Windows 11 – O melhor windows de sempre para jogos, e que nem todos podem ter.

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A Microsoft anunciou o Windows 11, denominando-o como o melhor windows de sempre para jogos. Mas infelizmente, a maior parte dos PCs não está apto a receber o upgrade!

O Windows 11 foi apresentado. Com novas mudanças estéticas, o Windows vai mais uma vez mudar de sitio as coisas, tornando-o num quebra cabeças para ser configurado. Algo que aparentemente é do agrado da Microsoft.

Este novo windows é anunciado como o melhor windows de sempre para jogos. E o motivo é a presença do Auto HDR (algo que estava já presente nas últimas versões de teste do Windows 10, mas que nunca chegou a sair ao público), e o Direct Storage, chegadinho da Xbox para o PC.

O upgrade, esse é gratuito, segundo os dados inicialmente revelados pela Microsoft.

E numa análise algo superficial parece que o novo Windows será mais exigente que o Windows 10, mas mesmo assim, um OS pouco exigente. Eis os dados revelados que podem confirmar isso aqui.



Processador Mínimo

Este mantem a velocidade mínima requerida no 1 Ghz, com a diferença que agora o processador tem de ser no mínimo Dual Core, ou seja, basicamente o dobro. Sistemas com um único núcleo seriam afastados o novo OS.

RAM

A RAM exigida pelo Windows 10 era de 1 GB para a versão 32 bits e 2 GB para a versão 64 GB. Com o Windows 11, a versão 32 bits desaparece, e a memória mínima passa a ser 4 GB. Mais uma vez, o dobro do Windows 10.

Espaço em Disco

O espaço em disco exigido era de 16 GB para a versão 32 Bits e 20 GB para a versão 64 bits. Mas com o Windows 11, o espaço mínimo passa a ser de 64 GB. Ou seja, não só a coisa passa ao dobro, como a mesma coloca problemas a sistemas com pequenos SSDs com o Windows instalado. SSDs de 120 GB, mais do que adequados para os 20 GB necessários pelo Windows 10, mas que foram sendo ocupados com instalações diversas, e nesse sentido mostravam-se já curtos, tornam-se incapazes de manter o novo Windows, pelo menos sob a forma de atualização do Windows 10,  obrigando ou que este seja instalado ou em outro local, ou que haja um upgrade do SSD, ou a uma re-instalação fresca.



Diga-se que mesmo SSDs de 256 GB  como os que são comuns em muitos portáteis levam uma valente cacetada, com 1/4 da sua capacidade a ser requerida para a instalação do sistema operativo. E sinceramente, 64 GB para um sistema operativo soa a um absurdo, e claramente este vem inundado de softwares que a Microsoft pretende colocar por defeito no mesmo.

Placa gráfica e monitor

O windows 10 requer uma gráfica compatível com o Direct X 9, o que basicamente engloba qualquer gráfica existente, e um monitor 800×600, mas o Windows 11 requer uma placa gráfica DirectX 12, ou seja, um GPU relativamente recente, e um ecrã HD, ou 720p.

É no fundo um aumento nos requisitos enorme, apesar que, face aos PCs atuais, nada de extraordinário.

Mas porquê este aumento?



Bem, durante anos e anos, a Microsoft foi subvertendo o conceito de consola, de forma a tornar a mesma num PC. Agora, com o windows 11 a ideia é a contrária, alterar um pouco o conceito de PC, para o aproximar de uma consola.

Ora o grande problema nesta ideologia é que a Microsoft quer implementar no PC uma das grandes vantagens das consolas, e algo que é visto como um problema nos PCs. Basicamente a Microsoft quer que o PC se torne num sistema mais fechado… e acima de tudo livre de hacks, seguro, e já agora… Livre de pirataria.

E é aqui que a porca torce o rabo!

É que mesmo aceitando tudo isto, a infeliz realidade é que a maior parte dos computadores, inclusive alguns bem recentes, não estão aptos a receber o Windows 11.

E porque motivo a maior parte dos PCs não está apta a receber o Windows 11?



Bem, por dois motivos:

1 – O suporte oficial. Segundo este, os CPUs suportados, mesmo sendo indicado 1 GHz, Dual Core como suporte mínimo, na realidade serão bem poucos, uma vez que estes terão de ser de oitava geração, ou mais recentes no caso da Intel ou Ryzen 2000 ou mais recentes no caso da AMD. Basicamente estamos a falar de CPUs lançados em 2017 para a frente..

Isto quer dizer que, mesmo o Surface Studio 2 que a Microsoft atualmente vende a 3500 euros, e equipado  com um i7 7820HQ não está apto a, pelo menos oficialmente, sofrer upgrade. Na realidade serão milhões os PCs, perfeitamente capazes que não estarão aptos a mudar. Por exemplo, meu antigo PC, com um i7 4770K, 16 GB e uma RX 580, que ainda hoje me corre todos os jogos a 1080p, ou mesmo mais, e perfeitamente capaz de correr todos os jogos Xbox que possuo a 4K 60 fps (Tal como na One X), não poderá sofrer atualização porque o CPU, não é suportado.

2 – Porque para garantir questões de segurança, hacks, ransomware e mesmo para poder evitar pirataria a Microsoft exige dois suportes adicionais obrigatórios nos PCs que podem instalar o Windows 11. E são elas o Secure Boot, e o Trusted Platform Module (TPM) versão 2.0.

Ora o Secure Boot é uma opção relativamente comum nas motherboards equipadas com UEFI, mas dificilmente encontrada nas motherboards com Bios. Já o TPM 2.0… Bem, esse é um suporte que mesmo muitos PCs com as especificações requeridas não tem, e que obrigará a despesa extra na compra de um módulo adicional, desde que suportado pela motherboard, pois muitas das boards recentes ainda trazem apenas suporte para a versão 1.2, que a Microsoft inicialmente pensava suportar, mas que acabou por rejeitar.



De se referir que este suporte pode existir integrado por software no UEFI da motherboard ou ser suportado a nível de um módulo discreto, ou seja, uma peça de hardware adicional comprada à parte. Algumas boards, como a minha mais recente, suportam as duas coisas.

Resumidamente, isto quer dizer que as especificações mínimas inicialmente aqui referidas são o que se chama na gíria, um “engana meninos e papa-lhes o pão”, pois esses computadores estão longe de estar aptos a oferecer este nível de suporte.

Mas há mais… é que muitos dos PCs que possuem todo o hardware necessário para o suporte, instalaram, sem se aperceberem, o Windows no chamado “Legacy mode”, uma opção da UEFI, e que é incompatível com o Windows 11 pois não permite o Secure Boot. A consequência de tal é que o suporte existe… mas requer formatar o disco e re-instalar tudo de novo, algo que não nos parece minimamente que algo que a maior parte das pessoas que tiverem este problema, façam de bom grado.

Basicamente o Windows 11 está longe de ser uma revolução. Com estas exigências vai deixar de fora muitos PCs, e vai obrigar outros a trabalhos redobrados de re-instalação para o suportarem.

O resultado vai ser uma fragmentação do mercado em dois sistemas operativos, o Windows 10 e o 11, sendo que certamente a Microsoft vai tentar forçar milhões e milhões de computadores, perfeitamente capazes e aptos, com performances ainda super adequadaspara o que fazem, a sofrerem upgrade, ameaçando abandonar o suporte ao Windows 10.



Tudo isto alegando questões de segurança, sendo que na prática , este Windows anunciado como o melhor de sempre para jogos, traz apenas como diferença o suporte ao Direct Storage, e o Auto HDR (algo que pouco interessa à maior parte dos possuidores de PCs que usam as suas máquinas em monitores sem suporte HDR). Diga-se que, no que toca a gaming, isto soa tudo a uma manobra de forma a forçar o upgrade, pois certamente o Windows 10 poderia suportar estas características.

Dai que, perante esta postura da Microsoft o mercado vai fragmentar de forma clara. E esta imposição, especialmente se tal implicar um abandono em breve ao Windows 10 (e a Microsoft já comunicou que o vai deixar de o suportar em 2025), parece-nos, sob a desculpa da segurança, ser um claro abuso da sua posição dominante neste mercado, para forçar e impor um standard que obriga a novos PCs e que vai colocar todo o mercado PC em reboliço. Nada, mas mesmo nada, justifica que máquinas perfeitamente funcionais, capazes, e mesmo ainda hoje poderosas face ao que fazem, sejam abandonadas apenas porque a Microsoft resolveu deixar de as suportar. E isto vai certamente, especialmente por parte das empresas, gerar uma onda de animosidade contra a Microsoft, com milhões e milhões de PCs a perderem o suporte, não porque não quiseram fazer upgrade, não porque as máquinas sejam obsoletas, mas porque a Microsoft assim entendeu.

Claramente a Microsoft terá de arranjar maneira de estender o suporte oficial a muitos mais PCs no mercado. Como qualquer sistema operativo digno desse nome, a ideia é suportar o hardware e não excluí-los, obrigando a upgrades de milhões e milhões de máquinas perfeitamente aptas e funcionais, dando apenas suporte, pelo menos oficialmente, ao hardware dos últimos 3 anos. E a desculpa da segurança não chega, uma vez que muitas máquinas nem sequer estão ligadas à internet, ou não o estão de forma direta.

Perante isto, caso queiram saber se o vosso PC é elegível para upgrade para o Windows 11, acedam a este link e descarreguem o software oficial da Microsoft.

Notem que o vosso PC pode ser elegível e mesmo assim ser rejeitado pelo programa devido a algumas opções estarem desativadas na vossa UEFI.



Notas finais: Porque quando mais leio, mais preocupado fico com expectável corte de suporte à maioria dos PCs atuais que correm o Windows 10 sem problemas, reforço o seguinte:

A empresa que se propõem alcançar 3 mil milhões de utilizadores resolve dividir a plataforma Windows em duas, e deixar de fora milhões de máquinas. A lista de processadores oficialmente suportados (apesar que eventualmente os outros poderão funcionar de forma não oficial) é reduzida, o Windows 10 é “ameaçado” ser abandonado dentro de 4 anos, e o suporte TPM 2.0 não é garantido mesmo em máquinas recentes, o que obrigará a despesa extra e, em alguns casos, re-instalação do Windows, ou abandono das máquinas. Esta é a mesma Microsoft que, em outras ocasiões, refere ser pro consumidor.
Mas possuir, obrigatoriamente, com o TPM, uma forma de criptografia capaz de garantir a segurança, bem como, caso se queira, a legitimidade de todo o software da máquina, e o corte de suporte ao Windows 10 para forçar o upgrade, parece valer mais do que os interesses dos milhões de utilizadores que poderão ficar de fora do novo OS e sem suporte no atual.

Ter o suporte TPM 2.0 poderia e deveria ser algo recomendado. Afinal é a segurança que está em causa. Mas a escolha sobre ele existir ou não, essa deveria recair sobre cada um, e não ser uma imposição da Microsoft, quanto mais não seja porque as máquinas atuais não o possuem ativo e, desde que usadas com bom senso, são seguras. E não havendo, a nível de OS, uma alternativa equivalente no mercado, este definir se máquinas perfeitamente capazes passam a obsoletas ou não, por um fator não relacionado com a performance, é uma postura aparentemente abusiva, e que soa a monopólio e abuso de posição dominante.

Num outro ponto, devido ao facto de o seu Surface Studio 2 de 3500 euros não ser suportado, numa medida de última hora, a Microsoft resolveu alargar o suporte do Windows 11 aos Processadores Intel de 7ª geração. Para justificar a situação, esta alega que estes estão em fase de testes para verificar se eles suportam corretamente o windows 11. Curiosamente esta fase de testes não se alargou a mais nenhum processador. Mas tudo isto será com certeza, mera coincidência e nada a ver com possíveis prejuízos e perdas de vendas.



Outra situação engraçada é que, a Microsoft, nesta fase de testes, resolveu remover o requisito do TPM 2.0, alegando que desta forma o Windows poderá ser testado numa maior quantidade de máquinas. Ou seja, os utilizadores servem assim de beta testers, e como interessa, sem o TPM… Mas uma vez tudo testado, eles que voltem a re-instalar tudo e voltam ao Windows 10, pois o TPM será obrigatório. Situações algo engraçadas vindas da Microsoft.

Finalmente, e relativamente às expectativas de suporte de hardware mais antigo, e não oficialmente suportado, tudo aponta no sentido que este estará mesmo fora de hipóteses.

O vídeo que se segue corre o Windows 11 num processador Intel i7 4770, com uma Radeon HD 5740, e 16 GB de RAM. A partir dos 10 minutos vemos o sistema a correr um jogo indie extremamente leve e a arrastar-se. Vemos igualmente o Far Cry 3 a ser executado e, mais uma vez, a arrastar-se.

Recorde-se que o Far Cry 3 requer como requisitos recomendados o seguinte:



  • CPU: Intel Core i3-530/AMD Phenom II X2 565 or equivalent quad-core
  • RAM: 4 GB
  • VIDEO CARD: Nvidia GTX 480/AMD Radeon HD 5770 or equivalent 1024MB DirectX 11 card

Basicamente o sistema só não obedece aos requisitos gráficos, mas mesmo assim fica bem acima dos mínimos que são:

  • CPU: Intel Core2 Duo E6700/AMD Athlon64 X2 6000+
  • RAM: 2 GB
  • VIDEO CARD: Nvidia 8800 GTX/AMD Radeon HD 2900 or equivalent 512MB DirectX 9c card

Ou seja, a placa gráfica é 3 anos mais recente que a mínima requerida. E nesse sentido, dado que o jogo está a correr a 900p (ver aos 6m 21s a resolução do sistema), este não se deveria arrastar desta forma.

Só para terem uma noção aproximada do que este processador (I7-4770) ainda pode fazer nos dias atuais, eis alguns benchmarks que o comparam a um Ryzen 3950X em jogos recentes (note-se que a versão do CPU é a 4770K, uma versão um pouco melhorada, mas mesmo assim semelhante).



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Celita
Celita
1 mês atrás
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Por enquanto ainda não tenho pressa de mudar, até porque o gaming no PC não me interessa.
Acredito que virá suporte para GPUs mais antigas mas com funcionalidades desactivadas como o HDR.

Todos os jogos xbox a 4k@60fps numa RX580? Só se for em ultra low settings e em jogos mais antigos.

Celita
Celita
Responder a  Mário Armão Ferreira
1 mês atrás

Então não são todos os jogos xbox, são todos os exclusivos xbox/pc (excepto o the medium certamente), que boa parte já fazem os 4k@60 na one x.

Celita
Celita
Responder a  Mário Armão Ferreira
1 mês atrás

No quantumbreak consegues? A 1060 não dava os 60fps nem a 1440p

off- Já ouviste falar do everywhere? Deve ser o jogo que mais hype me causou nos ultimos tempos. Vamos ver se sai um gta killer ou um cyberbug 🙂

Celita
Celita
Responder a  Mário Armão Ferreira
1 mês atrás

Há uns traillers e muitas promessas.

Gostei do que vi, mas também tinha gostado do cyberbug até este ser lançado.

Celita
Celita
Responder a  Mário Armão Ferreira
1 mês atrás

Foi qual? Vou tentar agendar para uma sexta se conseguir.

Celita
Celita
Responder a  Mário Armão Ferreira
1 mês atrás

Os casos de febre são muito mais comuns em pessoas novas, talvez devido a um sistema imunológico mais agressivo.
Eu com 38 fico logo de cama.

Daniel Torres
Daniel Torres
Responder a  Mário Armão Ferreira
1 mês atrás

Mário, eu tive uma pequena reação quando tomei a vacina, que no meu caso foi a Astrazenica, mas tomei um paracetamol e os efeitos passaram, depois não tive mais sintomas.

nETTo
nETTo
Responder a  Celita
1 mês atrás

“4K@60fps na One X”?

Não seriam 4K@30fps na One X?

Deto
Deto
1 mês atrás
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é a mesma coisa q a MS fazia antes com DirectX, so que agora não precisa ser o DX… Pode ser o Direct Storage ou/e Auto HDR que “so vai ter na nova versão do windows”

E se tivesse realmente melhorado algo em jogos, a MS já tinha divulgado uns benckmarks.

Duvido que o NTFS de conta de usar direito um SSD top de linha… não servia nem para HD comparado com sistema de arquivos feito por um cara na garagem de casa.

Esse é o ruim do monopolio, a gente podia ter benchmark comprando o SO para ver quem abrir os softwares mais rápido… quem tinha o sistema de arquivos mais eficiente, etc… agora é “pega isso ai que é o que tem”

eduard08
eduard08
1 mês atrás
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Mais decisões da Microsoft que ninguem percebe, e que acredito que ate sairem a versao final muita coisa vai mudar, ou mesmo apos este sair e se pouca gente aderir, eles vao arranjar desculpas que conseguiram optimiza-lo como por magia

Ja agora a versao arm do Windows 11 funciona bem no lumia 650XL que saiu em 2015

https://youtu.be/YSaJfudt8S4

eduard08
eduard08
Responder a  Mário Armão Ferreira
1 mês atrás

La para os lados da Microsoft tem muitos magicos, mas e so mesmo para o que lhes interessa e convém

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