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Retomando o nosso artigo

Desfragmentar ou não?

 Posted by Nelson Cruz on 10 de Setembro de 2010  Hardware
Set 102010
 

Este post vem na sequência de uma pergunta no fórum sobre se desfragmentar um disco é bom ou mau para a saúde do mesmo. Decidi editar e expandir um pouco a minha resposta e colocar aqui.

Desfragmentar é indiscutivelmente mau apenas nos discos SSD. Esses sim desgastam-se com as escritas, e não ficam mais rápidos com a desfragmentação (até pode acontecer o contrário como expliquei aqui). O Windows 7 ao detectar um SSD já desactiva a desfragmentação automática.

Mas nos discos rígidos, também há quem ache que desfragmentar lhes dá uma grande carga de trabalho que pode causar algum desgaste e acelerar o fim-de-vida.

Esse argumento para mim não colhe por 2 razões:

1 - Sim, o desfragmentar dá uma grande carga de trabalho, mas também a poupa depois durante a utilização normal do computador. Não me parece de todo difícil que um disco que seja desfragmentado regularmente, tipo 1 vez por semana, sofra menos desgaste mecânico durante 1 semana, incluindo a desfragmentação, do que um disco que já não é desfragmentado há anos.

2 - Mesmo que cause desgaste, dado que os discos rígidos actualmente são baratos, parece-me ridículo alguém aguentar com um disco cada vez mais lento, por estar todo fragmentado, só para eventualmente lhe prolongar a vida uns meses. Os discos rígidos já de si são o elemento mais lento num computador. Sem desfragmentação, ao fim de 1 ou 2 anos ficam com uma lentidão exasperante.

Fui procurar se o Steve Gibson alguma vez tinha comentado a desfragmentação. Além de especialista em segurança informática, já trabalhou para um fabricante de discos, e é o criador do SpinRite, um dos melhores programas de manutenção/recuperação de discos, que existe praticamente desde o início dos PC.

O Gibson abordou a desfragmentação no episódio 186 do seu podcast Security Now. Ele diz que desfragmenta os seus discos e, claro, que se alguém está preocupado que o seu disco avarie deve antes demais precaver-se contra isso (com backups, RAID, etc). Já se sabe que mais cedo ou mais tarde os discos avariam. Mas o único problema que o Gibson levanta quando à desfragmentação é a temperatura do disco, que durante a desfragmentação pode elevar-se até níveis perigosos. De resto, diz que tem até alguns efeitos positivos, visto que ao mover coisas de um lado para o outro a electrónica do disco pode identificar sectores que estão a ficar estragados, e removê-los de uso (algo parecido com a manutenção do SpinRite que lê e volta a escrever todos os sectores de um disco).

A temperatura dos discos é algo que se pode controlar manualmente. Há vários programas para isso. Alguns computadores até já trazem utilitários que incluem essa função. Actualmente estou a usar o gratuito CrystalDiskInfo, que ao contrário de outros pagos que já usei até a temperatura dos discos USB externos indica. Quem usar o SpeedFan para controlar a velocidade das suas ventoinhas, também já tem acesso às temperaturas dos seus discos.

Quanto a programas de desfragmentação que tenham eles próprios atenção a esse parâmetro, só encontrei um único. É gratuito e chama-se DiskTune. Mostra a temperatura e pausa automaticamente quando a temperatura atinge valores elevados. Como desfragmentador não sei se será bom… Pela experiência rápida que fiz pareceu-me lento. Não tanto como o desfragmentador do Windows, mas um bocado lento. No entanto vigiar a temperatura é sem dúvida uma funcionalidade interessante. Principalmente para usar em portáteis, que têm mais tendência para aquecer, e para quem quiser deixar a desfragmentação a ser efectuada enquanto vai fazer outra coisa qualquer.

Curiosamente nem sequer os criadores dos desfragmentadores pagos ainda se lembraram de copiar esta função.

Pessoalmente prefiro um desfragmentador rápido. Quanto mais rápido for menos tempo dá para que o(s) disco(s) aqueçam, e mais depressa o sistema fica disponível para ser utilizado em pleno. Nisso o desfragmentador do Windows é terrível. Mesmo o do Windows 7 já o vi trabalhar durante horas num disco que pouca fragmentação tinha!

Um gratuito e relativamente rápido é o Defraggler. Tem também uma série de funções interessantes, como um “Quick Defrag” (mais rápido que método normal), desfragmentação de ficheiros específicos à escolha, passagem de desfragmentação do espaço livre, etc.

Entre os pagos, a minha recomendação vai para o Raxco PerfectDisk. É rápido, parece-me que faz uma boa optimização da colocação dos ficheiros em disco (ficheiros raramente modificados no início do disco) e até pode correr durante o arranque do Windows para desfragmentar os ficheiros da memória virtual e hibernação. O principal concorrente é o Diskeeper, que tem uma estratégia diferente do tradicional. Fica a correr em fundo constantemente, tentando prevenir a fragmentação de ocorrer, e optimizando a colocação dos ficheiros mais lidos.

No caso da desfragmentação do disco onde o Windows está instalado, não esquecer de correr antes o CCleaner para remover ficheiros temporários e outros ficheiros desnecessários. Só atrapalham, e apagá-los facilita uma boa colocação dos restantes ficheiros no disco.

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  One Response to “Desfragmentar ou não?”

Comments (1)
  1. Muito interessante o artigo.

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