Porque motivo uma nova geração de consolas precisa de um CPU bem mais capaz

As melhorias nos jogos não passam apenas pelo grafismo. E muito do que define um jogo depende do CPU.

Xbox One X e PS4 Pro são consolas de meio de geração. Basicamente melhorias que permitem a consolas de 2013 atingir novos patamares gráficos, mas correndo os mesmissimos jogos criados para elas.

São basicamente hardware de 2013 actualizado e não consolas de 2017!

Basicamente uma nova geração passa pela recriação de algo que se perdeu com estas consolas, o balanceamento do hardware a nível de CPU, GPU e RAM, previstos no design original da consola.

Atualmente as consolas de nova geração existentes trouxeram aquilo que até pode ser considerado como um salto geracional a nível gráfico e de memória, mas não no balanceamento total, com o CPU a ser o sacrificado. Aliás, mesmo a nível gráfico não há um verdadeiro salto geracional, há isso sim uma actualização de resolução e de texturas, mas não melhorias significativas nos efeitos, na geometria e na qualidade gráfica em geral. Basicamente se uma XBox One ou PS4 se distingue na qualidade gráfica face a uma Xbox 360 ou uma PS3, a PS4 Pro e a Xbox One X apenas atualizam a resolução e, quando muito, as texturas, mas não o farão de forma significativa no que toca à qualidade gráfica em si!



Infelizmente todas as consolas de mesa do mercado são baseadas no Jaguar, um CPU originalmente criado pela AMD para aparelhos móveis. E foi com a colocação de dois clusters de Jaguars que se conseguiu um resultado convincente e capaz de se comparar a um CPU de secretária, e assim trazer a capacidade de processamento necessária a uma alteração profunda no conceito dos videojogos face ao existente na geração anterior.

Mas a melhorias geracionais não foram apenas no grafismo. Todas as áreas de concepção do jogo receberam melhorias! Basta pegarmos em jogos que históricamente tem acompanhado as diferentes gerações, como GTA, para percebermos os ganhos que cada nova versão do jogo tem vindo a ter ao tirar melhor partido das caracteristicas do hardware. Não é só graficamente, mas na capacidade de interacção, realismo, fisica, dimensão do mundo, qualidade e interacção com NPCs com mais contextos, etc.

Basicamente todo o mundo simulado melhora a cada geração e em todos os aspectos, não apenas no visual.

As atuais consolas de meio de geração melhoram bastante o que é feito pelas bases. Mas fazem-no basicamente a nível gráfico e não na evolução do mundo. Os jogos são os mesmos, e isto não é por uma questão de opção, mas deve-se mesmo ao facto que o CPU que gere todo o universo na realidade não é muito diferente em todas as versões das consolas, mesmo havendo melhorias e diferenças entre elas.



Jogos como Battlefied não conseguem 64 jogadores, Destiny 2 fixa-se nos 30 fps, e mesmo Halo 5 possui as animações a 30 fps, apesar de o jogo correr a 60 fps. Há toda uma série de compromissos devidas ao CPU que definem a atual geração.

A Xbox One X ofereceu 31% de ganho face à Xbox One, um valor que apesar de parecer significativo não o é. Este ganho permite melhorias, mas o CPU continua a ser o velhinho Jaguar, que por muitas melhorias que leve, não deixa de ter as fraquezas associadas ao mesmo.

E diga-se que se há coisa que o Boost Mode da PS4 Pro demonstrou foi que, mais do que os ganhos do GPU, os ganhos do CPU foram os mais significativos, sendo que este é normalmente o elemento que mais cria constrangimentos à actual geração.

Este é um limite que vemos não em um, mas em vários jogos. GPUs no PC com igual ou até pior performance portam-se melhor em jogos como Just Cause, altamente dependente da física, e como tal do CPU, . E tudo porque no PC os CPUs são por norma superiores. Este é aliás um dos motivos pelo qual a Microsoft tanto promoveu a Cloud, o remover da física do CPU e como tal eliminar os seus limites. Isto é algo que será sempre necessário, mas que com os atuais Jaguar toma uma proporção ainda maior, uma vez que a Microsoft sabia que para alcançar o máximo potêncial da sua consola, o CPU era limitativo!

Depois temos jogos como The Witcher 3 ou Assassins Creed Unity que possuem zonas densamente populadas e onde o CPU se torna limitativo, e outros exemplos poderiam ser citados!

Note-se porém que todas estas considerações que estamos a ter são aplicadas à remoção de restrições a jogos de atual geração. Já nem falamos aqui do uso de fisicas mais complexas, de mundos abertos maiores e com maior e mais complexa interacção com os NPCs, pois isso é algo que atualmente os CPUs das consolas não permitem.

Daí que uma nova geração é acima de tudo dependente de um maior equilibro do hardware, e um CPU capaz e bem mais potente do que o atualmente existente revela-se uma necessidade. Nesse aspecto, os PCs atuais estão já preparados para uma nova geração… mas infelizmente as consolas existentes e previstas não.



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