perguntei “Tens a certeza que isto é para um jogo?”

Outros actores de renome já participaram em videojogos. Exemplos são Samuel L Jackson em Grand Theft Auto: San Andreas, Natalie Dormer em Mass Effect: Andromeda, Michael Fassbender em Fable 3, Helen Page em Beyond: Two Souls, Kit Harrington em Call of Duty: Infinity Warfare, Kevin Spacey em Call of Duty: Advanced Warfare, Kiefer Sutherland em Metal Gear Solid 5, e muitos muitos outros. Por exemplo, Death Stranding, o futuro jogo de Kojima, igualmente exclusivo da PS4, conta com Mads Mikkelsen, Norman Reedus,  Troy Baker, e Emily O’Brien, um conjunto de actores já conhecidos do grande público.

Recorde-se que Christopher Judge ficou famoso pelos seus papeis em Stargate SG-1 e em Batman: The Dark Knight Rises, mas como podem ver na sua página do IMDB, o seu rol de papeis é extremamente extenso.

Como nos diz Christopher:

Agora todos os actores que conheço procuram um papel principal num jogo, o que mostra a evolução dessa industria.

Os jogos já não são só sobre jogabilidade, mas sobre as histórias.

Há lindas histórias para serem contadas neste meio, e é apenas mais uma forma de exercer a nossa arte.



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