Xbox One vs PS4: Já não é o hardware que está em causa, são os direitos dos consumidores.

Seja vindo da Sony ou da Microsoft, o que foi conhecido como sendo uma realidade que se pretende apresentar na Xbox One é um atentado aos direitos dos consumidores.

Sheep

Antes de se começar este artigo convêm referir que a presente revolta contra a Microsoft poderá revelar-se idêntica face à Sony caso esta opte por situações semelhantes na sua consola. Mas o facto é que actualmente somente a Microsoft referiu oficialmente como funcionará a sua consola, e o que foi dado a conhecer torna-se revoltante ao ponto de, apesar de ser um coleccionador de consolas, ter decidido que nesta fase a Xbox One não será uma consola que irei adquirir.

O que está aqui em causa passa já o “a minha consola é melhor que a tua”, ou guerras de hardware. Falamos de opções e atitudes que são lesivas do direito dos consumidores e que pretendem alterar-lhes a realidade que sempre que sempre conheceram. E tudo isso não porque haja vantagens na situação, mas apenas porque a Microsoft pretende criar um DRM que a proteja da pirataria, mesmo que tal signifique cortar direitos aos utilizadores.

Actualmente, e de acordo com as declaraçõses oficiais da MIcrosoft, optar por uma consola Xbox One é aceitar:



  1. O direito dos criadores de matarem a posse dos jogos por parte de quem os adquire! –  Efectivamente os jogos deixam de ser nossos e apenas adquirimos o direito de os jogar. Talvez tal seja uma forma camuflada de a empresa não vir a ter problemas no dia que matar os servidores que a consola requer para funcionar e se verificar online a um mínimo de cada 24 horas, tornando assim a consola e os jogos para a mesma inúteis.
  2. O defender e aceitar que as empresas possuem o direito de decidir como e quando é que nos jogamos os nossos jogos! –  A Consola é nossa, os jogos são nossos e devemos ter o direito de os jogar quando queremos e onde queremos, e não apenas quando há internet ou quando se cumprem determinados requisitos como o facto de a consola onde se vai correr o jogo ser nossa ou não!
  3. O defender o direito dos criadores de ditar os preços dos usados! O preço de um usado deverá ser livre. O mercado e a procura, e aqui conta o mercado local, deverá ser o factor decisivo no preço dos usados, sendo que os criadores não deverão ter o direito de ditar o preço do usado ou de receber uma comissão. Se isto não é uma realidade em nada na vida porque motivo o havia de ser nos jogos?
  4. Defender o direito de a cada geração termos produtos mais restritivos e proibitivos dos nossos direitos e liberdades! Porque motivo haveremos de ser nós consumidores a pagar pela ganância dos criadores e pela incompetência na protecção das consolas? Porque motivo teremos de abdicar de realidades que sempre conhecemos quando no fundo a situação nada de bom nos aporta?
  5. Aceitar a necessidade de produtos sempre online quando na realidade ligações pontuais são suficientes! Por muito que se refiram possíveis vantagens de um sistema sempre online a situação deveria ser opcional e nunca limitativa do uso da consola. Um utilizador não pode aceder à consola, não acede. Ou será que um militar no Iraque não tem direito a jogar? Ou aceita-se que alguém numa casa de campo tenha de adquirir um pacote de internet móvel para jogar consola nas férias? Pior ainda quando as verificações são de hora a hora quando a consola usada para jogar o jogo não é pertença do titular do jogo. Isto é tratar os clientes como possíveis burlões e colocar um vigia constantemente em cima deles. E mais ainda colocar a possibilidade de as pessoas jogarem ou não numa série de factores como qualidade do serviços, problemas do ISP, problemas do router, problemas de rede, etc.
  6. Aceitar que só posso vender jogos a amigos desde que ele esteja na minha lista de amigos à mais de 30 dias. Este é um caso do mais ridículo que há. Para a Microsoft amigo só é amigo se a amizade durar à mais de 30 dias. Sinceramente sem comentários. Esta é uma restrição ridícula que quase parece gozar com as pessoas.
  7. Aceitar que apenas 10 pessoas podem aceder ao meu conteúdo, independentemente da consola onde o mesmo é acedido! Mais uma situação ridícula onde a Microsoft é que decido quantos amigos no máximo é que posso ter e que podem aceder ao jogo que paguei.

Sinceramente em vários anos de informática nunca pensei em analisar um hardware por esta perspectiva, mas efectivamente o que aqui está em causa são direitos dos consumidores que a Microsoft quer anular. Cabe agora aos utilizadores aceitar ou não esta situação, mas dado que o que aqui está referido é confirmado oficialmente pela Microsoft cada um terá de pensar bem no que está a fazer.





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