EA está a introduzir dificuldade dinâmica nos seus jogos, e quer ainda acabar com o matchmaking equlibrado.

E se a dificuldade de um jogo não fosse sempre a mesma, mas se adaptasse ao que tens e ao teu estilo de jogo, acabando ainda com o jogo equilibrado e igual para todos?

No passado Outubro foi dado a conhecer que a Activision estava a trabalhar num sistema de matchmaking que iria encorajar microtransações.

Pelo que se sabe, este sistema ainda não está implementado, mas outros publicadores estão a tentar fazer o mesmo, e mais ainda, querem acabar com as partidas justas e equilibradas nos seus jogos!

Quem exactamente? Quem havia de ser, senão a EA?

De acordo com YongYea, a EA está a usar ajustes de dificuldade dinâmicos nos jogos. Esta é uma técnica que é adaptativa e que tanto pode tornar o jogo mais dificil, como mais fácil!



Eis o documento em que a Electronic Arts refere essa metodologia:

“In this paper, we propose a DDA framework with a global optimization objective of maximizing a player’s engagement throughout the entire game. Using level-based games as our example, we model a player’s progression as a probabilistic graph. Dynamic difficulty reduces to optimizing transition probabilities to maximize a player’s stay time in the progression graph.”

Basicamente a EA conclui que desenvolveu com sucesso um sistema que aplica esta técnica em múltiplos jogos e que observou que tal atraiu mais 9% dos jogadores, com um impacto neutro na monetização.

Bem, se a implementação é justa para todos e se não aumenta a monetização, qual o problema disso? Muito simplesmente imginem isto aplicado a jogos como Dark Souls ou Nioh! A dificuldade já extrema destes jogos acabaria por os matar com tal implementação.



E sem se saber se tal se deve a isso ou não, certamente terão lido algo sobre a polémica em torno de Fifa 18, em que os jogadores se queixam que a dificuldade de repente subiu (na realidade não sobe mesmo, os seus jogadores é que ficam mais estúpidos e perdem a bola em jogadas onde não o deveriam perder). Tal tem causado imensa frustração nos jogadores que acreditam que a verdade dos jogos está subvertida. Se tal se deve a este sistema ou não, não podemos dizer pois o código fonte não é público, mas que as queixas existem, isso existem, e os jogadores não estão contentes.

Mas o ajuste dinâmico da dificuldade não é tudo. A EA quer acabar com o justiça do matchmaking, conforme o comprova este outro documento.

“In this paper, we propose an Engagement Optimized Matchmaking (EOMM) framework that maximizes overall player engagement. We prove that equal-skill based matchmaking is a special case of EOMM on a highly simplified assumption that rarely holds in reality. Our simulation on real data from a popular game made by Electronic Arts, Inc. (EA) supports our theoretical results, showing significant improvement in enhancing player engagement compared to existing matchmaking methods.”

Apesar de este sistema que elimina a possibilidade de encontrares outros jogadores ao teu nível não se conhecer em uso, é claro que a EA está interessada nele. Se os jogos no futuro o vão suportar é algo que vamos ver, mas que a EA o quer implementar ninguém duvide.

Agora não nos enganemos. Com um sistema de matchmaking não equilibrado, e com a dificuldade ajustável ao gosto do freguês, a EA abre aqui a porta à monetização de armas e upgrades. Ela ate pode não o reconhecer nestes documentos, mas a realidade é que todos conhecemos a EA, e o lucro está sempre na base de tudo o que faz.

Deixo-vos um video de um youtuber que aborda estes dois assuntos de forma mais profunda:



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bruno
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bruno

É nestas alturas que me dou por muito satisfeito por ter jogos como H ZD ou Uncharted para jogar.

Nesta geração não comprei um único jogo da EA ou Activision. Cada vez mais me alegro disto.

Vitor Calado
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Vitor Calado

A dificuldade dinâmica já existe há muitos anos, salvo erro nos Halos quando morres muitas vezes no mesmo local ele pergunta se queres baixar a dificuldade, mas havia outros que não me recordo quais pois já joguei mais de 1000 jogos em que ao morrer muitas vezes ele automaticamente baixava a dificuldade e acredito que se não morresses nenhuma vez a dificuldade aumentava…o fallout 2 ou 3 ou o new vegas também fazia isso

bruno
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bruno

Vitor, para perceberes, imagina um drogado a trabalhar para pagar a próxima dose. Até agora nos jogos isso funcionava para jogos diferentes – aqui o objetivo é que nunca dês o jogo por terminado e jogues ad eternum sempre a pagar por upgrades. O jogo analisa o teu estilo, o que tens e o número de vezes que jogas e só te irá permitir avançar conforme o número de vezes que jogas e a tua progressão que será somente para te manter interessado.

Por isso sempre digo: este estilo de jogos é lixo. Prefiro uma campanha singleplayer, com gráficos fenomenais que dê para começar e acabar que um jogo que é somente mais do mesmo sem nunca terminar. Isto é apenas a minha opinião, claro, mas da mim não vêm um centavo.

edinho Vander
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edinho Vander

Eu sou ampla a fovor de se aumentar a dificuldade nos jogos, porém não só ampliando HP e dano do inimigo em nós, mas sim tornar mais eficiente a inteligência artificial dos inimigos. São poucos os jogos que impõe um grande desafio justo hoje em dia, e a criação deste algoritmo da EA parece uma boa solução. A questão é a E.A. querer fazer para impulsionar as microtransaçoes.