Qual a melhor postura para a Sony numa nova geração de consolas?

A posição da Sony é ingrata. Por um lado a empresa depende da Playstation para sobreviver, mas por outro, ela não se pode dar ao luxo de entrar numa guerra de performances com a Microsoft, aumentando as perdas nas vendas de consolas para manter preços atractivos, e depois, por um motivo ou outro, a geração correr-lhes mal!

Apesar de neste momento, pelo incrível acumular de erros e de promessas não cumpridas da Microsoft na presente geração de consola, ser incrivelmente difícil imaginar outra situação que não seja a futura Playstation destacar-se no início da nova geração, a realidade é que um cenário mais negro pode ocorrer para a Sony.

A realidade é só uma e é o que é. A Microsoft é uma das maiores empresas do mundo, e com uma capacidade financeira que a Sony não possui. Isso não quer dizer que a Sony não tenha a capacidade para desenvolver um produto melhor que o da Microsoft, pois a realidade é que isso não só já aconteceu, como a realidade financeira de ambas as empresas permitem o desenvolvimento de produtos de topo. O exemplo aconteceu em 2013, onde a então falida Sony superou a já mega gigante Microsoft!

Infelizmente, mesmo com uma Sony revigorada, é na possibilidade financeira de absorver prejuízos na criação de um hardware de topo que depois é vendido a um preço acessível, que a Sony não está em posição de competir com a Microsoft. Tal situação representaria uma perda financeira que teria forçosamente de ser recuperada depois com um grande volume de vendas e grandes adesões aos seus serviços, e se é uma realidade que a Sony parte para a próxima geração numa aparente posição privilegiada, o certo é que nada pode garantir que esse sucesso seja garantido, e a introdução de novos factores como o streaming no mercado, mesmo não sendo desejados, podem levar a um volt face no mercado que conhecemos. E um falhanço da divisão de Gaming teria consequências desastrosas para a Sony.

Esse risco é uma realidade e existe, sendo que a empresa nipónica terá forçosamente de o tomar em conta.



Sabemos a Microsoft tem tentado ao longo dos anos, sem qualquer sucesso, tornar-se líder no mercado dos videojogos, apesar de tambem sabermos os videojogos são apenas uma desculpa para algo bem maior, o controlo total das nossas salas de estar que era prometido com a Xbox One.

Os resultados nesse campo tem sido desastrosos para a Microsoft, pois a sua falta de foco levou a que a tentativa de controlo da sala lhes tirasse mais de metade da quota do mercado dos videojogos que tinha sido obtida na geração 360.

Mas o falhanço da Microsoft, e a sua continuidade na tentativa, só prova uma coisa, que a empresa está decidida a ir até onde puder, e que o perder dinheiro nesse processo não é um problema, mas sim uma possível consequência. E felizmente para a Microsoft, os seus lucros são de tal forma que estas perdas podem ser assumidas sem grande impacto nas contas. E mesmo que tal possa não agradar aos investidores, o máximo que eles se podem queixar é que os lucros poderiam ser maiores.

A perda de dinheiro é uma realidade com que a Microsoft lida diáriamente. O facto de ela ser uma gigante mundial leva a que  variações na bolsa possa levar a alterações nos valores no bolso dos accionistas que mensalmente, e apesar de subidas e descidas, podem  no seu global alcançar valores iguais ou até superiores a todo o valor da Sony. E perante essa realidade, as perdas possiveis da divisão Xbox acabam por ser trocos no bolso da Microsoft.

Atualmente a Microsoft está em investimento na divisão Xbox, e apesar que quem acompanha a história da Microsoft sabe perfeitamente que isto não representa um crescimento, mas sim um recuperar dos erros cometidos nesta geração com o fecho dos estúdios existentes, a realidade é que tal injecta nos investidores uma confiança adicional sobre o futuro. Nadella tem a confiança dos mesmos, e esta aposta em Phil Spencer e na divisão leva a que os investidores se sintam confiantes com quaisquer decisões tomadas, incluindo aquelas que incluam possíveis perdas que possam existir ao se investir numa consola mais poderosa que é vendida a um preço baixo, absorvendo-se prejuízo.

Este artigo acaba assim por ser uma constatação que é basicamente racional e que toma em conta realidades que são as diferentes dimensões das empresas e respectivas capacidades financeiras. O investimento em aquisições de estúdios, a criação de uma consola como a X, o investimento na Xcloud e no Gamepass, vindos de uma empresa que está na sua pior geração de sempre mostra uma disponibilidade económica que dificilmente veríamos noutra empresa na sua posição. É pena que para isso se tenha sacrificado a criação de software exclusivo de qualidade, algo que provavelmente teria tido mais sucesso em promover a marca que o resto, até porque estúdios já existiam e foram fechados. Mas enfim, como já referimos as políticas da Microsoft ao longo da geração foram mais do que más.



Apesar de a Microsoft não ter aprendido que a potência não significa a consola de maior agrado do público, o que é provado pelo facto de a X ser a consola mais potente do mercado, e mesmo assim a Switch estar prestes, em dois anos de mercado, a ultrapassar a base instalada de consolas que a Xbox conseguiu em seis anos, bem como o facto de a PS4 continuar a vender mais de 2:1 face á Xbox, com a PS4 base a ser o modelo mais vendido.

Mas a realidade é que a X conseguiu o feito de aumentar as vendas da Xbox, e nesse sentido a Microsoft tem mais é de estar satisfeita com ela. E nesse sentido o mais certo é não querer abdicar de poder ter a consola mais poderosa do mercado uma vez que a formula funcionou.

Claro que querer e poder é outra coisa. A Sony não precisa de cometer loucuras e aquilo que corre como rumor é que a Sony terá participado na criação da Navi, o que terá diluído os seus custos ao longo dos tempos. Caso a Navi tenha mesmo sido construída em colaboração com a Sony, não só esta empresa pode ter exclusivo consola sobre certas partes da tecnologia presentes no silicone, como poderá ter acesso a preços muito mais baixos do que teria se se tivesse limitado a encomendar um APU costumizado. Isto é o que falta ver se se confirma ou não, mas a Sony poderá ter-se precavido ao longo do tempo, diluindo os seus custos de forma a poder encarar o futuro de forma menos onerosa.

A realidade é que a divisão de videojogos da Sony é a sua divisão mais importante, e foi ela a principal responsável pela recuperação financeira, sendo que ainda hoje ela suporta divisões menos bem sucedidas como é o caso da de telemóveis.

Ora uma consola cara, vendida com grande prejuízo foi o que a Sony teve com a PS3, e isto depois de a empresa vir da sua geração melhor sucedida de sempre com a PS2. Mas se nessa altura a Sony era ainda uma gigante tecnológica mundial, a sua situação neste momento é algo diferente, e uma nova geração como a da PS3 poderia ser desastrosa.



Basicamente o que isto significa é que é nossa opinião que a Sony deve criar a melhor consola que puder, e certamente pode-o, bem melhor que em 2013, fazer, mas deverá fazê-lo com a cabeça no lugar. A Microsoft criar uma consola mais potente poderá ser uma inevitabilidade, pelo que a Sony deve apresentar um bom produto, que convença o mercado, mas sem entrar em loucuras de querer forçosamente bater a concorrência. Com um produto bem concebido a concorrência não o poderá bater por muito mais de 2 Tflops, o que se revela percentualmente um valor algo reduzido e que não fará a real diferença, especialmente se as equipas da Sony continuarem concentradas na qualidade que apresentaram na presente geração. Esse é o motivo pelo qual achamos que a Sony irá lançar a sua consola  sem se preocupar com o que terceiros podem apresentar, e preferencialmente aproveitando ao máximo todos os timings que a tecnologia lhe der.

Para terminar refira-se que este é um artigo baseado numa análise ponderada da realidade das empresas. No entanto, convem não excluir a possibilidade de a Sony, naquilo que seria apenas boa gestão e consciência da sua realidade, ter-se já precavido para esta fase, criando as condições para que o seu produto possa ser acessível e igualmente potente, podendo mesmo bater a Microsoft. Aqui entra em conta o rumor da Navi e da colaboração da Sony com a AMD no seu desenvolvimento. O que esta colaboração implica não se sabe dizer, e tudo o que possa ser lido é mera especulação, mas caso a Sony tenha patentes suas neste GPU que permite à AMD usar no mercado PC, certamente a Microsoft, na sua consola, ficará isolada delas, usando ou uma Navi igualmente alterada com tecnologias suas, ou uma Vega.

Daí que voltamos à questão já abordada em alguns artigos atrás, de que sem sabermos exactamente tudo o que rodeia a Navi e em que consistiu exactamente a colaboração da Sony, tudo o que se diga é especulativo.