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Retomando o nosso artigo

 

Confrontados com as possíveis medidas que poderiam ser empregues na próxima geração de consolas e que impediriam o uso de jogos usados, um dos criadores de Crysis e representante da Crytek achou que tal seria excelente.

Vindo de uma empresa que vendeu três milhões de cópias de Crysis 2 em apenas quatro meses, esta é uma declaração surpreendente.

A empresa queixa-se porém de quem essas vendas poderiam ter sido mais altas não fosse o facto de Crysis 2 ter sido o jogo mais pirateado de 2011, mas parece estar aqui a confundir jogos usados e legais com pirataria.

Um pirata é aquele que arranja uma cópia ilegal de um jogo e que o joga ao mesmo tempo que aqueles que compram o jogo original na data do seu lançamento.

Já alguém que compra um jogo usado é uma pessoa que não pode pagar o custo de 70 euros por o jogo novo, e que se priva de o jogar na altura do seu lançamento de forma a aguardar que o mesmo surja como usado a um preço mais acessível. É igualmente uma pessoa que se mantém dentro da lei e compra assim o produto original.

É certo que quer num caso, quer no outro, o produtor não vê o dinheiro desse utilizador, mas tal situação de venda de usados é um direito que assiste o comprador e algo que se passa com absolutamente todos os produtos existentes. Ou estão a ver os vendedores de automóveis a criar medidas para acabar com o mercado de usados? Pelo contrário, as marcas entram elas próprias nesse negócio, algo que não vemos os produtores de software a fazer.

Nas palavras de Rasmus Hojengaard, director de desenvolvimento criativo da Crytek foi referido o seguinte:

“Numa perspectiva de negócio tal seria absolutamente incrivel. É estranho que o negócio de usados ainda seja permitido porque tal não se verifica em mais nenhuma outra industria do software (e realmente só os videojogos possuem mercados de usados), pelo que seria fabuloso se essa situação fosse definitivamente resolvida.”

Efectivamente o mercado de usados de outro tipo de softwares não é tão aberto, mas a verdade é que existe igualmente. Para além do mais nenhum outro tipo de software vê um cliente a comprar tantos produtos e em tão pouco tempo, sendo que não se tratam igualmente de softwares que possuem principio meio e fim, e que ao fim de algumas horas (leia-se após terminar o jogo), se torna completamente inútil. Existe aliás uma palavra que distingue este software do outro. É que este é software lúdico e o outro é de produtividade, pelo que há efectivamente grandes diferenças entre os tipos que justificam a existência de um mercado de usados.

Pessoalmente sou um grande amante dos videojogos. E mesmo não tendo o hábito de adquirir usados de forma regular não deixo de comprar alguns usados de grandes jogos que deixei passar na altura e que devido à evolução deixaram de ser interessantes a não ser quando aparecem a preços igualmente interessantes. Mas se um dia os usados deixarem de ser uma realidade, deixarei de comprar jogos pois não posso pactuar com medidas exploratórias de valores exorbitantes (convenhamos que 60 ou 70 euros por um jogo é uma roubalheira) e que custam a ganhar.

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  3 Responses to “Crytek acha que bloqueio de jogos usados na nova geração é uma grande medida.”

Comments (3)
  1. Aqui há 20 anos atrás eu já comprava jogos entre 12 a 15 contos (MegaDrive), exactamente o mesmo preço médio dos jogos de hoje em dia….

    Quer isto dizer que daqui por mais 20 anos é que teremos jogos mais baratos ?

    • A questão é que o custo de fabrico de um jogo megadrive era muito mais elevado do que os actuais 30 centimos que custa um DVD. Ou seja, actualmente os jogos estão é mais caros, especialmente as versões digitais que trazem custo zero aos produtores. É certo que antes um jogo era desenvolvido por uma equipa de 2 a 3 elementos, e agora são centenas deles, mas antes o mercado era de uns milhares de possiveis vendas e agora são uns milhões. Um milhão de jogos vendidos a 60 euros são 60 milhões de euros, o que numa equipa com 1000 membros (e aqui exageramos no tamanho da equipa) dá 600 mil euros a cada um. E diga-se que eu muito certamente não ganharei 600 mil euros em toda a minha vida. Por isso não haja dúvidas… Os jogos estão caros.

      • Nesse ponto de vista em relação ao numero de elementos até concordo.

        Mas eu também dei só o exemplo da MegaDrive, com às outras consolas nos anos 80, 90… sempre foram estes os preços também! E certamente muitos destes tiveram já grandes equipas de desenvolvimento e produção. (PSX, N64)

        Concordo em absoluto que os jogos estão caros, para mais neste tempo em que existe muito mais alternativas até aos próprios jogos. Já é bom que não tenham subido os preços nestas décadas e vamos esperar que se mantenham nas próximas ;)

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