O Moto 360. O mais belo dos smartwatches até hoje lançado! Assombrado por uma vida de bateria demasiadamente curta, o relógio teve alterações no seu software que lhe melhoraram a autonomia. Mas como está agora, e o que vale face a outros smartwatches. Analisamos e comparamos este relógio com o Galaxy Gear 2.

Para mim, tal como para muitas pessoas, um relógio… é redondo! E nesse campo, o Moto 360 é atualmente o único Smartwatch que cumpre esse requisito.
Trata-se de uma questão de opinião, é certo, mas não é à toa que 99,9% dos relógios vendidos são redondos! Pura e simplesmente o redondo é a forma ideal para um relógio.
Daí que quando o Moto 360 foi apresentado, os olhos do mundo caíram em cima dele. Era o primeiro smartwatch redondo, e acima de tudo, era extremamente belo.

Dessa forma, querendo adquirir um smartwatch, o moto 360 foi o relógio que mais me chamou a atenção. Mas infelizmente as primeiras análises decepcionavam…
Por incrível que pudesse parecer, o Moto 360 possuía uma autonomia de bateria muito reduzida. E com tudo ativo, o relógio dificilmente durava mais de 12 horas. Convenhamos que era muito pouco…
Para aquilo que é, acima de tudo, um relógio, qualquer coisa abaixo de 24 horas é pouco! Poderemos até dizer que algo na ordem das 21 horas já é aceitável para um dia de trabalho normal, mas mesmo assim as 24 seriam o mínimo desejável. Abaixo disso é aceitar situações não muito incomuns em que poderemos ficar sem o relógio numa altura onde ainda estaremos acordados e precisamos dele.
Essa limitação foi o motivo pelo qual coloquei o Moto 360 de lado tendo optado por um Samsung Galaxy Gear 2 baseado no sistema operativo Tizen. Apesar de esse smartwatch da Samsung ter sido inicialmente lançado com o sistema operativo Android Wear, e sofrer dos mesmos problemas de autonomia de bateria que o Moto 360, a passagem para o Tizen, aumentou-lhe a autonomia para cerca de 2 dias com todas as funções ativas, e de até 3 com o Bluetooth desligado (para todos os efeitos usando o smartwatch apenas como um relógio com faces intercambiáveis).
Com o Gear 2 a ser o único smartwatch do mercado a apresentar uma autonomia decente, a escolha era simples!

No entanto, mais recentemente, o Android Wear teve uma atualização de peso, passando a ser baseado no Android 5 . E o impacto no uso da bateria dos Smartwatchs equipados com o mesmo foi enorme!
No caso do Moto 360, este passou a possuir uma autonomia que atinge as 24 horas com tudo activo com uso moderado. E subitamente tornou-se novamente um relógio bastante interessante.
Tão interessante que, associado à descida de preço que teve e que o coloca agora nos 199 euros, se tornou novamente num objecto de desejo. E daí que o resolvi experimentar!
E nem o facto de saber que O moto 360 não está equipado com hardware de topo, me dissuadiu. Afinal, não há uma única queixa de falta de performance em toda a internet.
E o certo é que a experiência foi uma surpresa. O relógio não só é extremamente bonito, mas o efeito das watchfaces aplicadas a um ecrã redondo é infinitamente superior ao visualizado no Galaxy Gear 2. É caso para se dizer sem sombra de dúvidas que o facto de o smartwatch ser redondo faz toda a diferença do mundo a nível visual e estético.

No entanto nem tudo no Moto 360 se revela superior. Há várias diferenças entre o Moto 360 e o Gear 2!
A nível de software a vantagem vai claramente para o lado do Android Wear Ambos os smartwatches estão equipados com microfone para a recepção de comandos verbais (S Voice no Gear 2 e Google Voice no Moto 360), e ambos respondem com precisão aos comandos verbais solicitados. Ambos possuem contador de passos, e medidor da batida cardíaca, bem como giroscópio.

No entanto, apesar de as funções básicas serem as mesmas, o Gear 2 revela-se mais completo. Ao possuir uma pequena coluna embutida, o telefone da Samsung é capaz de reproduzir áudio de forma autónoma. Pode ainda ser usado para realizar chamadas, algo que não é possível no Moto 360, apesar de as mesmas poderem ser iniciadas e atendidas em ambos os relógios.
Já nas partes comuns é difícil encontrar uma componente onde o Moto 360 fique atrás do Samsung. Todo o seu software é superior e esteticamente mais agradável, como a variedade de oferta é incomparavelmente maior. Watch Faces (ou faces de relógio) são às centenas para o Gear, mas aos milhares para o Moto, havendo centenas novas a aparecer todos os dias, e disponibilizadas a 99% de forma gratuita.

Dado que tive alguma experiência na criação de watchfaces para o Gear 2, resolvi fazer o mesmo para o Moto 360. E fiquei surpreendido! Não só o processo é bastante mais simplificado como as opções disponíveis são incrivelmente superiores. Se no Gear 2, não entrando em programação complexa, estava limitado a controlar a bateria a intervalos de 20%, verificar se o BT estava ligado ou desligado, e a controlar/desenhar o fundo do ecrã e respectivos ponteiros, no Moto 360 absolutamente tudo que se possa pensar é possível. Animações, controlo total da leitura da bateria, acesso ao pedometro, ao medidor da batida cardíaca, e a funções como o GPS, bussola, etc. Tudo isto com uma facilidade de acesso em tudo semelhante ao do Gear, mas que no global, se acaba por revelar bastante mais simplificado e fácil de criar. Consegui assim reproduzir com relativa facilidade algumas faces complexas não gratuitas e vendidas na Google Play bem como converter as minhas favoritas do Gear 2.. Eis o exemplo de como se pode fazer uma boa conversão (e sim, esta foi feita por mim, com a diferença que no Moto 360 todos os ponteiros funcionam ao passo que no Gear 2 os pequenos ponteiros são apenas estéticos).

Ora apesar de anteriormente termos identificado alguns pontos em que o Gear 2 se revelava superior, na minha experiência pessoal, esses pontos acabam por se revelar algo irrelevantes.
As vantagens encontradas passam pela presença no smartwatch de um pequena coluna de som que destaca a nível de capacidades o Gear 2 do Moto 360. No entanto esta é de muito baixa potência e mesmo qualidade. Mais ainda, o seu uso tem um impacto tremendo no uso da bateria.
Atender chamadas falando para o pulso é uma situação que só se revela interessante em algumas situações. Não só o som emitido pelo relógio é extremamente baixo impedindo o uso em locais ruidosos, como o mesmo pode ser escutado por qualquer pessoa nas imediações. Isso quer dizer que qualquer chamada atendida dessa forma terá forçosamente de ser pública.
A vantagem desta função fica assim reduzida ao uso no interior de um automóvel, mas apenas nos casos onde o ruido não seja elevado pois com a mão no volante, e relativamente longe da cabeça, o som não é alto o suficiente.
Da mesma forma e pelos mesmos motivos, o leitor de audio sofre dos mesmos problemas. O som é baixo e sem impacto.
Estas funções só se tornam úteis quando o relógio se encontra emparelhado via bluetooth com uns headphones, uma situação perante a qual o Moto 360 também pode reproduzir áudio usando o seu leitor fornecido de origem. No entanto, dado o impacto do seu uso na bateria a situação não é recomendável em nenhum dos relógios.
No meu caso particular, não me agrada de todo a ideia de andar todas as horas do dia, dia após dia, com um emissor de bluetooth activo no pulso. Trata-se de uma emissão de ondas que poderá ser nociva. É certo que tal não está provado, mas certamente não me agradaria vir a descobrir por experiência própria que tal situação afinal seria verdade.
Daí que a realidade que experimentei em quase meio ano de uso do Gear 2 era de uso com o Bluetooth desligado excepto em casos de necessidade, e por norma usando o smartwatch apenas como relógio, mudando-lhe a face de acordo com a roupa vestida. Todo o restante uso que requeria Bluetooth só acontecia mediante a necessidade específica.

Nesse aspecto, posso por isso referir que, apesar de ter perdido as funções oferecidas pela coluna do Gear 2, não senti qualquer falta das mesmas. Muito pelo contrário, o Moto 360 complementou-se ao oferecer-me watchfaces de uma qualidade e com um aspecto visual que o Gear 2 não oferecia. Usando o relógio com o BT desligado e com o Ambient Light ligado, a bateria está-me a durar cerca de 36 horas.
Infelizmente o Ambient Light está agora diferente do que existia quando o smartwatch foi lançado. Na versão inicial ligar o ambient light implicava que o relógio entrava em modo de poupança de bateria, mas nunca desligava o ecrã. Com a nova versão do OS, isso foi alterado. O ecrã entra no modo económico de baixa intensidade ao fim de alguns segundos, tal como anteriormente, mas apaga-se mal o pulso perde a posição horizontal. Resumidamente, quando não está virado para os nossos olhos, o ecrã está desligado, mas activa-se mal o relógio é novamente virado nessa direcção .
Apesar de o OS não permitir alterar os tempos de activação daluz na intensidade definida (há 5 níveis acima do modo de economia) existe uma aplicaçao paga na Google Play que o permite fazer. Com ela podem definir o tempo que querem o relógio na intensidade definida (1, 2, 3, 4, 5 e automático, que usa o sensor de luz, colocando a intensidade mais forte na presença de mais luz ambiente), e caso queiram podem mesmo mantê-lo sempre acesso. Isto claro à custa de mais consumo de bateria, mas o ideal para uma pequena festa onde queiram exibir o relógio.
No global, sinto que apesar de o Moto 360 não ser tão completo a nível de hardware, acaba por ser mais aquilo que a meu ver é a sua função principal. Um relógio. E isso é no fundo aquilo que ele deveria ser! Um relógio que oferece mais!
E no presente caso, face ao Gear 2, podemos dizer que ele faz isso… mesmo tendo menos.
É um relógio que me está a fascinar, ao ponto de o Gear 2 estar encostado. É actualmente o relógio mais bonito do mercado, completo quanto basta, e com um preço corrente bastante acessível.

Antes de terminar sito que não posso deixar de falar naquilo que todos querem ouvir: Mas e o pequeno corte na base para o sensor de luz que impede o relógio de ser completamente redondo?
Sinceramente? É pena que exista, e é especialmente notório nas faces brancas. Mas normalmente nem me apercebo da sua presença! E uma coisa é certa, apesar de em alguns casos pensarmos que seria bom que não existisse, não é pela sua presença que o relógio fica prejudicado!

Naturalmente tudo aqui escrito é baseado na minha experiência própria, no meu tipo de uso do smartwatch, e na minha opinião. Mas não deixo de a partilhar para que possam tomar a mesma em conta caso o desejem.

| Análise: Moto 360 - Quando menos... é mais | |
|---|---|
| Estética | ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() |
| O que dizer? É redondo como a maior parte dos relógios e é pura e simplesmente LINDO. Não há nada no mercado que lhe chegue perto! | |
| Qualidade de construção/materiais | ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() |
| O Moto 360 é grande. É um verdadeiro relógio. A imagem de um produto barato não passa a quem pega nele. È feito em aço inoxidável, gorila glass, puseiras intercambiáveis e com encaixe standard em couro ou aço ino. O botão que o equipa é igualmente em aço e resistente, sendo que o relógio é resistente à água, podendo mesmo aguentar pequenas submersões. | |
| Bateria | ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() |
| A bateria é o ponto fraco dos smartwatches e o Moto 360 não é excepção. Apesar do aumento drástico da bateria com a actualização para o Lollipop que lhe permite agora aguentar-se, com a utilização que lhe dou, perto de 24h, é de lamentar que não se aguente mais. No entanto dado o seu carregador por indução, bem como o facto de o relógio, quando em carga, dobrar como relógio de mesa de cabeceira, fazem com que a carga noturna seja simplificada. | |
| Relação qualidade/preço | ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() |
| Os materiais do Moto 360 são dos mais nobres do mercado, criando aquilo que é um produto com um aspecto fino e uma qualidade de construção acima da média. As funcionalidades, com excepção das funções associadas à capacidade de reprodução audio, são as normais do mercado. Pode ter menos funções que um Gear, mas a qualidade dos materiais, estética e 'finesse' compensam essas lacunas. O hardware presente impede o relógio de levar a nota máxima, mas a realidade é que não se sente falta de mais performance. | |
| Overall | ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() |
|---|---|
| Ter um Moto 360 é, mais do que em qualquer outro smartwatch não redondo, ter um mil e um relógios. As faces intercâmbiáveis criadas especificamente para este produto são aos milhares e o seu aspecto no ecrã fantástico. Desde réplicas a produtos originais, a escolha é enorme e na sua maioria gratuita. Se queres este smartphone para atender chamadas, ouvir MP3 e receber notificações a tempo inteiro, o moto 360 pode não ser o produto para ti. Mas se queres um produto bonito com milhares de looks diferentes e um acessório de moda que se adequa ao que vestes, o Moto 360 é o ideal para ti. | |

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