Subida de preço da PSN+ – É compreensível?

A PSN+ subiu em alguns países em valores variáveis, mas que alcançaram os 40% em alguns locais. O que se passa?

A PSN+ teve aumentos no custo da assinatura anual em vários locais. E se na maior parte deles a subida foi de $49.99 para $59.99, um aumento de 10 dólares, em outros a subscrição subiu para os 69.99, um aumento de 20 dólares. Curiosamente, pelo menos para já, a Europa escapou aos aumentos.

Mas o que se passa? É compreensível estes aumentos?

A resposta é bastante complexa, e não consegue ser direta!

A realidade é que um custo igual em dois países não corresponde a lucro igual. As taxas aplicadas ao pagamento são diferentes, e  os impostos a pagar posteriormente pelas receitas são igualmente diferentes. Ou seja, a receita bruta para a Sony é diferente!

Naturalmente somos e sempre fomos apologistas de uma regra de serviço igual, pagamento igual. Mas naturalmente que para total justiça, essa regra tem de ser válida para os dois lados, e a empresa que presta o serviço, para serviço igual tem de ter igualmente lucro igual. Daí que há aqui algo que tem de ser pesado dos dois lados, com sacrifício de ambas as partes. E aqui os impostos e a inflação são os elementos desequilibradores pois eles variam de país.

Ora o custo de qualquer serviço tem por hábito ser atualizado todos os anos de acordo com a inflação. Isso acontece na conta da água, da luz, e em tudo. No entanto, desde que foi lançado este serviço em 2010 que os preços nunca variaram, o que quer dizer que, basicamente, o custo nunca acompanhou a inflação em nenhum dos países onde existe, e como tal o lucro da Sony tem vindo a ser reduzido a cada ano que passa.

No entanto há aqui severas injustiças que não podem deixar de ser referidas. É que a justificação encontrada para este custo adicional, a prender-se com a inflação e com a associada quebra de receita, ela seria aplicável a todos os países do mundo, e no entanto o que vemos é que a subida apenas se registou em alguns sítios.

Mas claro, há tambem de se ter em conta outros factores como o nível de inflação, nível de impostos, e o valor/valorização/desvalorização da moeda em causa. E esse talvez seja o motivo pelo qual a Microsoft, eventualmente pelos mesmos motivos, quando ainda este ano ajustou igualmente os seus preços para o Live, não o fez igualmente em todos os países.

Diga-se que ao fim de 6 anos criar um ajuste de preços não pode ser algo visto com maus olhos quando sabemos que todos os serviços os atualizam.

No entanto a verdadeira questão relativa à PSN+, a nosso ver, nem sequer passa pelo aumento do custo. Passa pelo verificar se o serviço atualmente vale ou não a pena. E infelizmente a nossa opinião é que… NÃO! Mesmo sem qualquer aumento!


Independentemente do valor do ofertado pelo serviço, a resposta é, infelizmente, um rotundo não. E isso porque aquilo que é ofertado, e que sempre foi o ponto forte e mais justificável deste pagamento, é atualmente basicamente um conjunto de títulos para os quais a maior parte das pessoas nem olharia duas vezes.

Sendo assinante do serviço desde à vários anos, e acompanhando as ofertas do mesmo desde o seu início, aquilo que se verifica é que o mesmo tem vindo a perder tremendamente em qualidade. Sim, é certo que o serviço tem sido alargado para abranger outras situações, e se inicialmente o custo apenas abrangia a oferta de jogos, atualmente o mesmo cobre serviços online e uma manutenção de uma rede de maior qualidade.

Mas os factos são os factos! A rede da Microsoft inicialmente tambem apenas cobria serviços online e uma manutenção de rede, sem qualquer oferta de jogos, e atualmente passou a incluir a oferta de jogos.

A diferença entre as duas é que a rede da Sony quebrou tremendamente na qualidade dos jogos ofertados passando de jogos AAA de qualidade para Indies que ninguém quer ou conhece, ao passo que a da Microsoft cresce a olhos vistos com ofertas de jogos AAA e alguns deles bem recentes, bem como a oferta de grandes jogos da Xbox 360 que podem ser corridos na One graças à retrocompatibilidade. O resultado é que atualmente o pagamento de um Live ocorre com muito mais gosto do que um pagamento da PSN, e o qual começo a ponderar deixar de pagar, e essa foi uma situação que se inverteu face ao que existia antes.

Ora a questão, a nosso ver, passa exatamente por aí. É que a imagem que passa face a um aumento de custos na Live é que a Microsoft tem vindo a aumentar a qualidade do ofertado e daí que precisa de cobrir mais despesas. Já do lado da Sony a imagem é a oposta, e face ao que tem vindo a ser ofertado a imagem que surge é de que a empresa pura e simplesmente quer amealhar mais. Ao contrário da Microsoft que tem sabido criar motivações para o pagamento e valor, a Sony tem vindo a destruir o valor daquilo que inicialmente tão bem soube criar.

E seja ou não esta a realidade das coisas, associado ao lançamento de uma consola como a Neo apenas três anos depois do lançamento da PS4, esta é a imagem que está a passar em todo o mundo. A de uma empresa gananciosa que quer lucrar ainda mais com aquilo é a sua galinha dos ovos de ouro, parecendo esquecer que caso não crie satisfação nos clientes a fonte dos ovos pode secar. Daí que um cuidado com a imagem que passa deveria ser um dos cuidados principais que esta empresa deveria ter.

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Readers Comments (15)

  1. Luciano S. Carvalho 6 de Setembro de 2016 @ 11:56

    É aquilo que muita gente já vem notando e dizendo a tempos, a Sony com o sucesso obtido nas vendas do PS4 se acomodou e agora trata os clientes como bem entendem, que aceitam qualquer coisa sem nem mesmo parar para pensar, e infelizmente é isso mesmo o que ocorre, os fanboys/sonystas de plantão que o digam, esses chegam até ao cúmulo de agradecer quando jogos são adiados, promessas são quebradas como no caso de No man’s sky que foi lançado sem multiplayer quando haviam prometido esse recurso, quando preços sobem, quando a PSN fica longos períodos offline para manutenção ou outro motivo qualquer e por aí vai.
    Chega uma hora que até o mais ferrenho e alienado defensor acaba se irritando de tanto tapa na cara.

    • E a culpa é de quem? De quem lançou o jogo sem multi jogador ou de haver pessoas tão cegas que compram os jogos nos lançamentos dê lá por onde der?
      Sim, é certo que o jogo não deveria ter sido lançado sem a possibilidade de interacção dos jogadores, e sim, isso dá direito a pedir re-embolso. Algo que não terias de fazer se esperassem por análises antes de comprares o jogo.
      Mas a questão do re-embolso é mais complexa do que isso, e tenho um esboço de artigo sobre o assunto (que não sei ainda se colocarei ou não).

  2. Não é compreensível por dois pontos simples: O serviço é uma merda, com manutenções constantes, sem servidores dedicados, e os jogos “emprestados” estão longe de fazerem jus como na época da PSN na geração ps3, por isso que Sony na liderança sempre é ruim!rsrs

  3. Acho que a Plus que eu utilizo é diferente de alguns.

    Nos dias úteis jogo na parte da noite, entre 20 horas e indo no máximo até a 01:00 do dia seguinte e nos finais de semana em qualquer horário, sendo que não lembro a última vez que a peguei em manutenção, visto que no Brasil geralmente ocorrem por volta das 03 da manhã.

    Portanto acho que a minha rede da Plus é diferente da de alguns leitores daqui, que sempre colocam o adjetivo de mesmo significado: é uma mer**, é uma bos**.

    Jogos emprestados ocorrem nas 2 plataformas.

    • Mas num é que essa turma é pé-frio(no Brasil significa que transmite azar) ontem estava na Universidade e o whatsapp papocando de mensagens, era a turma dizendo que a PSN estava em manutenção.

      • O consenso é que tal foi feito para preparação da rede para as novas características do Firmware 4.0.
        Mas é estranho que se tal é assim, a manutenção não tenha sido dada a conhecer anteriormente.

  4. Livio, talvez nunca tenha usado a do concorrente!

    • Eu tenho live e psn e só percebo diferença na hora de baixar alguma coisa delas, na live e mais rápido, quanto ao online não percebo diferenças.

  5. Luciano S. Carvalho 6 de Setembro de 2016 @ 23:58

    O que importa é isso, consumidores satisfeitos!

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