iOS6 - um upgrade com sabor amargo

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O iOS 6 era esperado como um grande passo na evolução do famoso sistema operativo que equipa iPhones e iPads. No entanto, tendo oportunidade de o ter instalado no meu iPhone 4 e no meu iPad 3, a sensação que fica é a de um amargo de boca, com as actualizações existentes a serem de vantagem discutível face ao que acaba por ser perdido.

Tal como qualquer possuidor de um aparelho Apple, esperava a actualização para o OS 6 com algumas expectativas. Sabia já à partida às novidades com que podia contar, afinal a situação estava relatava na página da Apple (http://www.apple.com/ios/whats-new/). Mas após ter instalado o novo OS, apercebi-me de que o que há de novo é, no fundo, para nós utilizadores não Norte-Americanos muito pouco, ou quase nada. Há inclusive de ponderar se em algumas situações aquilo a que tivemos direito não foi um downgrade em vez de um upgrade.

Para me aperceber claramente desta situação dividi o upgrade em duas partes. E consegui-o ao possuir um iPhone 4 e um iPad 3. O iPhone 4 estaria limitado no que obteria, ao passo que o iPad 3 obteria a totalidade das melhorias. E foi exactamente isso que me permitiu ver que o que é oferecido é realmente muito, mas mesmo muito pouco. Passo então a explicar.

Novos Mapas Apple

A nível de mapas a Apple prometia 3D, devido à opção Fly Over, mapas igualmente detalhados, face ao Google Maps, e navegação GPS Turn By Turn.

No entanto, no iPhone 4 a navegação Turn By Turn não está totalmente disponível e, apesar de funcional, não utiliza voz para avisar das acções, forçando ao acompanhamento e actualização manual das acções.

Curiosamente, esta situação não tem grande explicação. O iPhone 4 possui a opção Enunciar Selecção que se encontra nos menus de acessibilidades, e com a qual o iPhone 4 pode ler alto, em bom som, e com uma dicção em Português invejável, SMS, E-Mails, conteúdo Web e outras situações. Torna-se assim incompreensível que no caso do Turn By Turn o mesmo não possa usar essa função para referir em viva voz as acções a tomar, o que eliminaria qualquer associação com o Siri como necessário para esta situação.

A única limitação possível de se encontrar passa pelo facto de o A4 que equipa este telefone, ser um processador de um único núcleo, mas mesmo assim torna-se difícil de compreender esta situação, quanto mais não seja porque o CPU não aparenta estar com grande ocupação ao usar o GPS. Relembra-se que o velhinho NDrive, agora fornecido gratuitamente como TMN Drive, já faziam a sobreposição de imagens e áudio em hardware muito, mas mesmo muito, inferior ao do iPhone 4.

Da mesma forma, o Fly Over não funciona neste telefone, impedindo assim de se visualizar as perspectivas 3D dos mapas, e os edifícios num glorioso efeito tri-dimensional.

Quer isto dizer que os ganhos do iPhone 4 ao passar do Google Maps para este novo software são discutíveis:

Ganha-se uma navegação Turn By Turn aleijada, e em compensação perde-se os mapas com cobertura mundial em alta resolução do Google Maps para passar para estes novos mapas que, apesar de muito bons, não possuem a mesma cobertura em todo o mundo.

Os mapas estão ainda cobertos de erros, e não possuem de forma alguma a mesma qualidade existente no Google Maps.

Mais ainda, perde-se o acesso ao Street View.

A conclusão final a que se chega é que, com um iPhone 4S a vantagem da troca para estes novos mapas é, no mínimo, algo questionável. Sem Turn By Turn, sem Fly Over e com mapas de menor cobertura, mais erros, e menor resolução, bem como a perda do Street View, o que se ganha? Um Turn By Turn defeituoso que qualquer software de GPS consegue fazer melhor? E há que lembrar que actualmente o TMN Drive é gratuito.

Ora com este passo intermédio que permite mostrar claramente que o upgrade para os mapas do iOS 6 não valeram a pena para este telefone, o que o iPad 3 ganha comparativamente soa a bastante pouco, parecendo aquilo que realmente é: uma mera ligeira melhoria face ao ganho que se pode considerar nulo existente num iPhone 4.

O Fly Over continua a ser uma grande treta. O território nacional não possui absolutamente qualquer tipo de cobertura 3D com edifícios modelados, estando esta situação limitada a certas cidades dos EUA, e o Turn By Turn acrescenta finalmente as indicações automáticas de voz. Ou seja o ganho real é apenas o das indicações automáticas por voz. Mas as perdas face ao que existia, essas continuam a ser as mesmas.

Siri

Depois temos o Siri e as suas melhorias, bem como a sua estreia no iPad 3.

Ora o iPhone 4 não suporta o Siri, pelo que neste ponto o upgrade é nulo. E o iPad 3 que o passa agora a suportar tem um upgrade que para todos os efeitos é, para nós Portugueses, igualmente nulo. A não ser que queiram falar com o Siri em Inglês, e obterem respostas sem grande valor, uma vez que no que toca ao nosso país os dados disponíveis para o Siri são extremamente reduzidos.


E para obtermos aquilo que realmente funciona bem com um diálogo em Inglês com o Siri, as pesquisas de Internet por voz, o Chrome disponível para iOS já fazia isso, entendendo claramente o Português.

Integração Facebook

Este ponto é efectivamente uma melhoria. A integração é quase total e agora o Facebook está presente na quase totalidade das situações existentes no telemóvel e/ou tablet.

Stream de Fotos

A partilha via Stream de fotos foi igualmente outra melhorada. Mas não é uma novidade. Este é o tipo de acção está disponível desde o iOS 5. No fundo a mesma teve apenas algumas melhorias, nada mais do que isso.

PassBook

O Passbook é uma novidade real, mas apenas nos iPhones. Interessante, prometedor, etc, etc. Trata-se no entanto de uma App e não de algo verdadeiramente integrado no OS. É uma App fornecida de origem, mas que poderia perfeitamente ser disponibilizada à parte. Não é verdadeiramente uma melhoria no OS.

No entanto é quase incompreensível que o Passbook possua uma bug que o impede de se ligar ao iTunes, e como tal de funcionar. A Bug tem uma correcção simples mexendo no relógio do telefone, mas é vergonhoso que tal tenha de acontecer.

Facetime

O Facetime sobre a rede é outra novidade, mas que requer um iPhone 4S, um iPhone 5 ou um iPad 3.

E estes requisitos são intrigantes: Porque motivo os iPhone 4 e os iPad 2 foram excluídos de o usar é uma incógnita. É certo que o iPhone 4S, apesar de não ser um telefone 4G, suporta velocidades 3G de 7,2 Megabits. Seja com for, torna-se surpreendente que os 3,6 Mbits de Internet suportados pelo iPhone 4, algo que muitos usam nas suas internets moveis, e que lhes permite vídeo conferência sem problemas, se revele problemático ao ponto de não permitir o suporte neste telefone. Estamos a falar de perto de 460 KB/segundo, mais do que o necessário para um stream vídeo perfeito.

E para além do mais, mesmo suportando 7,2 Mb/s, muitas zonas 3G estão limitadas a uma cobertura de 3,6, o que levará estes telefones para os níveis do 4/iPad 2.

Já os chamados produtos 4G como o iPad 3 e o iPhone 5 possuem igualmente o mesmo problema. É que apesar de serem 4G, na Europa o iPad 3 não suporta essa rede, e o iPhone 5, devido às frequências utilizadas, irá, pelo menos para já, funcionar a 3G.


Curiosamente o iPad 2, possui ainda o mesmo CPU, o A5, do iPhone 4S. Vá-se lá então perceber porque motivo não é suportado!

Safari

As melhorias no Safari são poucas mas bem vindas. Mas no entanto existem e como tal não há o que criticar. No entanto que fique bem vincado que as melhorias são poucas.

Acessibilidade

Há igualmente supostas melhorias na Acessibilidade do telefone, mas essa situação não pudemos testar. Vamos por isso abster-nos de falar sobre ela.

Fotos Panorâmicas

Já no que toca à Câmara, o iOS 6 introduz o modo Panorama. Mas curiosamente só no iPhone 4S e 5. Uma situação curiosa dado que este tipo de softwares existem à anos, e com excelente qualidade, para o iPhone e iPad, suportando todos os modelos.

Daí que se torne difícil considerar este suporte tão limitado como uma melhoria. Não acrescenta nada que já não existisse ou fosse possível, e ainda por cima apenas em modelos limitados.

App Store remodelada

Se a nova App Store está melhor ou não, é algo que poderíamos discutir. Mas há uma situação em que todos teremos de concordar. Está lenta… estupidamente lenta. E de forma incompreensível.

Para além do mais, porque motivo a escolha das apps se faz através de uma deslocação horizontal da selecção, como sempre aconteceu? A situação é ridícula ao ponto de apenas visualizarmos 3 apps e meia, e numa altura em que o novo iPhone acrescenta espaço vertical, colocar a store a funcionar na horizontal é… caricato.

Eis o antes e o depois:

Conclusão

Por outras palavras, o upgrade para o iOS 6 revela-se como algo que de novidades traz… muito pouco. E o pouco que traz vem acompanhado de perdas como é o caso do Google Maps e da aplicação Youtube, ou situações como o abrandamento da App Store que são injustificáveis.

É certo que o Google Earth e o Youtube podem ser agora obtidos pelas Apps fornecidas pela Google (o iPad não tem a aplicação Youtube, mas pode usar a versão mobile do site e criar um atalho para o menu), mas é igualmente uma garantia que todos vão notar as diferenças e a falta das aplicações originais.

Daí que considerar o iOS 6 como um upgrade de grande interesse… é no mínimo questionável.

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