Esta transparência só é possível quando a marca NVIDIA e os seus parceiros são consistentes. Daí que um novo programa signifique que estaremos a promover os nossos parceiros GPP pela Web, nos media sociais, eventos, e mais. E os parceiros GPP terão acesso antecipado à nossas mais recentes inovações, e trabalharão de perto com a nossa equipa de engenheiros para trazer as mais recentes tecnologias aos gamers.

Os parceiros estão a aderir, rapidamente. Eles veem os benefícios de manter as marcas e a comunicação consistente e transparente.

O programa não é exclusivo. Os parceiros continuação a ter a possibilidade de vender e promover produtos de terceiros. Os parceiros escolhem se querem participar no programa, e podem parar de participar quando desejarem. Não há qualquer compromisso para fazer pagamentos monetários ou descontos aos parceiros do programa.

O que aqui chama mais à atenção é a uso exacerbado do termo transparência, apesar de após a leitura não ser claro sobre o que é que a Nvidia se refere exactamente quando usa o termo. É transparência com todos os parceiros Nvidia ou com os parceiros do GPP? Para qualquer um surgem aqui questões. Será que o GPP vai trazer agora a transparência entre as parcerias existentes com os OEM e os AIBs há anos?

Pois bem, o HardOCP tambem estranhou estas referências, pois apesar das afirmações, não é claro sobre que empresas fazem parte do programa e que transparência é afinal essa. Ora quando se fala em transparência e não se é transparente, isso dá sempre o que pensar.

Mas mais curioso é que, do nada, a Nvidia refere que o GPP não é exclusivo. Que os parceiros podem continuar a vender e a promover produtos de terceiros. Mas porque não o poderiam fazer? Que necessidade há de se dizer isso? Porque motivo isso aparece ali? Voltaremos já a isto!

A realidade é que numa análise superficial, apesar de se poder estranhar algumas referências, não parece haver nada de verdadeiramente errado com o GPP. Parece tratar-se de uma de muitas parcerias que as marcas fazem, mas desta vez entre a Nvidia e os OEMs e que traz benefícios mútuos como marketing adicional e posicionamento da marca.

A questão é que as frases de cima levantam algumas questões… e isso levou o HardOCP a contactar estes parceiros da Nvidia para obter clarificações. Os resultados, segundo eles, foram surpreendentes, com questões anti-competitivas e anti-consumidor a mostrarem-se aparentes.

No total o HardOCP entrou em contacto com 7 empresas, nenhuma das quais, apesar de colaborantes, se quis identificar. Mas revelaram muito sobre o GPP, e todas elas tinham opiniões concordantes sobre o programa.

Resumidamente, eis o que Kyle Bennett da HardOCP resumiu:

  • Os termos do acordo GPP são potencialmente ilegais
  • O GPP irá prejudicar as escolhas do consumidor
  • O GPP irá prejudicar a capacidade dos parceiros de fazer negócios com empresas como a AMD e a Intel

As opiniões partem todas de uma componente chave do acordo GPP, a que o HardOCP teve acesso e leu, mas que decidiu não publicar (a Nvidia é demasiadamente poderosa e certamente envolveria o HardOCP em um processo de tribunal). Mas isso não impediu que o HardOCP revelasse o seu conteúdo.

Segundo o revelado, o documento refere que os parceiros GPP necessitam de ter a sua marca “alinhada exclusivamente com a Geforce”. Por outras palavras, se uma grande empresas como, por exemplo, a Asus, realmente alinhar com o GPP, eles não poderão vender placas AMD na sua gama de produtos “Republic of Gamers”. Não existiriam mais placas Radeon com a marca ROG, não haveriam mais portáteis ROG com placas video AMD.

Claro que a escolha é sempre dos parceiros, e eles não são obrigados a aceitar estes termos. Aliás a Nvidia não força ninguém a assinar. Mas a realidade é que não aderir também tem consequências. Por exemplo, o GPP fornece aos parceiros um estatuto especial de lançamento, acordos de engenharia, fundos para marketing, suporte e publicidade nas redes sociais, ofertas de jogos para bundles e muito mais. Ou seja, quem não aderir não terá publicidade paga, não terá o mesmo nível de suporte, não terá fundos para marketing, não terá jogos ofertados para dar junto com as placas, e não terá direito aos GPUs no lançamento.



Por outras palavras, quem não aderir, fica relegado para segundo plano!

Isto seria relativamente inócuo não fosse o o facto de a Nvidia possuir uma posição dominante no mercado de GPUs, que se solidificou nos últimos anos.

Ora a acreditar-se no revelado, se alguem decidir não aderir, os concorrentes que aderirem terão um tratamento especial. Num mercado tão concorrêncial há aqui uma fortissima iniciativa para que os parceiros façam a adesão. Caso contrário serão deixados para segundo plano pela empresa dominante no sector.

Mas há mais receios que vão para além do escrito. Os AIBs contactados referiram que possuem receios que caso não assinem o GPP a Nvidia lhes restrinja o acesso aos GPUs dando preferência aos parceiros. Isto não está escrito no acordo, mas estes parceiros referem que está a acontecer com acordos por debaixo da mesa. Basicamente é um caso de ou aderes… ou lixas-te!

O resultado potencial é um corte da quota de mercado dos concorrentes. Uma prática anti concorrencial, e que reduz as escolhas do consumidor. Basicamente é uma tentativa de aniquiliação da concorrência para se conseguir um monopólio do mercado. E se este for conseguido, vendo os preços que a Nvidia gosta de praticar, imaginem o que sucederia ao mercado!

Há uma diferença gritante entre o que a Nvidia revela publicamente sobre o GPP e o que os AIBs referem que está realmente lá escrito. A Nvidia diz que não é exclusivo, mas o acordo pede a exclusividade com a marca principal do produtos. A Nvidia refere que os aderentes podem desistir quando quiserem, mas na realidade se o fizerem colocam-se numa posição de desvantagem. A Nvidia refere que o programa é sobre transparência, mas não é isso que as empresas que estão a participar do GPP estão a dar a conhecer.

Naturalmente a Nvidia nega tudo isto e refere que o seu acordo não tem nada de anti concorrencial. Mas outra posição não seria de ser esperada, pelo que estas posições pouco ou nenhum valor tem.

O facto é que este é o tipo de procedimento que requer investigação. A Intel já foi investigada e severamente penalizada por reguladores nos EUA e na Europa devido a práticas semelhantes no passado. E diga-se que a Nvidia criar situações pagas de exclusividade e anti concorrenciais, nem é novidade.

O mais grave em tudo isto, caso se confirme, é que a Nvidia não está a lutar por uma quota de mercado. Ela já é a força dominante, e no que toca a produtos topo de gama eles não possuem verdadeiramente concorrência. Este tipo de atitude nem se revela uma situação necessária para a sobrevivência da marca, mas uma prepotência de posição dominante. O que se passa aqui é que a Nvidia não está satisfeita com o que tem, e o que está a fazer não é promover os seus produtos, é isso sim, prejudicar a concorrência usando a sua posição dominante para isso.

Aliás as práticas da Nvidia neste sentido nem são sequer algo pontual que tenha ocorrido aqui e ali. É uma prática continuada. O gameworks foi durante anos, e aliás continua a ser, uma situação desleal. A Nvidia paga para que os fabricantes de videojogos usem código optimizado para as suas placas. Mas que, mais do que isso, prejudicam claramente a concorrência.

Aliás, neste artigo de 2014, mostramos um caso flagrante.  O jogo em causa, criado em parceria com a Nvidia, de forma intencional, pelo uso intensivo e mesmo desnecessário de tesselização, penaliza todas as placas do mercado. A questão é que, mesmo assim, a situação é benéfica para a Nvidia pois a perda de performance das suas placas naquele tipo de cálculo era bastante inferior à das da AMD.

Outro exemplo é o HairWorks, igualmente conhecido pelo uso intenso de tesselização, que, mais uma vez prejudica a performance das AMD. Já a versão da AMD, o Tress FX corre igualmente bem no hardware Nvidia e AMD. Porque motivo? Porque a AMD cedeu o código do TressFX à Nvidia para que eles o pudessem optimizar para o seu hardware. Já a Nvidia não cede o código do Hairworks à AMD para que estes façam o mesmo.

Naturalmente o GPP está a preocupar a AMD, e nesse sentido, eles até apoiaram o HardOCP nesta investigação.

Pode-se dizer que a linha que separa a competição das práticas desonestas acaba por ser fina… mas existe e, a comprovar-se esta história, aqui foi passada. A Nvidia não só estará a prejudicar a AMD, como está a prejudicar o consumidor. A concorrência é sadia. Comprem-se os produtos de A ou de B, é o facto de existir B no mercado a concorrer que cria a competitividade, a necessidade de se ter preços, de se ter performance, de se melhorar. A ser verdade, a Nvidia quer acabar com isso… quer dominar o mercado, e para isso, em vez de promover os seus produtos, tenta esmagar a concorrência impedindo a concorrência de vender e de ser competitiva, usando os seus parceiros para isso.



Sinceramente, olhando para o passado da Nvidia isto não seria exactamente novidade e é por isso que em minha casa não entra um produto da Nvidia já há vários anos!

Mas até se comprovar a situação teremos de lhes dar o benefício da dúvida.