A patente introduzida pela Sony e baseada num chip em cada Blu-Ray, capaz de bloquear o uso dos jogos à consola que os activa está a cair mal em toda a comunidade online, e poderá mesmo significar o fim da Sony.
A notícia de que a Sony Japonesa tinha patenteado um sistema baseado num chip e que seria colocada em todos os Blu-Ray, permitindo guardar informações sobre a consola que activava o jogo e o bloqueava em todas as outras consolas, tudo isto sem internet, criou já uma onda de indignação tremenda em todo o mundo, e teve inclusive repercussões nas acções da GameStop que tiveram uma queda brutal devido aos receios dos accionistas.
Não se sabe ao certo quais as intenções exactas da Sony quando patenteou um sistema como este. Terminar de vez com os usados forçando à compra das versões retalho, normalmente bastante mais caras? Ou será que a Sony apenas pretendia vender máquinas para desbloqueio dos chips, levando uma percentagens das vendas dos usados e regulando os preços dos mesmos?
A intenção da Sony é desconhecida, mas a verdade é que a preocupação maior não vem do futuro dos jogos usados e da continuidade ou não dos retalhistas no negócio, bem como da quebra dos seus potenciais lucros. É certo que essas são situações que são igualmente preocupantes e dignas de registo, mas empalidecem face a outras bastante mais comuns e que afectam mais genericamente a totalidade dos utilizadores de consolas.
É que independentemente das intenções e do método de funcionamento do sistema há que analisar a coisa por aquilo que realmente ela é, e mais do que ver a perspectiva pelo lado dos usados, a situação resume-se a um bloqueio dos jogos à consola que os activa, com todos os inconvenientes que isso acarreta.
Quer isso dizer, por exemplo que se eu tivesse uma consola em casa e outra numa outra casa de férias - algo que na PS3 até nem é idiota uma vez que a consola é o melhor leitor de Blu-Ray do mercado, compensando mesmo face a leitores muito mais limitados a preço pouco ou nada inferior - levando os jogos de um lado para o outro quando me deslocasse, os jogos estariam anulados, sendo necessário comprar o mesmo jogo para uso em cada casa.
Mas este caso não se aplica a todos há um outro que afectaria absolutamente todos os utilizadores. Uma avaria na consola!
O que fazer quando a nossa consola avaria? Caso a reparação seja possível não parece existir qualquer problema, mas e se a consola necessitar de ser trocada, ou se já fora da garantia avaria sendo solicitado 150 euros de reparação quando por 190 se vendem consolas novas com bundles de jogos?
Quer na troca por reparação, quer na compra de uma nova por a reparação não parecer vantajosa, existe o problema dos jogos. Sendo uma consola diferente, os mesmos não vão funcionar. O que fazer então com uma biblioteca de jogos com centenas ou milhares de euros em investimento? Deitar ao lixo?
Naturalmente que a Sony até poderia propor um serviço onde em caso de reparação os chips são limpos da informação. Mas mesmo que assim seja são mais chatices para o cliente. Ter de levar os jogos todos junto com a consola é algo que certamente não agrada a ninguém.
Surge ainda a questão do que acontecerá em caso de falha de um dos chips. Afinal os mesmos terão de ser baratos para compensar o seu fabrico, e imagine-se que o mesmo avaria bloqueando o jogo? Troca? Sim, é uma hipótese mas é mais uma chatice e uma preocupação para o utilizador.
O que é certo é que este tipo de situações, mais do que nunca, é um incentivo ao desbloqueio e pirataria de conteúdos na consola. Tudo o que as pessoas não desejam neste momento é chatices, e adquirir um sistema que só lhes vai dar chatices adicionais em caso de avaria não parece algo desejado.
Ora com a Sony numa posição financeira nada desejável, com a PS Vita a vender mal, e PS3 a sustentar a empresa, mas em final de vida, será que a Sony pretenderá mesmo avançar com esta situação na sua PS4? Com consolas da concorrência que não possuem essas restrições e que, de acordo com os rumores, até serão tecnicamente superiores, parece que a última coisa que a Sony precisa é de afrontar aqueles que lhes dão os lucros. E com ou sem a possibilidade de desbloqueio do chip, esta não será uma situação desejável.
Já por outro lado, esta seria uma situação interessante não para este tipo de bloqueio, mas para verificação da originalidade do BD. Se o chip não existisse os jogos não poderiam ser executados (excluia-se filmes e DVD’s de conteúdos, como música ou Divx), criando-se assim uma óptima ferramenta contra a pirataria.
É certo que Jack Trenton, CEO da SCEA (Sony Computer Entertainement America) já se revelou contra o bloqueio de jogos usados na PS4, mas no entanto, como já vimos em cima, na realidade podemos não estar face a um bloqueio real das vendas de usados, podendo a tecnologia apenas pretender fornecer lucros adicionais à Sony. Mas, independentemente de tal, essa seria sempre uma situação que teria grandes implicações para o utilizador ao bloquear os jogos à sua consola, e sendo este aquele a quem se destina o produto, certamente optaria pela concorrência onde tais restrições não existem.
Independentemente de tudo, bloquear os jogos à consola não é do agrado da maior parte dos consumidores deste tipo de produtos. E com uma situação deste género a Sony arrisca-se a ver a sua maior fonte de receitas, a Playstation, a ir por água abaixo.
