PS4 Pro – A melhor e simultaneamente a pior consola alguma vez lançada

A PS4 Pro é a nível de especificações a melhor consola alguma vez lançada. No entanto o seu valor face à PS4 original não é justificado, especialmente quando ela vem introduzir uma fragmentação de mercado inédita no mundo das consolas e que não agrada à maior parte dos fans.

Convenhamos que analisando a PS4 Pro só por si, as suas especificações são impressionantes e a consola esmaga tudo o que alguma vez foi lançado neste mercado.

Falamos de 4.2 Tflops de performance gráfica, ou seja, mais do dobro do oferecido pela Playstation 4 e mais do triplo do oferecido pela Xbox One. É assim a consola mais potente do mercado e arrasa com a oferta da concorrência para este final de 2016 e até idêntico período de 2017.

Mas apesar desta realidade a PS4 Pro é uma decepção em vários aspectos. Vamos ver os mesmos:

A consola em si



Esta consola surge numa tentativa de colagem ao que a Apple faz com os smartphones, lançando modelos que não trazem verdadeiramente nada de novo ou revolucionário, mas apenas mais performance.

A PS4 Pro é efetivamente uma PS4 em todos os sentidos, apresentando apenas mais performance. Mas no entanto a linhagem PS4 está presente, com as situações que se revelam gargalos na PS4 a aparecerem aqui novamente e teoricamente na mesma escala, caso a potência extra seja usada para o cálculo dos 4K.

Como exemplo, e apesar de um GPU com mais de 200% de performance adicional face ao a PS4, o CPU é apenas 30% mais rápido que o da consola original. E a largura de banda essa só aumenta em 22%.

É uma consola pensada para manter a qualidade da PS4, mas com resolução superior ou, alternativamente, melhorar fps ou detalhe no ecrã (mas sobre isso falaremos depois).

Mas o maior problema da existência desta consola são certas restrições que ela coloca ao modelo original. É que apesar de o GPU Polaris ser compatível com o GCN 1.1 da PS4, certas situações funcionam de forma diferente. E tal pode levar a que certas optimizações possam vir a ser perdidas no sentido de se criar um código único que funcione em ambas as consolas.

Mas mesmo que tal não aconteça há sempre a questão do código duplo que estará a gastar memória, e que permite ativar ou desativar certas funções consoantes o hardware encontrado.

Mais ainda, o suporte do HDR, caso pensado de raiz, criará situações em que quem não possa usufruir do mesmo perca detalhe na imagem, com eventuais texturas aparentemente deslavadas e com falta de definição. Uma TV não HDR não consegue mostrar todos os tons de cor que uma TV com HDR pode mostrar. E isso quer dizer que caso não haja um cuidado com a escolha de texturas para Tvs não HDR, estas podem sofrer com perda de qualidade.

Para cúmulo da infelicidade, a Sony não apostou numa melhoria do leitor de Blu-Ray permitindo que a consola pudesse efectivamente ser um sistema 4K completo. E assim, ao contrário do que aconteceu com a Xbox One S, a PS4 Pro não pode ler filmes 4K em Blu-Ray, limitando-se assim aos serviços de streaming, tornando o atractivo da Pro bastante reduzido e limitado às performances adicionais.

O nome

A provar a colagem total à Apple, a Sony denomina esta consola de Pro. Tal e qual a Apple fizera com o seu iPad!

Um nome extremamente infeliz para dois produtos que vão coexistir no mercado. Um é o Pro… o outro é o? standard? casual? amador?

Enfim… péssima escolha!

 Os 4K

Como é sabido, 4.2 Tflops não são suficientes para 4K nativos. No entanto a Sony não planeia calcular os mesmos de forma nativa. Na prática a Sony usa um sistema patenteado de reconstrução de imagem à base de um padrão de xadrez usando técnicas de previsão. Apesar de seguir muito dos seus princípios é uma tecnologia bem mais eficaz e avançada que as metodologias temporais usadas em Killzone e Quantum Break e com resultados finais bem mais próximos do nativo, apesar de ainda existir alguma perda de nitidez face a este.

chequered_rendering

A imagem de cima mostra os pixels efetivamente calculados a verde, e os calculados por interpolação a vermelho. O resultado é, como referido, muito próximo dos 4K reais, mas não se trata de um cálculo nativo de resolução. Permite no entanto trabalhar com apenas o dobro dos pixels do 1080p, reconstruindo uma imagem com 4x mais resolução.

Resumidamente, os 4K a 60 fps são efectivamente possíveis para uma placa com apenas 4.2 Tflops usando esta metodologia, mas apesar do anunciado, na realidade não temos 4K reais e nativos, mas sim uma metodologia de reconstrução de imagem.

Mesmo a anunciada Scorpio da Microsoft deverá ser forçada a recorrer a esta metodologia para os 60 fps, pois 6 Tflops chegam para 4K nativos, mas não para 4K a 60 fps.

O suporte a 1080p com melhorias

Tivesse a Sony apresentado a Pro como uma consola para quem tem Tvs 4K, e terminado a apresentação aí colocando um limitador que apenas permitia o uso da consola com esses televisores, a mesma estaria neste momento a ser aplaudida por nós.



Mas não… a Sony tinha de avançar com o suporte aos televisores 1080p, oferecendo alternativas ao uso da performance adicional. Cria-se assim uma disparidade de performances e grafismo face à PS4 original, criando assim uma segmentação do mercado. Passaremos a ter a mesma jogabilidade em ambas as consolas, mas com performances e grafismos que não são iguais! E tal é algo inédito até hoje, e uma situação que nunca, mas mesmo nunca, foi desejada pelos verdadeiros amantes das consolas.

É uma atitude chocante que nada dignifica o nome da Sony junto dos fans. Diga-se que perante a confirmação desta realidade já tive duas pessoas hoje que me garantiram que iriam abandonar as consolas e voltar ao PC, tendo para o efeito colocado as consolas à venda.

Falta saber o que o futuro nos reserva a nível de mais consolas de meio da geração! Quem sabe algo como o que se segue:

sony_lineup

sony_future_lineup

Por exemplo, a Nixxes implementou no Tomb Raider para a PS4 as seguintes opções para os possuidores de uma versão Pro:

– Modo 4K mode: Opção por maior resolução e qualidade de imagem.
– 1080p fotogramas melhorados –  Uma opção que permite jogar com os fotogramas desbloqueados obtendo melhorias sempre que possível.
– 1080p melhor qualidade de imagem – Esta opção mantêm os 30 FPS fixos, usando a performance adicional para puxar todos os efeitos gráficos ao máximo possível.



O que é isto? Exatamente o que sempre tivemos nos PCs! Um nível de detalhe mínimo que será usado na PS4, e opções gráficas opcionais e variadas para quem tem máquinas superiores.

Mas curiosamente… nada de radical ao ponto de justificar a aquisição. E isso quer dizer que a Sony de forma consciente aceitou que a consola fragmentasse o mercado e hostilizasse os fans… mas por uma diferença que no fundo é extremamente reduzida.

Conclusões

A PS4 Pro é, no nosso entendimento, o maior erro de casting de sempre a nível de consolas. E o seu lançamento é algo que criará uma rotura no mercado!

Apesar de a geração até agora ter corrido muito bem, este lançamento representa uma rotura total com o paradigma de consolas do passado e está a desagradar a muita, muita gente.

Como já referimos em tempos passados, isso é preocupante. Não por aqueles que aceitam a nova consola e até a veem com bons olhos, mas pelos outros que não só a veem com maus olhos, e que, mais do que isso passam agora a olhar para a Sony como uma empresa que lhes quebrou as expectativas que tinham para o produto na data do seu lançamento. Basicamente o que acontece é que a Sony fragmentou a sua família, e onde antes havia uma comunidade global de clientes satisfeitos, agora há uma comunidade fragmentada e dividida e com opiniões diversas. E é dos insatisfeitos que justifica falar-se.

Pessoalmente sempre me mostrei contra estas consolas de meio de geração. Quer a Neo, quer a Scorpio da Microsoft cuja intenção é fazer exatamente o mesmo, mas com o recurso a 4K nativos, e que só não saiu mais cedo por não haver no momento hardware acessível para tal.

No entanto torna-se notório que a oferta da Scorpio, apesar de nesta fase ainda ser uma promessa, é claramente superiora, e caso a consola venha equipada com um leitor 4K e um CPU bastante superior, sabemos que a performance gráfica de 6 Tflops e a Largura de Banda de 320 GB/s estão lá para acompanhar.

Basicamente se a Microsoft correu o sério risco de comprometer as vendas da Xbox One S com o anuncio da Scorpio, a Sony comprometeu todas as suas vendas ao não anunciar uma Pro minimamente competitiva ou interessante face ao que a Scorpio promete. E isso é motivo para a Microsoft bater palmas pois vê a Sony a enterrar-se por sua própria iniciativa ao comprometer a Slim com a Pro, e a Pro face à promessa da Scorpio.

Basicamente a realidade é que não consigo recomendar a quem tem uma PS4 que a troque por uma Pro. Há vantagens, são inegáveis, e aceito que haja quem, podendo, faça a troca. Mas daí a achar que a consola justifica todo o custo, e que a troca vale a pena… não acho. Para tal a consola até poderia ser mais cara… mas teria de apresentar mais!

Acho isso sim que, tal como foi criada, a Pro é uma golpada nos fans mais ferrenhos da Playstation e que a tornaram num sucesso. E essa imagem será difícil que ma tirem da cabeça!

 



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